Para Sempre...
5 A volta...
Notas iniciais
Boa leitura!
5.A volta...
*Por Raymond*
Eu não sei mais como aguentar tanto tempo longe da Sophie, já se passaram dois meses e vinte e três dias desde que ela se foi,aquela vampirinha faz muita falta. Estou tentando manter minha rotina, ontem descobrimos que há novos sanguessugas na nossa área, estamos tentando descobrir o que querem e qual a localização deles.
Hoje eu e a matilha decidimos sair mais cedo para a vigia, eu queria ir à casa de Derek, saber se ele tinha noticias da Sophie, eu estou muito preocupado com ela, nenhum dos integrantes da família Nixon estão saindo para a escola, ou para o trabalho, estava tudo muito calmo, talvez calmo demais para mim e para eles.
Cheguei á casa deles, estavam todos lá. A Tracy estava no quarto se trocando, o Derek estava no seu escritório, Blake e Madeline estavam no sofá assistindo TV, e Hale lia um livro na varanda, e nesse momento eu senti falta da Sophie, ela era a única que faltava naquela casa.
Entrei pela porta principal e todos olharam para mim, mas logo retornaram para o que estavam fazendo, parecia até que eu não estava lá, que eu era invisível. Eu subi as escadas sem me importar com eles, e fui ao escritório de Derek, que parecia preocupado com alguma coisa enquanto teclava rapidamente em seu computador.
– Derek! Você está bem? Algo de errado?
– Estou ótimo Raymond. E como vão as coisas? Como está o velho Joe?
– Está tudo muito bem. Você tem novidades da Sophie?
– Sim. Ela está muito bem lá! Ela disse que eles estão a tratando bem. – havia certa insegurança em sua voz.
– Que bom. E quando ela volta? Eles a deixaram vir, não é?
– Ainda não sabemos de nada. Eles a acham um tipo de escudo contra alguns vampiros e humanos, não temos certeza se abriram mão dela agora. Eles conseguiram levá-la para a Itália, e percebem que ela não está tentando se libertar, eles não podem descartar a oportunidade de tê-la para sempre. Nós vamos fazer contato com eles em breve, mas não sabemos se eles irão concordar com nossa proposta, não sei se eles irão querer perder a nova arma deles.
– O quê? Eu não irei permitir que ela continue lá por muito tempo, Derek se for preciso irei lutar para trazê-la de volta para casa, lá não é o lugar dela. – eu disse entre os dentes, eu já sentia a raiva subir cada vez mais.
– Calma! Resolveremos isso o mais civilizadamente possível. Não posso arriscar uma luta com eles, não posso arriscar a vida da minha família desta forma. Mais a Sophie também é minha filha agora, e farei o possível para trazê-la de volta em segurança e sem precisarmos nos rebelar contra o clã Match.
– Ok! Vou esperar, eu esperarei cem anos se preciso for, mas eu preciso da minha Sophie de volta Derek, você me conhece desde que eu era uma criança, você sabe o que estou sentindo por ela, eu não posso perdê-la, eu quero dizer tudo isso para ela, quero que ela volte logo.
– Ótimo, muito melhor assim. Você tem que ter paciência! Assim que eu tiver alguma noticia, te aviso, — ele deu uma pausa – e tome cuidado com os novos vampiros que estão na área, a Sophie não iria gostar de saber que você sofreu algum tipo de acidente.
– Talvez assim ela voltasse mais rápido. – falei entre os meus dentes, eu estava inconsciente do que estava falando, estava deixando a raiva consumir-me pouco a pouco.
– Você está errado, essa nunca foi à escolha dela. Eles a forçaram, ela fez isso para não arriscar nossas vidas, principalmente a sua. Ela não quer fazer mal a ninguém, ela quer todos felizes, ela está sempre esbanjando felicidade para todos, mesmo quando ela queria apenas sofrer quieta, mas ela sabe que esse não é um modo maduro de lhe dar com as coisas. – disse ele segurando meus ombros, como quem dá apoio.
– Bom, se você não conseguir trazê-la de volta, eu irei buscá-la, não tenho medo daquele clã, sou forte o suficiente para acabar com todos eles.
– Raymond, você não deu nem conta de três deles, não seja assim, tenha calma.
– Derek, eu tenho que ir, tenho que procurar os “novos visitantes”. – falei nervoso, a raiva me consumia eu precisava sair dali e descontar toda a minha raiva em alguma coisa, eu gostaria muito de encontrar os “visitantes” hoje, eu queria matá-los, transformá-los em pó.
