Para Sempre.
31 Capítulo 31 - Experimentando a dor
Notas iniciais
Awwwnnnn eu estou tããão feliz desde quando eu vi a minha a recomendação que a Deli fez para mim! Sei que já agradeci, mas muito obrigada pela recomendação! É a primeira que eu recebo e fico muito feliz por ter vindo dessa história, pois foi para ela que eu mais me dediquei para vocês *-------*
Agora falando sobre o capítulo! Aviso para vocês leitoras que este é o penultimo capítulo do livro! E depois do ultimo teremos um breve epílogo. He he he... Aproveitem!
Bjks
Ami ~
Fitava o teto de gesso do meu quarto, coberta pela minha manta violeta na cama de casal do meu quarto escuro. Virei o rosto para o criado mudo e observei os ponteiros do relógio.
Eram 5:00 da noite. Ainda faltavam uma hora e meia para que o despertador tocasse.
Voltei meu rosto para o teto de gesso, dando um suspiro longo. Eu acordei há meia hora atrás e até agora esperava cair no sono, mas meia hora mais tarde ele não apareceu, e não ia aparecer tão cedo. Ergui meu corpo e me sentei na cama, deixando a manta deslizar até a minha barriga. Passei as mãos pelo meu rosto até os cabelos e decidi que já era a hora de levantar.
Calcei as minhas pantufas velhas e caminhei até a porta do quarto, com minha calça moletom lilás e minha camisa branca de mangas compridas. Passei pela porta do banheiro já no corredor, com o cuidado de não fazer muito barulho e tirei minhas roupas sem cerimônia, louca para tomar uma ducha, escovar dentes e cabelos e por fim, comer. Se eu queria ficar de pé hoje, é melhor eu comer algo com alto teor energético.
Quando sai do banheiro, já eram 5:30, com o cabelo coberto pela toalha e com as mesmas roupas com que dormi.
Cheguei na cozinha e automaticamente peguei uma caixa de cereais e uma tigela, aproveitando para pegar uma maça no caminho para a mesa. Preparei o cereal, encharcando-o de leite e dei uma grande mordida na maça vermelha, fazendo que o sumo da fruta escapasse pelo canto dos lábios.
Sem abrir a boca para falar qualquer coisa, engoli meu café da manhã e por ultimo, tomei um copo de suco de laranja.
Pronto, estava alimentada e limpa. Só faltava me vestir e eu poderia começar a fazer o café da manhã do Naruto, que acordaria em alguns minutos já que o relógio marcava nos ponteiros 6:12.
Depois de toda essa rotina, ainda sem falar um pio, terminei o café da manhã do loiro assim que ele aparece na porta da cozinha.
– Han? Ohaio Mitsue-senpai, acordou cedo. – O garoto foi para o meu lado e observou os ovos fritos com bacon e dois pães de forma com geleia de amora – Ah! Que gostoso ttebayo!
Abri um sorriso para ele e toquei sua cabeça loira.
– Ohaio, Naruto.
O garoto ficou parado por um momento com os olhos surpresos. Eu estava levemente diferente, minha voz estava mais baixa e macia que o costume e o sorriso era mais sereno. Naruto ficou feliz naquele momento, pois com aquele jeito suave eu parecia uma mãe experiente.
A mãe dele.
Peguei o café dele que estava numa bandeja e coloquei tudo organizadamente na mesa da cozinha, vendo o loiro correr para a cadeira e observando toda a comida com a boca salivante antes de pegar os hashis e falar “Itadakimassu!” como sempre fazia.
Como não tinha a menor pressa para sair, pois ainda era cedo, fui para a cadeira ao lado e sentei, observando o garoto faminto devorar a comida na frente dele.
Um sorriso de satisfação cobriu meu rosto. Amava aquela sensação gostosa que e tinha perto do Naruto, como se eu fosse a verdadeira mãe dele. Se bem que de certo modo eu era, já que fui eu mesma quem cuidou dele por todos esses anos até ele ficar do tamanho que é hoje, com um rosto redondo e moreno claro, e com uma energia que parecia ser ilimitada. Apoiei a cabeça numa das mãos e com um sorriso no rosto, observei ele devorar a ultima fatia de pão que restava.
Por fim, ele se encostou na cadeira, com o rosto sujo de geleia e a barriga estufada.
Será que essa vai ser a ultima refeição que vou preparar para ele? – Pensei um pouco triste com a ideia de nunca mais ver aquele rosto satisfeito.
– Aaah, estou bastante cheio dattebayo... – Ele virou o rosto para mim e deu um sorriso grande – Obrigada pela refeição!
