Para Sempre.

8 Capítulo 8 - Chama violeta


Notas iniciais
Ufa! Finalmente terminei! Agora tenho que sumir se não durmo tarde ^^
Bjks e deixem Reviews!

Meu corpo inteiro tremeu ao ver o rosto dele me encarando com o mesmo sorriso e o olhar malicioso da ultima vez que nos vimos em seu quarto. Ryo continuou na minha frente,protetor, com os olhos pregados no Lance que permanecia em cima do muro.

- Como você conseguiu passar pela barreira? – perguntou o Ryo sem perder a atenção.

Lance pulou do muro, ficando de frente a frente a ele aumentando o sorriso no seu rosto.

- Foi mais fácil que eu esperava já que vocês estavam tão distraídos nos seus assuntos... Vamos dizer... Íntimos — Rodeou o Ryo que acompanhava ele como se fosse sua sombra – Se estivessem mais atentos, talvez, teriam sentido a minha presença.

Um chiado escapou entre meus lábios. Tínhamos abaixado muito a nossa guarda, provavelmente os ninjas do Lance já estavam escondidos esperando a oportunidade para atacar. Coloquei minha mão perto da perna onde havia escondido uma kunai em quanto observava minuciosamente em volta.

Lance deu um suspiro pesado balançando a cabeça para mim.

- Não tem nenhum ninja aqui além de nós três Mitsue, não preciso da ajuda deles para oque vim fazer. Pelo menos não agora – disse calmamente.

Continuei na defensiva sem confiar em nada do que ele dizia.

- Fala sério,vocês abaixaram tanto a guarda que se tivesse mesmo ninjas aqui vocês já estariam mortos.

Ele tinha razão, ele poderia ter acabado com nós sem dificuldade alguma. Relaxei os músculos do corpo, mas não baixei minha guarda nem um pouco.

- Se o que esta dizendo é verdade, porque não fez isso logo e capturou a família Nozawa quando teve chance? – Ryo olhou para ele confuso.

Lance revirou os olhos para ele.

- Você faz muitas perguntas – Se aproximou mais do Ryo tranquilamente – Tudo oque eu precisava dessa família já me foi dado – sorriu para mim sedutoramente me dando nojo.

Depois de ouvir isso, tudo se encaixou. Lance criou essas ameaças esperando que eu fosse enviada para protegê-los já que eu o conhecia. A única coisa que ele quis esse tempo todo foi me encontrar.

- Idiota! Não precisava ter envolvido os Nozawa nisso! — meu limite estava quase estourando.

- Claro que precisava, assim as coisas ficariam mais divertidas – ele deu um passo na minha direção sem desviar o olhar – Nossa última noite foi tão boa que só aumentou a minha vontade de te ver de novo...

Ryo apertou a kunai em suas mãos deixando os dedos brancos com a pressão. Senti medo ao olhar para seu rosto, suas íris estavam invisíveis de tão brancas, mas oque me deu medo foi o ódio que seus olhos emanavam.

- Seu maldito! – Ryo começou a avançar na direção do Lance.

- Não Ryo!

Tirei a minha kunai da perna e corri na sua direção, mas o vestido longo dificultava as coisas. Com um gemido triste arranquei a metade da saia do vestido e tirei os sapatos, sentindo o chão gelado e úmido de baixo de meus pés.

- Lamento por isso Sayuri-san – falei em quanto corria.

Era difícil distinguir quem era quem naquela escuridão. Ryo e Lance lutavam com movimentos tão rápidos que eles ficavam quase invisíveis no ar. Foquei-me na luta tentando discernir quem era quem ali até que fui capaz de enxergar os cabelos castanhos escuros do Lance, e num só movimento me lancei contra ele. Apenas a centímetros de distancia dele, peguei seu braço e lancei-o para fora dos limites da casa com toda a força que eu tinha.

- Avise aos outros! Eu cuido dele! – falei para o Ryo antes de sumir pelo muro alto da casa.

Lance estava de pé com os cabelos no rosto e a respiração pesada.

- Parece que ainda sobrou alguma coragem em você – passou as mãos pelos cabelos.

- Mais do que imagina – apontei a kunai na sua direção com o rosto sério.

Abriu um sorriso satisfeito – Ótimo, vamos ver até onde você pode ir – correu na minha direção numa velocidade incrível. Com toda a certesa ele estava melhor que há um ano.

