POV.: Violetta

Fui para casa depois do expediente lentamente. Queria ocupar minha mente com algo a fim de não pensar na minha discussão com Noah. Não tinha visto acontecer algo tão estranho entre duas pessoas. Havíamos nos conhecido há tão pouco tempo, já estávamos interessados um no outro e, pior, discutimos por causa disso. Decidi que não queria mais contato com ele. Estava bagunçando minha cabeça e machucando meu coração.

- Oi filha, como foi o trabalho? — perguntou minha mãe, quando eu cheguei.

- O de sempre, mãe. — menti. Não queria que minha mãe soubesse o que havia acontecido, além de ela conhecer Noah e sua família, não queria que isso afetasse na amizade entre eles. Apesar de que, se fôssemos novamente convidados a jantar na casa deles, eu daria um jeito de não ir. Se eles viessem aqui, eu sairia.

- O que tem pra jantar, mãe? — perguntei.

- Estou com preguiça de cozinhar, acho que vou pedir uma pizza, o que acha?

- Acho ótimo. O papai não vai jantar conosco?

- Não. — respondeu ela.

- Por quê?

- Não sei, Violetta. Acho que vai dar uma volta com alguns colegas de trabalho. Ele não me explicou direito.

- Que estranho. — falei. O papai não tinha costume de jantar fora sem avisar a mamãe.

Já que íamos comer pizza, achei legal colocar um filme pra gente ver. Como minha mãe sempre dormia, assistiria sozinha, do jeito que eu gosto.

Meia hora depois, a pizza chegou e coloquei Harry Potter e o Cálice de Fogo para assistirmos. Assim que chegou na cena em que é feita a seleção dos campeões do Torneio Tribruxo, minha mãe já roncava. Sorri, deitei um pouco mais no sofá e continuei assistindo, repetindo as falas que eu mais gostava. Uma coisa que me orgulho sobre mim, é nunca dormir durante um filme. Assim que ele acabou, desliguei a televisão, chamei minha mãe pra dormir e fui para o meu quarto. Eram 21:40 ainda, então entrei no Facebook.

Fiquei olhando o Feed de Notícias com a cabeça longe, em outro lugar. Apareceu uma foto da Angelline e do Noah, postada por ela, com os dizeres:Meu fofinho ♥. Senti raiva e atualizei a página.

Jess me chamou no chat.

-Oi, Vi...beleza?

-Ei Jess, sim e você?- respondi.

-Tudo joia. Aqui, já que amanhã é sexta, estava pensando em ir no shopping. Vamos dar uma volta? Queria comprar umas blusinhas.

-Ah, vamos sim. Estou precisando dar uma relaxada.- falei.

Só existe um shopping na cidade, o Huntsville Mall, não era muito grande, mas tinha tudo o que mais precisávamos. Cinema, boliche, MC Donald's e muitas lojas.

Saí do Facebook e fui dormir.

Não sonhei, chovia e o clima estava perfeito para uma ótima noite de sono. Acordei sem vontade de ir pra escola — minha cama estava muito quentinha para levantar de bom grado. Enrolei um pouco e fui tomar um banho para despertar.

Comi meu cereal com leite e fui para a escola. Estacionei meu carro e entrei no corredor dos armários. Abri, peguei meus livros e fui para a sala.

A primeira aula era de português. Quando entrei na sala, os grupos já estavam se formando, fui confiante de que nesta sexta-feira, a primeira do ano escolar, eu não iria discutir com Angelline. Ficaria serena. Deixe que ela fale até a boca espumar.

POV.: Angelline

Desde o primeiro dia de aula, quando Noah entrou na sala, notei que a nerd da Violetta o tinha notado. Não que eu tenha ficado preocupada, de jeito nenhum, mas o jeitinho "sou inocente" dela me aborrece. Além disso, não queria ninguém no meu caminho. Não gostei quando ele se sentou ao lado dela, pois não aceitaria nunca perder para aquela ridícula. Todos naquela escola sabiam quem era Angelline Williams, e melhor, a respeitavam. Claro, tinham medo de me enfrentar — já fiz coisas ruins com quem tentava me contradizer -, enfiar a cabeça no vaso sanitário ou trancar dentro do armário era muito clichê para mim. Ultimamente, Violetta tem se encorajado cada vez mais a tentar minha paciência com ela. Falta pouco para eu fazer algo com ela.

