Para Sempre
22 Epílogo.
Notas iniciais
Outra vez, quando eu colocar (*) por favor coloquem play nesse vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=ZVWouQsTBX4&feature=g-vrec
Dedicado à todas vocês que acompanharam Para Sempre. >.
“Olha quem veio ver a mamãe!” A voz de Demetria era empolgada enquanto empurrava o carrinho de bebê até a beirada da toalha bem estendida no gramado bem cuidado.
“Meus amores!” A latina levantou sorrindo. “Como estão minhas meninas lindas?” Agachou na frente do carrinho duplo estendendo a mão para uma das gêmeas.
Beatrice e Cecília eram gêmeas idênticas. Os olhos castanhos haviam puxado à Selena, assim como a boca pequena e os cabelos escuros e cacheados. O nariz levemente arrebitado era a única característica que haviam herdado do pai, um doador anônimo.
“Mamá!” Cecília levantou os braços para Lena, esperando que a mãe a pegasse no colo. A mais velha retirou o cinto da criança puxando ela para si.
“Onde está o Hector?”
“Maria está terminando de trocá-lo e assim que terminar vai descer. As meninas estavam agoniadas para sair logo daquele quarto então resolvi trazê-las. Ceci não parava de chamar por você.”
“Foi mesmo, minha pequeña?” A garotinha balançou a cabeça e colocou o dedo na boca sorrindo travessa. “Já estava com saudade da mamãe? Ou está atrás só do bolo?”
“Bolo!” A menina deu um pulo em seu colo, gritando empolgada e rindo sapeca.
“Nem um pouco de saudade da mamãe?” Cecília negou ainda risonha. “Mas que absurdo! Minha filha quer mais bolo do que me quer! Mas ela vai pagar, quer ver?” Atacou a barriga da menina com os dedos numa sessão de cócegas a fazendo soltar altas gargalhadas e se contorcer tentando fugir de sua tortura. “O que quer, Ceci? Bolo ou a mamá?”
“Bolo!” A garota respondeu rindo e brincando com a ela.
Selena a deitou na toalha atacando sua barriga outra vez, dessa vez com as duas mãos. A menina contorcia-se agitando os braços querendo afastar a mulher, as gargalhadas altas haviam contagiado todas. “Paia, paia mamá!”
“Estava atrás de mim ou do bolo?”
“Cê!” A menina estendeu os braços esperando o colo que Selena logo deu, depositando um beijo rápido na bochecha gordinha da garota. “Essa é a minha menina! E você Bê, por que tão quietinha, filha?”
A outra gêmea agora estava sentada na outra ponta da toalha, no colo da loira e coçava os olhinhos enquanto a boca estava franzida num bico fofo. A mãe afagava seus cabelos sorrindo para sua preguiça.
“Sono.” Apertou a boneca de pano loirinha que trazia num dos braços mais de encontro a si, escondendo o rosto nos seios de Demi. Ela não era uma garota da manhã.
“Mamá, Hec!” Cecília apontou com o dedinho para o irmão que vinha correndo na direção delas sendo seguido por Maria, a babá dos três. O menino já vestia o calção de banho e trazia nas mãos um baldinho de areia, o boné inseparável do herói dos quadrinhos já pousava em sua cabeça.
“Mãe! Mãe! Mãe!” Hector parou na beirada da toalha tirando as chinelas e ficando sobre os joelhos enquanto dava pulos no lugar. “Maria falou que eu posso ir para o mar, posso mamãe? Posso?”
Os olhos escuros do menino brilhavam de empolgação, o sorriso que trazia fazia o furinho de seu queixo sobressair ainda mais. Era um menino forte, esperto, curioso, bem educado e tinha o tamanho normal para uma criança de cinco anos. O cabelo castanho crescia espetado apontando várias direções.
“Vamos todos juntos Hector, primeiro vamos tomar o café da manhã que a mamãe preparou e depois pensamos na praia, está bem?” O menino assentiu.
