Para Sempre
1 Capítulo único - Always and Forever
Notas iniciais
Como já disse, James e Tiago são a MESMA pessoa. Mas eu prefiro James hueheuhe
Amo vocês ♥
~Lily’s POV~
Ele prometera. ‘Para sempre’, foi o que dissera.
Mas, onde estava agora? Onde estava agora que eu precisava dele?
Meu pai queria que eu me casasse com o príncipe de um reino distante, chamado Lucius. Eu o odiava, com todas as minhas forças. Porém, papai ficava repetindo que era meu dever como princesa me casar com um príncipe e evitar outras guerras. Plebeus não faziam parte da minha vida. Ou não deveriam fazer.
Mas James... James era James! O amor da minha vida, desde pequenos. Crescemos juntos, sabe? Estivemos sempre lado a lado, e acabamos nos envolvendo.
Juramos amor eterno e, quebrando todas as regras, passamos algumas noites juntos. Se papai algum dia sonhar com isso, estou morta.
Mas agora ele se foi. Desapareceu. Partiu em uma viagem e ainda não voltou.
Conhecerei meu noivo em algumas horas. Estou em desespero. Antes de partir, James disse-me que fugiríamos juntos. Que eu deveria espera-lo.
Mas, onde está ele agora? Por que não volta? Já se passaram meses!
Ouço alguém bater na porta e meu coração se aperta. Chegou a hora de me aprontar para o baile e ir rever meu noivo e todos os seus companheiros e nobres da região.
Grito algo como ‘entre!’ e as criadas me cercam. Banham-me e escovam meus longos cabelos ruivos até que eles caiam ondulados sobre minhas costas. Meu vestido violeta é apertado até que minha respiração fique entrecortada. Dão-me sapatilhas pretas, calçam-me as luvas e, de repente, sinto-me um porta joias. Anéis, pulseiras, brincos... Porém, permaneço usando um único colar. Meu precioso. Minha pequena chave, que James diz ser a chave de seu coração.
A tiara é posta em meus cabelos e, por fim, estou pronta. As criadas chamam minha acompanhante, e vamos juntas ao salão de festas. O som de música é alto, mas procuro me concentrar no som de meu vestido roçando o chão, ou meus sapatos tocando-o. É mais reconfortante.
Papai me pega pela mão ainda na entrada do salão. Meu noivo ainda não chegou. Cumprimento muitas pessoas, percebendo o quanto estão felizes por estarem ali. Dou mil e um falsos sorrisos, esperando que ninguém perceba o quanto quero fugir dali.
Papai, por fim, solta-me. Encontrou alguns amigos. Digo-lhe que vou passear nos jardins, e ele me ignora. Dou de ombros e caminho sozinha, fazendo um sinal para que minha acompanhante não vá comigo. Quero ficar sozinha.
O céu está estrelado. A lua está cheia, como naquela primeira noite que passamos juntos. Quando James me deu o colar.
Ouço alguém me chamar. Meu coração acelera ao vez a pessoa saindo de trás de um grande carvalho. Não posso acreditar! É ele! James!
Corro até ele e passo meus braços por seu pescoço, abraçando-o tão forte quanto posso.
- James! Você está aqui! Ah meu Deus, não posso acreditar! – Sussurro em seu ouvido, consciente das lágrimas que transbordam de meus olhos.
- Eu prometi que iríamos embora, não foi, Lírio? – Ele me chamou pelo apelido, e eu sorri. Ah, como o amava!
- Você demorou tanto, tanto! Fiquei preocupada! Achei que havia me abandonado, seu paspalho!
James sorriu de lado, e beijou-me. Fui pega desprevenida, mas entreguei-me totalmente a ele. Meu príncipe.
James pega-me pela mão e me leva até dois cavalos negros. Estão carregados com mantimentos, entre outras coisas. Sorrio.
- Isso é real? – Pergunto. Ele sorri.
- Sim, meu amor. É real.
Sinto-me em um sonho. Tudo parece bom demais! Finalmente, finalmente vamos fugir! Não posso acreditar!
Mas esse sonho é destruído em poucos segundos. Estamos cercados por guardas. Meu pai me olha com expressão de pesar, Lucius ao seu lado. Ele está horrível, como sempre. Arght!
- Lily! Afaste-se desse homem. Guardas, prendam-no!
- Não, papai! – Entro na frente de meu amado. Tentativas vãs de protegê-lo. – Papai, o que está fazendo?