Dirigi-me rapidamente para a floresta sombria, enquanto Derek ainda me olhava desconfiado pela janela, parecia que ele percebera algo de estranho na floresta. Na verdade aquela noite estava muito calma, não achamos nenhum vestígio dos “visitantes secretos”. Mas ouvimos boatos de mortes acontecendo sem explicação perto da cidade, resolvemos ir checar o acontecido de perto, ver os estragos causados, que com toda certeza não deveriam ser poucos e tão menos discretos.
Adiantamo-nos e fomos em direção á cidade que ficava muito perto dali, e que a floresta ainda rodeava. Fomos diretamente para o local das mortes, e não demoramos muito para sentir o cheiro dos sanguessugas, ainda estava muito forte, e isso significava que eles não estavam muito longe dali. Decidimos seguir o cheiro que se seguia para dentro da floresta. Corremos até o rio, mais o cheiro se encerrava ali, no rio, como se simplesmente tivesse sumido, não havia rastro ou qualquer pista exceto o cheiro que não fazia sentido, já que se encerrara no rio, o que não fazia mesmo sentido é que o cheiro era muito parecido com o da Sophie, apesar dos vampiros terem praticamente o mesmo cheiro, mais o da Sophie era mais fresco e doce, como flores do campo, mas com o toque do odor natural de sua espécie.
Meus pensamentos ficaram confusos e eu não entendia o motivo, várias perguntas começaram a se formar logo após da percepção ao cheiro da Sophie. Será que a Sophie voltou? Por que ela não avisou? E por que matou pessoas inocentes? Será que... Nesse momento meus pensamentos foram interrompidos por uma visão, eu estava vendo uma bela mulher saindo do rio, ela tinha longos cabelos cinza... Sophie? Perguntei a mim mesmo em pensamento. Concentrei-me na bela figura do outro lado, e havia duas garotas loiras com ela, não entendi o motivo, mas eu tinha quase certeza que era a Sophie que estava ali, parada me encarando.
Segundos depois não avistei mais as três figuras do outro lado do rio, algo me dizia que elas não estavam ali para conversar ou até mesmo ficar olhando para mim como verdadeiras estatuas, elas deveriam estar ali para resolver algo.
Ordenei a matilha que ficassem de vigia e bem atentos a qualquer movimento, pois, resolvi voltar à casa de Derek para saber se realmente era a Sophie que havia voltado para casa, para mim.
Cheguei à casa de Derek em cinco minutos, e logo avistei as três figuras, e o resto da família com aparência bastante preocupada. Eu não entendia o motivo, eu precisava descobrir o que estava acontecendo ali naquele instante. Assim que adentrei a casa, ninguém olhou para mim exceto Sophie, que rapidamente tirou a vista e voltou a encarar Derek.
– Derek, eu não posso... – disse uma das belas garotas loiras com belos olhos dourados, o que significa que ela é “vegetariana”, enquanto a outra apenas observava, as duas aparentavam ter uns 16 anos.
– Leslie, não era para vocês terem vindo diretamente para cá, não é seguro. Será o primeiro lugar em que irão procurá-las. E cadê o Paul? Era para ele está aqui. – disse Derek impaciente.
– O Paul teve que ficar no meio do caminho, ele precisou fazer uma coisa. – disse Sophie, sua expressão era calma mais muito fria, ela parecia aflita.
–Certo. – disse Hale – Nós teremos que tomar alguma atitude, fazer algo que os impeça de... – nesse momento Blacke a interrompeu.
– Bom, acho que seria melhor uma boa luta. Ai! –Tracy deu um soco no braço de Blacke antes que ele pudesse terminar de falar seu suposto plano sem noção.
– Nós não somos fortes o suficiente para eles. Eu quero resolver isso de forma civilizada. – disse Derek, com uma voz mais calma.
– Derek, eles não querem resolver isso de forma civilizada, eles vão vir até aqui e me pegarão à força novamente, e eu estou disposta a matar qualquer um deles que cruzar meu caminho. – disse Sophie entre os dentes.
– Posso ajudar na luta se quiserem, eu não gosto de perder uma boa batalha e além do mais, eu estou precisando matar alguns vampiros! – eu disse indo em direção á Derek, que estava em pé ao lado de Hale.
