Para Sempre
10 Dei
Tudo bem. Uma mensagem de George Scott. Meu pai.
Abri o e-mail, minha mão tremia e eu estava ansiosa demais.
“Eu não sei o que te dizer, Julie. Bom, eu sinto muito por ter ficado ausente nesse tempo da sua vida, de verdade. Acho que eu deveria começar assim. Não te deixei porque quis, mas confesso que foi uma escolha minha. Eu tenho 3 filhos e quando conheci sua mãe eles já existiam. Eu era casado. Sua mãe foi um caso que tive e que acidentalmente acabou gerando você. Minha mulher soube disso e só me perdoou porque voltei pra casa. Bem, não estamos mais juntos agora, faz uns dois meses que nos separamos. Eu sinto muito mesmo, eu sei que eu poderia ter dado um jeito, mas se ela soubesse, iria acabar com todo o meu patrimônio, iria ter a guarda dos meus outros três filhos e eu ficaria sem nada. Sua mãe estava de caso com um cara também, um namorado dela na época e não quis levar adiante. Não sei o que aconteceu com ela depois, se contou ou não mas...bem, você deve ter entendido. Eu ficaria sem nada.
Fiquei surpreso com a sua ligação. Confesso que fiquei feliz.”
Eu não conseguia sentir e pensar em nada. Não sei se eu o culparia, se eu o condenaria ou se deixaria tudo pra lá. Decidi deixar tudo pra lá. Pessoas erram em medidas desesperadas e eu também ficaria com muito medo de perder meus bens e principalmente meus filhos. Seria muito mais difícil pra ele perder os outros do que um bebe que ele nem se quer conheceu.
Fui digitando algo sentimental mas depois apaguei. Era muito melhor ser direta.
“Desculpa se eu estou incomodando. Nem pensei que poderia acabar com a sua vida, mas...bom, minha mãe nunca me disse nada sobre você ou sobre o caso que os dois tiveram. Ela não gosta de falar.
Assim, eu só queria manter contato. “
Ele me mandou um e-mail em poucos minutos.
“Manteremos contato, claro! Estou tão animado com isso. Mande uma foto sua e eu mando uma foto minha. Vai ser ótimo ver como você está. A propósito, agora moro em Paris, qualquer dia você poderá me visitar.”
Mandei uma recente foto minha para ele e logo ele me mandou uma foto dele com os outros três filhos. Dois meninos e uma menina. Eram adultos já, mais velhos do que eu. Loiros de olhos claros, provavelmente puxaram a mãe porque George tinha cabelos escuros e olhos claros como os meus. Fiquei procurando mais semelhanças além dessa. Eramos parecidos, sim. Dava para perceber, apesar dele estar um pouco velho. Os cabelos brancos já estavam aparecendo.
Bom, era um cara bonitão. Parecia ser aquele cara irresistível na juventude.
Fiquei feliz por estar tendo um contato naquele momento com meu pai. O problema seria contar isso para minha mãe.
Steve me mandou uma mensagem logo em seguida dizendo que teria que ir num evento da empresa em que o pai dele – e Augusto – é sócio e perguntou se eu queria ir. Avaliei o que eu iria fazer o dia inteiro e cheguei a conclusão que seria bem mais divertido ir com ele do que ficar aqui em casa. Eu nunca perderia uma oportunidade de ver Steve, apesar de que agora nossos encontros sejam frequentes.
O evento começaria depois do almoço, então eu me arrumei logo e comi alguma coisa. Disse para minha mãe que iria sair e que talvez o marido de minha avó estaria por lá.
Steve passou para me buscar eram quase duas da tarde. No carro eu liguei o rádio e fomos conversando sobre qualquer coisa até chegar no assunto George Scott.
– Conversaram?
– Por email? Sim. Ele me disse o motivo pelo qual ele nunca me procurou, pediu desculpas e essas coisas.
– O que ele disse?
