Para Sempre.
15 Capítulo 15 - E a neve é a vencedora!
Notas iniciais
Ahh, eu fiquei tão animada quando lancei esse capítulo! Provavelmente vocês vão querer me esganar depois do que eu escrevi... KKKK Mas quem liga?! Corre/
Aproveitem este capítulo que está especial ;D
Bjks
Ami ~
Continuei a encarar a pessoa caída na neve com os olhos arregalados. Aquilo, com certeza, não era algo que se via todo o dia.
Desfiz o rosto surpreso ao ver a pessoa gemer novamente. Aproximei-me dela e comecei a tirar a neve que a cobria, ela parecia estar doente. Quando tirei o excesso de neve de cima dela, virei devagar seu corpo, fazendo com que a manta escorregasse pelo seu rosto e o tampasse. Estava prestes a tira-lo quando uma ventania passou por nós, fazendo que uma enxurrada de neve fosse de encontro ao meu rosto.
Com um resmungo, coloquei a mão na frente de meu rosto para evitar que a neve trazida pela ventania acidentalmente entrasse nos meus olhos. Os abri e dei de cara com a neve voando por todos os lados junto de alguns gravetos e folhas secas que impediam que eu enxergasse um palmo a minha frente.
Droga, a maldita nevasca resolveu dar as caras.
Inclinei-me para a pessoa e a puxei antes de me levantar com ela e a colocar nas minhas costas.
Soltei todo o ar de meus pulmões quando senti o peso do corpo dela em minhas costas, era bastante pesada. Ajeitei a pessoa em cima de mim de modo que não tombasse e comecei a caminhar pelo caminho que eu seguia antes dela cair em cima de mim.
Dei os primeiros passos na grossa camada de neve que já tinha alcançado meus joelhos e apenas isso bastou para eu começar a ficar cansada.
Aquilo realmente era uma droga.
Além de a maldita neve me atrapalhar a caminhar, eu estava molhada até a cintura e meu corpo tremia com o frio vindo tanto da neve que eu pisava quanto da ventania da nevasca. Ah! Eu quase me esqueço da pessoa semiconsciente nas minhas costas que parecia estar doente e fraca.
Estreitei os olhos assim que a nevasca aumentou e o vento gelado e cortante queimou minhas bochechas que começaram a ficar dormentes. Um pouco preocupada com oque a nevasca estava causando á pessoa olhei para trás. Me senti mais aliviada ao ver que seu rosto estava protegido pela manta.
Pelo menos ela está em segurança agora – Pensei comigo mesma – Se depender de mim, ela vai sair dessa nevasca o mais rápido possível.
Parei de andar na neve e fechei os olhos. Só havia uma maneira de sair da floresta de uma maneira rápida e eficaz.
Ignorei todo o frio, a neve, a roupa molhada e gelada que grudava no meu corpo e todo meu cansaço para poder me concentrar o suficiente no que eu queria. Por sorte, eu consegui esquecer aquela neve frustrante e fui recompensada pela pequena chama de calor que pulsava a energia que eu tanto desejava. Cerrei mais as pálpebras e os lábios ao sentir a pequena chama ganhar tamanho e volume até que ela incendiasse completamente o meu ser de dentro para fora.
Abri os olhos com um sorriso de vitória quando a onda quente de chakra passou pelos meus braços e pernas até o frio desaparecer quase que completamente.
Sem paciência para esperar, comecei caminhar pela neve com mais facilidade que antes, pois agora eu concentrava o meu chakra nas pernas e elas emanavam calor suficiente para derreter parte da neve que me cercava. Com um sorriso de satisfação cobrindo o rosto queimado pelo frio, comecei a correr, aproveitando os poucos minutos que eu conseguiria manter meu chakra “aceso” dentro de mim.
Essa era uma técnica que eu havia aprendido com o Ryo há bastante tempo atrás para casos de emergência. A explicação é a seguinte: Graças ao Ryo, aprendi uma técnica que poderia fazer meu chakra ficar mais “livre” que o normal. A técnica se baseia em liberar o chakra de dentro para fora do meu corpo, de maneira que ele fique bem presente tanto internamente quanto externamente.
