Para Recordar
3 Capítulo 03: Para Recordar
Notas iniciais
Capítulo 03: Para recordar
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1 ano depois
Já havia se passado um ano desde que Kurosaki Rukia havia falecido. Ele não esquecera do que ela tinha pedido.
“Não desista Ichi... Viva, por mim. Por nós.”
Mesmo que essas palavras tivesse ficado gravadas em sua mente, era quase impossível cumprir. Estava sendo os piores momentos da sua vida e realmente não sabia mais o que fazer.
Um ano tinha se passado e praticamente nada havia mudado. Acordava exausto — isso era quando dormia —, não tinha vontade de comer, de tomar banho, de viver. Seus amigos diziam para ele sair “daquela”, já tinha se passado tanto tempo e ele não fazia nada, não saia e nem ao menos tentava procurar outra pessoa para livrá-lo daquela dor que estava acabando com ele e cada dia que passava ficava pior — e era verdade.
Mesmo eles dizendo tudo isso, simplesmente não adiantava. Para ele, ela seria dona do seu coração para sempre e seria a única mulher que viveria dentro dele.
Foi na direção do quarto e assim que chegou na porta, parou.
Observou-o com dor nos olhos amendoados, fechou os olhos e prendeu a respiração. No ato, várias imagens vieram a sua mente. Imagens dela. Abriu os olhos e soltou a respiração.
Andou até o guarda-roupa e abriu as portas devagar, as roupas dela ainda estavam lá. Parecia doentio, mas era uma maneira de tê-la mais perto, de nunca esquecê-la... Por incrível que pareça, o cheiro dela continuava nas roupas. Ele agarrou uma das peças e inspirou o cheiro mais uma vez naquele dia, sorriu. Ficou alguns minutos naquela contemplação, e em seguida dobrou a peça e colocou onde estava, andou devagar até a cama e deitou, afim de tentar dormir — ato que havia noites que não conseguia fazer.
Fechou os olhos e colocou os braços debaixo da cabeça. Rolou na cama algumas vezes tentando achar um posição confortável para dormir, depois de longos minutos acabou adormecendo.
"Fui para a cama e eu estava pensando em você
Não é a mesma desde que estou vivendo sem você"
—Ei! O que você está fazendo? — A mulher de baixa estatura correu na direção do homem alto que estava prestes a se jogar da ponte. — Pare aí mesmo! — ordenou.
O homem virou-se para ela mostrando a face bronzeada preenchida por lágrimas e dor. Muita dor. As feições masculinas transformadas em uma máscara de solidão, sofrimento e angustia.
— Se você se aproximar mais, eu vou me jogar! — o rapaz ruivo gritou e a mulher parou imediatamente. — Não chegue perto!
E de algum modo a mulher não importou-se com as ameaças dele e começou a ir na direção dele novamente mais devagar.
— Você irá se jogar de qualquer jeito. — Correu na direção dele rapidamente, acabando com a distância restante entre eles.
As pessoas começaram a se juntar para ver a cena que estava se passando ali e ficaram paradas no lugar sem nada a fazer, apenas observando o rapaz ruivo e a mulher morena.
— Não faça isso. Sua vida é tão ruim assim para que você tenha que desistir? — Rukia segurou levemente o braço de Ichigo que a olhava sem entender.
Por que uma estanha estaria preocupada se ele se jogaria ou não?
— Por que está fazendo isso? Nem me conhece e age como se eu fosse importante! Me larga! — puxou o braço das mãos pequenas da morena que o seguravam. Mas não fora o suficiente, ela continuou a segurá-lo.
— Não — ela sussurrou de cabeça baixa. — Não vou soltar! — murmurou novamente e levantou o rosto para Ichigo, seu rosto estava banhado de lágrimas que saiam involuntariamente. — Já vi várias vidas se perdendo na minha frente e não pude fazer nada mais do que observar. Dessa vez vai ser diferente, eu não deixarei mais ninguém ter que morrer na minha frente! — gritou apertando o braço dele o mais forte que o conseguia. Estava tremendo. — Quer se jogar? Vá em frente! Mas eu vou junto com você!