Sobre a toalha grande e quadriculada havia uma infinidade de comida. Pães, bolos, tortas, biscoitos, salgados, sucos e geleias, que Lena havia pedido para o chef do resort preparar para eles. Queria comemorar o primeiro dia das férias juntos e pensou que não havia maneira melhor para isso que um piquenique. A árvore frondosa oferecia-lhes a sombra perfeita e a brisa salgada lhes beijava a face vez ou outra.
E naquela manhã durante aqueles minutos a família desfrutou dos momentos juntos sem pensar em mais nada. Sujaram-se, brincaram e riram com a família feliz e unida que eram, juntos acima de tudo pelo amor, respeito e carinho.
Algum tempo depois, Beatrice dormia em seu carrinho agarrada à sua boneca, a chupeta rosa em sua boca era sugada vez ou outra, Cecília agarrava-se a Selena (que estava sentada com as costas apoiadas na árvore) enquanto também tirava seu cochilo, Demi sentava ao lado delas, a cabeça levemente apoiada nos ombros da esposa e Hector terminava de comer um pedaço de bolo sob a supervisão de Maria.
“Mamá, mãe, posso ir para o mar agora?” O garotinho tombou a cabeça para o lado em curiosidade enquanto olhava as mães com olhos pidões.
“Acabou de comer, cariño, não quer esperar mais um pouco? Vai passar mal se for agora... Além disso, suas irmãs estão dormindo, não podemos ir para lá.”
“Ele está louco para brincar na areia desde que falaram sobre a praia posso olhá-lo enquanto as meninas não acordam e depois entram todos juntos, é o tempo que ele precisa para fazer a digestão.” Maria tinha a mesma idade das duas mulheres, no rosto, os típicos traços mexicanos. Seu cabelo negro era longo e liso, sua pele bronzeada. Havia sido contratada quando as gêmeas chegaram quase um ano e meio antes para que pudesse ajuda-las com o Hector e já fazia parte da família.
“Faça isso, por favor. Quando as meninas acordarem vamos todas para lá.” Demi virou para o filho. “Vem cá grandão!” Hec se aproximou da mãe. “Fica brincando com a Maria que daqui a pouco vamos para lá e entraremos no mar todos juntos ok?” O menino assentiu. “Agora me dê um beijo antes de ir.”
O garoto deu um beijo estalado na bochecha das mães e saiu feliz de mãos dadas com a babá, seu baldinho vinha na outra mão e ele não parava de falar sobre os animais marinhos que conhecia pela escola. Maria apenas ria comentando vez ou outra alguma informação que achava curiosa sobre o mar e a praia.
Demi e Selena permaneceram sentadas em silêncio por algum tempo olhando para o vasto jardim que se estendia à sua frente. Vez ou outra a mais nova depositava um beijo carinhoso no pescoço desnudo da esposa que se arrepiava com o toque sutil.
“Cariño?” Lena falou após algum tempo.
“Sim?”
“Eu te amo.”
Demetria olhou aqueles olhos e sorriu, beijou o canto da boca carnuda.
“Te quiero.”
(...)
“Naturalmente Wendy acabou deixando que eles partissem. Na última vez que a vimos, ela estava apoiada na janela, olhando para as duas crianças que se afastavam no céu até ficarem tão pequeninas quanto as estrelas. Olhando-a bem, você pode reparar que o cabelo dela está ficando branco e que seu corpo diminuiu de tamanho, pois tudo isso aconteceu há muito tempo. Jane é agora uma adulta comum e tem uma filha chamada Margaret. E na primavera Peter vai buscar Margaret para a faxina anual, a não ser quando se esquece e a leva para a Terra do Nunca, onde escuta com todo o interesse as histórias sobre ele mesmo que a menina lhe conta. Quando crescer, Margaret terá uma filha, que por sua vez será a nova mãe de Peter. E assim por diante, pois todas crianças crescem menos uma.”
Selena fechou o livro olhando as crianças que a rodeavam na cama. Apenas Cecília dormia, Hector a olhava com atenção e Beatrice estava sonolenta, porém desperta. Já passava das nove da noite, havia sido um dia cheio e cansativo.
