Para Sempre
21 Victoria
Notas iniciais
– “Emmett quando ela marcou essa reunião? E quem a autorizou a vir aqui?”
– “Ela marcou ontem direto com sua secretária, por quê?”
– “Nada. Apenas acho estranho que ela queira vir aqui e mais ainda falar comigo. Apenas fique por perto, por favor.”
A resposta de Emmett foi interrompida pelo toque do telefone avisando que sua visitante havia chegado.
– “Victoria, por favor, queira entrar. Deseja beber alguma coisa?”
Victoria estava com uma blusa, calça, jaqueta e sapatos pretos, o cabelo preso em um coque. Não lembrando em nada a sexy garota que se insinuou para Edward em Nova York. Seus olhos eram profundos, tristes e ligeiramente perdidos. Não havia como negar que ela estava sofrendo imensamente a perda de seu marido.
– “Obrigada, não quero nada. Apenas ter uma palavrinha com o príncipe.”
Ela respondeu a Emmett e virou-se para Edward. Seu olhar rapidamente mudou e a tristeza deu lugar a uma raiva descomunal. O sarcasmo tomou conta de sua voz. Ela não fez nenhuma genuflexão, apenas disse o que se esperava que ela dissesse.
– “Alteza.”
Se Emmett não tinha planos de sair dali antes dela chegar, agora é que ele não arredaria pé de forma nenhuma. Vai que a viúva com cara de assassina tentasse alguma coisa contra Edward. Se bem que pelo que ele conhecia do amigo, era mais provável que ela levasse a pior do que ele.
– “Sente-se, por favor, Victoria. Eu lamento profundamente o que aconteceu a James. Soube assim que cheguei. Mas, como posso lhe ajudar?”
Ela se sentou em frente à mesa dele, mas suas feições não se alteraram. Ela encarava Edward o tempo todo. Emmett manteve-se em pé ao lado do sofá de Edward, pronto para qualquer possível eventualidade. Por mais que ele parecesse relaxado, estava pronto a atacar ao menor sinal de perigo para a vida do amigo.
– “Eu vou enterrar meu marido depois de amanhã, quando o corpo será liberado. Mas eu já sei que não descobrirão nada. E você sabe por quê?”
– “Como você pode ter tanta certeza?”
– “Porque quem o matou, além de não deixar vestígios, ainda trabalhou muito bem para que as investigações dessem em lugar algum. O Senhor sabe, como é, às vezes as pessoas não estão preparadas para a verdade.”
Era a segunda vez desde que chegara que Edward ouviu essa frase, e isso não passou despercebido em sua memória.
– “Victoria, eu tenho certeza que a policia de Forks está se esforçando e muito para descobrir quem o matou. Além do mais, ele era uma pessoa publica e a mídia não permitirá que isso fique impune. E posso lhe garantir que eu mesmo não desejo e não permitirei que o assassino saia livre.
– “É mesmo alteza? O Senhor seria capaz de me assegurar isso e ir contra seu próprio palácio?”
– “Porque isso Victoria?”
Edward a olhava com toda atenção, estudando cada pequeno movimento que ela fazia em seu rosto. O tom de voz dela e o semicerrar dos olhos não passava despercebido para ele, bem como sua respiração pesada e o ligeiro apertar dos lábios.
– “Vai dizer que não o informaram que era para cá que ele estava vindo quando foi assassinado? Será que ele chegou até aqui? Será que foi assassinado na saída? Como vou saber se eu mesma não estou correndo risco, agora?”
– “Victoria, eu entendo que você esteja com medo e posso pedir imediatamente uma escolta para você. Também posso garantir que nem eu nem o rei queremos que isso fique impune e, que o assassino pagará pelo que fez a James.”
– “Se eu permitir sua escolta talvez esteja colocando meu próprio assassino na minha cola. Prefiro ficar só nesse momento.”
Ela estava aumentando gradativamente o tom e a violência da voz. Mas Edward não se deixava abater. Ele sabia e muito ser diplomático, entendia perfeitamente o jogo que ela estava fazendo.
– “O que você está insinuando?”
– “Não estou insinuando alteza. Estou dizendo que sei que o assassino está aqui nesse prédio nesse momento.”
– “Você sabe quem matou James?”
– “Se eu soubesse mesmo pondo minha própria vida em risco eu o denunciaria. Mas, sei exatamente porque meu marido morreu.”
– “Victoria, é meu dever zelar pelo bem estar do povo se eu realmente puder fazer algo por você, por favor...”
