Para Sempre...
14 Surpresas - parte 1
Notas iniciais
Estamos de volta ao avião, e estou surpresa, estamos nesse avião á quinze minutos e já perdi as contas de quantas vezes peguei Angel e Peter aos beijos, ao menos minha amiga encontrou alguém tão imortal quanto ela. Agora a parte que esta me incomodando, tem um grupo de garotas cantando, e pelo amor que eu tenho a Raymond, elas têm as vozes de taquara rachada, e isso está me enlouquecendo. Também há um bebê que não para de chorar, mas essa coisa fofa nem incomoda tanto, também há dois rapazes que só falam barbaridades sobre as mulheres e isso está me deixando totalmente irritada.
- Relaxa Sophie, só faltam algumas horas. – disse Tracy provavelmente percebendo o meu incomodo.
- Nunca mais eu viajarei para um lugar distante. – disse emburrada e Tracy riu.
- Achei que eu fosse a impaciente da família. – ela disse sorrindo gentilmente.
- Alguém fez uma lavagem cerebral na minha irmã! Quem é você e o que fez com Tracy? – falei fingindo está assustada e Tracy gargalhou e me olhou ainda sorrindo.
- Só estou relaxando mais, Robert está me deixando melhor a cada amanhecer. – ela disse sorridente e eu retribui seu sorriso, e percebi vários suspiros e olhares masculinos em nossa direção. – Uau! Vocês têm muita cara de pau mesmo né? Parem de olhar. – falou Tracy seriamente.
- Sabe eu acho que esses acontecimentos me deixaram mais arrogante, eu preciso relaxar. Graças a Deus, logo viajarei em lua de mel e quem sabe não relaxo e, como Madeline diz, volto a ser a mesma Sophie de antes. – falei suspirando e olhando em seus olhos sem esconder minha tristeza.
- Vai dar tudo certo minha irmã. Eu queria me desculpa por ter te falado aquelas barbaridades, eu fui realmente idiota, não agi conforme deveria, me perdoe. – ela disse sinceramente e eu sorri largamente para ela.
- Já te perdoeihá muito tempo, já havia até me esquecido do ocorrido. – falei sorrindo largamente e ela riu de algo. – Alguma piada que eu não ouvi? – ela assentiu. – Me conta. – falei manhosa e ela controlou a gargalhada.
- Os dois babacas, estão dizendo que as mulheres desse avião são muito gostosas e ele está a fim de... Er...– percebi que ela tentava um modo educado de falar a palavra e então intervi.
- Afogar o “ganso”. – falei dando ênfase ao “ganso”, o que a fez gargalhar.
- Gente, hora da piada, — disse Black, ouvi Madeline bufar e depois rosnar. – O que o tomate falou para o outro enquanto atravessavam a rua? – ouve um silêncio mortal, mas todos olhavam Blacke com curiosidade. – Olha o carro! Ploft! Aonde? Ploft! – muita gente riu da piada sem graça. – Ok! Essa não foi tão engraçada. Então lhes faço a pergunta mais obvia, por que a loira engoliu um batom? – ouvi o rosnado de Madeline e vários risinhos ecoando pelo avião. – Por que ela queria passar batom na boca do estômago. – ele disse e outros risos ecoaram.
- Você é impossível Blacke! Sente-se e comporte-se, está nos envergonhando. – disse Derek divertido com a situação.
- Ah! Qual é pai? De boa, eu só quero animar esse enterro aéreo. – todos gargalharam inclusive eu e Tracy. –Qual é pessoal? Nem contei piada e vocês já estão gargalhando. – ele disse incrédulo contendo o riso.
- Eu não aguento isso. – ouvi alguém bufar, e avistei uma loira indo em direção ao banheiro do avião.
- Safira? – perguntei hesitante e ela me fitou confusa.
- Sophie? – ela perguntou no mesmo tom que eu.
- O que faz aqui? – perguntei sorrindo.
- Vim a trabalho, meu chefe é um porre, nas minhas férias ele me pede para vir á Rússia! – disse ela gesticulando incrédula.
- É um prazer te conhecer, da última vez que te vi, foi estranho. – disse me sentindo envergonhada e ao mesmo tempo triste com a lembrança.
- Também é um prazer conhecer a mulher que vai fazer o virgem do meu primo feliz. – ela disse e eu não pude conter a gargalhada.
- Quer dizer então que ele era virgem? – perguntei rindo.
- Era? – ela perguntou e começou a gargalhar, percebi que todos nos fitavam curiosos.
- Ele nunca teve namorada? Dama de companhia? – perguntei e ela me fitou sorrindo.
- Os lobos, — ela falou sussurrando e depois voltando a falar num tom normal, enquanto seguíamos para o banheiro, lá era menos movimentado, e graças estavam quase todos dormindo. – eles não sentem nada por qualquer mulher, eles se entregam apenas a uma única mulher, a amam incondicionalmente e param de libertar o ser interior para ter uma vida normal.É incrível, eles se sentem presos e não pensam mais em si próprios e sim apenas naquele ser que o faz enlouquecer e o coração perder as batidas. Raymond me contou que é como se você não existisse apenas pelo fato do seu coração estar batendo, mas pelo fato de ter alguém que faça valer a pena estar vivendo. – a cada uma de suas palavras eu sorria ainda mais.