“Mamá, eu posso ser um menino perdido?” Os olhos curiosos do filho quase a fizeram rir, a inocência estampada no rosto admirado. Ela passou a mão por seus cabelos os bagunçando de leve.
“Quer ser um menino perdido e viver na floresta?”
O menino olhou para ela confuso como se pensasse sobre o assunto. “E se eu quiser só passar um tempo com os meninos perdidos, o Peter vem me buscar?”
“Se pedir ele vem, mas na Terra do Nunca vai ter outra mamãe. E se você for para lá, eu e sua mãe iremos morrer de saudades.”
Hector riu dela. “Não vou deixar vocês, mamá! Eu volto.” O garoto sorriu orgulhoso de si e Lena o acompanhou, havia crescido tanto e tão rápido! Estava cada dia mais mocinho.
“Se você promete voltar eu te deixo ir.”
“Mas só se voltar, rapazinho!”
Demetria entrou no quarto já pronta para a noite: uma bata vermelha, short jeans, os cabelos loiros soltos e cacheados, uma rasteira nos pés e maquiagem leve no rosto. Sentou-se na ponta da cama fazendo carinho no filho mais velho.
“Eu volto mamãe, eu amo vocês.”
“E nós amamos você, meu filho.” Demi beijou a testa do menino com carinho e doçura.
“Mamá?” A voz fina e doce de Beatrice chegou aos ouvidos de Selena que virou a atenção para ela. “Bezo? Amo!” A garotinha ofereceu a bochecha para a mãe beijar.
“Eu também te amo, princesinha.”
“Filho.” A mais nova chamou a atenção de Hector. “Eu e sua mãe vamos sair agora, não vamos demorar, mas comporte-se! Cuida das suas irmãs... Falei para Maria te deixar ver um pouquinho de desenho se estiver sem sono, mas é para dormir cedo porque amanhã vamos passar outro dia na praia, combinados?”
Hec maneou a cabeça confirmando que entendera. “Boa noite, meu amor.”
As duas mulheres deram um beijo de boa noite em cada filho, cobrindo cada um logo em seguida. Saíram do quarto deixando a porta aberta e encontraram Maria lendo na sala ente um quarto e outro.
“Maria, não devemos demorar, obrigada por cuidar das crianças essa noite.”
A mulher sorriu sincera. “Não precisa agradecer, Selena.”
“Amanhã vai ter a noite livre para aproveitar melhor o resort, qualquer coisa nos ligue, está bem?” A loira falou preocupada enquanto pegava a bolsa pequena. A babá confirmou.
“Até mais tarde!”
Lena colocou a mão na base da coluna da esposa a conduzindo para fora do aposento. Vestia um vestido branco soltinho e sandálias sem salto. Os cabelos batiam pouco abaixo dos ombros e sua maquiagem se resumia à rímel e batom.
“Pronta para nossa noite, cariño?”
Demetria riu. “Claro! Agora somos só eu e você.”
E as duas seguiram de mãos dadas para fora do prédio.
(...)
A brisa fresca balançava os cabelos soltos das duas mulheres sentadas na areia. Elas encaravam o mar e suas ondas tranquilas, a lua cheia do céu refletia seu brilho nas águas calmas. As estrelas pareciam muito mais brilhantes agora que não havia tantas luzes para ofuscá-las.
“Feliz, minha senhora?” A mais velha deu um beijo nos cabelos aloirados da outra a puxando para um abraço mais apertado. Demi olhou para ela sorrindo e a resposta estava ali, nos lábios, nos olhos.
“O que acha, minha senhora?” O tom divertido ao repetir as palavras da esposa. Lena sorriu, passando seu nariz pelo da mais nova, acariciando a face delicada com a ponta dos dedos.
"Acho que está porque sabe que não poderia ter casado com pessoa mais linda, sexy, carinhosa e romântica, do que eu." A voz brincalhona veio acompanhada de uma careta de falso deboche.
“E nem mais modesta!” As duas compartilharam uma risada antes de Demetria dar um beijo na bochecha da mulher que sorriu com o gesto.
