Para Sempre.
24 Capítulo 24 - Uma longa noite na neve.
Notas iniciais
QUE SAUDADES DE VOCÊS! Ahn gente, desculpe pela demora na postagem, mas eu tive provas - e ainda vou ter - então a coisa ta meio complicada para o meu lado! Eu não sei que dia eu vou postar o proximo capítulo, mas prometo que postarei o mais rapido possivel!
Queria mandar milhoes de beijokas para a Deliorat, que me cobrou os capítulos XD e a tambem mando milhões de beijokas as minhas outras leitoras fieis e lindas *O* que me fazem muito feliz com suas Reviews!
Ok, melhor eu ir antes que eu faça um discurso aqui... Rsrsrsrsr.
Bjks
Ami ~
Eu prendi o ar quando parei de frente para a porta do quarto dele. Eu estava atônita e confusa.
– “Será que eu não estou sendo apressada de mais?” – Encarei a porta, engolindo em seco – “Droga... Eu não vou desistir agora que eu estou na frente do quarto dele!”.
Avancei mais um passo e, meio hesitante, bati três vezes na porta esperando a resposta logo depois.
Nada. Somente um silêncio constrangedor.
Entortei os lábios e bati mais três vezes na porta, desta vez com mais coragem.
Novamente, silencio total.
Dei um suspiro decepcionado e ao mesmo tempo aliviado.
– Ele não deve ter chegado ainda... – Levantei o rosto, mais aliviada que nunca e virei os tornozelos, andando na direção contrária até o lado de fora do lugar – Isso é bom! Assim eu tenho mais tempo para pensar no que falar para ele...
– Falar oque para quem? – Congelei onde estava, sentindo meu estômago se revirar.
Virei meu rosto lentamente, enxergando ninguém mais que o Kakashi de braços cruzados me observando com um olhar curioso.
– E então? Não vai me responder? – Perguntou mais uma vez ao notar meu rosto petrificado.
– E-e-eu?! Eu não sei de nada... – Desviei o olhar e voltei a andar, mais que nervosa. Eu tinha perdido toda a coragem de agora a pouco somente por olhá-lo – Melhor eu voltar para ver a Sakura.
– Ei, espere um pouco – Tremi ao sentir a mão dele no meu braço, impedindo que eu continuasse.
Respirei fundo e olhei para ele, procurando manter a postura durona que eu sempre tive.
– Oque você quer de mim Kakashi? – Perguntei, com a voz mais séria.
Ele afastou a mão de mim ao notar minha mudança de postura, e limpou a garganta.
– Eu só queria falar com você por um momento.
Ergui uma sobrancelha, fingindo estranhamento.
– Não deveria estar fazendo o relatório da missão de hoje em vez de querer falar comigo, Kakashi?
O rosto dele ganhou uma nova expressão, como se acabasse de lembrar daquilo.
– É... Agora que você falou sobre isso, eu tenho mesmo um relatório a fazer – Colocou a mão atrás da nuca e corou de leve, envergonhado por ter esquecido de algo tão importante.
Revirei os olhos, desta vez uma ação autentica. Como ele conseguia ser tão idiota...
– Enfim... Sobre oque você ia falar comigo...? – Cocei a cabeça, disfarçando o meu rosto levemente rosado por mostrar interesse no que ele ia me dizer.
Ele tirou a mão da nuca e voltou ao normal.
– Nada muito importante... Eu acho... É só que tinha uma coisa que eu queria resolver com você, em particular – Olhei para ele, por um momento, esperançosa – Mas graças a você, eu me lembrei do relatório e tenho que resolver o quanto antes para que eu não receba uma bronca depois.
– Ah... Tudo bem – Dei de ombros, ignorando a decepção enorme que eu sentia por dentro.
Kakashi passou por mim, andando para o quarto dele logo atrás de mim.
Pressionei os lábios e cerrei os punhos. Eu não podia perder aquela chance, eu tinha que fazer alguma coisa e acabar com meus problemas de uma vez por todas.
– Kakashi! – Soltei o ar de uma vez, apertando mais as mãos.
– Hun? – O grisalho virou um pouco o corpo, olhando-me.
Virei-me para ele um pouco nervosa.
– Espere um pouco... Eu também quero falar com você – Disse em voz baixa, procurando ao olhar para ele.
O grisalho idiota deu um olhar surpreso, virando completamente para mim.
– Falar comigo? Eu não esperava por isso – Seu olhar se tornou alegre.