Noah parece bastante simpático com ela, mas vindo de um garoto educado como ele, é óbvio que esse comportamento é normal. Ele sente pena dela, posso ver isso em seus olhos. É muito raro Noah falar algo sobre Violetta comigo, claro, ele não quer me irritar. Uma pessoa como eu de mau humor significa maus acontecimentos.

Entrei na sala e Noah já estava lá.

- Oi gatinho. — falei, dando um beijo em seu rosto e sentando ao lado dele.

- Ei, Angelline. Tudo bem? — respondeu ele, sem emoção.

- Nossa, bebê, o que aconteceu com você? – perguntei, passando a mão nos cabelos dele. Não aceito ninguém com aquela carga de energia negativa perto de mim. Sou um exemplo de positividade.

- Nada não, Angelline. – respondeu ele, virando o rosto.Neste momento, Violetta entra na sala e senta-se ao lado de Tyson sem olhar para mim e nem para Noah. Melhor assim. Dividimos o trabalho, como sempre, pedi alguém para fazer por mim, pois tinha coisas melhores com o que preocupar. Sendo assim, Charlotte foi meu alvo. Ela aceitou prontamente.- Acho que todos não precisam apresentar. Acho que Charlotte, Tyson e Violetta são capazes de fazer isso pelo grupo, certo? – falei, sorrindo.- Claro que não, Angelline. Se todos não precisam apresentar vamos fazer um sorteio, mas acho que todos deveriam. – falou Violetta.Ai, que garota intrometida. Eu sou a líder do grupo, dou as ordens, ora.- Não vamos fazer sorteio. — falei.

- Mas não é justo carregar tudo para nós e você e o Noah ficarem com as mãos abanando. – disse ela.
— Sinto muito, alguém sempre fica sobrecarregado, pena que tenha que ser vocês. – respondi.
Noah não dizia uma palavra. Não me defendia, mas também não ligava para o que Violetta dizia, contrapondo-se ao comportamento da aula anterior. Tyson e Charlotte apenas observavam com aquelas caras de idiotas.
— Faremos o seguinte então: vocês dois façam a pesquisa e nós três apresentamos. Ou vice-versa, por mim tanto faz.
Até que Violetta não é tão burra quanto eu pensava. Se eu e Noah tivéssemos que fazer o trabalho juntos, seria mais uma oportunidade de levá-lo para minha casa, ou o contrário. Achei uma ótima ideia.
— Está feito. Noah e eu faremos a pesquisa e vocês apresentam. Certo, lindinho? – disse, abraçando-o.
Ele sorriu de lado, sem responder.
Noah é um anjo. A propósito, é um gostoso. Sempre quando estou a fim de alguém, não existe Deus no Céu ou na Terra que me impeça. Foi fácil demais. Novato e lindo daquele jeito, é claro que ele não resistiria; conheço muito bem a raça dos novatos. São sempre muito carentes e sedentos por alguma garota nova e bonita. A resistência que demonstram quando saem pela primeira vez com alguém é apenas uma barreira ínfima feita de insegurança, que pode ser quebrada facilmente. Achei graça na cara da Violetta quando viu a gente se beijando pela primeira vez na porta da quadra. Parecia um zumbi e naquele momento eu tive certeza de que ela gosta dele. Tadinha. Deve estar sofrendo.
As aulas seguintes não eram importantes, na verdade, nenhuma era. Assim que bateu o sinal anunciando o intervalo, levantei-me e segurei a mão de Noah, guiando-o. Fomos para o refeitório. Como eu faço uma dieta rigorosa por ser capitã das líderes de torcida, não comi nada. Noah também não. Sentamos em uma mesinha distante.
— Sabe, estava pensando em irmos ao shopping hoje, o que você acha? – sugeri.
Ele me olhou, desanimado:- Ah, não sei, Angelline. Não estou muito animado.
— Qual é, benzinho, TGIF! – disse, dando um selinho nele. Olhei para os lados e vi Violetta e seu amiguinho gay desviarem o olhar. Sorri maldosamente.
— Ok, ok. – disse ele. – Eu vou. Mas antes preciso passar na livraria. Quero comprar um livro que ainda não comprei.
— Tudo bem. Quer que eu vá com você? – perguntei.
— Não será necessário. – disse ele. – Te pego às 20:00hs, pode ser?
— Perfeito. – respondi.
Quando a aula acabou, fui com Noah até o estacionamento.
— Estou ansiosa para hoje à noite. Que tal um cinema? – falei.
— Cinema é bom. – respondeu ele.
Eu o abracei:- Já disse que você é muito lindo? – sussurrei em seu ouvido.
Vi os pelos de sua nuca arrepiar e sorri de prazer. Ele me abraçou.
— Bem, hoje não. – disse ele, me afastando um pouco e olhando em meus olhos. — E eu? Já disse que você é linda?
Eu ri:- Também não.
Ele sorriu e me beijou, colocando as duas mãos na minha cintura. Achei fofo da parte dele, pois todos os garotos que eu beijava, tentavam colocar a mão um pouco mais abaixo.
Noah me deixou em casa com a promessa de que às 20:00hs em ponto, ele estaria me esperando ali fora.
A tarde se arrastou, pois estava realmente ansiosa para sair com ele de novo. Quando o relógio marcou 18:30hs, fui me arrumar. Tomei banho e coloquei minha roupa preferida.

