Para Sempre.
20 O jogo.
POV.: Violetta
Estava ansiosa pelo jogo. Quem narraria seria Colin Baker, fanático por futebol e com uma voz animada e potente. Todos já estavam nas arquibancadas, inclusive os diretores e os professores. O primeiro jogo da temporada ocorreria durante o dia, interrompendo as aulas, pois o time adversário era de outro estado e eles queriam voltar ainda naquele dia. Os próximos jogos seriam à noite, como normalmente eram.O time de casa entraria em campo antes do time visitante, sendo que as animadoras de torcida entrariam primeiro e fariam a apresentação para em seguida os jogadores adentrarem o campo.Assim que Colin anunciasse, entraríamos. Eu estava um tanto nervosa e Angelline estava toda a sorrisos, cheia de si. Olhei para Jess e ela me deu um aceno de cabeça confiante e sorriu para mim. Sorri nervosamente de volta.– Apresento agora, para dar início ao primeiro jogo da temporada anual estudantil de futebol americano do sul dos Estados Unidos, as animadoras de torcida do time da casa, Huntsville Panthers! Olá, meninas! Vocês estão lindas hoje! — Colin dizia no microfone, enquanto entrávamos, muito animados.A música começou e eu bloqueei todos os pensamentos alheios, apenas focava em não errar, fazendo os saltos corretamente. Todos saímos perfeitos, sem um erro que fosse percebido. Angelline não poderia estar mais feliz. Durante uma hora eu deveria sorrir muito e dançar. Muito fácil.Quando nosso time entrou metade da escola urrou, pulou muito, balançou os enormes bandeirões e assobiou muito alto. As cores vermelho e verde deixavam o campo deslumbrante.Assim que os jogadores de ambos os times estavam em suas posições, os dois quaterbacks se juntaram ao juiz para decidir quem teria a posse de bola. A moeda foi jogada para cima e nosso time faria o primeiro kick off.– Vamos lá, kicker! Chuta essa bola direito! — Colin disse. A diretora deu-lhe uma cotovelada e disse algo em seu ouvido. Ele apenas assentiu.– Wide receiver recebeu a bola! Passou a bola para seu quaterback, que armou uma jogada, passando a bola aérea para seu Running back mais afastado, e não...nosso Cornerback fez uma ótima interceptação! Em uma marca de 15 jardas. E agora ele manda a bola para nosso Running back, que tenta fazer uma corrida lateral, aberta pelo nosso Offensive Tackle, muito bem Allan! Vamos lá, cara, tenta nosso Touchdown. É muita jarda pra você correr!O jogo já marcava 10 minutos do primeiro tempo e nosso time estava ganhando de 7 a 5. O jogo estava acirrado, pois as jogadas eram bloqueadas rapidamente e até então ninguém conseguira fazer um touchdown. Ganhávamos por dois safeties e um field goal. O Dallas High School havia feito um field goal e um safety. Os outros minutos eram tentativas frustradas e faltas cometidas por ambos os lados.– Faltando cinco minutos para o fim do primeiro tempo. Vamos iniciar mais uma jogada dos nossos Panthers, com um snap na marca de 25 jardas do campo adversário. Vamos que dá, garotos! O center joga a bola para nosso quaterback. Vamos Noah, aquela jogada hein! Noah, joga a bola para trás, Gregory recebe, corre com a bola, alcança 5 jardas, passa a bola para o Running back, que corre! Ai meu Deus! São apenas 20 jardas até a endzone. Acho que vai dar! Não! Um deffensive tackle enorme impede a corrida, fazendo nosso Running causar um fumble. — narrava um Colin desesperado.Enquanto tentávamos segurar nossa pontuação, as animadoras adversárias dançavam animadamente de uma forma quase desafiadora. Angelline exigiu que nos esforçássemos mais ainda.O juiz apitou o fim do primeiro tempo. Só descansaríamos no intervalo entre o 2° e o 3° tempo, que somavam 12 minutos.Durante todo o segundo tempo, ambos os times faziam corridas e passes simples, mas eram impedidos pela defesa de cada lado. O jogo marcava 15 a 13, sendo diferenciado novamente por um safety.POV.: NoahSaímos para o intervalo e fomos direto para o vestiário.