Para Sempre
15 Pesadelo
Notas iniciais
Bella não estava mais nos braços de Edward, e sim na sua antiga camionete Chevi que era pilotada por sua mãe, as duas corriam em alta
velocidade e Renée estava descontrolada, chorando e discutindo. Elas se
aproximavam de um despenhadeiro, quando o carro perdeu o controle e caiu barranco abaixo, capotando e girando varias vezes, as coisas não faziam sentido, tudo estava fora de eixo. Tudo rodava. Ao parar não era possível saber o que era a parte de cima ou de baixo, o que estava à direita ou à esquerda. Apenas era possível ver o corpo sem vida da mulher ao seu lado, ensanguentada, jogada. E a vontade de chorar e gritar foi maior do que qualquer coisa, mas o ar lhe faltava dos pulmões, só um grito, apenas um, conseguiu escapar de sua garganta. Um chamado para a única pessoa que ela sabia que nunca lhe faltaria.
– “Edwarddddddddddddd”
Bella estava suada, chorando, se debatendo na cama gritando quando Charlie entrou para lhe acordar. Ela chamava por seu namorado no meio do seu pesadelo. Mas, foi seu pai que a tirou do sofrimento que era seu sonho.
– “Bella acorde”
Charlie a chacoalhou, vendo-a gritar e a abraçou quando finalmente parecia que ela havia despertado. Não havia uma palavra que pudesse ser dita, apenas os braços reconfortantes e o leve movimento, eram sua tentativa de reconfortar Bella. Seu choro se intensificou e ela apenas meneava a cabeça, nitidamente sofrendo por algo que ele não conseguia entender, quando um Edward assustado entrou no quarto, se deparando com pai e filha, abraçados.
Edward desceu as escadas e virou a direita em direção à cozinha, ele apegou um copo em cima da bancada e o encheu com água, voltando
para o quarto de Bella, entrou sem dizer uma palavra, já que ele não queria interromper o momento entre ela e Charlie e depositou o copo na mesinha de cabeceira ao lado da cama.
Por mais que quisesse tê-la em seus braços, cantar sua musica e garantir que Bella estava protegida e que nada de mal lhe aconteceria, Edward sabia que ela estava em excelentes mãos. Não poderia haver ninguém mais recomendado para tentar consolá-la que seu pai. A sua única curiosidade era saber o que a estava fazendo sofrer tanto.
Depois de deixar o copo na mesinha Edward se virou para sair do quarto com o intuito de permitir que Charlie tivesse seu momento com a filha e logo após ele ir dormir, poderia voltar e manter Bella em seus braços até que ela lhe dissesse que estava bem novamente. Mas, não foi o que aconteceu. Bella que até então não havia se quer levantado o rosto ou parado de chorar, pegou em seu punho, fazendo-o estancar onde estava e trocar um olhar significativo com Charlie.
Naquele olhar havia um pedido de permissão mudo para que ele
pudesse participar também daquele momento. E Charlie compreendeu o que Edward estava lhe perguntando e assentiu. Afinal, essa era a vontade de Bella, e era ela que eles dois tinham que consolar.
Edward sentou-se na cama, encostando-se na cabeceira, as costas de Bella a sua frente, enquanto ela estava com o rosto enfiado no peito
do pai, sem conseguir conter o choro. Charlie a abraçava, como se ela fosse uma menininha de colo, enquanto sua mão tocava suavemente suas costas.
Bella não havia dito nada até aquele momento, mas a presença de Edward ali parecia ser capaz de produzir milagres. Ela confiava mais nele do que em qualquer outra pessoa. E a verdade do que estava em seu coração veio à tona.
– “Eu sonhei que estava ao lado dela, e a via morrer. Eu não conseguia salvá-la. Eu sabia que ela ia morrer, mas não conseguia fazer nada. Depois eu não conseguia sair de lá. Eu não tinha forças, e não conseguia gritar. Eu tentei ser forte, mas eu não consegui. Eu queria que ela estivesse aqui, que tudo isso fosse um sonho ruim, e que agora ela estivesse aqui me dizendo que estava tudo bem, me dizendo o que devo fazer. Eu queria que tudo fosse diferente. Eu queria que ela visse como estou feliz. Como estou tentando ser uma pessoa melhor. Ela não conheceu o Edward ou vai conhecer os meus filhos. Ela não pode ver como eu mudei desde que ela se foi. Por que, foi tudo tão rápido?”
Bella chorava copiosamente enquanto dizia essas palavras, o ar lhe faltando em alguns momentos, gaguejando em outros, soluçando e agarrando na camisa de Charlie, quando parecia doer mais. Seu ombro estava encolhido e ela realmente parecia uma menina indefesa naquele momento. Sua dor era visível e isso machucava os dois homens que assistiam aquela cena mais do que qualquer soco ou arma.
Edward pensava o quanto seu amor estava sofrendo, ao perceber que ela apenas havia lhe contado momentos que viveu ao lado da mãe,
coisas engraçadas, ou tristes, traquinagens de criança, broncas, conversas
sobre o primeiro namorado ou o seu futuro. Mas, Bella jamais havia falado como Renée havia morrido ou como ela se sentiu naquele momento. Ela até contou que esteve em Seattle por um mês cuidando do pai, mas nada sobre o velório ou o enterro. Nada sobre como ela foi capaz de sobreviver a essa perda tão terrível.