– Disse que o que ele teve com minha mãe na verdade foi um caso fora do casamento e que a mulher dele não aceitava que ele fosse me procurar. Ele tem três filhos além de mim. Decidi esquecer que ele poderia ter mandado ela ir a merda.
– Então ele é casado.
– Não, não. Ele se separou da mulher faz um tempinho. Ele me mandou uma foto dele com os outros filhos.
Meu celular vibrou. Peguei ele, desbloqueei e tinha uma mensagem do Rafael.
“ Sinto sua falta, Julie, e espero que você sinta a minha também.”
Apaguei a mensagem e voltei a conversar com Steve. Rafael não poderia estar falando sério.
Chegamos no evento e parecia estar bem cheio. Era uma casa de festa. Um cara pegou a chave do carro de Steve para estacionar e nós entramos. Logo vimos o pai dele conversando com outros quatro caras vestidos com ternos caros.
– Steve! – O pai dele exclamou quando nos viu. – Esse aqui é meu filho e – ele olhou pra mim, sorrindo – e essa é a namorada dele.
Todos nos cumprimentaram e eu tentei ser o mais simpática possível.
– Vamos sair daqui – ele disse baixinho.
Nos despedimos e começamos a andar pelo salão lotado de gente e pessoas servindo coisas muito convidativas.
Tocava uma música legal de fundo e eu não sabia o que fazer. Todos estavam muito bem vestidos com cara de que gastaram o salário todo nas roupas. Steve e eu tiramos uma foto com o celular dele e depois um fotógrafo surgiu do inferno e pediu para tirar uma foto nossa. Steve pegou na minha cintura e sorriu para a câmera. Fiz o mesmo mas depois minha bolsa caiu e eu tive que pegar. O fotografo não para de bater fotos e a luz do flash estava me irritando. Eu peguei minha bolsa e depois olhei para Steve que estava sorrindo pra mim. Não consegui me conter e abri um enorme sorriso que provavelmente tinha mostrado todos os dentes da minha boca.
– Bom, eu vou mandar por email as fotos – o fotógrafo disse. – Me passem o email de vocês.
Steve passou o dele e eu passei o meu.
Continuamos a andar pelo lugar até ter um brinde estranho que resultou em eu batendo a mão na taça e ela ir para o chão fazendo barulho. Todos olhoram para mim na hora e eu apenas consegui olhar para Steve que estava rindo.
– Você é muito desastrada. Como sua mãe deixa você andar sozinha?
– Não sei também.
Ele deu risada.
– Eu amo você por isso.
– Você me ama – eu disse.
– Não é óbvio?
– Queria que você dissesse.
– Eu te amo, Julie.
– Eu amo você também, Steve.
Quando a festa terminou, Steve me levou de volta para casa e eu mandei outro email para meu pai. Como eu estava cansada, acabei dormindo cedo.
Quando acordei, arrumei minhas coisas e fui para a escola. Encontrei meus amigos e acabei esbarrando com Rafael nas escadas. Na verdade, ele esbarrou em mim de propósito. Nos encaramos por um logo tempo, até eu desviar o olhar e tentar continuar a subir. Ele me pegou pelo braço com força, me forçando a descer alguns degraus.
– Julie – ele estava estranho. O olho estava vermelho, a pupila diferente. Não sei, algo me incomodou. – Por que você não me respondeu?
– Quando?
– Ontem.
– Vai ver porque eu não quis.
Ele olhou freneticamente para os lados.
– Por que tem faltado tanto na escola? – Perguntei.
– Você não sabe de nada – ele diz de forma aleatória.
– Rafae...
– Eu sinto falta do seu cheiro – ele se aproximou de mim e começou a fungar bem forte. – Da sua pele – ele apertou meu braço com a unha.
– Isso ta machucando, Rafael.
– Eu sinto falta disso – ele deu um tapa da minha bunda.
Tentei me livrar dele mas Rafael continuou me segurando.
– Me solta.
– Você ta saindo com aquele cara?