– Fique fora disso Raymond, isso não é para você e sua matilha! Vocês não têm nada haver com o que está acontecendo. – disse Sophie, finalmente olhando para mim.
– Eu não vou te deixar desprotegida. Sophie eu não posso te perder de novo e farei o que for necessário para impedir esses tais sanguessugas de te afastarem de mim novamente, eu te amo, não posso ficar sem você nunca mais. Eu vou lutar você querendo ou não.
- A escolha não é sua, essa briga é minha, não quero que você se intrometa junto com a matilha! É perigoso demais, e além do mais, não acho que eles iriam gostar de lobos envolvidos na história. – disse ela olhando para mim, mas não havia amor em seus olhos como antes, agora só havia ódio.
– Sophie, a ajuda dele será muito útil, eles não precisam aparecer, podem ficar entre as árvores só por questão de segurança. – disse Blacke com muita certeza de suas palavras.
– Seja como for, temos que tomar cuidado, Lane,Leslie e Paul nos ajudaram como poderem. Elas também foram levadas lá com o mesmo propósito, mas Ethan as provocou em excesso, e elas não conseguiram conter a raiva, e então começou uma breve luta que nos deu tempo para fugir. – disse Sophie.
– Temos que fazer nosso plano, mas temos tempo, eles irão demorar em torno de uns dois meses para virem aqui. Vamos nos divertir, temos muito tempo. – disse um garoto alto de cabelo loiro, que adentrava a casa.
– Paul! Finalmente, você demorou muito. O que estava fazendo? Foi cruzar o oceano? – disse uma das garotas loiras sorrindo, imagino que fosse Lane, ela era mais baixa que a outra loirinha.
– Não! Eu fui verificar se eles estavam vindo! Dâh. – ele deu uma pausa e olhou pra mim – Nossa! Que odor de cachorro.
– Paul! Esse é Raymond, chefe dos lobos, ele vai nos ajudar como você já deve ter ouvido. Ele e a matilha são velhos amigos da família. – Sophie disse com um pequeno sorriso no rosto, mas sua face ainda estava fria.
– E a parte que vocês são apaixonados? Você nem comenta essa parte? Que amiga é você eim! – todos da família sorriram menos Sophie, que se virou para mim e em seguida saiu em direção á floresta.
Eu a segui por um longo caminho, e eu me perguntava aonde ela queria me levar e por que. Não entendi nada, nós andamos pela floresta durante um tempo, e então chegamos ao penhasco que eu havia a levado no nosso primeiro encontro, e então ela parou na beira do penhasco e olhou para mim.
Meu coração parou por um misero segundo, apenas pelo fato de estar novamente ao lado dela, encarando seus belos olhos negros, agora por causa da sede, sua pele branca á luz da lua, e seu longo cabelo cinza caído nos ombros.
– Raymond, eu não posso deixar que você se machuque! Você é importante demais para mim, não posso te perder, eles não terão pena de ninguém! – disse ela, ainda parada olhando para mim.
– Sophie! Quem não pode te perder sou eu. Você não entende que se eles te pegarem de novo eu não saberei o que fazer. Se algo te acontecer Sophie, irei atrás deles e matarei um por um... – fui interrompido, ela pôs seu dedo indicador em meus lábios. Ela sempre tão pequenina perto de mim, que ficava na ponta dos pés.
– Não precisaremos de tudo isso, acho que estou fazendo muito drama. Eles irão tentar conversar, eles não podem sujar a imagem que construíram. A matilha não será necessária, iremos dar conta de tudo sem nenhum problema. – sua voz parecia uma melodia.
– Bom, é melhor prevenir do que remediar, a sua segurança é importante para mim. – dei uma pausa quando nossos olhares se encontraram – Sophie você aceita namorar comigo? – dei um grande sorriso para ela.
– Depende! Se você desistir dessa ideia suicida de me proteger. –começamos a sorrir – Sim, eu aceito, apesar de ter demorado muito – disse ainda sorrindo.
– Você sumiu! Eu não tive culpa disso. – sorrimos e nos sentamos na beira do penhasco.
Nós começamos a conversar sobre tudo o que havia acontecido durante esse tempo que ela esteve fora. Naquele instante, todas as coisas que eu senti na ausência dela voltaram a me atormentar.
Passamos uma longa noite juntos, ela decidiu que voltaria à escola o mais brevemente possível, pois, Derek havia arrumado um atestado que dizia que ela estava internada e não poderia comparecer à escola por um tempo.
