Para Sempre...
1 Capítulo 1 - O meu aniversário
Notas iniciais
"De repente estava deitada numa maca, estava desacordada mas conseguia ouvir tudo à minha volta, só não percebia o que se estava a passar. Ouvia vozes, muitas vozes...não conseguia entender o que aquelas vozes diziam porque falavam todas ao mesmo tempo e confundiam-me ainda mais. Mas uma voz me chamou atenção porque gritava o meu nome...gritava muito, era um grito de desespero. Depois de ouvir bem, percebi que era a voz da minha mãe... Mas porque ela gritava daquela maneira? Tentei chamá-la.
– Mãe estou aqui! Mãe!!!
Ela não me respondeu, nem sei se a chamei mesmo ou se foi apenas fruto da minha imaginação, estava confusa, não sei se estava mesmo a viver aquele momento ou se era apenas um sonho. Não percebia o porquê de tanta agitação à minha volta, só queria saber porque a minha mãe chorava daquela maneira e porque eu estava ali, deitada numa maca! Logo depois uma voz de um homem se aproximou, era uma voz muito grave.
– Tenha calma minha senhora, vamos fazer tudo o que for possível para ter a sua filha de volta. Mas tem de esperar aqui fora.
Como assim? O que ele quis dizer com aquilo? Eu estava confusa. Comecei a sentir que estava a ser deslocada para outro lugar, afastava-me cada vez mais dos gritos e do choro da minha mãe até não conseguir ouvir mais nada. Mas onde me estavam a levar? Sentia-me fraca, com a respiração a diminuir. E numa fracção de segundos...apaguei."
Sou a Natasha, sempre fui uma rapariga alegre, simpática e de muitos amigos. Adorava a minha vida, fazia o que queria, divertia-me imenso e não levava a vida tão a séria. Só queria ser feliz e aproveitar ao máximo todos os momentos. Mas houve um dia em que tudo isso mudou. Vou contar o que realmente aconteceu desde o início, aliás, desde o meu décimo nono aniversário, onde tudo começou.
Esse dia foi especial porque além de muitas outras pessoas que ali estavam, todas as pessoas que eu amava se juntavam num só lugar, a Sandra e a Filipa, as minhas melhores amigas que não me largavam nunca, o meu lindo namorado Hélder, a minha mãe, e o meu pai que não via há muito tempo. Ele morava em Londres fazia dez anos, e nunca me tinha vindo visitar, apenas falávamos ao telefone e pela net. Só pelo fato de ele ter vindo, posso dizer que foi o melhor aniversário que tive desde os meus nove anos.
(Parabéns a você, nesta data querida, muitas felicidades...uma salva de palmas!!)
Todos me cantaram os parabéns ao redor de um bolo gigante. O ambiente estava perfeito, as pessoas se divertiam, dançavam, sorriam. E pela primeira vez depois da separação dos meus pais, eles conversavam como dois adultos civilizados. Então fui até lá.
– Hm, mas que milagre...finalmente conversam sem gritarem um com o outro!
– Pois é Natasha, eu e a tua mãe já resolvemos os nossos problemas. O passado ficou lá atrás.
Os dois sorriram um para o outro.
– Principalmente hoje, não íamos estragar o teu aniversário com os teus amigos todos aqui. Não é? — disse minha mãe.
Eu apenas sorri para ela.
– Pai, estou tão feliz por estares aqui. Desde que foste para Londres nunca mais me vieste visitar, nem sequer nos meus aniversários!
– Eu sei minha querida, lá em Londres é muita correria e muito trabalho, nem imaginas. Mas tinha tantas saudades tuas...
O meu pai abraçou-me. Sabem aqueles abraços que nos fazem voltar ao passado e lembrar os bons velhos tempos? Foi assim quando me senti envolvida nos braços dele, lembrei-me dos momentos em que morávamos os três juntos...éramos tão felizes.
– Ah! Preciso apresentar-vos uma pessoa...
