Para Sempre.
5 Capítulo 5 - Mais complicações
Passar por aquela experiencia me deu uma noção do perigo que o Naruto sofria por ser um Jinchuuriki, e eu sabia que aquilo era apenas o começo.
Tinha acabado de entregar o Naruto a um ninja ANBU que protegeria ele até que completasse seu primeiro ano de idade. Oque não demoraria muito para acontecer.
Tentei manter a cabeça fria. Só havia ficado com o garoto por um mês e já tinha me apegado muito a ele, ficar longe dele por muito tempo já me deixava mal. Mas oque me deixou realmente desconfortavel foi entregar-lo para um ANBU. Mesmo tendo conversado com um deles a minha confiança neles continuava zero.
– Pelo menos posso me preparar para oque tem por vir. — sussurrei em quanto caminhava.
A unica coisa que me tranquilizou quando estive com o hokage foi saber que a Samiko saiu ilesa da floresta.
Suspiro.
Eu apenas vagava na cidade sem nada para fazer, eu não tinha disposição de treinar hoje e aquilo era uma das unicas coisa que eu fazia o dia inteiro. Franzi o cenho.
– Droga... se o Kakashi estivesse aqui eu teria mais oque fazer. Mas aquele baka resolveu sumir logo nessas circunstancias — Disse com um pouco de raiva na voz — Não tem mais ninguem que...
Parei de andar com um sorriso no rosto. O Ryo! Podia não ter o Kakashi mas tinha o Ryo ainda.
Corri na direção contraria, ansiosa para encontra-lo. As pessoas que passavam estranhavam minha pressa e bom humor, cochichando coisas umas para as outras baixinho. "Elas que cochichem, hoje não estou afim de dar atenção a elas" Pensei ignorando cada uma daquelas pessoas que passavam por mim.
Cheguei bem rápido em frente ao prédio que o Ryo morava. Passei pelas portas de entrada, e subi as escadas pulando de três em três degraus até alcançar o longo corredor cheio de portas. Fui até a porta do meio batendo nela apressada.
– Pode entrar — Disse Ryo por trás da porta.
Entrei, fechando a porta atrás de mim. Olhei o quarto minúsculo que tinha apenas uma cama com uma prateleira lotada de livros em cima dela, um closet e uma escrivaninha com uma luminária. Ryo estava sentado de frente para a escrivaninha lendo atentamente um livro grosso sem olhar para mim em nenhum momento. Sorri de leve ao ver ele tão dedicado aos estudos.
Fui um pouco para frente observando seus cabelos cor ônix grande de mais quase cobrindo os olhos que estavam menos brancos que antes, quase num tom acinzentado, e sua camisa preta que acompanhava todo o braço cobrindo até parte de sua calça cinza.
– Oi, estou interrompendo? — perguntei do lado dele.
Ele fechou o livro no mesmo instante virando seu rosto para mim.
– Mitsue! Não sabia que viria aqui. Se soubesse, me vestiria melhor — falou com um sorriso coberto de dentes brancos.
Corei um pouco colocando a mão atrás da nuca.
– Desculpe não avisar... é que eu estava sem nada para fazer e resolvi dar uma visita hoje. Mas pode continuar seus estudos, não quero atrapalhar.
Ele se levantou da cadeira ficando de frente para mim.
– Eu só estava dando uma olhadinha numa coisa ali. Você sabe que pode me visitar quando quiser. — falou pondo sua mão no meu ombro bom — Aconteceu alguma coisa? Vejo que seu outro ombro está ferido.
– É uma longa história...
– Ok, então me conta que eu estarei prestando atenção.
Ele foi até sua cama e se sentou batendo a mão na frente dele para que eu me sentasse. Sentei de frente para ele pensando em como começar.
– Eu conto e depois você fala, tudo bem?
– Sim senhora. — selou os lábios feixando sua boca com um zíper imaginário, em seguida, jogou ele para trás.