Logo amanheceu e lá estava eu na casa da Sophie tomando café. Quem diria que algum dia eu iria ficar perdidamente apaixonado por uma vampira!? Que além de vampira, é caçada desde que fora criada, e que é 98 anos mais velha que eu. Sinceramente, se há dois meses, alguém chegasse e me dissesse algo assim, eu o mataria imediatamente, por que é obvio que para mim isso seria basicamente impossível.
Logo após o café, Sophie desceu a escada pronta para ir à escola, e é claro que ela estava magnífica com um belo vestido branco e um cardigan vermelho. Logo estavam todos prontos, Derek, Hale, Leslie, Lane e Paul ficaram em casa para verificar algumas estratégias que usaríamos contra os Match, com certeza precisaríamos mais do que uma estratégia para conseguir o que queríamos. Mas isso não importava tanto para mim, teríamos tempo para planejarmos isso, agora eu apenas queria aproveitar o tempo que eu tinha com a Sophie.
Ela veio em minha direção assim que desceu as escadas.
– Você tem que falar com o meu... Com o meu pai. – ela sussurrou e começou a rir. Droga, eu pensei que eles não tinham esse velho costume, mas é nisso que dá namorar uma vampira.
– Ok. — sussurrei para ela — Derek, eu gostaria de lhe pedir para namorar com a Sophie. Gostaria de ter a sua aprovação. – apesar de conhecer Derek desde pequeno, eu fiquei nervoso em pedir para namorar uma de suas filhas, para todos os efeitos.
– É claro Raymond. Cuide bem dela. – todos riram.
O resto do dia foi ótimo. Exceto por um garoto intrometido que foi paquerar a Sophie no colégio, e é claro que eu o ameacei de morte para que ele caísse na real e fosse embora.
*Por Sophie*
Finalmente passei mais uma noite em paz, eu estou muito feliz de ter voltado para o lar, sentia falta dos meus amigos e de minha família, mas principalmente de Raymond. Eu simplesmente tentava esconder a dor em meus olhos, pois, na verdade eu não havia sequer passado um bom momento enquanto estava na Itália.
Hoje eu resolvera voltar á casa dos Sandler, queria revê-los, e também ver como estavam. Derek, Blacke e Paul estavam sempre a beira da enorme mesa da sala de jantar, eles planejavam estratégias e mais estratégias. As garotas resolveram fazer compras para passar o tempo, e eu não queria ficar sozinha com os “senhores das estratégias de batalha”, ri com esse pensamento bobo.
Desliguei a TV da sala, e subi rapidamente para o meu closet, eu realmente não estava apresentável no suéter que usava. Vesti-me e desci em direção ao Derek, eu realmente o tratara como meu pai de sangue. Dei-lhe um beijo no topo de sua testa, e abracei Blacke que me olhava com uma cara de “não se esqueça de mim”.
Sai rapidamente em direção à floresta, que por um milagre, estava bastante iluminada hoje. O sol finalmente resolveu fazer uma aparição, pelo menos era um sinal que ele concordava com meus planos para aproveitar o dia de hoje.
Cheguei á casa de Raymond, e lá estavam Joe e Ang sentados na varanda, juntamente com mais algumas garotas que cantavam uma música dos Beatles chamada Twist and Shout, eu sempre gostei dessa música.
– Ang! Você por aqui novamente?! Senti saudades. – eu disse me dirigindo para perto da varanda em passos humanos, afinal, Ang sabia o que eu era, mas não poderia ter fortes emoções, e eu realmente não pretendia chegar perto de ninguém, eu estava completamente faminta.
– Oi Sophie! Que bom te ver. Eu realmente preciso falar com você, tentei entrar em contato, mais seu celular só da fora da área de cobertura. – disse ela sorrindo e vindo me abraçar. Como fazia um bom tempo que eu não caçava, o seu cheiro me deixou totalmente descontrolada, então rapidamente eu a empurrei delicadamente para longe de mim. — O que foi Sophie?
– Nada, só não chega perto de mim, por favor. Er... Vá para perto do Joe. – ele me olhou e fez um sim com a cabeça, ele sabia pelo que eu passava. Então antes que ela pudesse fazer alguma objeção eu voltei a falar. – Ang, é pro seu próprio bem. Não tenta fazer objeções. Agora me conta as novidades, e me apresenta as meninas, não as conheci da outra vez em que estive aqui.