A lâmina comprida apareceu na minha frente só me dando tempo para me defender com a kunai e ouvir o tinir das duas lâminas contra a outra. Saltei para trás e me lancei na direção das árvores, precisava afastá-lo da casa para evitar que a família Nozawa se envolvesse. Meu chakra se espalhava pelo meu corpo numa grande velocidade fazendo um calor imenso tomar meu corpo que me fez suar rapidamente. Comecei a ficar com medo do que ia acontecer, meu chakra estava esquisito e o Lance estava mais forte do que me lembrava. Ignorei o medo e todos os outros pensamentos que surgiam em reação a ele. Eu tinha que ser forte daquela vez, eu tinha que conseguir!

- Cadê a sua coragem Mitsue?! Esta fugindo junto com você? Você realmente mudou nada — Lance falou com se não estivesse correndo, e sim dando uma caminhada.

Não respondi, eu estava concentrada em me afastar da vila e dos Nozawa. Com certesa a luta deixaria muitas marcas.

- Tudo bem, já que não quer responder, resolvo por eu mesmo – falou aumentando a profundidade de sua voz.

Mal virei o rosto e a lâmina de sua katana estava a centímetros do meu corpo. Girei meu corpo o mais rápido que pude para escapar da espada, mas mesmo assim ele tinha conseguido cortar o meu braço fazendo um corte comprido, mas nem tão profundo.

Cai do chão sem conseguir me apoiar em algum lugar e rolei até ficar do lado de uma grande pedra pontuda e irregular coberta por musgo.

Levantei-me apoiando no braço bom. No momento que consegui ficar de pé as minha pernas cederam e fiquei de joelhos no chão. Meu corpo começou a tremer involuntariamente e o calor do meu chakra começou a aumentar muito mais rápido me deixando sufocada.

- Oque... oque é isso... – murmurei com a cabeça baixa. Falar era quase impossível naquela hora.

Lance caminhou até ficar de frente para mim e se ajoelhou em quanto me observava.

- Não pensei que seria tão fácil assim. Eu esperava mais de você Mitsue – fincou a longa katana no chão perto de minha cabeça.

- Que diabos você fez comigo?!? – berrei com a cabeça baixa, sentindo o tremor no meu corpo ficar quase incontrolável.

Lance colocou o indicador no meu queixo erguendo a minha cabeça. Assustei-me novamente, eu não sentia o toque dele, na verdade eu não sentia nada, somente um latejar forte daquele calor insuportável e a tremedeira.

- Isso é apenas o efeito de um veneno que eu coloquei em minha lâmina, mas não se preocupe, ele não vai te matar – ele retirou o polegar fazendo a minha cabeça tombar – Pelo menos é isso oque eu espero.

Com a maior dificuldade do mundo eu consegui me encostar na pedra sentindo meu corpo começar a dar convulsões. Provavelmente, eu só não havia desmaiado de tanto calor por causa da dormência no meu corpo que diminuía parte dele. A convulsão aumentou repentinamente fazendo meu corpo deslizar da pedra, tentando controlá-las, envolvi meu corpo com os braços para que eu me acalmasse.

- Droga... Isso está demorando muito, parece que você andou melhorando sua resistência. – Lance aproximou o seu rosto do meu indo na direção de minha orelha exposta. Comecei a tremer um pouco mais com sua aproximação – Me lembra muito da sua mãe a apenas alguns momentos antes de morrer... Mas mesmo suando tanto, mesmo com tanto medo nos seus olhos, ela continuava espetacularmente linda, quase que eu perco o controle de minhas ações naquela hora...

Lembro que ele tinha dito mais alguma coisa, mas apenas aquelas primeiras palavras foram o suficiente para me afetar fazendo que o resto delas se perdesse no ar... Junto com oque restou de minha lucidez.

Lance desapareceu do meu lado ficando a metros de distancia de mim. Meu corpo ardia, queimava, e parecia que ia explodir a qualquer momento de tanto chakra e ódio que surgiram de uma vez, tão de repente que soltei um grito agoniado por causa da dor que tomou o meu corpo. Parte do tecido negro do vestido se desfez caindo no chão úmido e enlameado por causa do chakra que escapava de meus poros formando uma chama gigantesca ao meu redor.

Eu não pensava no que fazia e nem no que estava acontecendo ali, apenas era guiada pelo chakra violeta que reagia a menor mudança de emoções.

Levantei-me do chão cambaleante, ainda de cabeça baixa. Meus longos cabelos negros cobriam meus ombros e meu rosto; meu vestido estava rasgado em vários lugares, balançando com o vento que passava. Tudo aquilo me deu um aspecto assustadoramente perigoso e letal. Muito letal.