Charlie se perguntava como ele pode ter negligenciado a filha e não ter percebido o tamanho de sua dor no mês em que ela ficou em casa lhe fazendo companhia. Só então ele se deu conta de que estava imerso em sua própria dor, para poder ter consciência do mundo a sua volta. E agora, para ele, esse mundo, sua própria filha, estava reclamando de uma única vez, toda a dor e o sofrimento daqueles momentos tão cruéis. E ele não poderia se sentir mais culpado, duplamente culpado.
Renée sofrera um acidente e ninguém poderia ser culpado por isso. Mas, tanto Bella quanto Charlie se sentiam culpados por não terem podido
evitar a morte dela. A ausência estava cobrando um preço muito caro nos
corações deles.
As lagrimas caiam do rosto de Charlie, mas Bella que estava enrolada em seus braços não conseguia enxergar isso. Já Edward, via toda a culpa e dor que caiam junto com aquelas lagrimas, sem conseguir desviar o olhar dos olhos do pai do seu amor.
Edward sabia que Charlie também estava sofrendo muito e que era incapaz de conseguir pronunciar o que quer que fosse. A dor da Bella era a sua também. E então ele assumiu para si, o papel de tentar acalmar o coração de seu amor.
– “Shii, calma, amor. Vai passar. Calma”
Edward repetia isso incessantemente, tentando acalmar o coração da Bella. Às vezes parecia que estava funcionando e que ela logo pararia de chorar, para logo em seguida vir um novo jorro de emoções reprimidas
e ela desandar a soluçar tudo novamente.
Bella, apenas repetia de tempos em tempos a palavra mãe, e nada mais, enquanto Edward incansável a consolava garantindo que tudo melhoraria com o tempo, enquanto Charlie a ninava como se ela fosse ainda o seu bebê.
Edward queria cantarolar a sua musica, como sempre havia feito para que ela dormisse, mas essa canção era pessoal demais, ele não queria que Charlie a ouvisse e imaginava que Bella também não iria querer. Então ele apenas a consolava sem parar, não importando se o choro parecia diminuir ou não.
Mas, uma hora o choro parou. Bella parecia cansada de tanto chorar. E dormiu nos braços de Charlie, sem soltar a mão de Edward que lhe fazia carinho a todo o momento.
Charlie a deitou na cama arrumou o cabelo, enquanto Edward se levantava e depositava um beijo em sua bochecha, para logo em seguida ser a vez do pai a depositar um beijo em sua testa.
– “Descase Bells, durma bem, por favor”.
Edward em todo o momento dessa longa noite não tirou os olhos de Charlie que retribuiu todo o tempo o seu olhar. Os dois homens estavam
se encarando, um em frente o outro, com a chorosa Bella o meio. Mas, não havia desconfiança, inimizade, animosidade ou mesmo pena. Apenas a solidariedade e o amor pela mesma pessoa.
Para Edward, não havia a menor duvida de que ele estava na frente de um grande homem. Um homem que merecia todo o seu reconhecimento e admiração. Mas principalmente um homem que naquele momento de dor da pessoa que ele mais amava havia lhe ensinado uma grande lição.
Edward foi o primeiro a cruzar a soleira da porta do quarto de Bella, ele ficou ali no corredor esperando por Charlie, que ao sair não sabia ao certo o que fazer, ou para onde ir.
– “Você quer que eu prepare um chá Charlie ou algo mais forte?”
– “Café, está bom”
Os dois cruzaram a escada, se encaminhando para a cozinha. Charlie se sentou no seu habitual assento, baixou a cabeça perdido em seus pensamentos, enquanto Edward colocava água na cafeteira e procura nos armários pelo pó do café.
Edward sabia que o momento de terem uma conversa seria tinha
chegado. Agora era a vez de Charlie ser consolado. Esses eram os seus
pensamentos enquanto ele observava pela janela, para o bosque que serpenteava o quintal da casa, refletindo os primeiros raios da manhã.
O café ficou pronto, as canecas já estavam preparadas para serem servidas. Elas foram devidamente enchidas e uma delas foi posta na frente
de Charlie, enquanto Edward tomava o seu assento.
– “Ela nunca havia falado comigo sobre como se sentia com relação à mãe. Obvio que eu imaginava que não estava sendo fácil, mas nunca
imaginei que ela estivesse sofrendo tanto”
Charlie levantou a cabeça pela primeira vez, ouvindo aquelas palavras ele refletia sobre o quanto aquele rapaz parecia amar sua filha.
– “Todo o tempo ela apenas ressaltava o quanto a mãe era sua amiga e como haviam passado momentos maravilhosos, juntas”
– “Eu e Renée nos conhecemos muito jovens, nós nos apaixonamos e casamos rapidamente. Pouco tempo depois Bella nasceu, foi uma surpresa. Eu me lembro do dia que ela me disse que estava grávida, durante um jantar desastroso e começou a chorar. Eu fiquei desesperado com a noticia, mas não poderia estar mais feliz e ansioso”
Charlie bebericava seu café olhando pela janela, e decidindo as partes da sua vida em família que contaria para esse homem desconhecido.
– “Elas realmente eram grandes amigas. Renée estava sempre ao seu lado, e Bella sempre foi tão inteligente e perspicaz, com o tempo as
duas se tornaram cúmplices. Eu acho que Bella jamais teve uma melhor amiga da sua idade, esse posto era ocupado pela mãe. Eu imagino que Bella tenha lhe contado tudo sobre sua primeira menstruação, garotos, namoro, sexo, tudo. Eu sempre fiquei meio de fora, sabe como é? Às vezes para um homem é difícil ter uma filha mulher”
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