– Bom. Louise Barnes namorada de Adam, Livy Backer noiva de Michael, Megan Morpha, Marry Kanner irmã de John e por fim a irmã do Joe, mãe do Robert, Jennifer Sandler Runey. – todas acenavam quando seu nome era pronunciado.
– Prazer em conhecê-las, e como vocês já devem sabe, sou Sophie Nixon. – dei um breve sorriso duro para elas que retribuíram, mas não ousaram se aproximar de mim. Eu sabia o “por quê?” disso. Todos ali sabiam o que eu era, e o quão perigosa sou.
– E eu tenho um grande pedido para lhe fazer Sophie.
– Faça, eu irei ajudá-la no que precisar. – disse com a voz mais calma possível no momento.
– Quero que você fique responsável pela Alyssa, quero que cuide dela como se fosse sua filha, você terá a eternidade para cuidar dela. Eu confio em você. – as suas palavras me deixaram totalmente confusa.
– Ang... Eu não posso, não sou a pessoa certa para cuidar de sua filha. – ela olhou-me com total repreensão.
– Fique tranquila, eu sei o que você é Sophie, mas eu não ligo. E eu só tenho dois dias. – naquele momento fiquei paralisada.
– Oi amor! –Raymond chegou e me beijou com ferocidade, mas eu não o correspondi apenas me afastei rapidamente. Mesmo seu cheiro sendo repugnante, eu ainda estava faminta. Passei dois meses me negando a alimentar-me de humanos, já que Ethan não permitiu que eu tomasse sangue de animais, então esse era o resultado. – O que? Fiz algo errado? – ele parou um instante e então nossos olhos se encontraram. – Você esta com fome! Mais o meu cheiro não é consideravelmente repugnante? – ele disse sorrindo para mim, ele realmente não fazia ideia do perigo que corria.
– Não chega perto. – eu disse entre os dentes como um mero sussurro.
Minhas mãos tremiam em punhos fechados, eu o fitava com uma intensidade diferente do normal, não conseguia me mexer ou me controlar, sentia uma dor profunda em minha garganta e um peso enorme em meus pés. Então, o pior acontece, eu não consegui me controlar e pulei diretamente para Raymond, por pura sorte John apareceu em sua forma de lobo e pulou em cima de mim antes que eu pudesse alcançar Raymond. Lancei John para longe, e corri para a floresta sem pensar duas vezes. Logo achei um alce enorme, pulei em seu pescoço quebrando-o e encravando meus dentes nas suas veias logo em seguida. Cacei mais alguns alces até ficar completamente bem novamente.
Quando eu voltei a raciocinar direito, e consegui me controlar, percebi a burrada que havia cometido. Como eu pude ao menos ter a coragem de fazer aquilo? Eu não podia acreditar que tinha chegado a atacar o homem que eu amo, eu realmente não tinha conseguido controlar a dor que rasgava minha garganta, e aquilo só fez com que eu sentisse ainda mais culpa.
– Que ótimo, sou ainda pior do que imaginei. – sussurrei para mim mesma. E logo ouvi passos se aproximando de mim. Eu estava na beira do penhasco que Raymond me levou.
– Eu sabia que estaria aqui. – Raymond realmente não ligava em arriscar-se perto de mim, e aquilo me deixava totalmente furiosa. – Sophie, não quero que se preocupe com isso, eu realmente sinto muito. Mas não foi nada, eu me recuperaria de qualquer forma.
– Raymond, você realmente não entende. Eu quase cheguei a te matar, se eu tivesse te mordido, você estaria morto agora. Não esqueça que meu veneno juntamente com seu sangue de lobo te mataria facilmente. Você é imortal, mas não é indestrutível, tente se lembrar disso.
– Mas agora está tudo bem. – disse ele enquanto me abraçava. – Fica tranquila meu amor, você não vai fazer isso de novo, foi só um acidente. E afinal, acidentes acontecem.
– Não está tudo bem. Mas deixa pra lá! — dei uma curta pausa – Ang ainda está lá?
– Bom, eu tenho uma novidade! – ele olhou para baixo, e continuou – Ela acabou de entrar em trabalho de parto, e pediu para que eu te levasse até minha casa.
– O quê? Por quê? Sua casa? Não é melhor um hospital?– eu estava falando tudo muito rapidamente, eu não conseguia acreditar no que estava acontecendo.