– O QUÊ QUE É HEIN? AS BONECAS NÃO TOMARAM CAFÉ HOJE DE MANHÃ? QUEREM UM TAPA NA CARA PRA ACORDAR! NOAH! QUE BOSTA DE JOGADAS SÃO ESSAS? VOCÊ NÃO ESTUDOU O QUE COMBINAMOS NÃO? BOTA ESSA SUA CABEÇA PRA FUNCIONAR! E QUE MERDA VOCÊS ESTÃO FAZENDO FORA DAS POSIÇÕES? A GENTE NÃO TREINOU PRA IMPROVISAR NÃO! ALLAN! NÃO TE COLOQUEI À TOA, VÊ SE MELHORA SUAS ABERTURAS! É PRA PROTEGER O NOAH E NÃO ESQUECER O GAROTO NO MEIO DO CAMPO NÃO. SE FOSSE PRO GAROTO LEVAR UM ENCONTRÃO DAQUELE BRUTAMONTE DAQUELE DEFFENSIVE TACKLE, EU NÃO TE COLOCAVA NESSA BOSTA DESSE TIME! GREGORY, RYAN E CORY, VÊ SE ACORDAM. QUERO QUE VOCÊS VOLTEM NESSE TERCEIRO TEMPO ARRASANDO, VOCÊS NASCERAM PRA BRILHAR, BONECAS. FAZ ESSA PORRA DIREITO, SE NÃO VÃO SER 100 FLEXÕES ASSIM QUE O JOGO ACABAR! TÔ FALANDO SÉRIO, HEIN!Uh, que pressão. Se não melhorássemos nossas jogadas, poderíamos perder feio.– Aí, pessoal! — chamei. — Vamos mudar nossas táticas! Não estão dando certo. — fiz algumas alterações de última hora, mudando o curso da bola quando tivermos a posse, e exagerando na defesa, já que o Dallas High School funcionava muito bem no contra-ataque. Voltamos para o campo suando e esperançosos.
– Vamos começar mais um tempo! Kick off do time de casa assim como no primeiro tempo! Nosso kicker chuta longe e um wide-receiver direito do Dallas apanha a bola. Passa para o tight end, que joga a bola aérea alcançando algumas jardas do campo adversário! Nossa! Nosso Deffensive Tackle joga o Running back adversário longe! Muito bem, Panthers! Isso é futebol americano que se preste! — Colin vibrava ao microfone.Senti que as coisas estavam ficando tensas assim que o tempo do jogo ia acabando. Vencíamos por 17 a 15, ainda sem nenhum touchdown. O jogo estava uma merda, literalmente. Precisávamos marcar pontos para distanciar o placar. A escola estava apreensiva. Nossa torcida ansiava por pontos ou pela estagnação deles e a torcida adversária estava desesperada. Faltando cinco minutos para o fim do terceiro tempo, decidi fazer a jogada que combinamos no vestiário. Quando o center passou a bola para mim por baixo das pernas, fiz um giro de 360°, assustando os defensores que estavam mais perto de mim, Allan fechou a guarda para me proteger, corri algumas jardas com ele e um guard ao meu lado, bloqueando os jogadores que tentavam me bloquear e joguei uma bola aérea muitas jardas à frente, de modo que nosso wide-receiver bem posicionado na lateral pudesse pegar a bola, chamando a atenção dos defensores e atacantes adversário e quando o derrubaram, ele jogou a bola para o Running back que passaria correndo ao lado dele naquele instante. Era uma jogada arriscada que poderia dar muito errado se o running back não conseguisse chegar ali naquele momento, ou o wide-receiver fosse derrubado antes, mas deu certo. Faltando 15 jardas para chegar na end zone e marcar um touchdown lindo, nosso running back foi derrubado violentamente por um End Tackle gigante, na marca de 5 jardas para a end zone. Foi quase! A batida foi tão forte que ele voou para trás, batendo a cabeça no chão. Todo mundo parou. O juiz veio correndo e apitou, interrompendo o jogo, marcando falta. Quando vi Cory desmaiado, desesperei. O Running back reserva corria menos do que eu e eu não tinha estrutura física para servir como um. Cory foi levado para fora do campo em uma maca ainda inconsciente. O jogo foi pausado faltando 2 minutos para o fim do terceiro tempo. Haveria dois minutos de acréscimo e a partida retornaria no último e quarto tempo.– Agora vamos marcar a falta que pode abrir uma brecha para algum ponto neste último tempo! Huntsville Panthers segue ganhando de 17 a 15 contra o Dallas High School. Apenas 15 minutos para decidir quem continuará na temporada com vantagem. — Colin narrava.– Vamos lá, cara. — bati nas costas no kicker. Ele acenou.– Hey, Julio! — gritei. — Vou passar a bola pra você. Tem que correr o mais rápido possível e não se esqueça de desviar dos tackles e outros defensores. Se você assistiu ao jogo até neste momento, você vai saber muito bem a quem me refiro.