Para Sempre...

10 Guerra e Paz - parte 1


Notas iniciais
Mais um quentinho....

[…]

A noite de ontem foi boa, acaba de amanhecer. Os meninos foram para a vila, e eu estou lendo um livro chamado Guerra e Paz de Léon Tolstoi, para poder fazer um trabalho de inglês. Hoje volto para a escola, os meus irmãos me deram os deveres atrasados para que eu entregasse o quanto antes melhor. Hoje o sol está maravilhoso, o que é bom, já que faz um tempinho que ele não aparece.

- Sophie. – gritou Tracy do andar de baixo, como se eu não fosse ouvi-la. – Raymond está no telefone e quer falar com você. Ah! E é para você se arrumar, saímos em vinte minutos. – desci as escadas e atendi ao telefone.

-Por que não ligou para o meu celular? Houve alguma coisa? – perguntei logo.

- Eu faço as perguntas. Vai para a escola? O que acontece com os vampiros no sol? Por que o idiota do meu primo não me conta? – perguntou ele rapidamente.

- Eu vou á escola sim. Não acontece nada quando saímos no sol. E o idiota do seu primo não contou por que quis. E você como chefe dos lobos, não deveria saber todos os detalhes do que somos? – falei calmamente.

- A única coisa que sabemos, é como acabar com um vampiro, que eles sugam sangue, que tem olhos vermelhos ou dourados, e que são extremamente brancos e gelados. – ele deu uma pausa. – Ah! E que têm um odor terrível. Exceto você. – falou sinceramente e eu não entendi.

- Por que a curiosidade?

- Filme de vampiros! – respondeu como se fosse óbvio.

- Depois discutimos isso. Tenho que me arrumar. – disse querendo ir me arrumar antes que Madeline me batesse até a morte.

- Tudo bem então. Te amo, até mais tarde.

- Também amo você. Você não vai á escola hoje?

- Não, eu tenho uns probleminhas para resolver com a matilha.

- Ok. – respondi e desliguei o telefone.

Cheguei ao banheiro e tomei um banho bem rápido, peguei uma calça jeans, scarpin, uma blusinha bege e um sobretudo preto. Terminei de me arrumar, peguei minha bolsa e desci, corri para a garagem onde todos me esperavam ansiosos. Entrei no carro de Blacke junto com meus irmãos. Minha BMW já era, o Ramon destruiu a pobrezinha e a jogou de um penhasco. Terei que comprar um carro novo. Blacke estacionou o carro, e todos os olhares se dirigiram a nós, vários alunos estavam curiosos para saber o motivo do meu afastamento, eu ignorei todos eles. Segui rumo á sala, agora tenho aula de Educação Física. Corri em velocidade humana até o vestiário, pus aquele uniforme composto de um short azul e blusa branca. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e fui em direção á arquibancada para esperar os outros alunos. A professora avisou que jogaremos futebol americano. Nem me importo, se baterem em mim, eu não me machuco mesmo.

[...]

Finalmente estou indo para casa, estou faminta, e entediada. Ainda bem que hoje é quinta-feira e sábado iremos á Rússia. O que será ótimo, pois só falta uma semana para os Match chegarem. Blacke acaba de estacionar.

- Amém. – falei saltando para fora do carro, jogando meu scarpin no banco de trás e correndo para a floresta.

Corri pela floresta, vendo apenas os borrões das árvores, parei quando senti um cheiro de urso perto das montanhas ao leste, dei um sorriso e corri até lá, o urso estava dentro de uma caverna, fiquei triste por que não poderia lutar contra minha presa , me aproximei lentamente da caverna e adentrei o pequeno local, o urso estava totalmente acomodado, não quis apreciar seu sono e mordi seu pescoço, cravando meus dentes em suas veias. Quando terminei de suga-lo, limpei meus lábios e fui à busca de mais uma presa, e não foi difícil de encontra-la, peguei um veado, fiquei satisfeita com a refeição.

Resolvi ir visitar meu Raymond, e corri até sua vila. Cheguei lá e estava tudo calmo, umas crianças brincavam de corda próxima às árvores, e umas mulheres conversavam na varanda de uma casa. Fui até á casa de Raymond, e ouvi risos e uma gargalhada estrondosa. Aproximei-me mais da janela da cozinha, mas estava vazia.

Eu adentrei a sua casa usando meu poder para que ele não me visse, eu estava com medo de que eu não gostasse daquela cena. Eu olho e vejo uma das piores cenas que eu poderia imaginar que fosse, Raymond abraçado com uma garota, eles gargalhavam e se entreolhavam.