- É impressionante a facilidade com que consigo te tirar do sério heim Mitsue?! – Lance sorriu para a figura envolta em chamas em sua frente. Aquilo não era mais eu – Finalmente posso ver de perto a verdadeira face do poder dos Terasu depois de tantos anos de procura incessante.

Permaneci imóvel sem dar um sinal de que estivesse ouvindo.

- Como é? Vai ficar parada ai que nem uma pedra? Não seja tão inútil como seus pais foram...

Lance parou de falar assim que eu levantei meu rosto. Ele era completamente vazio, sem expressão, sem emoções, sem sinais de que eu estivesse realmente presente. Os cabelos caiam no rosto suado e pálido, levantando suavemente por causa do fluxo de chakra que percorria em todos os lados. Por um momento Lance custou a acreditar que fosse a mesma pessoa.

Sem avisar me lancei na sua direção, chegando na frente dele numa fração de segundo. Lance arregala os olhos de susto e instintivamente lança a katana na minha direção, mas antes que ela me alcançasse, com um movimento no braço eu quebro a lâmina lançando-a para longe.

- Droga! – Lance se afastou dali sentindo o suor escorrer pelo seu rosto.

“Talvez isso não tenha sido uma grande idéia... Agora não faço idéia de como me aproximar dela para absorver diretamente o chakra. Nunca poderia pensar que o chakra dela fosse tão monstruoso.” Pensou o Lance em quanto se escondia numa das árvores.

- Quem é o covarde agora? – minha voz era calma e sem vida.

Um chiado leve escapou dos lábios do Lance. Ele não fugiria. Ele era orgulhoso de mais para isso, mas também não atacaria tão repentinamente para apenas perder sua vida em vão. Tinha que pensar em alguma coisa, ou então estaria morto. E pior, por sua própria armadilha.

- Achei você... – com a mesma expressão sem vida lancei meu chakra na direção da árvore que o Lance estava.

Ele saltou da árvore rápido o suficiente para não ser morto pelo chakra violeta, que agora incendiava a árvore em que ele estava exalando um odor fétido de madeira carbonizada. Quando ficou de pé notou que seu ombro foi atingido por parte do chakra deixando uma grande mancha vermelha na pele.

- Isso vai marcar... – olhou para a Mitsue que estava de lado para ele, encarando-o com sua expressão vazia e olhos incrivelmente brancos que estavam cobertos com alguns fios negros de seus cabelos – Você só me da prejuízo.

Meu corpo se virou para o Lance prestes a dar um novo ataque, mas no momento que ia atacar a chama que me envolvia se descontrolou e aumentou de tamanho queimando a vegetação em volta. Uma onda praticamente insuportável de dor e calor invadiu meu corpo saindo de algum lugar de minha barriga e fluindo para fora do meu corpo que expandia cada vez mais a chama violeta. Soltei um grito de pura agonia e cai no chão colocando as mãos na cabeça, mas sem que eu pudesse controlar, as convulsões voltaram mais forte que nunca. Lance olhava para mim horrorizado, não sabia oque estava acontecendo ali, mas tinha que aproveitar a chance de absorver o chakra que agora estava fluindo da Mitsue loucamente e em grande quantidade.

**********

Meu cérebro estava a mil por hora em quanto corria na floresta. Tudo tinha acontecido tão rápido, e para “melhorar” as coisas a Mitsue resolve sumir com o Lance bem no momento em que achei que podia lutar cara a cara com ele.

Mitsue...

Realmente espero que esteja tudo bem com ela, pelo menos até que eu chegue lá a tempo; ou melhor, até que nós cheguemos a tempo. Como ela havia me pedido, eu consegui avisar a Kurenai e a Arisu sobre o Lance; agora a Kurenai estava organizando as coisas na casa dos Nozawa e fazendo uma barreira que realmente funcionasse desta vez, depois ela se juntaria a nós para capturar o Lance de uma vez por todas.

- Consegui localizar os dois – Arisu se colocou do meu lado em quanto corríamos pelas árvores.

- Demorou mais que eu esperava.

Ela deu um riso rápido.

- Parece que ele conseguiu camuflar o rastro dos dois. Tenho que admitir que é um bom jutsu, mas não é nada que eu não consiga quebrar – por mais que falasse seriamente ela deixou transparecer parte do seu orgulho na voz.

- Percebi, o rastro dos dois já está claro.