Para ter uma noção mais exata do que eu quis dizer com liberação de chakra, é só lembrar do que acontece quando eu e o Ryo conectamos os nossos chakras pelo toque. Ao nos conectarmos, o nosso chakra flui livremente para fora do corpo e aquela misteriosa onda de calor surge junto com a energia que ele emana para os nossos músculos. Pois é, é a mesma coisa, só que desta vez eu não preciso tocar no Ryo.
Bem...
Na verdade tem outra maneira disso acontecer, mas ela é bastante perigosa. Isso acontece, por exemplo, quando minhas emoções ficam fora de controle e o meu chakra flui tão descontrolado quanto eu, com riscos de ferir gravemente as pessoas ao redor e, claro, a mim mesma. Não preciso lembrar das feridas internas e queimaduras que ganhei na minha ultima luta para ter uma noção do estrago que o chakra descontrolado faz no meu corpo.
Não quero nem lembrar da ultima vez que eu fiquei fora de controle.
Mas não tenho motivos de preocupação com esta técnica. Com ela eu consigo controlar meu fluxo de chakra de modo que não machuque outras pessoas e tudo corre bem, como agora. Neste momento, reduzi o fluxo de chakra o suficiente para que apenas uma fina camada dele fique em volta do meu corpo de modo que não machuque a pessoa. Mas como nada é perfeito, a minha técnica dura apenas 10 minutos já que eu ainda não aprendi a controlar meu chakra completamente.
***
Já haviam se passado 6 minutos que eu estava usando o a minha técnica, que carinhosamente nomeei de: Genzai no hono jutsu. Suspirei de alivio ao ver que naqueles minutos que se passaram eu consegui sair da floresta. Corri em direção a minha casa sem muita escolha, eu tinha apenas quatro minutos restantes para que eu conseguisse ter energia o suficiente para correr e o hospital estava a 15 minutos de corrida. A minha casa era o lugar mais próximo dali, pelo menos pelo oque eu pude enxergar no caminho em meio à nevasca.
Em alguns instantes de corrida a pessoa começou a pesar e minhas pernas começaram a amolecer, me fazendo diminuir o ritmo. Pelo jeito o meu jutsu não ia durar muito tempo, provavelmente eu tinha no máximo 2 minutos restando. Balancei a cabeça para os lados e aumentei a velocidade ao máximo, não podia desistir, tinha que continuar correndo até que o jutsu terminasse, e se conseguisse, um pouco mais.
A minha casa estava próxima, mesmo que a nevasca cegasse meus olhos eu sabia daquilo de tantas vezes que eu segui pelo mesmo caminho nesses últimos anos, e aquilo me motivou a aumentar os passos; mas não por muito tempo.
Numa fração de segundos, todo o calor e energia que o meu chakra oferecia desapareceu, e ele voltou ao seu estado natural. Mal tive tempo de me conscientizar disto e minhas pernas falharam fazendo com que a pessoa e eu tombássemos rumo ao tapete branco e gelado.
Tinha que admitir, por mais que a neve parecesse fofinha e adoravel, ela foi bem dura e espessa quando meu rosto foi ao seu encontro. Meu rosto ficou enterrado na neve e a pessoa desapareceu das minhas costas. Provavelmente estava caída como eu naquela neve.
Tremendo de frio, finquei as mãos na neve e afastei meu rosto dela, e alguns flocos irregulares de neve caíram dos meus cabelos. Com esforço, sentei na neve e procurei recuperar os sentidos, pelo menos o da visão e audição para encontrar a pessoa, pois pelo que via, o meu tato não existia mais de tão dormente que estavam meus membros.
Depois de alguns instantes piscando sem parar na nevasca, eu enxergo a manta marrom no meio da neve branca, balançando tremulamente com a ventania. Cerrei os dentes para que eles não começassem a bater, e comecei a engatinhar na direção dela.