– Não é da sua conta.
– É claro que é.
–Estou saindo, sim.
– Você vai terminar com ele e voltar pra mim. Eu sei disso.
– Rafael, solta o meu braço.
– Eu te amo.
– Se você me amasse não teria me traído.
– Eu quero você de volta pra mim, Julie. Você é minha, sempre foi.
– Não, Rafael.
O sinal tocou e ele foi obrigado a me soltar. Fiquei assustada com a atitude dele. Olhei para meus braços e vi a marca da unha dele. Aquilo doeu.
A semana passou voando. Na terça eu fiquei ainda mais irritada com a forma que Rafael e o menino novo olhavam para mim, mas decidi que era melhor ignorar. Na quarta os dois faltaram e para mim foi um alívio. Jessy e Mathew estavam contando seus planos para o fim de semana mas eu disse que viajaria com a minha avó para a casa de campo dela, que na verdade é do Augusto – e que acabou sendo dela também, de alguma forma.
Na quinta feira Rafael voltou a me mandar mensagens. Não respondi nenhuma, claro, até que na escola ele me abordou novamente, dizendo que eu estava fazendo a coisa errada, que eu não deveria trocar ele por um cara que eu não conheço.
Minha mãe estava irritada com o trabalho e estava sendo grossa comigo o tempo todo, então não deu para contar sobre meu pai e que eu estava conversando diariamente com ele. Uma hora eu teria que contar, mas eu poderia esperar um tempo.
Na sexta feira, eu fui para a escola e Rafael esbarrou com força em mim, mas não parou para falar alguma coisa. Ele continuou andando, olhando para trás. Porra. Ele estava me irritando ao extremo.
Nas aulas eu recebia mensagens dele, pegava ele me olhando, sussurrando alguma coisa com o menino novo. Havia algo de diferente nele, algo estranho. Até cogitei a ideia dele ter virado um vampiro mas...não.
Steve veio me buscar na escola. Entrei no carro e antes dele liga-lo, observei que Rafael estava encarando o veículo. Suspirei pesadamente. Chegamos em casa, eu arrumei minha mochila e como seriam poucos dias, eu não precisava levar muita coisa. Steve me deu um beijo na testa e foi em direção ao banheiro. Liguei para minha avó e disse que estávamos saindo e que logo estaríamos lá.
Steve nos levou até a casa de minha avó e eu contei para ele sobre Rafael.
– Você está falando sério? – Ele me perguntou.
– Claro.
– Porra – ele bateu no volante. – Não chegue perto dele.
– Não fico perto dele, ele que vem pra cima de mim.
– Essa marca no seu braço, o que é? – Olhei para meu braço. O lugar que ele havia apertado ainda estava marcado com a impressão das unhas e um roxo que já estava saindo.
– Não é nada.
– Julie, ele apertou seu braço, não foi?
– Ele queria que eu conversasse com ele, me machucou um pouco.
Steve trincou a mandíbula. Nossa, ele estava bem irritado.
– Calma, Steve. Vou fazer o máximo de esforço para não chegar perto dele.
– Se ele tocar em você de novo, eu mato ele.
– É, mata sim – e aumentei o volume do rádio. Não queria mais falar sobre isso.
– Você está duvidando? – Ele abaixou o som.
– Não, mas...ah, não quero falar dele. Rafael sempre foi meio louco, ele só está com más influências. Ele não vai me tocar de novo e você não vai precisar matar ele, até porque se isso acontecer eu mesmo enfio a minha mão na boca dele até se sufocar.
Ele foi em silêncio o caminho todo o que me deixou um pouco irritada. Chegamos na casa da minha avó e Augusto estava nos esperando. Mal chegamos e eles já colocaram as coisas dentro de um carro lindo e fomos em direção a casa de campo que eles compraram. Eu estava animada, ia ser divertido.
– O carro não é do seu pai? – Eu perguntei para Steve. Nós dois estávamos no banco de trás enquanto Augusto dirigia.