- Fala sério! Eu sei que você sentiu minha falta. – falou a loira azeda e Raymond a apertou mais contra si, e ela pegou a almofada e bateu nele. – Para Raymond, deixa de ser patético.

- Eu sei que você me ama de qualquer jeito. Sua sapeca. – ele disse sorrindo, eu voltei ao normal e ele percebeu minha presença, mas era tarde demais para ele. Eu corri até chegar em casa, eu sentia uma dor sufocante em meu peito, em meu coração que não bate, mas que ainda sofre por amor.

Cheguei e todos me olhavam preocupados, subi até meu quarto e meio que sem querer eu quebrei a porta, mas não me importei, queria matar, sugar o sangue daquela miserável.

Senti o cheiro de Raymond há alguns metros de distância, sussurrei um “não quero falar com ele.”, para que minha família ouvisse, eu estava muito magoada com ele e não gostaria de matá-lo antes de escutar o que ele tem a me dizer.

Hale adentrou meu quarto, e sentou-se na cama, me sentei ao seu lado e suspirei. O resto da família chegou um pouco depois, Blacke está com uma cara de “Estou entre dois mundos, tenham calma.”, mas eu sei que ele está conversando com alguém, só não sei com quem.

- Com quem ele está falando? – perguntei apontando para Blacke.

- Er... Não sei querida! Deve ser com algum amigo. – respondeu Hale. – Vai nos contar o que houve? – ela perguntou um pouco mais preocupada, enquanto eu chorava um choro sem lágrimas, um choro seco e doentio.

- Eu vi Raymond abraçado à outra mulher, e não foi um abraço de amigo. – falei entre os dentes com a voz embargada. – Ele estava, quer saber? Não quero mais falar sobre isso. Eu não estou bem. – falei indo para a sacada.

Fitei a lua cheia que brilhava no céu, imaginei o dia do meu aniversário, o momento da apreensão de Raymond para saber se eu aceitaria me casar com ele, e em todas as vezes que eu confiei, sem restrições, nele. Como eu mesma costumo dizer, um amor pode ser real, ou pode ser uma mera distração, então nunca desvie do seu verdadeiro foco, arrume uma saída para todo e qualquer desafio, um dia vencemos a batalha. Um uivo ao longe me fez acordar, e voltar à verdadeira realidade, voltar ao mundo que grita meu nome de forma rude. Olhei para as árvores que rodeavam a casa, e senti três cheiros de lobos diferentes, dei de ombros.

Quando acordamos, e vemos os verdadeiros seres que nos rodeiam, temos a certeza de que nada é impossível, e que a cada passo dado temos que tomar cuidado para não levarmos um tombo, mas independente do tombo, temos que ser fortes o suficiente para levantarmos e seguir em frente.

- Sophie! Por favor, me escuta. – ouvi a voz de Raymond dentro do meu quarto, tirando-me de meus devaneios.

- Eu não quero nunca mais ver seu focinho na minha frente. – falei entre os dentes.

- Sophie ela é minha... – não o deixei falar.

- Como você pode? – falei enquanto dava murros em seu peito, mas de leve, não quis machuca-lo, apesar de sua atitude. – Eu não consigo nem acreditar. Você foi simplesmente incrível. Muito obrigada por tudo Raymond Sandler. – falei entrando em desespero.

- Meu amor, ela é minha... – eu ia retrucar, mas ele me beijou, um beijo inicialmente apaixonado e logo ficando um beijo feroz. Entrelacei meus dedos nos seus cabelos, e suas mãos começaram a passear livremente pelo meu corpo. – Eu te amo. – disse enquanto me prensava contra a parede e beijava meu pescoço.

Ele voltou para os meus lábios, e eu num ato de desejo, retirei sua camisa, um sorriso brotou em seus lábios, e ele subiu minha blusa, a retirou e jogou no chão, pegou em minhas cochas e eu pus as mesmas em torno de sua cintura. Beijamo-nos, apenas apreciando o momento, sem nenhuma pressa ou preocupação. Ele me pôs na cama e deitou-se por cima de mim, com suas mãos uma de cada lado do meu corpo, ele me fitou, e ficamos perdidos, um no olhar do outro. Acariciei seu rosto e lhe dei um sorriso. Voltamos a nos beijar, assim nos entregando um ao outro, formando um só corpo, nos deixando levar pela paixão que emanava de nossos seres.

