Para Sempre

8 Conhecendo Minha Futura Sogra


Notas iniciais
Demorei para postar mas é culpa das provas. CONTINUEM LENDO PELO AMOR DE DEUS ♥

Certo, Julie. Você precisa focar nessa prova.

Fazia duas semanas que ele havia entrado na minha casa. Duas semanas que ele tinha tocado nas partes mais secretas do meu corpo – talvez não em todas. Eu não conseguia parar de pensar nisso. Não conseguia.

Enquanto eu fazia a minha prova de química eu ficava passando várias vezes a cena de nós dois nos esfregando no meu sofá e toda vez que eu lembrava disso meu corpo acendia como uma fogueira. Claro que eu já tinha me sentido assim com Rafael. Ele foi meu primeiro namorado, minha primeira experiência sexual mas fazia um tempo que eu não sentia isso. Eu queria muito me enrolar nos braços de Steve e nunca mais sair de lá.

Julie, volte para a prova. A PROVA.

Voltei a me concentrar no que era importante naquele momento. Minhas notas.

***

Aquela era a ultima prova do bimestre e quando eu acabei me senti livre – mas ainda tinha o quarto bimestre que era um saco.

Steve tinha me mandado uma mensagem perguntando se eu não queria que ele viesse me buscar. Abri um sorriso enorme na hora.

Passamos a semana toda juntos. Eu não via a hora de vê-lo novamente e beijar aquela boca linda com dentes perfeitos e brancos. Fora que ele também tinha um cheiro maravilhoso, sem falar da nunca extremamente atraente.

Enquanto eu descia as escadas do colégio, eu respondia Steve com um “SIM” e esperaria por ele do lado de fora. Jessy ficaria comigo até ele chegar.

– Então vocês estão num relacionamento quase que sério. Faz quanto tempo que vocês estão nesse fogo?

– Bom – fiz uma conta mentalmente – vinte e sete dias, mais ou menos.

– Quase um mês.

– Sim, era comecinho de setembro quando nos conhecemos. Já estamos outubro.

– Quero conhecer esse Steve.

– Você vai.

Ficamos esperando do lado de fora da escola até que um dos amigos de Rafael parou na minha frente e perguntou:

– Você sabe onde está o Rafael?

– Não – por que eu deveria saber?

– Cara, ele faltou e hoje era dia de prova. Ele tem faltado muito – ele comenta.

– Não sei o que está acontecendo. Fala com ele.

– Eu sei que você não tem nada a ver com ele mas, poxa, você poderia falar com ele, Julie. Rafael está muito diferente.

– Não posso fazer nada. Não vou voltar a falar com ele.

– Ele está todo louco por causa do novo menino da escola – um outro amigo do grupinho deles aparece na conversa. – Ela não tem nada a ver com isso, até porque a culpa disso tudo é dele.

– Ah, então...- eles se viram e começam a conversar entre eles.

Não tinha mais nada ligado ao Rafael. Eu não era mais namorada dele então eu não deveria me preocupar, mas aqueles três anos ficaram remoendo na minha mente o que me fez ficar tensa. Rafael não era de faltar, principalmente em dias de provas.

Tirei ele da cabeça quando vi o carro de Steve se aproximar. Ele parou quase em frente a escola e eu fui em direção ao veículo. Jessy veio atrás de mim, curiosa para saber quem era ele.

– Oi – ela disse, enfiando a cabeça dentro do carro pela janela que estava aberta.

– Oi –ele disse.

– Eu sou a Jessy, melhor amiga da Julie e eu queria muito ver com quem ela estava saindo – ela tirou a cabeça da janela. – Vocês bem que poderiam me dar uma carona, não é? Mathew foi embora mais cedo.

– Entra aí – ele disse.

Eu fui no banco da frente. Jessy ficou quieta o caminho todo, apenas escutando sua música no seu fone de ouvido verde. Ele a deixou na frente da casa dela e depois seguimos sozinhos até a minha casa.

– Não tinha notado que já faz quase um mês que nos conhecemos – eu disse.

– Já faz tudo isso?

Balancei a cabeça e liguei o radio.

– Você vai almoçar na minha casa- ele disse.

– Na sua casa?

– Sim, vou te apresentar para os meus pais.

– Me apresentar para os seus pais – eu repeti. – Como se eu fosse sua namorada.

– Ainda não é minha namorada mas eu quero que eles te conheçam – ele parou de falar para buzinar agressivamente para um cara que atravessou o sinal vermelho. – Fora que você é uma forte candidata para ser minha namorada.

– Forte candidata. Existem outras?

– Não. Por isso você está em primeiro lugar – ele olhou para mim rapidamente e sorriu.

Fui contando para ele dos meus planos. Contei que eu queria muito ter um gato e que estava procurando algumas coisas sobre meu pai. Queria ter contato, saber se ele está vivo, se está morto, se tem outra família, se tem mais filhos... Ele disse que me ajudaria nisso, o que me fez ficar esperançosa e de alguma forma, orgulhosa do laço que estava sendo construído entre nós dois.