- Mas eles simplesmente se apaixonam assim que veem a pessoa? – perguntei.
- Sim! Raymond me contou que sentiu algo da primeira vez que te viu, mas ignorou, pois estava agindo por puro extinto. – falou dando de ombros.
- Com nossa espécie ocorre quase igual. Nós amamos aquela pessoa a primeira vista, e chega um momento que nos vemos obrigados a transformá-la, pois sabemos que não suportaríamos viver num mundo onde aquela pessoa não exista. – falei calmamente e baixo para os humanos não ouvirem a conversa, estávamos praticamente sussurrando. – Quando eu vi Raymond foi como se meu coração voltasse a bater, como se tudo fosse um sonho, um sonho do qual eu nunca quero acordar, ele me faz bem, não consigo fita-lo sem sorrir, ele é como o meu sol, meu sangue, minha alma, meu tudo e, ao mesmo tempo, o meu nada. É um amor incondicional que durará para sempre, enquanto nós vivermos. – falei sorrindo, as lembranças da primeira vez que vi Raymond vieram à tona me deixando mais calma.
- Nossa! Eu não posso dizer que entendo, pois realmente não entendo, mas é lindo, eu queria achar alguém que me amasse e que eu pudesse amar, assim como você e Raymond. – ela disse sorrindo.
- Por gentileza, voltem aos seus acentos, o avião irá pousar. – disse a aeromoça, sorrimos uma para a outra e fomos para nossos respectivos lugares.
- Safira está a cada dia melhor. Os anos estão fazendo bem a ela. – Tracy disse sorrindo e voltando a olhar pela janela do avião.
- Vocês se conhecem há quanto tempo? – perguntei fitando-a com curiosidade.
- A conheci antes de ela ir embora, foi quando conheci os futuros lobos, Robert já tinha dezessete e ia se transformar quando completasse dezoito, dai eu acabei ficando com ele. – ela disse. O assunto era Safira!
- Então ele tem vinte e um anos agora?
- É! Meu cãozinho, nem aparenta ter a idade que tem, mas é um grande homem, por isso o amo tanto. – você não o ama só por isso, o destino que quis que vocês fossem um do outro, por isso você o ama tanto.
- Compreendo. – menti, eu compreendo o amor deles, mas essa história de ama-lo pelo homem que ele é isso é a mais pura ilusão. – Madeline te contou algo sobre os preparativos do casamento?
- Aquela sanguessuga de uma figa não me disse nada. – resmungou e deu de ombros. O avião pousou e descemos rapidamente, avistei uma louca correndo com uma mala enorme em direção ao ponto de táxi, gargalhei quando percebi que era Safira. – Essa garota não cresce nunca. – resmungou Tracy após pegarmos as malas. Seguimos até a garagem do aeroporto para pegarmos nossos carros. Todos se mantiveram em silêncio, eu, Tracy, Blacke, Madeline e Angel, fomos no carro de Madeline. – Dirige mais rápido coisa nanica, quero ver meupitbull. – disse Tracy revoltada com a velocidade que Madeline dirigia.
- Madeline, eu quero ver Raymond! – comecei a irrita-la também, a viagem de volta para casa duraria em torno de trinta minutos, tenho que me entreter.
- E eu quero voltar para os braços do meu amado! – disse Angel e nós a fitamos de olhos arregalados, depois caímos na gargalha enquanto ela revirava os olhos com falsa braveza.
- E o hibrido ranzinza de duzentos e dezoitos anos enlouquece a jovem vampira de vinte e cinco anos. – disse sarcasticamente.
- Você já teve uma queda por ele? – dei de ombros como quem não ouviu nada. – Sophie! – gritou Angel.
- Não, eu apenas o tenho como meu irmão mais velho, ele cuidou de mim uma vez, me protegeu de Ethan durante um tempo. Somos apenas bons e velhos amigos. E quando digo velho, é realmente velho, praticamente o conheço há um século. – falei sorrindo, mas seu olhar ainda era desconfiado. – Querida Angel, não tenho motivos para mentir sobre isso para você, e mesmo que eu já tivesse tido uma “queda” por Peter, já passou, agora minha vida se resume em uma única pessoa, Raymond. E todos nesse carro sabem muito bem disso. – ela pareceu envergonhada, mas logo se recuperou.
- O último que chegar, vai ter que tomar sangue diretamente das tripas de um porco. – falou e pulou do carro correndo no meio da floresta, só então percebi que estávamos perto de casa.