– Eu também não – Admiti – Mas eu acabei ficando curiosa com oque você queria me dizer.
Que bela desculpa...
– Ah, então é isso – O grisalho deu um suspiro – Porque o interesse repentino?
Mordi o lábio inferior.
–Ah... É que... Pelo jeito que me falou... Sei lá, parecia ser importante — Kakashi estranhou meu nervosismo, mas quase abriu um sorriso quando notou que meu rosto estava rosado. Só não o abriu porque tinha amor à vida – Enfim, eu não gosto de ignorar assuntos importantes – Cruzei os braços, tentando parecer firme – Então... Pode falar.
O grisalho não era um idiota. Notou que eu queria lhe falar alguma coisa. Aliás, qual é a outra razão para ela ter aparecido na porta do seu quarto com aquela expressão?
– Porque eu tenho a impressão que é você quem quer falar comigo? – Kakashi arriscou perguntar, mesmo sabendo que eu ficaria irritada com isso graças ao meu novo temperamento.
Cruzei mais os braços, tentando não perder a postura.
– Será que dá para parar de enrolar pelo amor de Deus?!
Ele soltou um suspiro. Eu realmente tinha me tornado bastante inflexível na visão dele.
– Ok, eu falo de uma vez – Ele olhou para o lado, e como se algo o tivesse interessado, caminhou até lá. Ficou de frente para um banco de madeira e limpou a neve, sentando-se logo após – Vem, acho que será melhor a nossa conversa se nos sentarmos.
Revirei os olhos novamente ao ver seu rosto sorridente, mesmo que estivesse coberto pela máscara. Andei até o banco e me sentei também, mantendo uma distancia segura.
Kakashi pareceu satisfeito ao ver que eu estava mais calma, oque era raro quando se tratava dele.
– Bem... Eu vou ser direto – Falou, mantendo sua voz tranqüila – De uma vez por todas, vou te falar o porquê de eu ter saído da vila.
Olhei para ele com a boca levemente aberta. Mas a fechei um momento depois.
– Por que... Porque resolveu me falar isso agora?
Kakashi não olhava para mim. Ele apenas abaixou a cabeça para que pudesse observar a neve e pousou os braços no colo, cruzando os dedos das mãos.
– Por quê? Não era isso que você queria saber des de que pisei os pés em Konoha? – Falou sem me olhar ainda.
– Não – Ele levantou a cabeça por causa da surpresa – Eu não queria saber desta história somente quando você deu as caras aqui, eu sempre quis saber. Des de o dia que eu acordei no hospital, descobrindo que você nem ao menos me visitou – Fui dura e direta. Já havia ganhado alguma resistência contra esse assunto depois do ultimo problema que tive com o Kakashi.
Eu não era mais uma adolescente.
– Enfim... Eu vou te dizer exatamente oque eu fiz e acabar com esse conflito entre nós agora – Ele voltou o olhar para a neve, com a voz séria e sem humor.
Não desprendi os olhos dele, surpresa.
– “Então ele também queria conversar com a intenção de resolver isso... Isso me deixa aliviada.” – Relaxei a expressão dura do rosto.
– Bem, tudo aconteceu exatamente assim... – Começou, com as lembranças repassando na cabeça. Lembranças de alguns poucos anos atrás.
Kakashi
Sentia-me péssimo por dentro naquela noite.
Estava sentado num dos sofás da sala de espera do hospital de Konoha, a espera do médico responsável pela Mitsue. Os minutos passavam numa lentidão insuportável, fazendo minha paciência esvair como o ar de uma bexiga. Provavelmente já haviam se passado meia hora des de o momento que cheguei ao hospital e até agora tive nenhuma noticia significante do estado em que ela se encontrava.
Mitsue...
As lembranças dela jogada no chão, com uma poça rubra em volta de sua cabeça não saia da minha memória. Enterrei o rosto nas mãos. Era difícil acreditar que a apenas algumas horas atrás ela estava do meu lado, com o rosto corado de vergonha, oque a deixava insuportavelmente linda.
Deixei-me levar pela lembrança da visão hipnotizante das gotas de água escorrendo no rosto corado até os lábios cheios e convidativos, que se abriam suavemente cada vez que eu me aproximava mais deles.
– “Kakashi...” – Murmurou ela, a pouca distancia de selar nossos lábios.
Mas sempre acontece alguma coisa no final, e o beijo não concluiu graças ao Ryo que como sempre, tinha que me atrapalhar em algo.
