Para Sempre

11 Mudança de atitude.


Notas iniciais
Oie leitores lindos da minha vida :)
Tenho uma notícia não muuuuuito legal (bom, depende do ponto de vista): a fic está chegando em reta final, mas ainda não sei ao certo quantos capítulos para o fim. Espero que não fiquem muito tristes...
Um detalhe que é bom contar: quando você tá em cidade que neva e você entra em lugares fechados, você tira os casacos e talz porque se vc ficar com eles, quando você volta para a rua vc sente ainda mais frio.
E para quem não sabe, segunda pele é uma coisa que se usa que é tipo uma blusa muito fininha mas de um tecido BEM quente pra te manter aquecido.
Bom, espero que desfrutem!

Pequeninos flocos de neve caíam do céu e o vento era gelado. As luzes que piscavam nas vitrines, nas janelas, nos postes e no alto dos edifícios entregava a quem passava qual o espírito predominante ali: era quase Natal. As ruas já estavam cobertas por um tapete branco e mesmo no frio de mais ou menos dez graus negativos, muitas pessoas ainda andavam à procura de presentes para seus parentes e amigos.

“O que acha desse aqui?” Selena mostrou um macacãozinho cor de rosa com pequenas flores bordadas para a mulher sentada no banco à sua frente. “Não é lindo?”

A outra suspirou realmente cansada, andar de um lado para outro no frio e com a barriga já grandinha não era a melhor das ideias.

“Você não pode comprar isso! Nem sabe o sexo da criança! E se for um menino? Eu não acho que ele vá querer usar essa roupa.”

Selena revirou os olhos. “É uma menina Demetria, eu tenho certeza.” Ela dobrou a roupinha. “Acho que vou levar.” Parou olhando outras araras com muitos outros modelos de roupinhas de meninas, achava uma mais linda que a outra e nunca conseguia realmente escolher uma só. “Esse é ainda mais lindo!” Levantou um cabide com um vestido muito pequeno, rodado, preto de bolas brancas. Demi só rolou os olhos. “Qual é! Anime-se, precisamos comprar roupas para essa nenenzinha!”

A outra só desviou olhar se recusando a continuar aquela discussão. Nas últimas 7 semanas em que Selena esteve junto com ela, as duas saíam pelo menos uma vez por semana para comprar coisas para a criança. Sapatinhos, roupinhas, mamadeiras, chupetas e um monte de outras parafernalhas que Demi não fazia ideia que eram necessárias. O problema era que a mais velha tinha certeza que era uma menina e por isso quase tudo era rosa ou lilás.

“Selena, estou cansada. Será que não podemos ir pra casa? Está tarde.” Deu bocejo como se para reforçar o que dizia e esfregou os olhos.

A latina chegou perto da outra, agachando em sua frente entre suas pernas e tocando a barriga. “Sua mamãe é tão chata Beatrice! Aposto que você vai gostar muito mais da tia Selena!” Deu um sorriso bobalhão.

“Um, eu não sou chata!” Disse Demi em tom de indignação. “Dois, para de chamar o bebe de Beatrice, você ainda não sabe o sexo. E três, você deveria pensar melhor na proposta que te fiz.” Ela olhou séria para a outra que retribuiu o olhar.

“Quanto ao chata eu não vou nem me manifestar. E depois, eu já disse que é uma menina e sim, ela vai chamar Beatrice. E já disse, não vou repetir a você tudo o que eu acho sobre a proposta.”

Não fazia mais de duas semanas que Demetria havia feito uma proposta à Selena: Já que ela estava se mostrando tão protetora em relação à criança, tão feliz e empolgada com a vinda dela, nada seria mais lógico, do ponto de vista de Demi, que ela ficar com o bebê. Porém a mais velha recusou apontando o quanto aquilo era absurdo, a mãe era a Lovato, então a Lovato quem ficaria com a criança. Para ela era uma questão sem discussão, o que não impediu Demi de retornar ao assunto duas vezes depois, sempre sendo cortada antes que uma briga maior surgisse.

A mais velha levantou. “Vou pagar, me espere aqui.” E saiu rumo à fila do caixa a deixando sozinha. Olhou para o espelho posicionado ao seu lado encarando seu reflexo. A barriga crescera bastante no último mês, já era uma pequena bolinha. Sua mão estava pousada na coxa direita, e um finco se formou entre suas sombrancelhas, achava estranho o modo como nunca colocava a mão sobre a barriga como as outras mães, sentia que o gesto era estranho e a deixava desconfortável. E era por isso, por nunca se sentir confortável em relação ao bebê que propôs a adoção à ex-mulher. E também por conhecer a enorme vontade que a outra tinha de ser mãe. Suspirou sem saber o que fazer.