“Boa noite, meu nome é Trevor Conor.” Elas ouviram ao longe. “E vou cantar para vocês esta noite. Espero que gostem e divirtam-se!” (*) Dedilhados de violão chegaram aos ouvidos das duas e a latina sorriu ao reconhecer a música.
Selena se pôs de pé. “Me concede essa dança?” Lançou à Demi um sorriso terno e estendeu a mão esperando que ela a aceitasse. A baixinha levantou logo depois, aproximando-se da esposa. Lena passou um dos braços pela cintura da mais nova, levantando a mão que Demetria segurava.
“Ela une todas as coisas, como eu poderia explicar? Um doce mistério de rio com a transparência de um mar.” A latina sussurrou no ouvido de Demi que suspirou. Conduziu o ritmo lento e leve dos pequenos passos que davam na areia branca.
“Ela está em todas as coisas, até no vazio que me dá quando vejo a tarde cair e ela não está.” A mais nova abaixou os olhos e apoiou a testa nos ombros da outra, sorrindo enquanto ouvia a voz suave da esposa cantando só para ela. “Ela só precisa existir para me completar.” Deu um beijo no topo da cabeça loira.
O balançar suave dos corpos quase acompanhava o ritmo das ondas que quebravam tranquilas, os corações batiam em uníssono parecendo um, as respirações controladas se misturavam e o sentimento também era o mesmo, preenchia as duas de modo igual as tornando completas.
“Ela une as quatro estações, une dois caminhos num só.” A cantoria continuou baixa ao pé do ouvido. “Sempre que eu me vejo perdido, une amigos ao meu redor.”
Pequenas lágrimas rolaram o rosto da mais nova enquanto o sorriso predominava sua feição, a felicidade tão perfeitamente estampada no rosto de boneca. O calor dos braços era confortável, a voz sussurrada lhe parecia a mais perfeita melodia, os afagos que recebia o melhor carinho do mundo.
“Talvez ela saiba de cór, tudo que eu preciso sentir.”
“Pedra preciosa de olhar, ela só precisa existir, para me completar.” Demi cantarolou junto com Selena a fazendo sorrir.
Demetria levantou a cabeça encarando os olhos castanhos da esposa e percebeu que ali havia tudo que precisava. Eles lhe devolviam o olhar com amor, paixão, respeito. Eles brilhavam porque ela estava ali em frente. Sentiu o corpo tremer com a intensidade de tudo que viu, recebeu um beijo delicado na ponta do nariz.
“Une meu viver, com o seu viver, você só precisa existir para me completar!” Selena piscou o olho para a mulher ganhando uma risada.
A música foi terminando e com isso as duas se moveram mais lentamente até o momento que pararam e ficaram se encarando. Castanho contra castanho e um turbilhão de sentimentos. Todas as memórias e as lembranças lhes passando à mente trazendo certezas que agora pareciam mais fortes do que nunca.
E a verdade é que havia valido a pena cada instante, cada problema e cada solução. Estarem ali juntas era prova daquilo, prova de que o amor era forte, mais forte que tudo! O amor sobrevivia se houvesse luta, se houvesse desejo.
O amor era como uma explosão, mas era também um despertar tranquilo. Era como uma rosa que necessitava cuidados para não morrer. O amor era as pequenas coisas que abriam sorrisos e o estender das mãos num momento de queda. Era o doar-se para o outro, entregar-se e receber de volta uma outra metade, não por pressão ou cobrança mas porque assim as duas peças ficariam completas. O amor era aquele momento, era a brisa fresca, era o mar escuro, era a lua brilhante no céu, era a areia fina sob seus pés, o toque das peles, a troca de olhares, era o entendimento sem as palavras e os sorrisos que não se acabariam nunca. O amor acima de tudo era a certeza da escolha certa.
“Eu te amo, Selena.” As pontas dos dedos escorregaram pelo rosto bonito.
“Para sempre.”
Notas finais
Um agradecimento especial à todas aquelas pessoas que me incentivaram a continuar escrevendo e àquelas que me inspiraram a escrever!
Até a próxima!
@Breech_
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