Ele a olhou por instantes. Não conseguia compreender o motivo dela estar fazendo aquilo. E daí que ela tinha visto outras pessoas morrendo na frente dela? Ao menos deveria ser pessoas com que ela tinha algum tipo de ligação, ele era apenas um estranho que queria acabar com a vida de merda que possuía.
"Todas as memórias estão ficando mais frias"
— Por que está fazendo isso, mulher? — perguntou aflito, as lágrimas descendo pelo rosto bonito — Deixe-me morrer. Quero acabar com essa dor no meu peito — disse apertando o peito com a outra mão, olhou-a quando viu um resmungo baixo.
Por um momento, viu os olhos dela carregados de dor, assim como os dele, mas fora apenas por um segundo.
— É assim que você acha que as coisas irão se resolver? Não seja tolo, seu idiota!— gritou em plenos pulmões, querendo que ele desistisse logo daquela ideia doida de se matar. — Não é assim que as coisas irão se resolver! Deixe-me ajudá-lo... A curar essa dor que te corrói!
E a morena o abraçou com tanta força que ele não conseguiu fazer mais nada além de passar os braços em volta do corpo miúdo e corresponder. Ela era uma estranha, mas ainda assim... Ainda assim... Aqueles olhos passavam tantas coisas, tanta força, e ele se sentiu hipnotizado.
— Não precisa ser assim. Me deixa te ajudar! — murmurou.
E naquele momento, Kurosaki Ichigo viu que não tinha nenhuma escolha além de ceder e deixar-se guiar por aquele anjo de olhos azuis. Onde futuramente se apaixonaria perdidamente por aquela quem o salvou daquela trágica escolha que havia feito.
I&R
Era inverno. O inverno mais frio em dez anos. As pessoas ficavam acolhidas em suas casas, no quentinho, aproveitavam para tomar um bom chocolate quente, acender as lareiras e sentar pertinho para se esquentar, conversavam até tarde tomando uma boa sopa.
Além disso, pela manhã saiam de suas casas praticamente empacotados e iam brincar com a neve, faziam anjos de neve e erguiam imensos bonecos para logo depois derrubá-lo. Era bem divertido.
E claro, não poderia esquecer dos casais... Era uma ótima estação para um esquentar ao outro e saírem coladinhos no meio da rua, dormirem juntinhos se aquecendo. Não muito longe dali, duas pessoas estavam sentadas nos bancos de uma lanchonete qualquer, tomando um bom copo de café.
— Você toma mais café que uma pessoa normal, Rukia. Tem que parar com isso ou vai acabar morrendo! — o ruivo comentou bebericando o seu capuccino. — Viciada.
Ela soltou uma pequena risada antes de responder:
— Olha só quem fala! Eu não reclamo do seu vício por chocolate, ou por comidas apimentadas, ou pelo seu amor excessivo pelas obras de Shakespeare — soltou isso com divertimento fazendo Ichigo desviar o olhar do dela e sorrir encabulado. — Oh, ficou envergonhado? Que bonitinho!
Ele revirou os olhos para ela.
— Às vezes você me trata como uma criança, Rukia. Sério... Eu tenho vinte e cinco anos e você faz parecer que eu tenho sete anos de idade — disse, fitando-a sem deixar de sorrir.
— Oras, Ichigo, você não parece nada com um garoto de sete anos. Nadinha mesmo — falou dando um sorriso malicioso e dando uma piscadela para o ruivo fazendo-o rir. — Sei disso melhor que ninguém. Mesmo quando você toma atitudes infantis, não chega a ter sete anos... Talvez dez ou nove.