Sorri para ele verdadeiramente contente, e ergui o braço para pegar um guardanapo ao lado do prato dele.
– De nada – Respondi depois de certo tempo – Agora se vire para mim.
Apesar de estar cheio, ele se virou animadamente para mim ainda sentado na cadeira e abriu um sorriso branco.
Comecei a rir ao ver o rosto contente e melado do rapaz a minha frente, e limpei o canto dos seus lábios com cuidado.
– Você parece muito feliz hoje – Sorri ao vê-lo corar um pouco – Posso saber o motivo?
Os olhos azuis dele rolaram para o lado, com o rosto ficando um pouco mais rosado. Por fim, rolou-os de volta para mim e abriu outro sorriso.
– Ah, você iria achar estranho se eu falasse ttebayo... – Afastei o guardanapo do rosto dele e me levantei aproveitando para pegar o prato sujo e levar para a pia.
Joguei o guardanapo fora e comecei a lavar a louça dele.
– Eu não acharia estranho qualquer coisa que você falasse se comparar todas as outras coisas estranhas que já vi – O garoto riu de leve ao me escutar, imaginando as possibilidades. – E então, vai me falar ou não? — Perguntei em quanto ensaboava o prato.
– Bem dattebayo... – O garoto voltou a corar e colocou a mão atrás da cabeça, acanhado – Por algum motivo, eu me senti muito aliviado quando eu te vi ttebayo...
Estava prestes a ligar a torneira da pia, mas parei de me mexer quando o ouvir, sentindo os batimentos cardíacos acelerarem.
– Eu sabia que você acharia estranho... – Disse ao ver que eu tinha parado de me mover – Mas vamos deixar isso para lá! Isso só é uma sensação boba ttebayo! – Naruto se levantou da cadeira e esticou os braços para cima com seu sorriso suave costumeiro.
Coloquei o prato dentro da pia e me virei para ele, com as bochechas rosadas que nem as dele. Naruto parou de se esticar quando viu meu rosto rosado e seus olhos azuis se cobriram de surpresa, com um pouco de vergonha mesclada.
Sorri largamente para ele e me esforçando para não me emocionar demais disse:
– Viu? – Apontei para eu mesma – Seus sentimentos são nada estranhos para mim – Meus olhos marejaram e o Naruto ficou ainda mais supreso – Ao contrário, eu me sinto muito... Feliz.
O pequeno coração do Naruto se encheu de um calor morno e confortante e seus olhos também marejaram de leve quando outra sensação que também lhe parecia estranha surgiu: Sentia medo. Medo de perder aquele conforto e aquele calor que minhas palavras emanaram como estava costumado a perder as coisas, e esse medo de me perder que o motivou a andar na minha direção e me abraçar forte.
O meu sorriso foi substituído pela surpresa ao ver o Naruto me abraçar com tanta força.
– Mitsue-senpai... Estou com medo dattebayo... — Falou com sua voz um pouco elevada, e apertou seu rosto conta mim.
Meu coração se apertou e eu abracei o loiro sem muito esforço, sentindo meus instintos maternais a flor da pele.
Com apenas um abraço, todo o medo que eu não sentia e toda aquela segurança que eu havia mostrado a Arisu dos riscos de morrer hoje desapareceram, fazendo-me sentir mais medo que nunca. O medo não era por mim, era pelo Naruto. Agora eu sentia bastante temor se alguma coisa acontecesse e eu estivesse mais lá para cuidar dele, ou acalma-lo quando estiver agitado ou triste. Eu não queria abrir mão dele.
– Eu também – Murmurei, abraçando-o com mais força – Com muito, muito medo Naruto... – Elevei a voz, sentindo uma grande vontade de chorar, mas não queria assusta-lo com minhas lágrimas, e sim aproveitar o momento de carinho.
Achei que ele perguntaria o porquê, já que era estranho eu dizer aquilo sem apresentar meus motivos, mas ele apenas manteve-se abraçado a mim abastecendo o seu pequeno coração de calor para mais tarde.
Sem palavras e sem exageros aquilo teve continuidade, e comecei a repensar sobre minha força e capacidade de deixar o tesouro em meus braços.
Para sempre.
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Já havia saído de casa, agora estava no nosso ponto de encontro que ficava na floresta nua, esperando pelos três.
Me encostei na árvore atrás de mim e observei o sol coberto por nuvens finas, apreciando o pouco de calor que ele conseguia emanar em mim. Que saudades do verão, daqueles dias ensolarados e quentes com a vegetação natural de Konoha viva e brilhante ao meu redor. Eu simplesmente amava aquele sol... Aquela energia positiva e calorosa.
