- O Maria! Sua comida deve estar muito ruim!

Olha o meu amigo está até chorando de tristeza

desse bife, será que é sola de sapato...?

Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca

comeu comida tão apetitosa, e que agradecia

a Deus por ter esse prazer.

Amaro pede então que ele sossegue seu coração,

que almoçasse em paz e depois

conversariam sobre trabalho.

Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e

começa a almoçar, já que sua fome já estava

nas costas.

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma

conversa nos fundos da Padaria, onde havia

um pequeno escritório.

Agenor conta então que há mais de 2 anos havia

perdido o emprego e desde então,

sem uma especialidade profissional,

sem estudos, ele estava vivendo de pequenos

"biscates aqui e acolá", mas que há 2 meses

não recebia nada.

Amaro resolve então contratar Agenor para

serviços gerais na Padaria, e penalizado,

faz para o homem uma cesta básica com

alimentos para pelo menos 15 dias.

Agenor com lágrimas nos olhos agradece

a confiança daquele homem e marca para o dia

seguinte seu início no trabalho.

Ao chegar em casa com toda aquela "fartura",

Agenor é um novo homem sentia esperanças,

sentia que sua vida iria tomar novo impulso.

Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta,

era toda uma esperança de dias melhores.

No dia seguinte, às 5 da manhã,

Agenor estava na porta da Padaria ansioso

para iniciar seu novo trabalho.

Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele

homem que nem ele sabia porque estava ajudando.

Tinham a mesma idade, 32 anos,

e histórias diferentes,

mas algo dentro dele chamava-o para

ajudar aquela pessoa.

E, ele não se enganou durante um ano,

Agenor foi o mais dedicado trabalhador

daquele estabelecimento, sempre honesto

e extremamente zeloso com seus deveres.

Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa

e fala da escola que abriu vagas para

a alfabetização de adultos um quarteirão

acima da Padaria, e que ele fazia questão

que Agenor fosse estudar.

Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula:

a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção

da primeira carta...

Doze anos se passam desde aquele

primeiro dia de aula.

Vamos encontrar o Dr.Agenor Baptista de Medeiros,

advogado, abrindo seu escritório para seu cliente,

e depois outro, e depois mais outro.

Ao meio dia ele desce para um café na Padaria do

amigo Amaro, que fica impressionado em ver o

"antigo funcionário" tão elegante em seu primeiro terno.

Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista,

já com uma clientela que mistura os mais necessitados

que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam

muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece

aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas

desempregadas e carentes de todos os tipos,

um prato de comida diariamente na hora do almoço.

Mais de 200 refeições são servidas diariamente

naquele lugar que é administrado pelo seu filho,

o agora nutricionista Ricardo Baptista.

Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois

homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que

conheciam um pouco da história de cada um, contam

que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia,

quase que a mesma hora, morrendo placidamente

com um sorriso de dever cumprido.

Ricardinho, o filho mandou gravar na frente da

"Casa do Caminho", que seu pai fundou com

tanto carinho:

"Um dia eu tive fome, e você me alimentou.

Um dia eu estava sem esperanças e você me deu

um caminho.

Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus,

e isso não tem preço.

Que Deus habite em seu coração e alimente

sua alma...

E, que te sobre o pão da misericórdia para

estender a quem precisar."

Notas finais
Fiim.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.