Pareceu passar horas até eu alcançá-la para segurar seus braços e, com todas as forças que me restavam , levantar na neve aparentemente fofa com ela. Passei um dos braços dela pelos meus ombros e olhei na direção da minha casa, que agora, estava mais perceptível graças à diminuição da nevasca.
Meu olhar alternou da casa para a pessoa e da pessoa para a casa.
- Oque eu faço... – Murmurei sem consegui ouvir direito minha própria voz. Voltei meus olhos para pessoa e aproximei meu rosto no dela – Ei, consegue me ouvir?
A pessoa continuou imóvel, com a cabeça meio tombada no meu ombro. Suspirei e tentei mais uma vez num tom mais alto.
- Consegue me ouvir? – Me aproximei mais da pessoa com as esperanças vãs de que ela pudesse me escutar, mas custo a acreditar no que eu vejo quando a sua cabeça balançar afirmativamente.
Caramba, quer dizer que por todo este tempo que eu a carreguei ela estava consciente?! É realmente incrível.
- Sei que isso pode ser difícil para você agora, mas, você consegue dar alguns passos? Assim posso te tirar daqui com mais facilidade – Aumentei o tom quando uma rajada de vento passou por nós.
A pessoa moveu a cabeça lentamente na minha direção e por baixo do capuz eu pude ver parte do seu rosto, mas ela estava coberta por uma mascara.
- Tudo bem – Murmurou num fio de voz, mas pelo oque fui capaz de escutar, aquela pessoa era um homem.
Subitamente, um tremor percorreu meu corpo me deixando totalmente confusa.
Devia ser aquele frio insuportável.
Por falar nisso, eu teria que sair dali o mais rápido possível, ou então eu chegaria aos meus limites antes mesmo de alcançar a porta da minha casa. Segurei com firmeza a pessoa ao meu lado e dei os primeiros passos em direção a casa coberta por neve.
Andar por aquela curta distancia pareceu durar uma eternidade, apenas isso bastou para torrar boa parte da paciência que me restava, e tudo aquilo era culpa daquela maldita neve, do maldito vento, e da porcaria da tempestade que resolveu aparecer logo quando uma pessoa tinha caído em mim, e esta pessoa parecia ficar cada vez mais fraca a cada passo que dávamos na neve espessa e trapaceira.
Eu odeio o inverno.
E é por causa dele que eu me meti nessa enrascada.
Quando finalmente pudemos alcançar a portinhola que dava acesso ao pequeno jardim da minha residência, o vento batia tão forte contra nossos corpos que parecia que eu ia desmoronar a qualquer momento com aquele homem.
Com certo esforço empurrei a portinhola, fazendo uma grande montanha de neve ser arrastada para o lado.
- Vamos! – falei em voz alta para o homem doente.
Ele começou a me acompanhar até dentro do quintal até que eu ouço um arfar.
O homem se soltou de mim e caiu de joelhos do meu lado, com os dois braços cobrindo a barriga.
- Não desista! Vem, segure-se em mim! – Estendi meus braços na direção do homem com o rosto mostrando extrema preocupação.
- Não sinto minhas pernas... – O homem pressionou mais os braços na barriga e soltou um arquejo.
- Já disse para não desistir! Levante-se! – Me assustei com a minha própria voz ao ver como ela tinha saído suplicante.
O homem permaneceu na neve por uns momentos até tirar devagar os braços da barriga e segurar a cerca ao seu lado na tentativa de ter um apoio. Avancei alguns passos na sua direção e o ajudei a levantar, sentindo novamente o peso, de modo que meus braços começassem a protestar por causa do esforço que eu fazia.
Consegui levantar o homem até ficar de frente para mim e observei seu estado de modo automático. Ele tremia sem parar e arquejava de frio, sem falar no esforço que fazia para manter seu corpo de pé.
Por sorte, percebi a tempo que seu corpo estava prestes a tombar em mim, então, passei o braço dele pelo meu pescoço e segurei seu tronco de modo que não precisasse fazer nenhum esforço para se manter de pé. O único problema ali é que eu não sabia se agüentaria o peso dele por muito tempo, já que o homem era bem maior que eu. Então, antes que eu caísse pela milésima vez e estragasse tudo, caminhei com passos rápidos até a porta da casa e coloquei a minha mão livre no meu bolso atrás da chave de metal que devia estar tão gelada quando a neve.