— Boba. — Aproximou a cadeira da dela e passou os braços fortes em volta dos ombros pequenos da morena puxando-a para mais perto. Cheirou o pescoço alvo causando deliciosos arrepios para em seguida dar um beijo estalado em sua bochecha. — Você não está muito longe de mim não! — acrescentou e ela apenas mostrou a língua para ele em um ato infantil. — Viu?
Os dois sorriram.
— Eu amo você, Ichigo — sussurrou ao roçar os lábios no dele para em seguida beijá-lo, mostrando todo o amor que sentia por ele. Quando parou de beijá-lo, sorriu e disse: — Hum... Capuccino!
Ichigo acompanhou seu sorriso.
— Eu também amo você, Rukia... Não sei o que seria minha vida sem você — murmurou enquanto acariciava os cabelos curtos da namorada fazendo-a sorrir. Um dos sorrisos mais bonitos que ele havia visto na vida. — Você me salvou daquele tormento em que eu vivia.
— Você também me salvou, Ichigo. Aliás, nos salvamos, certo?
Passou uma das mãos pelo rosto de Ichigo o que o fez fechar os olhos deliciando-se com aquele toque gentil que sempre vinha dela.
— Certo.Faz tanto tempo, nem parece que aconteceu. Mas que bom que fiz aquilo, senão jamais te conheceria. Isso de fato, seria um problema. Já pensou, outra pessoa com minha Rukia? Aliás, nem pense nisso! — resmungou franzindo o cenho.
— De fato — sorriu novamente e aproximou-se dele. Deu uma mordida de leve no lóbulo da orelha do ruivo, sem se importar com as pessoas que o observavam. Sussurou devagar e sedutoramente no ouvido dele o deixando arrepiado: — Vamos para casa, tenho um presente para você.
—Hum... Presente? — perguntou no meio de um sussurro com um sorriso travesso nos lábios. — Que tipo de presente?
Ela levantou-se saindo de perto dele.
— Você saberá quando chegarmos lá. Pague a conta e vamos. — Andou na direção da porta e ele a observou, os quadris movimentando-se, de um lado para o outro, seduzindo-o.
"Todas as coisas que eu quero repetir"
Naquele dia, fizeram amor até cansar. Esse era o tipo de coisa, que ele jamais esqueceria. Não era apenas sexo, era amor, companheirismo, paixão e desejo. Tudo misturado. E ele jamais parara de se sentir assim a respeito dela. Era tudo que ele tinha, tudo que ele queria ter.
I&R
"Fui para a cama e eu estava pensando em você
Eu quero falar e rir como costumávamos"
Manhã de domingo, dia ensolarado, crianças correndo em volta da piscina enquanto seus pais o mandavam parar antes que estabacassem a cara no chão, mulheres tomando sol, homens tomando chop e ouvindo aquelas músicas reliquias.
Naquele dia, Rukia e Ichigo resolveram ir no clube para tomar um bom e longe banho de piscina. Fazia muito calor, então isso era sinônimo de clube totalmente lotado. Coisa que Ichigo odiava. Mas como fora que Rukia pedira... Não tinha como discutir. Estavam mais afastados das pessoas, em um local mais silencioso e discreto. Ichigo havia montado a “barraca” e colocou o guarda-sol para que a morena se estendesse no chão para “tomar um banho de sol”.
“As vezes tem que dar uma bronzeada, não acha Ichigo?”
Fora o que ela dissera. Mas é claro que não o convenceu muito. O Kurosaki havia dito que preferia ela branquinha daquele jeito. Mas também não a convencera.
— Ichigo, passe protetor solar nas minhas costas? — pediu com carinho enquanto estendia a toalha no chão e tirava o vestido que usava revelando as curvas sinuosas e o biquini preto com argolas entrando em perfeito contraste com sua pele alva.