– “Se não fosse por isso” – Falei num fio de voz para eu mesmo – “Se eu tivesse beijado ela... Ela não teria saído e não teria sido seqüestrada” – Afundei ainda mais o rosto nas mãos – “Eu não consegui fazer droga alguma...”
– “Com licença, você é Hatake Kakashi?” – Levantei o rosto para o homem que havia me chamado, levantando imediatamente do sofá quando vi que era o médico.
– “Sim, sou” – Falei apressado.
– “Boa noite, me chamo Mairu e como você já deve saber, sou o médico responsável pela Terasu Mitsue – Assenti – Poderia se sentar, por gentileza?
– “Sim, sim claro” – Voltei a sentar no sofá e o médico se sentou na minha frente, numa poltrona.
– “Bem Hatake-san, vou ser direto. A situação da Terasu-san está bastante delicada, com ferimentos críticos na coluna e no pescoço” – O médico pausou para soltar o ar, e continuou – “Mas oque é realmente preocupante é a cabeça dela.”
As minhas mãos começaram a suar, mas mantive a voz neutra.
– “Não me diga que o cérebro dela foi afetado..”.
– “Eu não posso dizer com certesa neste momento, mas ela perdeu muito sangue e teve um traumatismo craniano, sendo possível que tenha deixado seqüelas na região do cérebro” – Senti o sangue fugir do rosto, começando a ficar realmente preocupado com ela.
– “Ela... Ela vai ficar bem ou...?“ – Perguntei com a voz meio rouca.
– “Hatake-san” – Chamou-me, prendendo o olhar em mim – “Não esquente a cabeça com isso. Eu consegui tratar os ferimentos menos críticos dela e agora ela está repousando. Oque podemos fazer agora é esperar que ela se recupere.”
– “Tem previsão de quando ela vai acordar?”
– “De acordo com os exames, graças à lesão no crânio é possível que ela fique em coma...”
– “EM COMA?! “– Me exaltei, quase me levantando da cadeira se não fosse as mãos do doutor para me impedir.
– “Acalme-se Hatake!” – Pediu com veemência – “Pense bem, se ela ficar em coma isso vai ser melhor para ela, pois assim ela vai poder se recuperar melhor dos ferimentos, além de dar tempo para que o senhor e as outras pessoas que estiveram aqui possam esfriar a cabeça.”
– “Mas e se ela não acordar?” – Minha voz ainda saia urgente.
– “Ela vai acordar, tenho certesa absoluta disso. Mas não sei quanto tempo o coma pode durar. Nós sabemos pouca coisa ainda sobre as lesões na cabeça.”
Eu me encostei no sofá e coloquei a mão no rosto.
– “Oque eu devo fazer...” – Murmurei angustiado. Tinha que ter alguma coisa que eu ainda pudesse fazer por ela
– “Se realmente quer saber, é melhor o senhor ir para casa por hoje. Não será nada saudável para você, ficar no hospital por esta noite. Deixe-a conosco, nós cuidaremos bem dela até que melhore.”
Olhei para ele, meio inseguro.
– “Tem certesa?”
– Absoluta – Confirmou.
Continuei a olhar para o médico por uns momentos, mas depois de ver seu rosto sério, decidi que seria mais inteligente dar ouvidos ao que ele me pediu.
– Tudo bem... – Me levantei do sofá, apertando logo em seguida, a mão que ele me estendeu – Deixo-a em suas mãos.
– Pode ir tranqüilo. Teremos todo o cuidado com ela.
Assenti mais uma vez e me retirei do local, com a sensação esquisita de que eu não voltaria ali tão cedo para vê-la.
Como se fosse a ultima vez que eu pudesse ficar tão perto dela.
Quando finalmente passei pelas portas de vidro do Hospital, respirei fundo o ar fresco da noite, em seguida libertando todo o ar para fora. Só agora eu percebia o quão cansativo foi ter que esperar tanto tempo sentado.
– Eu acabei esperando por ele sozinho... – Murmurei para a noite, quando já avia alcançado a calçada.
Todos: Gai, Kurenai e Ryo, tiveram que sair para cuidar da prisão do Lance, e logo depois teriam que justificar o porquê de todos aqueles imprevistos. Com toda a certesa o Minato deve estar nada contente por isso.
Só notei o quanto estava tarde quando percebi que apenas eu caminhava nas ruas, com portas trancadas e luzes desligadas ao meu redor. Todos dormiam, e eu deveria fazer o mesmo.