[…]

Quatro da madrugada! Que maravilha. Raymond parece um anjinho dormindo, vez ou outra umsorriso brota de seus lábios. Estou me sentindo melhor que uma deusa cercada de súditos. Sorri com esse pensamento. Levantei-me da cama e segui para o banheiro, me olhei no espelho, e meu cabelo estava um verdadeiro ninho de passarinho. Entrei na banheira e me deliciei com a água morna. Todos os momentos dessa noite vieram à tona, e por fim me dei conta de que Raymond não me contou quem era a vadia que estava em seus braços. Sai da banheira e fui ao closet, pus apenas um vestido florido e sapatilha, fiz uma trança de raiz e maquiei-me. Desci as escadas, e todos estavam ocupados com alguma coisa.

- Bom dia família. – falei sem conter o sorriso.

- Senti cheiro de sexo a noite toda. – Blacke falou e todos gargalharam. – E também ouvi coisas que deixariam qualquer um sem dormir com medo de sonhar com coisas desagradáveis. – o fuzilei com os olhos, enquanto todos ainda gargalhavam.

- Blacke, você é um idiota. – falei dando de ombros, nada me abala hoje. –Meninas, temos que ir ao shopping hoje. Temos que comprar os vestidos da festa. Falando nisso, a festa é casual ou de gala? – perguntei olhando para Madeline, mas Derek Intrometido Nixon respondeu.

- Gala. – respondeu ele simplesmente.

- Ok. – falou Madeline. – Todos terminem de se arrumar, tenho compromisso na escola hoje, e a diretora não tolera atrasos em suas reuniões. – falou seriamente.

- Madeline está ficando importante. – falou Paul entrando na sala, seguido por Leslie e Lane. – Do que se trata? A diretora te acha nerd? Ou é porque você aprontou na escola? – falou sorrindo.

- Festas meu querido. A diretora quer que eu organize todas as festas e eventos escolares. – falou seriamente.

- Mãe. – gritei e ela me olhou seriamente. – Quero mudar de escola. – falei manhosa, todos entenderam minha piada e começaram a gargalhar. – Uau! Já são seis horas. Vou pegar meu casaco. – corri para o quarto e peguei um casaco branco, Raymond começou a abrir os olhos. – Bom dia dorminhoco. – falei indo beija-lo. – Já estou indo. Não demore. Tem roupas que cabem em você, na segunda gaveta do lado esquerdo do meu closet.

- Madeline. – ele resmungou e eu assenti sorrindo. – Está bem minha princesa. Obrigado. – sorri e desci as escadas rapidamente.

- Vamos! – gritou Madeline para todos como se fossemos um gado.

- Miau! – imitei e ela me fitou confusa. – É só para você saber que eu não sou uma vaca, e sim uma gata. – dei uma piscadela para ela e sorri.

- Percebemos isso. Raymond até reclamou por que você arranhou as costas dele. – se eu pudesse corar estaria pior que um tomate. – É isso mesmo. Sinta o meu poder. Já para o carro.

Entramos no carro de Tracy. Ela dirigiu feito uma maluca no meio de uma corrida. Ri com esse pensamento, e todos me fitaram confusos, dei de ombros e continuei sorrindo. Assim que chegamos, a escola ainda estava vazia, então eu me dirigi a um banco debaixo de uma árvore e sentei-me lá com meus irmãos, exceto Madeline que já estava dentro da escola. Peguei meu celular e meu fone de ouvido, peguei o livro de matemática e fui estudar.

- Maninha. – falou Tracy na minha frente com cara de sapeca. – Me conta, me conta , me conta. – falou ela toda entusiasmada.

- Tracy, por que você quer saber? Robert nunca... – ela não me deixou terminar.

- Porque eu sou super curiosa. E eu não sou nem um pouco esquisita como você. Que prezou a virgindade durante cento e dezoito anos, fala sério, você é arcaica e idiota. – essa doeu lá no fundo.

- Pega leve Tracy. – falou Blacke. Mas eu não sou do tipo que atura tudo com o rabinho entre as pernas, não vou ficar aqui para ouvir as idiotices de Tracy. Levantei-me e guardei minhas coisas.

- Tracy, vê se cresce e passa a se olhar no espelho, você parou nos 18 anos, e é realmente uma penaque, nesses cento e oitenta e seis anos de idade, a sua mente não tenha evoluído em nada, pois você continua agindo feito uma adolescente imatura, que está com os hormônios apurados, e não consegue, nem por um segundo, ser a adulta que deveria. Blacke é mais maduro que você. – falei calmamente e sai em direção ao fundo da escola, ao longe ainda ouvi Blacke dizer.

- Merda. Essa doeu até em mim! Estou orgulhoso da gatinha. – ri com esse comentário e continuei seguindo meu caminho.

Notas finais
Reviews? PLease my friends?