Victoria gritou nesse momento. Assustando até Emmett, que olhou desesperado para Edward. Mas, ele foi contido com um pequeno sinal do amigo, que continuava sentado, com as mãos cruzadas.
– “Você não está interessado realmente em saber o motivo não é?”
– “Claro que estou, mas eu acredito que seria melhor chamarmos o delegado responsável para que ele ouvisse essa sua declaração.”
– “Eu acho que ela interessa mais ao Senhor do que a qualquer delegado.”
– “Então me diga.”
Victoria se colocou de pé e se inclinou vagarosamente sobre a mesa na direção da cadeira que Edward ocupava. Ele, no entanto fingiu não perceber o movimento dela continuando com a mesma postura que estava desde o começo da conversa. Emmett, por sua vez, deu um passo para mais perto deles e sua postura era de total atenção, pronto para tirá-la dali no mesmo instante que ela tentasse qualquer coisa.
Diferente do que estava acontecendo desde o começo da conversa, Victoria se mostrou calma e mordaz. Ela não gritou, pelo contrario sua voz estava fria e cortante. E isso sim impressionou Edward e, pela primeira vez, ele pode sentir que ela não estava ali para brincadeira e, que sim, seria mesmo capaz de qualquer coisa para vingar a morte de seu marido.
– “Meu marido morreu para que o Senhor tenha suas aventuras amorosas, e posso garantir que não vou sossegar enquanto não o vingar. Esteja certo disso. Você não terá paz, e muito menos a felicidade que tanto sonha. Nem você nem sua amada americana.”
Na frente de Edward estava uma mulher louca para que a morte de seu marido não ficasse impune. E isso poderia ser incrivelmente perigoso para muita gente.
– “Eu não o matei Victoria.”
– “Eu sei que você nem deu a ordem nem apertou o gatilho. Mas a culpa é sua. Sua e da sua namoradinha.”
Edward se levantou completamente irritado, sua cadeira caindo com a força do impulso que ele deu, enquanto tentava entender o que ela estava dizendo, e de onde havia tirado essa historia? A voz dele saiu também destoante. Agora era ele quem estava mordaz.
– “Eu exijo que você me diga do que está falando?”
Victoria voltou a sua postura inicial, e a voz saiu uma oitava acima e levemente desafinada.
– “Você acha que é Deus para exigir algo? Não é. James apenas estava fazendo seu trabalho. Não me diga que seus assessores não seriam capazes de tudo para que você fizesse e tivesse o que bem entende? Você nunca percebeu que seu mundinho perfeito não é de
verdade? Que tudo gira em torno do que é melhor para você antes mesmo que peça pequeno príncipe?”
Edward levantou a cadeira e se sentou penalizado com o que Victoria dizia. Ele via apenas na sua frente uma mulher que o acusava sem conhecê-lo, sem se importar se estava ferindo alguém só por querer realmente ferir alguém. Ele também não a conhecia e também não poderia julgá-la. Mas, de uma coisa estava certo, nunca foi o pequeno príncipe que ela o acusava. Não foi assim que Carlisle e Esme o criaram, como um menino mimado e cheio de vontades.
– “Victoria, acalme-se.”
– “Você não vai me dizer o que fazer.”
– “Emmett, deixe-a falar como quiser, por favor. Imagino que ela apenas esteja expressando sua dor. Porque realmente não faço ideia do que você está falando Victoria, e estou imensamente curioso para entender. Acredite em mim, mais do que nunca, eu tenho o interesse que a morte de James seja solucionada.”
– “Mesmo que isso ponha em risco o seu romance? Será que você ama mesmo essa mulher ou ela é apenas um brinquedinho na sua mão?”
Edward não fazia ideia do que Victoria estava falando, mas ele sabia que não podia entregar seus sentimentos por Bella de mão beijada a quem quer que fosse. Ele protegeria a mulher que tanto ama de tudo e de todos.
– “Comece, por favor, me dizendo o que eu e Isabella temos a ver com isso, se possível.”
– “O Senhor não disse que quer descobrir. Então descubra. O que eu tinha pra lhe dizer já foi dito. Apenas faltou mencionar mais uma vez, que farei de tudo para que James seja vingado. Esteja informado. E se posso lhe dar um conselho Alteza, gostaria de lembrar que “você é responsável pelo que cativa”[1]. “Agora com sua licença.”
Victoria saiu da sala como um vendaval. Enquanto Edward e Emmett se olhavam sem entender o que havia acontecido ali.
– “Ela veio te ameaçar ou isso foi apenas impressão?”
[1] Do livro O Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupery
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