Passou alguns minutos e finalmente cheguei no prédio onde morava, prestes a abrir a porta quando percebo uma movimentação repentina atrás de mim.
Não precisei me virar e olhar quem era para saber do que se tratava aquilo.
– Oque vocês querem comigo a essa hora da noite? – Perguntei com uma voz cansada pelo dia puxado e por ser obrigado a falar com mais um desses caras pela qüinquagésima vez.
O ANBU não pareceu se afetar com minhas palavras, oque era de se esperar.
– Você é um cara realmente curioso. Devia se sentir honrado por ser tão desejado pela organização – Sua voz saia abafada pela máscara em formato de animal.
– Eu não me honraria tanto com a fama que a ANBU ganhou nos últimos anos – Pousei meu olhar para a máscara dele – Mas, voltando para a minha pergunta: Oque vocês querem comigo a essa hora da noite?
– O de sempre, queremos que você se tone um de nós.
Baixei mais os olhos, cansado por sempre ser obrigado a apertar a mesma tecla com eles.
– Pensei que já tínhamos resolvido isso à uns dias atrás. Não é de o meu interesse me tornar um ANBU.
Novamente as minhas palavras não surtiram efeito sobre ele.
– Nós já sabíamos que não mudaria de ideia apenas com isso Kakashi, por isso que vim aqui para lhe oferecer uma chance única, algo que será muito útil a você se aceitar nosso convite.
– Lamento meu amigo, mas não importa quantas chances únicas vocês me ofereçam. Manterei minha decisão. – Voltei-me para a porta do prédio, prestes a me retirar – Agora se me dá licença...
O ANBU impediu-me de abrir a porta bruscamente, me obrigando a me afastar dele e da porta do prédio.
– Pense bem Kakashi... Tem certesa que não quer ouvir oque vou oferecer a você? – Perguntou, a voz séria e direta.
– Absoluta — Fiz uma expressão irritada e impaciente para o ANBU – E só para constar, essa persistência de vocês está tirando minha paciência.
– Mesmo que essa proposta seja a única maneira de você fazer alguma coisa de verdade por aquela mulher internada no Hospital?
Um arrepio percorreu meu corpo quando ele a citou na conversa.
– A Mitsue não tem nada a ver com meus assuntos com vocês – Resisti.
Ele balançou a cabeça levemente para os lados em discordância.
– Nós sabemos sobre ela e oque aconteceu com ela. Provavelmente, sabemos muito mais sobre a situação dessa mulher do que os próprios médicos daquele lugar – Manteve a voz neutra.
– Vocês realmente não respeitam nada que tenha ligação com a palavra privacidade – Mumurei mais irritado por aquilo – A Mitsue está segura e esta sendo devidamente cuidada no hospital, não há necessidade de vocês falarem sobre ela.
– Como pode ter tanta segurança que a Mitsue esta realmente bem. Pelo oque observamos na sua missão, ela foi bastante pressionada psicologicamente, além dela ter sofrido bastante nas mãos do Lance – Apertei as mãos, tentando não atacar o ANBU – Como pode tem tanta certesa que ela vai sair ilesa? E mesmo que saia, como acha que você vai conseguir protegê-la de todos os ninjas que como o Lance, querem o chakra que ela possuiu?
Fiquei estático, sentindo o coração acelerar involuntariamente ao relembrar da Mitsue no chão daquele quarto... Morrendo.
– Quase que você leva a missão ladeira a baixo por causa deste problema – Continuou o ANBU, aproveitando meus momentos de fraquesa – Você realmente quer correr o risco de repetir isso mais uma vez quando ela sair de lá?
– Não... – Murmurei.
– Você quer continuar sendo incapaz de protege-la – O ANBU se aproximou, tocando meu ombro – Quer perder mais um de seus amigos na sua frente de novo?
Meus olhos aumentaram. Ele havia tocado diretamente na minha ferida: Obito e Rin. As únicas pessoas que eram importantes para mim, que eu fui incapaz de proteger e vi morrer diante de mim.
– Não – Murmurei, angustiado.
– Então se junte a nós Kakashi. Nós tornaremos você mais forte que antes, e assim, você será capaz de protegê-la, e evitar que mais uma pessoa morra – Olhei para ele, desarmado – Se junte a nós – Repetiu apertando o meu ombro.
Mitsue
Fiquei calada durante toda a explicação dele, perdendo o ar em alguns momentos, e em outros, apertando os lábios de ansiedade por mais detalhes.
Depois de tantos anos me remoendo, acreditando que ele foi embora para somente se tornar um ANBU, agora as peças se encaixavam.