Ri um pouco com aquilo e comecei a contar tudo oque tinha acontecido, inclusive sobre o ANBU que me ajudou. Sua expressão mudava a cada cena do que eu contava, olhando algumas vezes para o curativo no meu ombro.
Quando terminei de contar ele ficou olhando para o nada digerindo o que tinha escutado.
– Que belo dia eu escolhi para não te acompanhar até aquele lugar — falou finalmente.
– Deixe de besteiras, eu consegui manter tudo sobre controle! E você sabe que eu tenho que estar pronta para proteger o Naruto a qualquer momento.
Ele me olhou com um ar de esperança.
– Eu tenho que fazer isso sozinha Ryo — falei tentando não alimentar aquela esperança.
– Mas isso não é justo Mitsue. Não é uma coisa que só uma pessoa pode fazer e eu e você poderiamos fazer isso juntos já que nossas habilidades combinam — pegou minha mão que começou a formigar ao fazer contato com a dele.
Olhei seu rosto determinado fazendo uma leve careta. Era dificil dizer não quando ele fazia aquele rosto... parecia tão confiavel. Mas eu simplismente não podia deixar ele passar por isso.
– Não Ryo. Essa é uma responsabilidade somente minha e não sua. — falei resistindo ao máximo a vontade de soltar um um forte "Sim".
Ele largou a minha mão e virou o corpo ficando de lado para mim com os pés descalsos no chão. Sua expressão era séria.
Uma sensação de culpa começou a me corroer, provavelmente fui muito dura na ultima resposta. Me aproximei um pouco, preucupada em ter feito ele ficar com raiva.
– Me desculpe... — Ryo colocou seu indicador nos meus lábios me fazendo calar.
– Eu entendo sua vontade de proteger o Naruto Mitsue, então não se desculpe. — disse mantendo o dedo em meus lábios — Mas eu queria que pelo menos dessa vez você não decidisse fazer tudo sozinha, eu quero ser ultil para você Mitsue. Ainda mais agora que a chance perfeita surgiu.
Ele tirou o indicador dos meus lábios colocando o braço no seu colo.
Permaneci do geito que estava, observando sua expressão se tornar um pouco triste. Decidi ser aberta com ele e dizer meus verdadeiros motivos, talvez assim ele entendesse o porque de eu não querer isso. Engoli seco e comecei a falar devagar.
– Eu só não quero que você corra riscos desnecessários Ryo. É muito perigoso cuidar do Naruto por ele ter a raposa de nove caudas nele e ver você se arriscar por minha causa não é uma das coisas que eu desejo. — comecei a mecher no tecido do lençol da cama para me distrair
– E a ultima coisa que quero é ver você sendo alvo dos olhares que eu vejo todo dia, estando sem eles você terá mais chances de se tornar um ninja confiavel e mais forte.
Ele colocou sua mão em volta da minha. Olhei para ele sem muita coragem vendo sua expressão mais séria, fazendo ele ter a imagem de homem maduro. Arrepiei ao ver esse novo rosto.
– Ficar do seu lado protegendo o Naruto é um risco que quero correr. Não me importo de como minha imagem vai ficar, muito menos o geito que vão me olhar, porque assim como você sei que vou estar lutando por uma causa nobre. — ele apertou minha mão fazendo o formigamento aumentar — Eu sinto que somos ligados um ao outro por um motivo importante, algo que até nos mesmo não entendemos. Então se for para correr riscos, quero fazer isso com você e nunca te deixar sozinha em apuros como hoje.
Ryo tirou os olhos de sua mão e olhou para mim atras de uma reação positiva. Mordi o lábio sem saber oque falar depois de ouvir aquilo com tanta certesa saindo da voz dele. Coloquei minha outra mão em cima da dele e dei um leve sorriso.
– Vou pensar seriamente no que você me disse. Agora eu não sou capaz de decidir isso.
Ele abriu um sorriso mais esperançoso que nunca e me deu um abraço de urso bem caloroso.