Concentrei-me nos cheiros dos dois procurando entender oque estava acontecendo. O cheiro da Mitsue era mais forte, ela devia estar nervosa; já o do Lance era mais discreto, quase se misturando ao cheiro da terra úmida em baixo da vegetação. Ele realmente veio precavido.

- Parece que os dois estão batalhando, dá para sentir a tensão no ar e o cheiro dela é forte para caramba – Arisu franziu o nariz.

Estava prestes a concordar quando uma onda de tontura surge de repente. Pouso no galho a minha frente e coloco a palma da mão no tronco, o ar mudou a minha volta tornando-se mais pesado e difícil de respirar.

- Ryo-kun! Oque aconteceu? – Arisu se colocou do meu lado no galho tocando meu ombro.

- Está acontecendo alguma coisa... – murmurei olhando na direção do rastro – Dá para sentir isso.

- Como você... – ela tentou perguntar mais foi interrompida por um grito torturado que ecoou por toda floresta causando-lhe um medo que nunca sentira antes.

- Mitsue-san! – o ar ficou ainda mais pesado ao ouvir aquilo, mas num instante me coloquei de pé pronto para correr até ela.

- Melhor nos apressarmos. Se sente bem para continuar? – A voz dela ao meu lado era preocupada.

- Não é nada que eu não agüente.

Assentimos um para o outro e continuamos a correr com urgência até o local onde eles estavam lutando. Mal precisei usar o olfato para rastreá-los, meu próprio chakra reagia ao da Mitsue indicando o caminho a seguir como se eles estivessem procurando um ao outro.

Espere por mim Mitsue, estamos chegando. Pensei, desejando que minhas palavras pudessem alcançá-la mesmo aquela distância.

**********

Eu era puro fogo. Ele fluía de todos os lados e por todos os lugares que conseguia passar. Lutava para encontrar algo que fizesse sentido no meio de tanto calor, mas a cada segundo ele parecia aumentar mais e mais dificultando as coisas. Não fazia a mínima idéia do que acontecia em minha volta ou do que eu fazia, mas logo após perder a consciência o fogo pareceu se controlar, mas sem deixar de ser doloroso.

Apertava minha cabeça sem parar sem ter noção da força que eu usava já que não sentia mais nada. Mas no meio de tudo aquilo, notei que meus olhos estavam cerrados; com um pouco de medo de serem consumidos pelas labaredas de chakra abri-os de uma só vez. Para minha surpresa meus olhos ficaram intactos mesmo com tudo aquilo; não só meus olhos estavam intactos como eu fui capaz de enxergar tudo na minha frente. Mas de um modo que nunca enxerguei antes na minha vida.

Ao abrir os olhos pude exergar a energia da grama na minha frente e de todos os outros seres vivos no meu campo de visão fluindo naturalmente num azul incrivelmente lindo. Fui interrompida por mais uma onda de dor vinda de minha coluna e minha cabeça tombou na grama orvalhada que trouxe certo alívio no meio de tanto chakra.

Infelizmente o alívio durou pouco. Fui erguida do chão bruscamente e jogada numa árvore próxima por duas mãos que me manteram colada a ela sem que pudesse encostar no chão.

- Vamos acabar logo com isso antes que você suma de novo e de lugar aquela coisa – Lance apertou as mãos nos meus ombros fazendo-os doer.

Lentamente foquei minha visão no rosto dele com a cabeça meio caída. Pude enxergar o chakra positivo cobrindo boa parte de todo o seu corpo, mas em poucos instantes o chakra dele se movimentou mais rápido que o natural e pela primeira vez, depois de ser controlada pelo meu chakra, sinto alguma coisa. Sinto suas mãos nos meus ombros graças a um leve formigamento que elas soltavam. Arregalei os olhos. Pelo oque eu bem sabia, o único que me fazia sentir aquilo era o Ryo e ninguém mais; mas de alguma forma, mesmo tendo o chakra normal ele me fez sentir praticamente a mesma coisa só que mais fraca.

Tirei os olhos das mãos dele e voltei a olhar seu rosto. Notei que ele estava de olhos fechados e parecia estar em profunda concentração.

Droga.

Finalmente havia entendido oque estava acontecendo. Ele queria transferir meu chakra para ele da mesma forma que eu e o Ryo nos conectávamos um com o outro. Através do toque. Porém, por mais que isso fosse improvável de acontecer eu não ia permitir ele ter a mínima chance.

Não mais.