Agora eu me perguntava se as razões que ele me apresentou eram realmente verdadeiras, se ele realmente pensou em mim quando...
– Mitsue? – Kakashi me chamou pela segunda vez, vendo que eu estava distraída em minhas divagações – Me ouviu?
– Sim, sim... Eu ouvi a história – Olhei para as minhas mãos, brincando com os dedos – Eu estava apenas pensado se eu posso confiar nela.
– Você ainda não acredita em mim, não é? – Perguntou em voz baixa.
– Eu... – Abri a boca algumas vezes atrás das palavras certas – Eu passei todo esse tempo acreditando que você se foi. Você nunca me deu um sinal que estava por perto, que não tinha fugido... – Mordi o lábio, com medo de falar, mas falei – Que tinha me esquecido...
– Nunca – Levei um susto quando senti sua voz perto do meu ouvido. Olhei para o lado, dando de cara com ele – Eu nunca seria capaz de te deixar sozinha...
– Você me deixou sozinha, Kakashi. A única pessoa que eu tinha por perto era o Ryo, mas não era a mesma coisa – Minha voz saiu baixa, quase inaudível, como se eu tivesse medo de falar aquilo. De finalmente admitir o quanto ele me fez falta.
– Mas eu nunca te deixei sozinha! – Tornou a falar com energia – Eu sempre estive o mais perto que conseguia apenas te observando Mitsue. Eu nunca fui de verdade.
Encarei o rosto dele completamente confusa.
– Mas eu nunca te vi... Eu nunca...
– Claro que nunca me viu. Eu não podia me mostrar para você sendo um ANBU. Sendo um ninja fraco ainda – Ele se aproximou um pouco mais, como se tentasse me convencer de qualquer maneira – Eu tinha que estar pronto para poder te ver de verdade.
Parei para pensar no que ele me disse, comprimindo os lábios até se formar uma linha fina.
– Quer dizer que por todo esse tempo, o motivo de você ter desaparecido foi para que se tornasse forte para me proteger – Olhei para ele e ele assentiu – Mas para isso você não podia me contar que estava na ANBU, e só voltaria quando estivesse pronto – Ele fez um rosto mais aliviado, assentindo.
– Ok, era só isso que eu precisava saber – Me levantei de repente e andei com passos apressados para longe do Kakashi.
A confusão transbordou na expressão dele, sem entender o porquê de eu ter saído. Ele se levantou, tentando me alcançar antes que me afastasse demais.
–Ei Mitsue! – Me chamou, mas eu não diminui o passo – Mitsue, poderia fazer o favor de parar de se afastar de mim?
Deixei-o sem resposta mais uma vez, acelerando os passos. O grisalho começou a perder a paciência, totalmente confuso com minhas ações, e num instante, impediu minha passagem ficando de frente para mim.
– Poderia sair do meu caminho ou está difícil? – Perguntei duramente, deixando transparecer a irritação na voz.
– Não antes de você e explicar o porquê de estar agindo dessa maneira. Eu não acabei de te explicar a razão eu ter saído? – Cruzei os braços assentindo – Então porque toda essa irritação?!
– Exatamente porque você acabou de me confirmar que os homens são as criaturas mais irritantes da face da terra – Falei com rispidez.
– Irritantes? – Pela primeira vez na vida, ele estava começando a se chatear comigo – Eu passei todos esses anos treinando longe do meu lar por você, e você me chama de irritante?
– Parece que você me entendeu – Desviei dele e voltei a andar, mas ele me pega pelo braço outra vez e me puxa até voltar onde eu estava – OQUE VOCÊ PENSA QUE ESTA FAZENDO?! –Encarei seu rosto e a mão dele no meu braço, irritada com a grosseria
– Corrigindo: Oque você pensa que está falando? Pensei que quando te falasse isso, você poderia entender meus motivos e acabar com tudo isso! – A incompreensão no rosto dele só me irritava mais.
– Eu entendi os seus motivos Kakashi, entendi muito bem na verdade – Me aproximei dele – É isso oque me irrita de verdade.
– Poderia explicar melhor, por favor? – Seus olhos me encaravam, incrédulos e chateados.
Revirei os olhos.
– É impressionante perceber o quão idiota foi a sua decisão, a sua escolha – Afastei a mão dele do meu braço para continuar – Você complicou mil vezes um problema que era simples, Kakashi. Tudo bem que você queria me proteger, se tornar forte, mas não era necessário fazer toda essa bagunça entrando para a ANBU, se afastando de sua casa e de seus amigos, somente para ganhar força – A expressão de Kakashi se amenizou um pouco – Se você realmente queria força, nós poderíamos ter conseguido isso juntos.