- Esse homem está tentando sequestra-la, princesa, e você ainda o protege? – Lucius sabe que o que diz é mentira, mas o faz mesmo assim. Sempre odiou James, desde que recusei passear com ele para ir ter com James.
- Não, não é isso! Papai! – Meu pai olha para os guardas, que me afastam e seguram o moreno. Desespero-me.
- Papai, pare! – Corro até James, mas não consigo tocá-lo. Lucius segura-me pelas costas, e, enquanto tento me soltar dele, aconselha meu pai a matá-lo.
- É perigoso demais ermos um homem desses no castelo, meu rei. Ele pode fugir e tentar matar a princesa.
- Ora, sua doninha abominável! – Grito, tentando com todas as minhas forças me soltar. Lucius provavelmente corou ao ouvir seu antigo apelido, mas não me soltou, nem ao menos afrouxou o aperto.
Ouço papai suspirar fundo e suas vestes se roçando. Não. Não. Não!
Um guarda faz com que James se ajoelhe. Ele tenta se soltar, olhando para mim com uma expressão de terror. Sei que não teme sua morte. Teme que eu a presencie.
Mas Lucius não me deixa desviar o olhar. E eu vejo.
Vejo o soldado puxando a adaga. Vejo-o passando-a pela pele branca do pescoço de James. Vejo-o caindo.
Meu corpo é tomado por uma adrenalina incrível. Chuto a intimidade do loiro, fazendo com que ele me solte, e corro até James.
- James, meu amor! – Grito, abraçando-o junto a mim. Ele ainda está vivo, tentando inutilmente reter o fluxo de sangue. Aperto seu pescoço, tentando ajuda-lo. – Por favor, não! Nós prometemos, Jay! Para sempre!
- Me... Perdoe.- Ele não tem forças. Meus olhos transbordam, e vejo que ele também está chorando. – Eu te amo. – Ele tenta sorrir, mas seus olhos já não tem mais o mesmo brilho. James junta todas as suas forças restantes e estica a mão, tocando-me no peito, sobre o colar. – Para sempre.
Seus olhos se fecham, e, com eles, minha vida vai embora. Minha luz, meu sol... Tudo o que sempre prezei e amei.
Estou em estado de letargia. Não sei exatamente o que fazer. Sinto alguém me levantar e me arrastar até meu quarto. É meu pai.
Petúnia está lá, branca como papel. Minha irmã sempre gostou de James. Não como eu, claro. Ela o considerava um irmão.
Ela me abraça e chora. Ajuda-me a tomar um banho e me deita na cama.
- Lily... Ele... – Ela não consegue continuar.
Faço que sim com a cabeça, e peço para que ela me deixe sozinha. Já havia tomado minha decisão. Eu nunca me casaria com Lucius.
Pego um pergaminho e uma pena, e escrevo uma carta para meu pai. Peço que ele deixe que Petúnia escolha com quem ela quer se casar. Peço que ele me perdoe, e nunca deixe de me amar.
Levanto-me e saio do quarto. Os corredores estão vazios, mas a música ainda ecoa alto no salão. Sei que estão todos lá, com exceção de Petúnia, que provavelmente chora em seu quarto, e papai, que deve estar no escritório, pensando.
Caminho silenciosa, sentindo o frio passar por minhas vestes de dormir. São finas e claras, não oferecem nenhuma proteção contra o frio do castelo.
Desvio de alguns guardas, a maioria bêbada, e, após muito andar, consigo finalmente chegar ao meu destino.
O carvalho onde conversamos pela primeira vez. Onde tivemos nossa primeira noite. Onde recebi a chave de seu coração.
Atrás dele, ouço as ondas do mar baterem no penhasco. Encosto minha mão no tronco nodoso, e deixo que as lágrimas escorram por meu rosto. Meu cabelo se rebate com o vento forte dali, chicoteando meu rosto e minhas costas. A dor me faz bem, e eu apenas respiro fundo.
Ouço vários passos atrás de mim, mas não me importo. Papai já leu a carta. Era o que eu queria mesmo.
Caminho até a beira do penhasco e viro-me em direção aos que vieram atrás de mim. Papai, Túnia, Lucius, alguns soldados, o pai de Lucius, nobres... Todos me olham com expressões de desespero, pena...
- Lily! O que está fazendo, minha filha? – Papai tenta alcançar-me, mas é tarde.
Levo ao mão ao coração. Ao pingente.
- Para sempre. – Murmuro.
E deixo meu corpo cair para trás.
Para as ondas.
O frio.
A dor.
A morte.
Para James.
Notas finais
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