Ichigo apenas deu um aceno positivo com a cabeça. Pegou o protetor solar na bolsa enorme que Rukia havia trago, passou o creme nas mãos e em seguida pôs-se a passar o protetor nas costas de Rukia, aproveitando para tirar uma casquinha de vez em quando.
— Hum... Se você continuar fazer essa massagem gostosa, vou dormir, Ichigo! — falou rindo.
— Dormir, é? Então vou parar, não viemos ao clube pra senhorita soneca dormir, não é mesmo? — Parou de massagear as costas de Rukia e deitou-se ao lado dela tomando praticamente todo o espaço da toalha fazendo Rukia soltar um resmungo. — O que foi?
— Ichigo, você está tomando o espaço da toalha todo! Onde eu vou me deitar?
— Deita em cima de mim — respondeu como se fosse a coisa mais simples do mundo.Vendo que ela não tinha dito nada, olhou-a. — O que foi?
— Você é mais idiota do que eu imaginava. O que você acha que as pessoas irão pensar? Nós seremos expulsos do clube! As pessoas irão achar que somos uns pervertidos — tentou explicar. Ele apenas arqueeou uma das sobrancelhas sem parar de encará-la. — Tá eu sei! Somos uns pervertidos mesmo, mas as pessoas não precisam saber disso — continuou, ficando rubra de constrangimento. — Dá pra você pegar sua própria toalha?
— Deixe de frescura e deite logo ai! — falou, ignorando-a.
Rukia apenas soltou um longo suspiro e fez como ele disse.
"Quando eu vejo você em meus sonhos à noite
É tão real, mas isso está na minha mente"
Dito e feito. Assim como Rukia havia dito, eles foram expulsos do clube. Mas não foi apenas porque Rukia deitara em cima dele. Depois disso, Ichigo começou a alisá-la, quando viram já estavam se beijando, depois disso já estavam se agarrando e depois... Pois é.
Mas fora divertido e muito engraçado. Apesar de Rukia dizer que nunca passou por nada mais constrangedor em toda vida dela, sabia que no fundo no fundo, acabou com uma fantasia que ela possuía. E foi bom, muito bom. E era esse tipo de lembrança que ele jamais esqueceria.
I&R
— Vamos, Ichigo. Você não veio para ficar parado aí — Rukia falou, há poucos metros de distância do rapaz.
— Eu sei, mas... — hesitou. Um olhar triste estampado em sua face.
— Ficará tudo bem, amor. Você teria que vir algum dia — argumentou, olhando-o profundamente nos olhos. — Você precisa visitar o túmulo dos seus pais, da sua família. Eles estão esperando.
— Certo — Ichigo concordou apesar de ainda se sentir inseguro quanto à ideia.
Andaram alguns metros, passando entre outros túmulos no cemitério de Karakura. Tudo parecia triste demais, mesmo com o sol brilhante no topo do céu e a suave brisa correndo entre as árvores, aquele lugar era triste demais. Ichigo se lembrou da solidão que sentiu quando sua família morreu em um acidente de carro que ele se recusou a ir, por pura preguiça.
Sentiu um aperto forte na mão e olhou para Rukia que sorria. Era como se a pequena pudesse ler seus pensamentos. Quando a tristeza ameaçava derrubá-lo, Rukia simplesmente estava lá. Ela sempre estava lá para o levantar e para o apoiar, não importando a situação.
“E agora, eu acho
Isto é tão bom quanto fica.”
Quando se deu conta, já estava de pé em frente ao túmulo dos pais e de suas irmãs. Era a primeira vez que ele ia ali desde que morreram. Foi por esse motivo que tentou se matar. Não tinha mais nada. Não tinha mais ninguém. Não tinha uma razão para continuar vivendo.
E Rukia dera tudo isso a ele.
— Eu vou deixar você...
— Não — ele a interrompeu suavemente. — Fique aqui comigo. Eu quero apresentar minha noiva para minha família.