Ignorei as chamas em minha volta e tudo mais, e juntando toda minha força de vontade, mandei um chute no estômago dele. Mas para minha má sorte ele de alguma forma previu oque eu ia fazer e me jogou novamente contra a árvore, marcando o tronco dela com o meu corpo. Soltei um gemido de dor, se continuasse daquele jeito eu não iria suportar muito tempo, todo aquele poder que saia de meu corpo parecia sugar oque restava de minha energia e estava ficando exausta.

- Fique quieta de uma vez! Você já me fez passar muita raiva... – Fiquei assustada ao ouvir seu tom de voz severo e grosso.

Mesmo amedrontada eu não desisti e comecei a me debater sem parar tentando me soltar dele.

- Me solta logo! Você não vai conseguir isso Lance! Oque eu tenho é mais perigoso do que pensa, não viu oque aconteceu?! – dei o melhor de mim para que ele pudesse se convencer.

- Não importa! Eu não passei todos esses anos atrás desse poder para desistir quando o tenho em minhas mãos.

Quando terminou de falar o seu chakra se descontrolou de vez. Ele se movia sem rumo no seu corpo, neste momento senti as suas mãos formigarem ainda mais nos meus ombros e fiquei realmente assustada. Seu corpo foi invadido por filetes violetas que consumiam tudo por onde passavam. Inclusive o chakra dele.

- Pare Lance! Você vai morrer! – falei quase no fim de minhas esperanças.

Ele nem ligou para oque eu dizia apenas apertou mais os meus ombros fazendo-os doer ainda mais. Era muito esquisito, é difícil explicar oque eu sentia ali, era como se alguma coisa no fundo de mim fosse retirada aos poucos e eu não podia evitar aquilo. Fecho os olhos. “Se eu tivesse um pouco mais de energia... eu poderia ao menos afastá-lo de mim, mas em minhas condições...” Ao pensar nisso senti uma lagrima escapar dos meus olhos e escorrer pela minha bochecha.

No ultimo momento, quando pensei que não suportaria mais me manter acordada sinto as mãos do Lance serem retiradas de mim, e meu corpo cai como uma folha em direção ao chão. Quando sinto o chão me alcançar eu sou pega e afastada dali rapidamente. Pega de surpresa, abro os olhos tentando entender oque ocorria ali e a primeira coisa que eu vejo é o Lance preso por uma sombra graças a um ninja com uma coisa branca na cara... se não me engano uma mascara.

ANBU!

Tentei me soltar dos braços da pessoa que me segurava, mas ela me segurou mais forte evitando que eu saísse.

- Se mantenha calma... –Falou com uma voz calma, mas séria.

Parei de desvencilhar dos seus braços imediatamente. Alguma coisa no fundo de mim se acendeu quando ouvi a voz do homem e obedeci a seu pedido. Virei meu rosto para o homem devagar, em resposta ele virou seu rosto também, fazendo os cabelos negros por trás da máscara branca, balançarem.

- Sente alguma coisa?

- Um pouco... – fui interrompida por uma onda de tremor que invadiu o meu corpo.

Só depois de sentir aquilo foi que notei que a chama de chakra ainda estava em volta de mim, só que menor que antes. Minha confusão aumentou ainda mais, como aquele homem não se feriu com as chamas?

- Melhor eu te levar logo a um médico – Disse em quanto me arrumava mais em seu colo.

Quando estávamos prestes a sumir de vista um berro ecoa pela floresta. Olhamos na direção do barulho enxergando o Lance segurando o outro ANBU pelo pescoço e quando ele quase perdeu todo o oxigênio, jogou ele na direção da floresta.

- Merda! – Virou o rosto para mim e deu um suspiro – Você vai ter que esperar um pouco.

Correu até um lugar escondido entre duas árvores e me sentou lá. Quando me colocou no chão, a sua mão roçou meu braço e imediatamente senti minha pele formigar ao fazer contato. Olhei assustada para a mão dele que tinha parado no lugar.

- Como você fez isso? — perguntei impressionada.

- Não importa. Tenho que ir – Se retirou logo depois de terminar a frase.

O meu braço continuou a formigar por um tempo até desaparecer.

- Não é possível... Só o Ryo que consegue fazer isso – sussurrei.

Inclinei-me para frente a fim de enxergar o ANBU que me resgatou. Ele estava a apenas alguns metros de distancia do Lance e os dois se encaravam nada contentes de estarem ali.

E foi nesse mesmo lugar que enxergo mais duas pessoas entrando na clareira criada pela batalha.

Ryo e Arisu tinham acabado de pousar no chão com os rostos preocupados e cansados.

Engoli em seco.

O que ia acontecer agora?