Automaticamente, saltei para fora do carro, e corri o mais rápido possível, sendo acompanhada de Blacke, Tracy e Madeline. Gargalhei quando percebi que a última era Madeline, ela bufava constantemente. Angel chegou primeiro e parou na entrada esperando o resto, eu cheguei em segundo, Blacke em terceiro empatando com Tracy. Quando vimos a cara de raiva de Madeline, gargalhamos tanto, que Blacke chegou a rolar no chão de tanto gargalhar.
- Vai ter que tomar sangue de tripa de porco. – disse Ang imitando a risada de uma bruxa.
- Se deu mal loirinha. – ouvi a voz de Raymond, corri para abraça-lo e lhe beijei o mais urgente possível. – Calma minha princesa, não vou fugir de você. – ele disse sorrindo enquanto me colocava no chão delicadamente e alisava meu rosto com a costa de sua mão. Não pude conter sorrir e lhe abraçar novamente.
- Senti sua falta. – disse enquanto ouvia as batidas de seu coração acelerado. – Te amo tanto. – disse me afastando dele e fitando seus olhos, ele parecia triste com algo. – O que houve? – ele me fitou triste e seus olhos marejaram imediatamente, pulei em seu pescoço ficando sem chão, o ouvi soluçar na curvatura do meu pescoço, e nesse momento senti meu coração despedaçar. – Meu amor o que houve? Por favor, conte-me, não suporto te ver chorar. – falei entre soluços do meu choro seco, eu me senti péssima em não saber o que havia de errado com meu Raymond.
- Meu pai faleceu hoje. – ele falou com a voz embargada entre seus soluços. Chorei com ele e ouvi outro choro dentro de casa, Robert também está aqui e obviamente também contara o ocorrido a Tracy. Raymond me pôs no chão e me fitou tristemente, grossas lágrimas escorriam em seu rosto, seus olhos inchados e com olheiras.
- Não chore, quando você chora meu coração se desfaz em mil pedacinhos. Não sei o que dizer pelo seu pai, eu só sinto muito, sei como é perder pessoas que nós amamos, sei a dor que você sente dilacerando seu coração, e você se sente só, só por não ter mais aquela pessoa que tanto ama ao seu lado. – falei entre soluços com as poucas lembranças que me restaram de Stanley, ainda não superei a perda.
- Ainda bem que tenho você, não sei se suportaria estar aqui se você não estivesse comigo. – eu sorri e o puxei para dentro de casa. – Olá. – ele resmungou para o pessoal na sala, e Robert sorriu forçado para o primo.
- Sentimos muito pela sua perda Raymond. – disse Derek com dor na voz. Todos fitavam Raymond com compaixão, mas não conseguiram esconder a tristeza de suas faces.
- Vamos subir, você não dorme a um tempo que eu percebi, você precisa descansar meu amor. – falei docemente para ele.
- Estou bem, não preciso dormir. – ele falou com a tristeza estampada em sua voz.
- Ele não dorme desde que você se foi Sophie, ele engana, foge do sono e de nossas reclamações. – disse Robert emburrado.
- Já para o quarto! – ele me olhou suplicante. – Não me olhe assim, ou você dorme ou eu não caso com você, não quero um marido Zombie. – falei fingindo falsa braveza, ele sorriu e assentiu subindo as escadas. Olhei para o pessoal, e eles me fitaram demonstrando toda a angustia que sentiam naquele momento, lhesdei um sorriso e subi correndo.
Cheguei antes de Raymond, arrumei a cama e o arrastei para que ele deitasse na mesma. Raymond parecia não ter vida, ele deitou-se e fitou o teto.
– Meu amor, aonde quer que ele esteja, tenho certeza que ele não gostaria de ver você dessa forma, ele sempre foi alegre e nunca se deixou abater pelas más noticias. Siga o exemplo do seu velho pai e seja forte meu amor, sei o quanto é difícil. – falei deitando-me ao seu lado e pondo minha cabeça em seu peito.
- Aquele velho ranzinza, por que ele tinha que ir justo agora? –ele falou acariciando meu braço e olhando em meus olhos. – Eu sei que deveria ser forte meu amor, mas aquele velho me abalou, não aguento ter que aceitar que o perdi. Ele sempre fora meu porto seguro. Quando eu tinha seis anos ele prometeu que viveria cem anos. – ele falou chorando. – Não sei como superar isso. É como se tirassem um pedaço do meu corpo, um pedaço enorme, e isso me deixa incompleto. – ele me abraçou mais forte. – Não me deixa Sophie, por favor, prometa que não me deixará passar por isso sem você, não sei como aguentar isso, e se te perder minha vida terá acabado. – seus soluços pareciam não ter fim, nos cobri com o grosso edredom e beijei uma das lágrimas que corriam em seu rosto.
- Durma meu amor, eu prometo que nunca te deixarei sozinho. – ele fechou os olhos e virou-se de frente para mim, me abraçou fazendo-me ficar contra seu peito e dormiu. Fechei meus olhos e senti uma dor maior invadir o meu corpo, travei meu maxilar, a dor da perda estava mais forte, eu também gostava do Joe, ele era engraçado e divertido, e além de tudo isso era meu sogro.
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