– Bom Megan é obstetra, ela cuidará do parto. Megan disse que vai precisar de você. Já estava na hora desse bebê nascer. – ele deu uma pausa. – Chegamos à conclusão de que você deveria transformá-la, ela tem que viver.
– Eu não posso. Não irei mandar a alma da Ang pro inferno, prefiro que ela morra. Não irei fazer isso com ela, eu não posso arriscar. – dei uma pequena pausa – Eu posso não conseguir parar e matá-la da mesma forma. – essa última parte, eu falei sussurrando, não tinha coragem de muita coisa, não agora.
– Por favor... Droga! – ele falou triste e desconsolado. Mas eu havia escutado Mark falar “Ang precisa dela”, mas eu simplesmente não estava conseguindo assimilar nada.
– O que foi? – eu apenas queria ouvir dele, para confirmar.
– Apenas Mark. Ang está nos chamando, alias, chamando você. – eu não sei bem qual o motivo por ela querer minha presença lá, eu estava nervosa demais.
– Tudo bem. – enquanto eu voltava para a floresta, Raymond continuou parado na beira do penhasco, seus olhos estavam perdidos e vazios. – O que foi? Você não vem?
– Precisam de mim, os visitantes ainda estão na área, e ainda não sabemos quem são ou o que querem. – eu estava morrendo de curiosidade sobre esse assunto, mas minha amiga precisava de mim e eu não poderia adiar.
Eu não falei mais nada, decidi que seria melhor assim, não queria puxar assunto, Ang não tinha a eternidade á seu favor, e naquele momento, nem ao meu favor a eternidade estava.
Assim que cheguei á casa dos Sandler, escutei Ang pedir para esperar até minha chegada. Não esperei a coragem invadir meu ser, e em segundos eu estava ao lado da minha amiga, que estava pálida e aparentemente bastante fraca.
Ang agonizava, seus olhos se afogavam em lágrimas, sua expressão era de puro sofrimento. Eu estava desesperada, nãoaguentava aquilo, mas Megan fez sinal para que eu me acalmasse, pois o pior ainda estava por vir.
– Sophie – Megan estava seria – você precisa tomar uma decisão. Ela não terá muito tempo depois que Alyssa nascer.
– Eu sei. Mas... – Ang começou a agonizar mais alto, então Megan arrastou uma mesinha com vários objetos de cirurgia e em seguida pôs luvas. – Calma, vai ficar tudo bem. Megan, eu vou transformá-la, assim que o bebê nascer, me avisa. – a angustia tomou conta de mim.
Ang estava pálida e gritava muito, eu nunca estive tão preocupada com algo como estou agora. Eu segurei firme em sua mão, para que ela se sentisse bem em saber que eu me importava com ela.
A cada minuto que se passava, eu percebia o quão difícil poderia ser para mim e para Ang, a transformação não iria depender só dela, mas de mim também, eu tinha que ter força de vontade para conseguir parar de sugar seu sangue, eu sempre dei muito valor à vida de um humano. E eu nunca pensei que seria a culpada por retirar a vida de alguém que é tão importante para mim. Sempre considerei Ang uma ótima amiga, praticamente uma irmã para mim.
– Sophie! – eu estava perdida em meus pensamentos, tão perdida que nem ouvi Megan gritar em meu ouvido.
– Er... Desculpa.
– Está na hora. – ela falou seriamente para mim.
Não pensei muito, e mordi o pulso de Ang, seu sangue era tão maravilhoso, difícil de resistir, mas eu sabia que não poderia desistir justo agora, eu tinha que salva-la e não matá-la. Apesar de difícil eu consegui me afastar dela. Agora ela gritava com a dor do veneno que corria em suas veias.
Ouvi um choro, que logo de inicio eu não havia dado tanto valor. Resolvi prestar mais atenção, e vi um ser muito pequenino. Alyssa, a mais bela humana, apesar de ser tão pequena já víamos em seus traços que ela iria ser linda quando crescesse. Tinha belos olhos azuis, sua pele branquinha, ela tinha pouco cabelo, mas víamos que era preto e muito sedoso. Megan veio diretamente á mim, para que eu desse o primeiro banho na Alyssa, já que sua mãe estava passando por um momento bastante doloroso.
Peguei-a no colo e a banhei com todo o cuidado possível, parecia que ela gostava de mim, pois ela acabou dormindo nos meus braços, após um banho maravilhoso desses até eu dormiria. Ri com essa ironia, o sono e o cansaço eram duas palavras inexistentes para mim.
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