Peguei meu celular e mandei uma mensagem para minha mãe avisando que não almoçaria em casa.

“Vou almoçar com Steve, na casa dele, com os pais dele. Fique tranquila, eu não vou engravidar.”

Eu tinha uma relação muito boa com minha mãe então sabia que ela não levaria a sério esse papo de gravidez e que logo ela entraria na brincadeira comigo.

– Então você quer ter um gato. Sua mãe não deixa?

– Não. Ela não gosta.

– Sinto muito. Mas acho que podemos resolver isso.

Fiquei bem confusa quando ele disse isso. Decidi ignorar e logo chegamos na casa da mãe dele.

– Bom, eles já devem estar te esperando. São bem pontuais.

– Estou nervosa. Eu estou com uma roupa feia, Steve. Eu estou oleosa.

– Está linda, Julie.

– Não. Eu estou suja. Eu não tomei banho hoje de manhã.

– Você pode tomar banho na minha casa, se quiser.

– Eu não tenho roupas limpas para vestir. E não vou tomar banho na sua casa.

– Você é quem sabe. Vai ficar um bom tempo aqui dentro.

Entramos na casa dele e minha barriga estava fazendo um barulho estranho. A mãe dele estava nos esperando na mesa de jantar. Ela tinha o cabelo castanho, os olhos claros como os meus e era bem bonita. O pai dele estava na mesa também me olhando com uma cara engraçada. Provavelmente se perguntando de onde me conhecia.

– Oi – foi tudo o que eu consegui dizer.

– Olá – ela se aproximou de mim. – Você é a Julie. Claro que é. Queríamos te conhecer, a última namorada de Steve era uma vagabunda.

– Mãe, pelo amor de Deus – ele pareceu ficar nervoso.

– Só estou dizendo a verdade.

– Espero não estar parecendo uma vagabunda para você, Sra...

– Eleonor. E não, você é muito bonita.

Eu espero que ela não tenha reparado na minha raiz escura mostrando o quanto eu sou uma ruiva falsa. Ah, sim, provavelmente ela reparou. Não tem como não reparar.

– Muito obrigada.

Eu não sabia muito o que falar. Será que eu digo que ela é bonita também? Ai. Não. Vou ficar calada.

– Sente-se, Julie. Fizemos esse almoço para você.

Eu estava extremamente envergonhada. Eu nem sabia como me sentar na cadeira. Steve se sentou ao meu lado para amenizar o meu nervosismo. Nos servimos com uma lasanha de brócolis ao molho branco que particularmente eu estava achando bem nojenta, mas estava muito boa.

– Você ainda está no colégio – o pai dele observou.

– Sim, Sr...desculpe, Steve não disse o nome de vocês.

– Conor – e sorriu. – Você está em que ano?

– No último.

– É uma boa aluna? – A mãe dele pergunta.

– Bom, eu acho que sim. Tiro boas notas.

– Ótimo.

Eles fizeram muitas perguntas do tipo “você pretende se formar?” ou “o que gosta de fazer?”

Respondi todas com uma certa desconfiança. Se eu respondesse algo errado eu pressentia que os dois fossem atirar aquele prato de lasanha na minha cara.

Acabamos de comer e eu fiz questão de levar meu prato para a pia – ahá, eu estava sendo educada. Logo Steve me levou para seu quarto. Quando ele fechou a porta eu pude respirar como uma pessoa normal.

– Você estava bem nervosa.

– Nem me fale.

Ele deu risada.

– Mas se saiu muito bem. Eles gostaram de você.

– Como tem tanta certeza?

– Eu conheço meus pais, Julie.

– Eles diziam para você que sua antiga namorada era uma vagabunda?

– Sim, sempre disseram. Mas a namorada era minha, não deles.

Fiz um bico.

– Mas eu não sou sua namorada, você disse isso para eles?

– Bom, você fica com outras pessoas além de mim? – Ele se deitou na cama e eu me deitei ao seu lado.

– Não, e você?

– Não. Você ficaria com outra pessoa?

– Não!

– Eu também não. Você é única na minha mente, o que significa que eu não preciso de pedir em namoro.

Sorri.

– Você quer que eu te peça em namoro?

– Não. Nunca sei como reagir nessas situações.

– Até porque é muito cedo para eu te pedir em namoro. Te conheço faz vinte e sete dias. Não fez nem um mês.

– É, mas a gente já deu umas boas esfregadas e nem fazia quinze dias que nos conhecíamos.

Ele fez uma careta e depois abriu um sorriso enorme.

– Vamos deixar o tempo nos levar.

– Sem oficializar nada?

– Você acabou de dizer que não precisa – eu disse.

– Então nós estamos namorado.

– Depende do ponto de vista.

– Ficante fixo? – Ele perguntou.

– Ficante fixo que é candidato a ser namorado.

– Candidato — ele repetiu. – Você tem outros?

– Não, por isso você está em primeiro lugar.