– Não acha que já passou a hora de acordar? – Sai de meus momentos de distração e encarei o rosto feliz que me olhava não tão distante.
Fiz uma careta.
– Não acha que já passou da hora de ser tão intrometido? – Revidei, vendo que sua expressão apenas melhorara com o comentário.
– Não sou intrometido. Apenas gosto de estar bem informado. – Yuuto falou sem se deixar afetar.
– Essa é a desculpa mais esfarrapada que ouvi – Resmunguei, encarando aquele rosto sorridente.
– Credo Mitsue... Você sabe ser dura quando quer – Se afastou de mim, com os olhos amendoados divertidos.
– E qual é a novidade? –Perguntei com um meio sorriso malvado.
Yuuto começou a rir de mim com humor, mas eu apenas deixei meu sorriso se alargar sem rir com ele.
– Para de rir que nem um idiota Yuuto, assim você me envergonha – Arisu surgiu do meu lado acompanhada pelo Ryo.
– Oras, deixe de ser estraga prazer – Disse com um pouco de riso no tom.
Ela cruzou os braços.
– Desculpe se eu estou querendo levar esse dia em especial um pouco mais a sério – Sua voz saiu com rispidez.
Era somente eu quem conseguia ser dura por aqui?
– Calma Ari, não precisamos ficar tão tensos só porque é hoje que... –Ryo deixou a frase no ar, mas nós todos entendemos.
– Mas seria bom que levássemos isso com seriedade. Hoje não é um dia comum – Falou com mais calma já que se tratava do Ryo.
– Ela tem razão – Yuuto voltou a ficar com sua expressão natural – É bom que foquemos no que vamos fazer hoje – Ele tocou meu ombro suavemente – Assim tudo acabará dando certo no final, certo?
– Sim... – Respondi com em voz baixa.
Antes que alguém começasse a falar, um barulho é escutado próximo a nós e voltamos nossos olhares para a direção do barulho.
Entre as árvores, um vulto surgiu e avançou na nossa direção, pousando com um baque na nossa frente. Ninguém moveu um músculo, tentando identificar quem era aquele vulto. E foi necessário nenhum esforço, pois...
– Mitsue, Ryo! – Gai estava com o rosto tenso e suado, focando o olhar apenas em nós dois.
Alarmada com aquela expressão incomum nele, fui a primeira a perguntar:
– O que aconteceu Gai?!
O sobrancelhudo tomou fôlego antes de falar a frase:
– O Kakashi... Ele não está bem!
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Empurrei as portas do hospital, e sem me importar com os olhares e avisos das enfermeiras, corri até as escadas sem ter a santa paciência de pegar um elevador num momento como aquele. Pulava de três em três degraus, ouvindo os passos apressados atrás de mim na tentativa de me alcançarem. Como esperado do Yuuto, ele acertara na mosca o dia em que o chakra sairia de controle.
É agora...
Depois de tanta espera... É agora!
Estreitei os olhos, apressando ainda mais a velocidade com que subia os degraus, movida unicamente pela vontade de salva-lo. De não chegar tarde de mais.
Meus olhos faiscaram quando viram o corredor do quarto dele, e pisei no ultimo degrau com força quase indo de encontro com o chão liso, mas eu consegui evitar a queda a tempo, correndo a toda velocidade até a porta do quarto dele.
Estava prestes a tocar a maçaneta da porta quando ela se abre na minha frente e duas enfermeiras surgem na porta, olhando assustadas para a pessoa ofegante e suada na frente delas.
– Por favor, saia da frente! – Pediu uma delas com a voz urgente, e imediatamente dei espaço a elas.
Respirava com dificuldade, mas a situação piorou quando ouvi um grito abafado de dor vindo do leito que elas puxavam para fora do quarto. Perdi todo o oxigênio que me restava quando vi o Kakashi rígido de tanta dor na cama, com gotas pesadas de suor escorrendo no rosto que estava descoberto para que respirasse melhor.
– Kakashi! – Me aproximei do leito e toquei o braço dele.
Quando nossas peles fizeram contato, algo parecido com um choque elétrico fez com que minha mão afastasse, doendo como se tivesse colocado o dedo na tomada.
– Mantenha afastada dele, precisamos tirar ele daqui o mais rápido possível! – Pediu uma das enfermeiras.
Ignorei o choque de agora a pouco e andei rápido para alcançar o leito que já era dirigido para o fim do corredor, até que inesperadamente o Yuuto segura meu braço, impedindo que eu fosse com eles.