Bem, isso não importava já que minhas mãos perderam toda a sensibilidade.
Continuei a cavucar o bolso atrás do objeto que era literalmente a chave para a minha salvação e a do homem praticamente sem forças apoiado em mim, mas para a minha falta de sorte, eu não encontrava droga da chave de maneira nenhuma!
Notei que o cara começou a perder a consciência quando seu corpo começou a pesar nos meus ombros, me deixando mais sem fôlego do que já estava, e meu corpo começou inclinar devagar para o lado. Desisti de cavucar meu bolso e me encostei a parede ao meu lado para conseguir suportar o peso do homem inconsciente.
- Que merda! – Murmurei com os olhos semicerrados — Eu não vou conseguir suportar mais que isso...
Meu corpo ficou mole e forcei meus olhos a ficarem abertos, mas percebi que era tarde quando a minha visão começou embaçar.
A cabeça do homem tombou na minha fazendo com que a manta descobrisse sua cabeça e seus cabelos roçaram meu rosto queimado. Mal notei aquilo quando meu corpo começou a deslizar da parede da casa.
Ótimo, parece que eu vou morrer congelada com esse cara. Aquilo era excelente...
Em quanto meu corpo deslizava, eu tentava manter meus pensamentos em ordem, mas eu não conseguia. Em pouco tempo eu comecei a sair da realidade e mergulhei em pensamentos confusos e vozes estranhas. Ignorei as imagens que se passavam como cenas de um filme na minha cabeça e me concentrei nas vozes, tentando decifrar a mensagem por trás delas. No meio de tantas vozes diferentes, e algumas até familiares, uma voz me chamou a atenção por mais que ela parecesse mais distante que qualquer outra.
Aquela voz era tão familiar, que eu me senti segura assim que pude ouvi-la sussurrar meu nome:
Mitsue...? – Sussurrou a voz dentro de mim.
Eu queria responder, queria muito responder e ir atrás daquela voz, mas eu não encontrava a minha voz em lugar algum.
Mitsue? – A voz voltou a me chamar num tom mais claro.
Novamente eu não consegui responder, saindo apenas o silencio dos meus lábios selados.
Mitsue!! – A voz se tornou urgente e perfeitamente clara na minha cabeça, com a preocupação trasbordante e aparente — Merda! Mitsue acorda!!
No meio de tanta confusão, algo finalmente fez sentido quando senti algo quente tocar minha bochecha, mas mesmo assim não conseguir recuperar a consciência.
- Mitsue-senpai!! – Meu coração deu um salto assim que ouvi a voz inconfundível, e quase que instantaneamente, eu abri os olhos.
Minhas pálpebras estavam baixas, mas aquilo não me impediu de enxergar. Olhei em todas as direções que eu podia com a minha visão embaçada, mas não consegui distinguir muita coisa graças à neve que cobria meus olhos.
Balancei minha cabeça para os lados, mas a neve não caiu de meus olhos, ela apenas balançou para os lados suavemente até parar na mesma posição que estava.
Perai...
A neve balançou para os lados? Eu realmente devia estar completamente fora de mim.
A estranha neve voltou a balançar, mas desta vez com o vento que passou por nós.
- Não é neve... – A minha fala saiu num sopro, com a voz quase imperceptível.
- Ryo! Ryo!! Ela está acordada! Eu tenho quase certesa que ela falou alguma coisa ttebayo! – Naruto praticamente berrou as palavras.
- Vamos tira-la daqui agora! – Senti o meu corpo ser erguido do chão e aquela neve esquisita deslizou dos meus olhos para o meu rosto até desaparecer – Mitsue?! Consegue falar alguma coisa?!
Eu podia ter falado milhares de coisas, eu podia ter falado um eu estou bem,ou um não se preocupe, mas de todas as coisas que eu podia ter dito, a única coisa que saiu dos meus lábios foram:
- Não era neve...
Notas finais
Bjks
Ami ~
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