– Sim, mas ele tem dois agora. Comprou um novo. Na verdade, ele meio que me deu o carro.
– Que sorte.
Eu estranhei o fato de que o pai dele era rico mas a casa em que a mãe de Steve morava era bem simples. Disse isso para ele e me respondeu que a casa do pai dele era outra e era imensa. Ela só ficou com uma antiga casa deles, que era aquela em que morava.
Augusto colocou uma música legal e nós fomos curtindo. O caminho era bem longo, cerca de duas horas de viagem. Acabei dormindo no ombro de Steve que só me acordou quando chegamos.
– Já?
– Você dormiu a viagem toda – minha avó disse, saindo do carro. – Perdeu a briga de motoqueiros.
– Poxa.
Sai do carro e peguei minha mochila. Era uma casa média e luxuosa toda de madeira e o campo florido era maravilhoso. As flores eram amarela mas depois eu reparei que eram mais um gramado grande e amarelo que se se estendia pelo lugar até terminar num lago. Mas havia flores. Sim, muitas flores. Fiquei olhando e tentando reparar nos detalhes mas meus olhos começaram a arder com tanta coisa.
– Nossa – eu disse. – Bela compra.
– Eu só espero que não tenha muitos insetos – minha avó disse.
Entramos e a casa era ainda mais bonita por dentro. Muito bem decorada e com um enorme lustre no meio da sala. Incrível. Subi as escadas e joguei minha mochila num quarto. Steve fez o mesmo e depois me agarrou pela cintura.
– Desculpa se fui grosso com você eu só fiquei preocupado.
– Tudo bem – me virei para ele e lhe dei um beijo.
Nós almoçamos alguma coisa que Augusto preparou para nós e depois ficamos jogados no sofá, rindo de algumas histórias que minha avó contava. Quando o sol estava se pondo, eu saí e fiquei observando a beleza da natureza. Era uma bela paisagem. Steve me empurrou de repente e eu o empurrei de volta com mais força. Vi a cara dele de quem iria me matar e então eu corri entre a grama alta e as flores amarelas. Claro que ele me pegou e caímos no chão feito dois idiotas. Comecei a rir e ele também.
Ele subiu em cima de mim e me beijou. Passei a mão pelos cabelos escuros e bagunçados de Steve e meu corpinho já começou a esquentar.
Nos afastamos da casa e ficamos perto do lago, onde ninguém podia nos ver. O gramado era alto, não havia riscos. Ele me agarrou de uma maneira deliciosa. O corpo dele respondia o meu, com movimentos involuntários. Ele tirou minha blusa e apenas levantou minha saia, passando a mão pelo meu sexo. Ele colocou a calcinha para o lado e logo começou a brincar com o item mais precioso do corpo de uma mulher.
Eu também passava minha mão pela sua ereção, até ele me ajudar e colocar seu lindo amigo para fora.
– Transa comigo – eu disse.
Ele parou de me beijar e olhou pra minha cara, sorrindo. Sorri para ele de volta que mexeu aqueles dedos com rapidez, mas logo parou e tirou uma camisinha da carteira que estava em seu bolso. Ele rasgou o pacotinho e logo tudo estava pronto. Ah, eu queria tanto dar para esse cara.
Ele enfiou com cuidado, inicialmente fazendo movimentos lentos. Logo ele foi intensificando, intensificando, até que aquilo alcançou a perfeição. Gemi e a cada respiração forte de Steve nos meus ouvidos eu ficava ainda mais excitada.
Eu joguei meu corpo para o lado e girei, ficando por cima dele. Coloquei a mão no seu peitoral enquanto ele segurava minha cintura, acompanhando meus movimentos para cima e para baixo, para cima e para baixo.
Explodimos juntos num intenso prazer incrível e delicioso. Me deixei cair sobre Steve e ficamos deitados por um tempo. Pelados na natureza. Tudo o que eu sempre sonhei para mim.
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