– Pense com carinho em sua resposta — disse proximo ao meu ouvido.
– Vou sim.
Devolvi o abraço na mesma intensidade afundando meu rosto no seu ombro, sentindo seus cabelos longos de mais roçarem ele. Estava tão quentinho daquele geito que não senti a mínima vontade de desfazer o abraço e pelo geito ele tambem não, pois não afrouxou ele em nenhum segundo fazendo aquela sensação durar mais e mais. Pelo menos até o momento em que alguem resolve bater na porta do quarto dele.
Ele se afastou um pouco de mim para olhar na direção da porta. Virei meu rosto tambem, me sentindo um pouco chateada por ter sido interrompida.
– Ryo? Você está em casa?! — perguntou uma voz feminina.
Ele me soltou completamente se levantando da cama.
– Estou indo!
Foi na direção da porta e a abriu. Logo depois de abri-la um sorriso alegre surgiu nos seus lábios.
– Finalmente resolveu aparecer Kurenai.
– Desculpe pela demora, é que a missão foi mais longa que eu esperava
– sua atenção foi voltada na minha direção com espanto — Não acredito, é realmente você Mitsue?!
Me levantei da cama indo na direção dela.
– Em carne e osso! — dei uma piscada.
– Caramba! Na ultima vez que eu te vi lá no hospital os seus cabelos estavam um pouco mais escuros, mas não não pensei que chegariam a esse ponto! Agora você e o Ryo estão iguais — disse em quanto olhava para nós dois.
– Todo mundo fala a mesma coisa. — Ryo olhou para mim com um meio sorriso.
– Você tambem está mudada Kurenai, o visual está diferente — comentei.
– É um pouco exótico, mais eu acho que é o que mais combina comigo — deu de ombros.
–Mudando um pouco o assunto. Porque veio para cá em vez de descasar da missão? — Perguntou Ryo.
– Ah sim, quase me esqueço disso. Eu tive a ideia de dar uma passada num lugar que eu pudesse comer um pouco e resolvi te convidar. Claro que a Mitsue também está convidada.
Ryo e eu olhamos um para o outro.
– Acho uma boa ideia — disse eu.
– Eu tambem acho! Hmm... só esperem ai fora por um momento que eu vou me trocar.
– Ah... Claro, Estaremos te esperando! — disse em quanto ia para o lado da Kurenai no corredor.
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Andavamos os três juntos na direção de uma churrascaria. Kurenai e o Ryo conversavam sem parar, eu fiquei calada somente ouvindo a conversa deles. Ryo segurava minha mão em quanto conversava com a Kurenai, era gostoso aquele formigamento misturado com o calor da mão dele.
– Parece que chegamos — disse a Kurenai.
– Que bom! Eu já estou com fome — disse Ryo com um sorriso.
Entramos no lugar dando de cara como uma pessoa nada discreta...
– Ryo! Cara você está ótimo! Quanto tempo... — disse o Gai completamente bêbado numa mesa.
Fomos na mesa do Gai nos sentando com ele.
– Oi Gai, você parece bem — Disse o Ryo de forma irônica.
– Obrigada — Gai olhou para mim arregalando os olhos vermelhos — Mitsue? Nossa... você está bem diferente! Pintou o cabelo?
Ele falou com a voz completamente arrastada.
– Não Gai, eu não pintei. Até agora ninguem sabe oque aconteceu com meu cabelo.
– Okay, já chega de saquê por hoje — Ryo pegou a Tokkuri — jarra especial para saquê — das mãos do Gai, mas ele afastou ela da mão do Ryo rapidamente.
– Que nada Ryo, a noite está apenas começando! — Disse ele entre gargalhadas virando a Tokkuri na boca.
– Deixe ele Ryo, o Gai já está acostumado a ficar de ressaca — falei me lembrando das outras vezes que Gai ficou bêbado.
Depois de alguns minutos já estavamos comendo a carne que foi servida sem conter as risadas das coisas que o Gai fazia.