Exatamente às 20:00hs, o carro de Noah buzinou. Desci as escadas rapidamente e passei pela minha mãe.
— Angelline, onde você vai? – perguntou ela.
— Vou ao shopping, mãe. — respondi da porta.
— Com quem?
— Com um garoto! – gritei, batendo a porta da frente.
Noah me esperava lindamente lindo do lado de fora do carro. Estava de calças jeans, uma blusa azul que combinava com minha saia e tênis Supra branco.
— Oi. Você está linda. Sua saia destaca seus olhos. — disse ele, me dando um selinho.
— Obrigada. – respondi, sorrindo.
Ele abriu a porta do carona para mim, a fechou quando entrei, deu a volta e entrou no carro em seguida.
Em 10 minutos estávamos no shopping, devido ao fato de a cidade ser pequena. O problema todo de morar em cidade pequena é que você é obrigado a ver quem você não gosta em todo o lugar.
Entramos no shopping, que estava lotado de adolescentes. A maioria, óbvio, eu já conhecia, eram da escola. Fomos direto para o segundo andar e entramos na fila para comprar os ingressos da sessão. Iríamos ver Elysium, às 21:00hs. Compramos os ingressos e já eram 20:25hs. Decidimos dar uma volta no segundo andar para passar o tempo. Exatamente quando passávamos pela loja de roupas, batemos de frente com Jess e Violetta saindo da loja. Estávamos barrando a passagem delas.
— Com licença. – disse Violetta olhando discretamente para minha mão e a de Noah entrelaçadas, para minha saia e para a blusa azul de Noah. Levantou as sobrancelhas levemente.
Eu apenas sorri e pisquei para ela:- Claro. — liberando a passagem para as duas passarem, que foram na direção contrária.
Noah abaixou a cabeça, suspirando.
— Difícil, não é, meu amor? Essa menina perturba você? – perguntei.
— Não, Angelline. Só não...
— Só não...?
— Só não estou conversando com ela direito, só isso. – disse ele.
— Por quê? Aconteceu algo? – quis saber. Se ela estivesse fazendo algum mal a ele, acabaria com a raça dela. Já estava arquitetando um plano contra ela na minha cabeça. Um plano perfeito.
— Não aconteceu nada, gata. – respondeu ele, sorrindo. – Vamos? Faltam dez minutos para o filme começar.
Fomos para a fila da sessão, que estava enorme. Entramos na sala de cinema e sentamos na fila K, bem no meio. Enquanto passavam os trailers, dávamos beijinhos lentos e arrepiantes. Quando o filme realmente começou, ele se afastou um pouco e colocou o braço atrás de mim, me envolvendo. Estávamos de mãos dadas, coloquei sua mão no meu joelho e automática e levemente, sua mão foi subindo até parar no meio da minha coxa. Puxei-o, e comecei a beijá-lo calorosamente.
***

Assim que o filme encerrou, Noah me levou para casa. Paramos em frente a minha casa, ele saiu do carro e abriu a porta para mim como um completo cavalheiro.
— Hoje foi incrível. – falei.
— Foi. – disse ele, me abraçando e colocando a mão no ponto mais baixo das minhas costas.
— A gente se vê amanhã, então? – perguntei.
— Eu te ligo.
Nos beijamos uma última vez e entrei em casa. Fui dormir com Noah na cabeça e pensando em como acabar com Violetta caso ela estragasse o sonho que eu estava vivendo.