– Mas você estava em coma, vulnerável. E por isso eu tinha que me tornar forte de uma maneira rápida. Antes que você realmente se machucasse. – Explicou, aumentando minha irritação e minha razão.
– Kakashi... – Passei a mão no rosto. Homens são incrivelmente complicados — Então a solução que você achou é me deixar sozinha na vila a quilômetros de distancia, treinando num lugar que nem imagino qual seja, e pior, com a ANBU no seu pé? No meu modo de ver, isso apenas complica o seu objetivo.
– Você não entende... Por mais que fosse arriscado, era a maneira mais rápida de eu adquirir força.
Minha mão coçava de vontade de voar no rosto dele tamanha a idiotice.
– Olhe, vou te explicar detalhadamente o seu erro – Minha voz saiu com uma paciência que eu não tinha – Primeiro: ANBU pouco ligava se você queria me proteger, ela queria é suas habilidades ópticas e estratégicas para usar em seu favor, oque prova que você não era fraco como você vive repetindo para mim, se não eles nem ligariam para você. Segundo: Eu, Terasu Mitsue, sou a única responsável pelo meu seqüestro por causa da minha incrível falta de atenção e cuidados. Mas mesmo que oque aconteceu comigo tenha sido horrível naquela noite, você me salvou. Por isso eu estou viva, bem aqui dando um sermão para ver se seus neurônios ressuscitam! – Ele estava prestes a abri a boca, mas eu o interrompi – Terceiro: Se você realmente queria me proteger, devia ter ficado do meu lado vinte e quatro horas naquele hospital, infernizando a vida do médico para saber como eu estava e quando ia melhorar. Depois eu iria acordar com você do meu lado, e nós dois juntos íamos treinar e ficar fortes por nós mesmos evitando todos os problemas que tivemos, rindo, me salvando do saquê e me ajudando a acabar com a raça do Jiraya – Respirei fundo quando terminei. Os erros dele eram tantos que eu poderia continuar ali o resto da noite – Entende o quanto você complicou as nossas vidas com toda essa preocupação?
Kakashi ficou calado, pensando no que eu disse. Parece que ele finalmente percebeu o quanto isso foi desnecessário.
Do nada, o grisalho começou a dar risadinhas baixas que aumentaram até se tornarem verdadeiras risadas, como se e tivesse contado a melhor piada do século.
– Er... Eu poderia saber o motivo da graça toda? – Uma veia na minha testa começou a pulsar loucamente de impaciência e incredulidade.
Ele riu mais um pouco antes de me responder.
– É incrível como eu vivo tropeçando na mesma pedra todas as vezes que acho que é o certo a fazer – Ele deu mais algumas risadinhas antes de olhar nos meus olhos – Parece que oque você me disse a alguns anos atrás, pouco antes da guerra ninja, se tornou uma maldição que me perseguiu por todo este tempo.
– Antes da guerra ninja...
Como se tivesse acontecido ontem, as palavras que eu dirigi ao Kakashi na noite que soube da guerra voltaram a serem ditas na minha cabeça. Foi a primeira vez que o enfrentei:
“– Você realmente é um idiota insensível Kakashi! Nunca pensei que o que falavam de você fosse ser a mais pura verdade! Você não passa de um garoto que não se importa com ninguém a não ser você mesmo!
– Não me importo com oque eles ou até mesmo você pensa de mim, só verei vocês como crianças barulhentas e imaturas. — disse com a voz séria.
– Você vai se arrepender um dia de ter falado assim Kakashi, e você vai sofrer como nunca sofreu, pois vai notar que não vai ter mais ninguém do seu lado, que já perdeu tudo! — praticamente cuspi as palavras nele, eu estava morrendo de raiva por ele ser tão mesquinho — Pode até ser talentoso, mas isso não vai ser o suficiente para recuperar as pessoas que acabou de jogar no lixo.”
Minha irritação piorou um pouco ao me lembrar do quanto que ele foi baka naquele dia. Só agora, depois de tanto tempo que me lembrei do que eu tinha dito, e aquilo realmente pareceu amaldiçoá-lo.
Um meio sorriso satisfeito brotou dos meus lábios. Valeu a pena falar aquilo.