– Tive uma ótima ideia! Já que meu rival Kakashi não está aqui eu vou competir com você — apontou o indicador para o Ryo que tinha acabado de colocar um pedaço enorme de carne na boca.
– Eu? — falou de boca cheia — Acho que não tenho a paciencia do Kakashi para poder competir com você.
Gai juntou as grossas sombrancelhas fazendo uma cara estranha — e nada bonita.
– Isso não importa, pois eu te desafio Ryo! — pegou uma Tokkuri e dois Ochokos — copo especial para saquê — Vamos provar que somos homens!
– Tomando saquê? Isso não é nada inteligente.
– Deixe de ser fraco Ryo, já esta desistindo? Você realmente não é homem.
– Já disse que não aceito Gai. Eu não sou louco que nem vocês dois.
– Então eu desafarei uma pessoa que realmente tem coragem.
O Gai passou os olhos pela mesa até que eles grudaram no meu rosto.
– Você Mitsue! Eu sei que você aguenta — abriu um sorriso.
– Eu não acho isso uma boa ideia Gai.
Eu havia tomado um copo de Saquê e meu rosto já estava quente pra caramba. Com certesa aquilo não era boa ideia.
– Vamos Mitsue, pelo velhos tempos com o Kakashi! — ergueu um Ochoko cheio de Saquê.
Gai conseguiu mexer bem na minha fraquesa. O Kakashi. Olhei para o pequeno copo branco que ele me mostrava sem estar com minha completa sanidade por causa do alcool que sirculava no meu corpo. Peguei o copo um pouco hesitante, derramando um pouco do líquido na mesa.
– Mitsue, pega leve. Você lembra oque aconteceu na ultima vez que você tomou saquê não é? — perguntou o Ryo sem tirar os olhos do copo na minha mão.
– Dessa vez eu consigo aguentar.
Mal terminei de falar e virei o copo fazendo o saquê passar pela minha garganta deixando a mesma trilha de calor daquele dia. Coloquei o copo na mesa arfante.
– Muito bem garota! — Gai pegou seu Ochoko e virou tambem
Tossi um pouco pois tinha tomado muito rápido o saquê. Ryo tocou minhas costas com o rosto preucupado.
– Eu estou bem — disse em quanto pegava o outro copo que o Gai me entregou.
Eu e o Gai continuamos bebendo aquilo até que um de nós caisse, mas nenhum de nós desistiu.
– Sério Mitsue, esse é o seu sexto copo! Nem sei como você ainda está em pé — Ryo disse em quanto tentava me empedir de pegar o sétimo copo de saquê.
– Não! Eu consigo... — minha voz estava tão arrastada que era dificil falar.
– Ela já chegou em seu limite — Kurenai pegou o Tokkuri das mãos do Gai escondendo-o em algum lugar — Vamos?
– Como assim vamos? A Mitsue está indo muito bem — falou o Gai juntando ainda mais as sombrancelhas.
– Cala boca Gai. Você está tão ruim quanto ela.
Kurenai se levantou e puxou o Gai cambaleante para fora do lugar.
– Vamos Mitsue eu te ajudo — Ryo me puxou pela cintura com cuidado para que eu não caisse.
Quando fiquei de pé as minhas pernas adormeceram, só não cai por causa do Ryo que me segurou com firmesa contra ele.
– É... você está ruim mesmo.
– Desculpa — disse com a voz mais arrastada que antes.
– Sem problemas.
Sai da churrascaria apoiada no Ryo para que não perdesse o equilibrio de vez e espatifasse a cara no chão.
– Ryo eu levo o Gai para casa. Você cuida da Mitsue — disse a Kurenai.
– Não precisa de ajuda com o Gai não?
Ela levantou o gai e colocou em suas costas com uma grande facilidade.
– Não. Já estou acostumada a carregar ele — Ela abriu um sorriso.
Ryo arregalou os olhos meio desconcertado. Ela realmente mudou muito.