Rukia era tudo em sua vida. Ela fez com que toda a chuva se esvaísse, que o preto e branco de sua vida triste e medíocre fosse colorido. E lhe dera uma razão para viver. Para continuar tentando.
— Mãe, pai. Essa é a Rukia. Ela é minha noiva! Iremos nos casar em breve — começou com um tom suave, sentindo-se confiante para continuar: — Apesar de ela ser irritante e baixinha, ela me faz feliz e...
“Não me acorde, porque eu não quero deixar esse sonho.
Não me acorde,
Porque eu nunca pareço dormir o suficiente.
Quando é você que eu estou sonhando.
Eu não quero acordar.”
Ichigo se lembrava de tudo. De todas as memórias. Ele seria incapaz de deixar tudo para trás.
I&R
Ichigo acordou arfando e suado. Não demorou muito para perceber que estava chorando, mais uma vez. Um ato que havia se tornado frequente desde a morte de Rukia. Sentia-se longe, distante, como se uma força o puxasse para fora de si, o chamando, o convidando.
Não saberia dizer o que era. Mais era extremamente convidativo.
Aquilo tiraria sua dor, certo?
Já tinha se dado conta que era impossível cumprir o desejo de Rukia. Ele jamais poderia ser feliz sem ela em sua vida. E qual seria o sentido de viver sem estar verdadeiramente feliz? Tudo aquilo que ele mais amava, já tinha se ido, não estava mais ali.
Por que ele era o único que restava? Por que não o levavam embora também? Por que a vida estava sendo tão injusta com ele?
Eram perguntas que não saberia responder nem em mil anos.
Ichigo aguentara por todo um ano, 365 dias, era demais. Não havia um dia em que ele não tenha pensado em Rukia. O ruivo tentou de todas as formas continuar vivendo, só que não conseguia mais, não tinha nada que o fizesse querer seguir em frente. A dor jazia insuportável em seu peito.
Era torturado todas as noites que conseguia dormir, com as lembranças de Rukia. Era delicioso lembrar, ele amava lembrar da pessoa que mais amou, mas também era extremamente doloroso. Porque Rukia estava morta. Morta, mas continuava vivendo dentro dele.
— Eu não quero mais viver.
E uma dor ainda maior o abalou, uma dor física tão forte que o fez gritar. Levou a mão ao local e apertou com força. Um sorriso brotando em seus lábios ressecados, um brilho tomando conta dos seus olhos coberto por lágrimas de solidão e dor.
“Não me acorde. Nós estamos juntos.
Apenas você e eu.
Não me acorde.
Porque nós estamos felizes como nós costumávamos ser.
Eu sei que eu tenho que deixar você ir,
Mas não me acorde.”
Ichigo estava morrendo.
Não.
Na verdade, esteve morto por muito tempo. Sua alma tinha morrido e apenas seu corpo tinha permanecido. E agora, ele poderia descansar, ele poderia ir para o lugar onde sua família e Rukia estavam. Ichigo poderia ser feliz em qualquer lugar que fosse, desde que estivesse com as pessoas que amava.
“Não quero olhar porque eu sei como termina.
Todas as palavras que eu disse que eu não diria,
Todas as promessas que eu fiz que eu não iria quebrar,
É a última chamada, última música, última dança.
Porque eu não posso ter você de volta, não posso ter uma segunda chance.”
E então, seu coração parou de bater.
Tudo ficaria bem a partir de agora. Ele iria para o lugar onde sua Rukia estava, porque de tudo que ele tinha vivido e de todas as coisas que ele gostaria de recordar, Rukia era sua lembrança mais preciosa.
E isso não morreria com ele.
Porque ele havia prometido que seria para sempre, a amaria para sempre e se recordaria de tal fato pela eternidade, sem jamais esquecer.
“Não é muito, mas é tudo que eu tenho.
Nada a fazer senão continuar dormindo mais.
Não quero parar porque eu quero você de volta.”
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