“Vamos?” Olhou para cima e viu Selena parada, ainda lhe olhando séria.

Demi se levantou e as duas rumaram para a porta do estabelecimento. Antes de sair as duas vestiram seus casacos, tocas e luvas para se protegerem do frio e sairam logo depois para a rua lotada. A latina sempre ia um passo à frente da outra, seus passos eram firmes e fortes, o que indicava que ela estava com raiva e no fundo Demetria se arrependeu de ter tocado no assunto outra vez. Chegaram ao carro preto cerca de cinco minutos depois.

Alguns paparazzi tentavam tirar fotos delas, mas ambas ignoravam. Perguntas foram soltas por eles, sobre a criança, sobre a aproximação das duas, porém outra vez nenhuma fez questão de responder. Depois que a notícia da gravidez de Demi se espalhara era difícil para ela andar sem ser seguida por um paparazzi, e tudo ficou ainda pior depois que souberam que Selena voltara para casa.

No carro o silêncio continuou predominando e a mais nova sentiu uma lágrima rolar seu rosto. “Desculpa.” Sua voz foi só um sussurro.

A mais velha não respondeu de imediato, o que fez Demi derramar outras muitas lágrimas silenciosas. Somente quando o carro parou na garagem de casa, Selena ousou falar outra vez. Virou-se para a outra com o rosto triste.

“Olha, eu sei que pode estar sendo difícil para você toda essa situação, sei que nos nossos planos quem carregaria o bebê seria eu, mas as coisas mudaram e eu gostaria muito que você se esforçasse nem que seja um pouquinho mais para aceitar tudo isso, para aceitar essa criança.” Demi virou para ela. “Você entede o quanto isso está sendo difícil para mim Demetria? A minha ex-mulher, a quem eu ainda amo como nunca eu vou ser capaz de amar ninguém está carregando na barriga o fruto da traição que ela cometeu, esse bebê crescendo dentro de você é a prova de tudo que eu sofri, de tudo que eu sofro por conta do que você fez.” Ela fez uma pausa para enxugar uma lágrima que havia escapado de seus olhos. “E mesmo assim eu estou aqui do seu lado, cuidando de você, cuidando dessa pessoinha que você carrega. Eu poderia te deixar fazer o que quisesse, mas eu te amo demais para deixar você acabar com sua vida desse jeito. E por mais estranho que possa parecer eu amo essa criança também, porque eu não gosto de pensar que ela representa o erro que você cometeu e que nos separou, eu amo porque ela é um pedaço de você, uma continuação de você entende? E sabe por quê eu escolhi Beatrice para ser o nome dela?” A outra negou. “Porque significa aquela que traz muitas alegrias, e eu tenho certeza que esse bebê vai honrar o nome que eu escolhi.”

“Selena eu...”

“Só me escuta.” A cortou. “Está muito difícil conviver com você na nossa antiga casa, mas eu estou tentando o maxímo que posso! O problema é que você não está cooperando e isso na maioria das vezes me dá vontade de simplesmente desistir, porque não é minha obrigação ficar aqui, nós estamos separadas. Então ou você muda a sua atitude e começa a me ajudar a te ajudar ou eu vou embora dessa casa, e se eu for Demetria, eu não volto mais.”

A latina saiu batendo a porta do carro deixando a outra sozinha pela segunda vez na noite.

Demi tinha a visão embaçada por conta das lágrimas grossas que caíam sem parar. Seu choro não era mais silencioso, mas ela não se importou, sentia-se agora mais solitária que nunca. Olhou para a barriga escondida entre tanto pano e sentiu algo se mexer dentro de si. Com uma certeza que ela não sabia da onde vinha, pensou no filho crescendo dentro dela e lembrou da mãe lhe dizendo dias atrás que os bebês sentiam tudo o que a mãe sentia.

Pensou que talvez ele estivesse lhe lembrando que existia, que estava ali por ela e lhe dizendo que não estava sozinha. Seu choro aumentou e abriu os botões do casaco o mais rápido que pôde e com cuidado a mão foi de encontro ao ventre. Somente o pano da segunda pele e o da blusa separava o contato direto porém ela sentiu o local ligeiramente mais quente que o resto do corpo. Outro movimento aconteceu dentro de si e ela sem perceber sorriu fraco.

“Eu também estou aqui por você bebê.”

Notas finais
Lembrem-se, comentem, façam sugestões, críticas, digam o que pode melhorar, o que está bom, o que esperam, isso me faz muito feliz e me mostra que vocês estão realmente gostando (ou não ne? HUASHUA) do que eu escrevo!
Não sejam tímidos. :)