Para Sempre...
2 Capítulo 2 - Aquela noite! - parte 1
Notas iniciais
Já era quase de noite quando as pessoas começaram a despedir-se de mim. Saíam felizes e sorridentes, era sinal de que se divertiram. Há muito tempo que não organizava festa nos meus aniversários, sempre preferi sair com os meus melhores amigos e ir comer uma pizza ou algo parecido. Mas desta vez, como sabia que meu pai vinha, decidi organizar uma grande festa com tudo o que tenho direito. E esse dia correu lindamente.
Despedia-me das últimas pessoas que eram a Sandra e a Filipa, as minhas melhores amigas como já tinha referido. Elas eram gémeas idênticas, só as conseguia distinguir pela cor dos cabelos. A Sandra usava o cabelo pintado de louro e a Filipa usava-o castanho, ao natural.
– Gostaram da festa, meninas? — perguntei sorridente.
– Ya, foi o máximo! Divertimo-nos bué, não foi? — perguntou Filipa à irmã.
– Eu então...estou exausta. E ainda estamos a pensar ir à discoteca mais tarde, alinhas? — perguntou-me a Sandra.
– Adoraria...mas prefiro ficar em casa para aproveitar estar com o meu pai. Ele volta amanhã para Londres.
– Está bem. Amanhã estaremos juntas? Quero andar no teu MINI. — disse Sandra.
– Claro, isso nem se pergunta. — sorrimos — Amanha levanto-me cedo para acompanhar o meu pai ao aeroporto, depois mando-vos uma sms. Ah! E obrigada pelo presente, adorei. — disse a sorrir.
Elas ofereceram-me o último iPhone, um sonho de telemóvel que me fazia juntar dinheiro para o comprar e elas ofereceram-mo, são mesmo uns amores.
– De nada querida. Nós vamos andando, dá cá um beijinho. — aproximou-se Filipa me abraçando e me beijando na cara.
Sandra se juntou e as duas me abraçaram e saíram. Fechei a porta e virei-me para trás, meus pais e meu namorado me olhavam.
– O que foi pessoal? — espantada, perguntei sorridente.
– Nada meu amor, só estávamos a ver o quanto estás feliz. — disse minha mãe me abraçando pelo pescoço — Foi uma grande festa, não foi?
– Sim mãe, foi uma grande festa. Vou só levar o Hélder ao carro e já volto para conversarmos, pai.
– Mas...não queres ficar para jantar, Hélder? — sugeriu o meu pai.
– Sim Hélder, fica para jantar! Aproveitamos e conhecemos melhor o namorado da nossa filha. — minha mãe apoiou a sugestão do meu pai.
Achei uma boa ideia e convenci o Hélder a ficar.
– Ok eu fico, agradeço o convite. — disse ele num tom envergonhado.
– Mas aviso já que não tenho nada preparado. Podemos encomendar uma pizza, o que acham? — sugeriu minha mãe.
Entre um curto silêncio, olhamo-nos uns aos outros esperando que alguém tomasse a iniciativa de aceitar.
– Perfeito! E até podemos abrir uma garrafa de vinho. Tens aí vinho, Suzana? — perguntou o meu pai.
– Tenho vinho do Porto. Aliás, até penso que tenho duas ou três garrafas.
– Ótimo, vou buscar o vinho. — disse dirigindo-se a uma pequena garrafeira que havia na sala de jantar.
– Eu vou já buscar os copos. — sorridente, minha mãe se dirige à cozinha.
Eu e o Hélder olhamos e sorrimos um para o outro, fomos até à sala e sentámos no sofá. Pouco tempo depois, minha mãe trouxe os copos e pousou-os na mesa de centro.
– Falta a pizza. Que sabor querem? — perguntou-nos ela.
– A de quatro queijos para nós os dois, mãe.
Eu e o Hélder adorávamos uma boa pizza de quatro queijos. O meu pai entra na sala com duas garrafas de vinho do Porto.
– Para ti é pepperoni, Carlos? — perguntou ela olhando para meu pai.
– Pepperoni... — sorriu — Nunca te esqueceste da minha pizza favorita... — insinuou ele.
– Nunca me esqueci porque também é a minha pizza favorita, e tu sabes disso! Então é uma metade pepperoni e metade quatro queijos, não é? — diz pegando no telefone e saindo da sala.
Meu pai olhou para nós erguendo os ombros e as sobrancelhas e sentou-se. Ambos adoravam a mesma pizza e quando se conheceram comiam uma pepperoni numa pizzeria em Itália.
Então ficámos ali à conversa enquanto minha mãe encomendava a pizza.
– E tu Hélder, és daqui de Lisboa? — pergunta o meu pai.
– Não, sou da Madeira mas estou cá a tirar um curso. — respondeu com um leve sorriso.
– Ah, que curso estás a tirar?
– Gestão. O meu pai tem aqui uma empresa em Lisboa e quer que eu assuma a direcção porque ele vai-se afastar um pouco dos negócios.
– Mas tu tens que idade? — perguntou o meu pai surpreso.
– Vinte e cinco. — ri-se — Eu sei que aparento ser mais jovem...
É que o Hélder tinha cara de adolescente, o seu cabelo negro contrastava com a sua pele pálida, os olhos castanhos e os lábios encarnados e carnudos. Podia ter cara de menino mas tinha um corpo de homem, afinal ele tinha vinte e cinco anos. Ainda mais tinha charme e pinta de jovem empresário. Ele era lindo, o sonho de qualquer rapariga.
A minha mãe volta com o telefone nas mãos e senta-se ao lado do Hélder.
– Pronto, já fiz a encomenda. — diz olhando e sorrindo para Hélder.
Hélder retribuiu o sorriso.
– Que idade dás aqui ao nosso rapaz, Suzana? — perguntou o meu pai.
– Hm... — enquanto pensava, olhava para o Hélder de cima à baixo — Dezoito, dezanove... Porquê, que idade tens?
– Vinte e cinco! E pelo que parece é um futuro empresário. — falou o meu pai.
Minha mãe ficou olhando para o Hélder como se o admirasse, enquanto isso eu olhava para ela.
– Vinte e cinco? — perguntou ela abismada — Como é que conseguiste pescar um rapaz assim...tão lindo e charmoso? Não é demais para ti Natasha? — insinuou ela ainda com os olhos em cima do meu namorado.
Eu, perplexa com a sua pergunta, olhava para ela sem reação. Só pensava no que ela quis dizer com aquilo, estava a ferver de raiva por dentro...se pudesse atirava-a pela varanda da sala. Eu e o Hélder namorávamos há uma semana mas já nos conhecíamos há quase um ano e sempre fomos bons amigos até nos apaixonarmos, portanto não admitia esse tipo de insinuações, ainda mais vindo de minha mãe.
Hélder apenas olhava para nós. Meu pai percebeu a tensão e pegou numa garrafa de vinho.
– É melhor irmos bebendo, já que a pizza vai demorar, não acham? — perguntou já abrindo a garrafa.
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