Virei-me para ele com um rosto chateado.
– Me solta Yuuto! Preciso ir atrás dele!
– Não Mitsue, agora não. – Pediu mantendo a voz calma – Elas vão encaminha-lo para uma sala de operações nesse momento, e ele ficará bem por enquanto.
– Mas eu tenho...
– Ainda não. Primeiro precisamos estar nos limpar e trocar as roupas, aliás, é para uma sala de operações que estamos indo.
Soltei um resmungo baixo e virei o rosto para a o leito que acabava de cruzar o corredor. Voltei a olhar para ele.
– Vamos rápido!
Depois que o Yuuto explicou a situação ao Dr. Mairu, fomos autorizados a entrar na sala de operações para que iniciássemos a extração do chakra. Mas apenas eu, que realizaria a extração, poderia entrar em contato com o Kakashi. Os outros teriam que manter distancia e preparados para agir quando necessário.
Depois que estávamos devidamente vestidos, fomos as pressas para as portas largas e grandes da sala de operações. Apenas a Arisu ficou do lado de fora da sala ao lado do Gai, vestida com suas roupas normais já que ela não tinha participação. Já o Yuuto, Ryo e eu fomos juntos até dentro do grande espaço.
Dentro da sala, procurei o Kakashi com os olhos, encontrando-o assim que ouço um gemido agoniado vir do leito no centro da sala.
– Kakashi... – Murmurei com a voz assustada.
A mão sempre coberta com a luva de couro tocou meu ombro a fim de me tranquilizar.
– Acalme-se. Lembre que não será capaz de fazer um bom trabalho se não manter a calma — Pediu em voz baixa, assim que um gemido mais alto escapou do grisalho que se contorcia com as dores.
– Mas... Ele parece sentir tanta dor – Murmurei sentindo as lágrimas se acumularem nos olhos — Será que eu sou forte o suficiente para salva-lo... Será que nada dará errado?
Uma lágrima escapou dos meus olhos e o Yuuto me virou para ele.
– Vai dar certo Mitsue, porque nós estaremos com você – Ele abaixou mais o tom, tornando-o suave – Eu estarei com você – Meus olhos transbordantes de água se arregalaram diante da expressão séria dele – Eu tenho fé em você... – Ele respirou fundo e continuou – Tenho fé porque você é a minha...
Todos ficam estáticos quando um berro cheio de dor ecoa pela sala, fazendo que todos olhassem para o grisalho que agora se debatia na cama, e todos as enfermeiras se afastaram dele quando uma aura flamejante se apossou do corpo dele, fazendo que nenhum dos profissionais ali pudessem se aproximar.
Afastei a mão do Yuuto do meu ombro com os olhos grudados no grisalho que se debatia e corri até ele.
– Já está na hora! – Avisei para todos em quanto limpava as lágrimas, e médicos e enfermeiras se afastaram mais, me dando espaço.
– Não tem como se aproximar! Essa coisa vai te matar! – Avisou um dos médicos prestes a me impedir, mas ele é barrado pelo Ryo.
– Ela sabe o que está fazendo – Disse com uma voz autoritária ao médico.
Mal me aproximei do Kakashi e aquela aura flamejante aumentou repentinamente de tamanho, fazendo que o Kakashi soltasse outro berro de dor mais sofrido que o ultimo, arregalando mais os olhos cada vez que o a tal aura ganhava tamanho.
O médico olhou com horror para a cena e sem se importar com o que o Ryo disse, gritou para mim:
– Se afaste dele! Você não é capaz de extrair uma coisa dessas!!
Ryo fez um rosto irritado para o médico e encarou-o:
– Eu não acabei de dizer que ela sabe...!!
– Eu consigo extrair com toda a certesa! – Interrompi, dando mais um passo em direção ao leito – Porque essa coisa é o meu chakra, e ninguém além de mim vai extraí-lo!
O médico me olhou para mim não sabendo se ficava com medo do chakra ou da minha coragem.
Encarei a chama violeta notando o quanto que ela era mais escura que o meu chakra, e me preparei psicologicamente para tocar nele, e antes de lançar meu corpo para chamas e tocar nele, um pensamento toma minha mente:
Parece que isso vai doer muito...
No instante seguinte, eu já havia tocado no Kakashi e senti como se eu tivesse pulando numa piscina onde um poste elétrico havia acabado de tombar.
Muito diferente do formigamento que sentia com o Ryo. E como eu pensei...
Muito mais doloroso do que quando eu perco o controle do meu chakra.
Muito mais.
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