– Já vou indo, a Mitsue está morta de cansaso — Virou seu rosto para o meu rosto derrotado pelo alcool.
– Até.
Kurenai andou tranquilamente pelo lado contrario como se o Gai tivesse o peso de uma pena. Ryo riu daquela cena divertido. Abri um sorriso tentando manter meus olhos pesados abertos.
– Vamos, você precisa dormir. — me pegou no colo com facilidade e começou a andar.
Passei as mãos nos olhos morrendo de cansaço.
– Obrigada Ryo. Eu não sei como fui ser tão idiota para competir com o Gai... logo o Gai — sorri.
– Até que foi divertido ver vocês dois daquele geito. Fiquei bêbado só de olhar.
– Baka... Nunca mais me faça beber aquilo denovo.
– Vai ser meio dificil, você quase me bateu quando tentei te empedir.
– E porque você se importa com isso? Já enfrentou coisas mais perigosas.
Ele olhou para mim com um sorrisinho.
– Mais perigoso que você não Mitsue.
Cruzei os braços virando o rosto.
– Mentiroso.
Ele ficou em silencio por algum tempo em quanto caminhava. Eu estava quase sendo vencida pelo sono, a cada segundo os meus olhos ficavam mais e mais pesados me fazendo amolecer no colo do Ryo.
– Mitsue, eu quero te proteger de verdade, não só do Saquê — disse com o rosto pensativo.
Me remexi no colo dele ao ouvir aquilo.
– Já disse que eu sou forte o suficiente para me virar Ryo. Porque você insiste tanto nisso?
– Você sabe o porque — disse virando um pouco o rosto.
– Não. Eu não sei.
Ele parou de andar dando um longo suspiro. Olhei para onde estavamos notando que estava na frente do prédio do apartamento.
– Vamos subir — falou somente.
De alguma forma ele conseguiu abrir a porta comigo no seu colo e subimos as escadas devagar. Quando chegamos na frente da porta do meu apartamento, com cuidado, Ryo me colocou no chão para que eu abrisse ela. Coloquei a mão no meu bolso pegando a chave de metal que estava guardada, levantei a chave colocando-a na fechadura, ou melhor, eu tentei por na fechadura, mas toda vez que eu tentava colocar eu errava o buraco dela. Ryo pegou a chave da minha mão com um suspiro, colocou na fechadura girando-a e abriu a porta com um estalo. Quando abriu a porta estendeu a chave para mim com um meio sorriso.
– Obrigada — peguei a chave recolocando-a no bolso.
– De nada.
Entrei no quarto ligando as luzes. Ryo entrou logo atrás de mim observando o apartamento.
– Caramba... O Hokage realmente foi muito generoso com você. Fez meu quarto parecer um cubículo.
– Mas ele é um cubículo — falei rindo.
– Isso me ajudou muito, obrigado — revirou os olhos para mim.
Fiquei na frente da cadeira da minha escrivaninha observando-o.
– E então? — perguntei
Ele me olhou de lado ergendo uma das sombrancelhas.
– O que?
– Você ainda não respondeu minha pergunta.
– Ah, isso — Ele ficou de lado pondo as mãos nos bolsos — Você não quer ouvir.
Me encostei na cadeira cruzando os braços com os olhos e ouvidos atentos. Ele abriu um sorriso ao ver a cena e andou na minha direção até ficar de frente para mim.
– Simplismente porque eu quero fazer isso, preciso de mais algum motivo?
Fiz uma cara feia para ele.
– Claro que precisa de mais um motivo, preciso repetir oque eu disse no seu quarto?
– Não precisa, mas tambem não precisa me tratar como se eu fosse uma criança frágil. Eu sou um homem agora, será que não notou? Eu posso e devo proteger você
- Eu não preciso ser protegida Ryo.
– Concordo com isso. Mas as vezes é melhor ter alguem do lado para ajudar, ninguem consegue nada sozinho.