– Pelo menos alguma coisa que eu disse realmente valeu à pena. Assim você fica mais atento no que faz – O sorriso se desfez do meu rosto e desviei dele novamente, desta vez mantendo o braço longe do alcance dele.
– Espere aonde você vai? – Perguntou, também desfazendo o sorriso.
– Vou para o meu quarto – Mordi o lábio, corando sem ele ver – Parece que você já me disse oque você tinha para me falar.
– Mas e você? – Parei de andar e virei o rosto lentamente para ele.
– Como assim?
– Você também queria me falar alguma coisa, não é? – Virei o rosto imediatamente, sentindo as maças do rosto queimarem.
– Besteira... Porque eu iria querer falar alguma coisa para você? – Voltei a andar – Eu tenho mais oque fazer, boa noite.
– Nem pensar – Por mais que não tenha olhado para ele, eu senti o sorriso na voz dele.
– Mas oque... – Me virei prestes a pedir esclarecimentos, mas ele me pegou de surpresa, me prensando contra uma arvore próxima de nós dois – Kakashi! – Protestei vermelha.
– Me diga – Pediu, com o rosto perigosamente próximo.
– Eu não tenho nada para dizer – Menti mesmo que ele não fosse acreditar.
– Tem sim, me diga – Repetiu, se aproximando mais.
– Já disse que não tenho nada! Me solte agora! – Comecei a ficar nervosa com a proximidade do seu rosto no meu. Dava para sentir o hálito dele de tão perto.
Ele me encarou por um tempo, analisando minha expressão, como se fosse capaz de ler minha mente através disso. Por fim, ele soltou um suspiro longo e cansado, mostrando que havia desistido.
Graças a Deus... Eu vou poder sair dos braços dele.
– Então eu mesmo vou ter que dizer oque eu queria.
– Anh? – Encarei ele com confusão – Mas você não acabou de falar?
– Não tudo – Ele sorriu sobe a mascara – Ainda tem mais uma coisa que eu nunca tive a oportunidade de te falar.
Inesperadamente o meu corpo começou a suar, e meu nervosismo ficou evidente. De alguma maneira, eu parecia saber oque ele queria me falar.
Cerrei os olhos e virei o rosto para o outro lado.
– Mitsue... – Começou, com a voz mais grave.
– Não Kakashi... – Pedi, com os olhos ainda cerrados.
Ele ignorou-me e continuou:
– Mitsue eu...
– Não diga!
– Eu... – Ele riu de leve com o meu nervosismo, se deliciando com ele.
– Não! Por favor, por favor... – Implorei, virando ainda mais o meu rosto.
– Porque não?
– Por que... Porque se você falar... – Engoli em seco – Eu não sei se eu conseguiria olhar para você se dissesse...
O sorriso dele se alargou ao notar meu rosto corar. Ele amava ver-me liberta da máscara que eu sempre usava para disfarçar meus sentimentos.
– Eu vou dizer. Pode parecer clichê ou desnecessário, mas eu vou falar.
– Não... Me solta! – Abri os olhos e toquei seus ombros, tentando afastá-lo, mas ele segurou meus braços e me prendeu contra a árvore, mantendo o rosto tão próximo, que qualquer movimento em falso seria suficiente para acontecer um belo “acidente”.
– Eu vou falar!
– NÃO!
Kakashi sorriu ainda mais com todo o meu nervosismo, aproximando os lábios da minha orelha:
– Eu te amo, sua medrosa – Sussurrou, sentindo com suas mãos, o meu corpo tremer com a fala tão temida.
Abaixei meu rosto, mais que vermelha, eu estava completamente rubra.
Ele se afastou da minha orelha e observou meu rosto super envergonhado, maravilhado com aquela cena.
– Seu idiota... – Murmurei de cabeça baixa. – Eu falei para você ficar calado.
– Até parece que eu lhe daria ouvidos numa situação destas — Respondeu, animado.
– Você é um idiota – Repeti, sem mostrar o rosto ainda.
– Tudo bem então – Suas mãos finalmente soltaram meus braços – Vou te deixar ir, satisfeita?
Fiquei calada e envergonhada.
– Tchau – O grisalho se afastou, deixando um calor dominar meu corpo em quanto se afastava.
Senti vontade de bater em mim mesma por aquilo, mas uma coisa mais forte me fez ignorar isso, e sem pensar, corri até o baka grisalho virando de uma vez para mim.
– Mitsue! – Kakashi se alarmou quando viu que eu agarrava suas vestes , mantendo-o de frente para mim.