Os meus pais olharam um para o outro depois olharam para mim. Fui buscar o Hélder, que estava à conversa com a Sandra e a Filipa, e o trouxe até eles.
– Mãe, pai...este é o Hélder. O meu namorado!
– O teu namorado? — perguntou a minha mãe com surpresa.
Sinceramente, não percebi o porquê de tanta surpresa.
– Muito prazer em conhecê-lo Hélder. A Natasha já me falou de ti uma vez! — disse meu pai levantando a mão para o cumprimentar.
A minha Mãe continuava a olhar para o meu namorado sem dizer uma única palavra.
– Então mãe, não o vais cumprimentar?
Eu, o Hélder e o meu pai ficamos a olhar esperando alguma reação da parte dela, mas minha mãe continuava a olhar para o Hélder sem dizer nada. Olhava com um brilho nos olhos, parecia encantada com ele. Não achei muita piada.
– Mãe, o que foi?
– Nada querida. Só estranhei porque nunca me disseste que tinhas namorado. Se disseste ao teu pai, porque nunca me falaste dele? — perguntou-me ela olhando para Hélder e a mexer no cabelo.
Notei uma inquietação nela mas ignorei. Na verdade, não lhe contei nada porque nunca fui de lhe contar os meus segredos, as minhas histórias, os meus romances...nós não somos muito ligadas uma à outra.
– Então mãe, não te contei porque nós não namoramos há muito tempo. Eu ia cont...
– Olá Hélder. Desculpe a minha reação, não é nada consigo. — sem me deixar acabar de falar, ela interrompe-me.
A minha mãe chega-se à frente para o cumprimentar. O coitado do meu namorado olhava para mim tentando disfarçar o embaraço.
– Claro! Não tem mal dona...
– Suzana...e dona não, porque de velha não tenho nada. Só Suzana! — disse ela sorrindo.
– Muito prazer dona...muito prazer Suzana. — disse Hélder contribuindo o sorriso.
E lá os dois se cumprimentaram com beijinhos. O meu pai olhou para mim erguendo os ombros e disse:
– Querida, tenho uma surpresa para ti. É um presente.
– A sério que me trouxeste um presente, pai? — eu surpresa.
Não esperava que o meu pai me trouxesse algum presente, só queria a presença dele, que era o melhor presente que me poderia dar.
– Claro! Não vinha ao teu aniversário sem um presente.
O meu pai enfiou a mão no bolso e tirou as chaves de um carro. Arregalei os olhos de tanta surpresa e o Hélder olhou para mim a sorrir. Eu já tinha carta mas usava o carro da minha mãe, ter o meu próprio carro significava não ter de lhe dar mais satisfações para onde ou com quem vou.
– Um carro pai???
– Não sabia bem o que oferecer a uma rapariga de dezanove anos e a minha mulher, que inclusive tens de conhecer pessoalmente, deu-me esta ideia. Achei fantástica e comprei logo!
– Compraste-lhe mesmo uma carro, Carlos? — perguntou a minha mãe como se desaprovasse.
Meu pai me deu as chaves e eu peguei nelas com entusiasmo.
– Ai pai, ainda nem acredito!
– Acredita! E está aí fora, queres ir vê-lo?
Aceitei no mesmo instante e, feliz, fui chamar a Sandra e a Filipa. Chegando lá fora, ficamos de boquiaberta, era um MINI descapotável e vermelho, que era a minha cor favorita. Enquanto nós admirávamos o carro os meus pais ficaram à conversa.
– Tinhas mesmo que lhe dar um carro, Carlos? Agora é que ela nunca vai parar em casa! — reclamou a minha mãe.
Ela não me pareceu muito feliz com o presente do meu pai. Os dois sempre disputaram pelo meu carinho e pela minha preferência mas eu sempre preferi o meu pai, é claro que amo a minha mãe só que à minha maneira.
– Ela merece, Suzana. Tem dezanove anos e está na idade de se divertir. — disse meu pai olhando para nós com um sorriso na cara.
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