– Mas eu não estou sozinha, eu tenho um batalhão inteiro de ninjasANBU a minha disposição para quando eu precisar de ajuda — apertei as mãos nos meus braços.
Ele fez uma cara de nojo ao ouvir a palavra ANBU sair de minha boca.
– Claro, claro. Prefere um monte de ninjas de elite na sua cola do que um mero Jounin lutando com você — virou o rosto.
– Lógico que não. Eu prefiro mil vezes um jounin como você do que um ANBU.
Ele olhou para mim com a confusão aparecendo nos olhos.
– Então me aceite Mitsue, me deixe ficar com você nisso.
Dessa vez a sua voz era suplicante fazendo meu coração doer por dentro.
– Ryo não insista...
– Eu vou insistir sim Mitsue eu já disse que eu quero ajudar você!
– Mais isso não é motivo suficiente! — falei em um tom mais alto.
– Claro que é, você que está sendo cabeça dura — ele elevou a voz tambem.
Desencostei na cadeira olhando fundo nos olhos dele.
– Não vou permitir isso só porque você quer me proteger Ryo! Vê se entende.
– Para de falar isso, me dê só uma chance — ele se aproximou com a voz ainda elevada. Não acredito que estavamos brigando por causa disso.
– Já disse que não Ryo! Pare de fazer coisas sem razão nenhuma!
Os olhos dele marejaram um pouco ao me ouvir dizer isso.
– Minhas razões para isso são mais importantes que você pensa Mitsue!
– Pela milésima vez eu consigo me proteger sozinha! — estavamos praticamente gritando um com o outro.
– A questão não é só te proteger!
Minha paciencia estava esgotando.
– Não importa quantas razões você me dê Ryo eu não vou amolecer.
– Então se eu faço isso porque eu te amo não importa não é?!
Me calei arregalando os olhos. Ele me olhava diretamente com os olhos ainda marejados. Ele se virou para porta irritado andando na direção dela.
– Ryo, espere! — corri na direção dele agarrando seu braço.
– Que seja Mitsue. Faça as coisas como você quer, não conte mais com a minha ajuda, agora você está sozinha. — ele virou de leve o rosto ainda de costas para mim.
– Mas...
– Tchau Mitsue.
Puxou o seu braço de minha mão e saiu fechando a porta com força. Fiquei olhando para a porta com o rosto completamente paralisado.
– O que eu fiz, droga! — corri até a porta abrindo-a.
Olhei para o corredor mas não tinha mais nenhum sinal do Ryo. Corri rapidamente até o lado de fora com o coração querendo pular pela a boca, mas novamente não encontrei ele. Coloquei uma das mãos na cabeça olhando para os lados, eu precisava encontrar ele.
– Ele já foi em bora.
Me virei vendo um ninja ANBU parado a alguns metros de mim.
– Como você sabe que...?
– Eu vi ele sumindo naquela direção — Apontou para a minha frente com o indicador — Mas recomendo que você não o siga, ele parecia bem chateado com alguma coisa.
– Quem é você para me dizer alguma coisa? — perguntei meio irritada.
– Ninguem. Só estou de passagem — colocou a mão no bolso de sua calça.
– Então pare de falar como se soubesse de alguma coisa! Eu não estou com paciencia agora...
Meus olhos começaram a arder e lágrimas escorreram pelo meu rosto. O ninja ANBU se aproximou colocando as duas mãos nos meus ombros.
– Não contenha — falou para mim com a voz abafada pela máscara.
Senti raiva por um ANBU agir daquele geito comigo mais as lágrimas vieram sem que eu quisesse. Encostei meu rosto no ombro dele deixando elas escorrerem pelo rosto.
– Sou muito patética! Chorado só por isso... — disse com a cabeça ainda no seu ombro.
– Já disse que não precisa conter, chorar não é um crime para nenhum de nós.
O cansaço de antes se fez presente rapidamente, e deixei meu corpo amolecer caindo nos braços do ninja desconhecido perdendo a consciencia.
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