Ignorei-o e tirei aquela máscara irritante do rosto dele, revelando o rosto que tantas doariam o rim – sem exageros – para ver e o encarei de cara feia.
– Você é um grande idiota Kakashi! Por culpa sua eu estou desse jeito! – Corei um milhão de vezes mais quando vi ele sorrir de satisfação.
– Então continue assim por um bom tempo – Pediu sem me dar tempo para falar.
Os lábios dele cobriram os meus, destruindo toda a minha resistência, esfarelando todo a raiva que acumulei por ele, e por incrível que pareça, eu simplesmente ignorei esse detalhe.
Soltei suas vestes devagar, e abri minha boca dando passagem para a língua dele que foi de encontro com a minha devagar. Senti o sabor dele invadir meu paladar, e nossas línguas dançavam de forma lenta, uma conhecendo a outra, explorando a boca do outro com curiosidade.
Perdi os meus sentidos quando as mãos dele foram para as minhas costas e outra para a minha nuca, aproximando mais nossos lábios e aprofundando o beijo. Levei minhas mãos para seu pescoço e agarrei seu cabelo, faminta, impaciente.
Kakashi se afastou um pouco dos meus lábios, procurando o oxigênio que faltava, mas sem paciência alguma, levei meus lábios de volta aos dele, sentindo a maciez dos lábios dele com a ponta da língua para depois voltar a dança lenta e sensual com a dele.
– Mitsue... – Tentou falar entre os beijos – Vai com calma... – Foi impedido novamente pelos meus lábios.
Me afastei apenas um pouco, roçando meu lábios nos dele e disse:
– Não comece... Você me fez esperar muito tempo para finalmente ter isso – Encostei meus lábios nos dele de leve, dando vários selinhos, provocando-o.
Ele deu uma risada rouca para mim.
– Foi mal – Ele avançou para meu lábios, dando um profundo e demorado beijo antes de voltar a falar – Me deixe compensá-la por todos os anos perdidos?
Abri um sorriso, beijando o canto dos seus lábios.
– Isso vai ser complicado – dei uma risadinha e murmurei – Eu sou bastante exigente...
– Isso não é empecilho para uma pessoa como eu.
Fiquei confusa por um momento quando os lábios dele desapareceram, e maior foi minha surpresa quando fui erguida do chão, sendo obrigada a cruzar as pernas em volta da cintura do grisalho idiota e segurar firmemente seu pescoço.
– Se eu cair eu nunca mais te perdoo – Apertei mais os braços no seu pescoço quando ele começou a andar.
– Eu nunca vou te deixar cair, Mitsue – Sorriu para mim, revelando dentes perfeitamente alinhados e brancos.
Me senti segura quando vi seu sorriso. Eu sabia daquilo, a partir do momento que toquei os lábios macios dele eu senti segurança.
Aproximei meus lábios da sua orelha e sussurrei:
– Eu te amo, baka – Sorri.
– Eu também, estressada – Tirei o rosto da sua orelha e o encarei com uma sobrancelha erguida.
Ele riu de mim e voltou a cobrir meus lábios com os dele com avidez. Eu estava tão imersa no beijo e nas sensações que ele me provocava, que nem percebi quando a porta do quarto dele havia se fechado. Apenas me toquei que estávamos lá quando fui deitada num local macio. Uma cama.
Ele ficou por cima de mim, apenas me observando des de os lábios corados e até as minúcias do rosto.
– Kakashi – Chamei-o em voz baixa.
– Oque?
Toquei o rosto dele com cuidado, sentindo as curvas perfeitas do rosto e novamente, a perfeita maciez dos lábios.
Corei de leve antes de falar.
– Eu só pertenço a você agora – Murmurei – Cuide de mim.
– Para sempre.
Sorri, colocando as mãos nas suas costas, que em pouco tempo estavam nuas. Nossos corpos se movimentavam em perfeita sincronia e os lábios ávidos percorriam o pescoço, a clavícula, os lábios e onde mais pudessem alcançar, por que tudo que eu tinha pertencia somente a aqueles lábios e tudo que ele era, pertencia aos meus que sem pudor exploravam-no, insaciáveis.
Naquela noite, palavras não foram ditas, não precisava. Repetia seu nome a cada suspiro, os gemidos ecoavam e aquele amor adormecido a tempos se revelava mais forte, mais resistente e mais profundo que qualquer um dos dois imaginara.
E assim se iniciou uma longa noite...
Notas finais
Bjks
Ami ~
Fale com o autor