– Eu assisti. — ele respondeu, preocupado.– Pois é, acho bom você ter treinado.Antes de chutar, nosso kicker olhou pra mim e eu acenei. Assim que ele chutou eu saí correndo de modo a realizar a jogada que estava na minha mente. Meu plano era marcar safety e field goals a fim de ir acumulando jardas até conseguirmos marcar um touchdown. Mas estava complicado, pois o time adversário estava muito centrado e alerta.Estávamos ainda ganhando de 20 a 15, faltando 3 minutos para o fim do jogo. A torcida já cantava vitória. Foi quando tive a ideia de tentar novamente um touchdown, já o Dallas High School estava alcançando muitas jardas, pois nossa defesa não estava mais segurando a onda. O ponto forte do nosso time era o ataque e era isso o que eu iria fazer. Quando o running back adversário tentou correr pelo meio, nosso Deffensive tackle o derrubou subitamente, fazendo a bola sair voando e caindo nas mãos do nosso wide-receiver esquerdo. Eu estava no meio do campo, Allan estava na minha frente me protegendo e o running back reserva estava na lateral direita do campo, 10 jardas de distância de mim. Seria a jogada perfeita. Assim que eu jogasse a bola para o running back, ele sairia correndo algumas jardas, para distanciar o adversário de nossa end zone, que estava a 25 jardas de onde a bola pairava. Poderíamos evitar um o touchdown adversário e buscar o nosso.Fiz o sinal para wide-receiver jogar a bola para mim, assim que pulei para agarrar a bola, Allan tentou agarrar junto comigo e levei uma cotovelada muito forte nos estômago, que fez minha cabeça girar e não consegui agarrar a bola. Não sabia o que estava acontecendo. Agachei apertando o estômago, tentando respirar e olhei o cronômetro. Faltava 30 segundos para o fim da partida. Quando recuperei o ar e levantei, ouvi os gritos da torcida. A bola passara direto pela minhas mãos, caindo nas mãos do quaterback adversário bem atrás de mim. Ele jogou a bola para o tight end, que em uma tentativa desesperada de sair correndo com a bola, alcançou 20 jardas, jogou a bola aérea para seu running back que já havia levantado, a 10 jardas da nossa end zone. Não foram precisos 10 segundos para ele ultrapassar nossa end zone e marcar o touchdown que acarretaria a vitória da partida. 20 a 21. E o Dallas High School venceu o jogo. Eu não poderia estar com mais ódio. Saí do campo sem olhar pra trás e entrei no vestiário. Assim que vi Allan retirando seu capacete, fui direto para cima dele.– QUE PORRA FOI AQUELA? — o segurei pela camisa, batendo suas costas contra o armário. — VOCÊ NÃO SABE JOGAR? SEU IMBECIL! A GENTE IA GANHAR.– ME LARGA, NOAH. TÁ ACHANDO QUE VOCÊ É QUEM? — ele berrou, me empurrando.– SOU APENAS SEU QUATERBACK! APENAS. EU NÃO SEI SE VOCÊ SABE, MAS OS ÚNICOS JOGADORES QUE PODEM TER A POSSE DE BOLA SÃO OS WIDE-RECEIVERS, TIGHT END, RUNNING BACKS E EU! E VOCÊ É UM OFFENSIVE TACKLE! VOCÊ... — fui interrompido.– ERA...ALLAN, VOCÊ ERA UM OFFENSIVE TACKLE. ESTÁ SUSPENSO DO TIME ATÉ SEGUNDA ORDEM. QUERO QUE SAIBAM QUE NÃO SÓ POR CAUSA DA BURRICE DESSE INFELIZ QUE NÓS PERDEMOS. TODOS AQUI JOGARAM MUITO MAL HOJE. COMO PROMETIDO, 100 FLEXÕES, AGORA! — o treinador gritou.Allan me empurrou para atrás, se desvencilhando de mim.– INCLUSIVE VOCÊ ALLAN! — o treinador berrou, antes que ele deixasse o vestiário.– Eu não faço mais parte do time. — Allan disse.– Não falo como seu treinador. Falo como seu professor de educação física. Se você não quiser levar uma detenção, acho bom você começar agora!– Ótimo. Depois passo na sua sala. — Allan tirou o uniforme o jogou no chão, pegando sua mochila e indo pro banheiro tomar uma ducha.
Notas finais
Então, tem bastante coisa sobre futebol americano, né. Tive que dar uma estudada sobre o assunto para escrever. Espero que vocês entendam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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