Para Me Entender, Fique em Meu Lugar
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Espero que gostem!
Tenham uma ótima leitura!
— Mas o que vocês estão fazendo aqui? – Me virei assim que escutei o barulho do elevador.
— Fugindo – Ziva me respondeu.
Olhei para os outros dois que acompanhavam a minha amiga. McGee tinha uma bolsa de água quente na cabeça e Tony encarava um caderninho de notas.
— Posso saber de quem? – Tive que perguntar, já que nenhum dos três tinha a intenção de complementar a resposta prévia.
— De quem mais, Abby? – Tony soltou. – Gibbs e a Diretora. Os dois estão terríveis hoje.
Não gostei de saber isso. Começar a semana com os dois se bicando não era boa coisa... Particularmente eu não gostava de ver Papai e Mamãe brigando tanto. Sim, de vez em quando era legal ver os dois discutindo, provocando um ao outro. Dava uma sensação de que algo mais sairia dali, porém, as coisas já estavam passando de todos os limites. E a única explicação possível era uma.
Ciúmes.
Gibbs tinha arranjando uma namorada. Nossa “madrasta” era a Coronel do Exército Hollis Mann. Jenny, não querendo ficar para trás, ou só para mostrar que também podia sair com quem bem entendesse, começou a namorar o Capitão Todd Gelfand, o médico que cuidou de Gibbs quando ele explodiu.
E desde que um ficou sabendo do affair do outro, as coisas andam tensas. Gibbs vive passeando com a Coronel pelo prédio, e a Diretora não esconde as flores que recebe e, também não disfarça os telefonemas. Aí, quando os dois ficam sozinhos – algo que acontece com muita frequência – as brigas começam. E sempre terminam com uma piada sobre o atual companheiro do outro.
Como eu disse, ciúmes.
O prédio, que antes apostava quando alguém veria o Líder da MCRT e a Diretora se pegando em algum canto – já que não faltam câmeras por aqui. – agora aposta qual corpo Ducky vai tirar do escritório do quarto andar ou do elevador.
Vou te dizer que as coisas andam empatadas.
Assim, não resta aos agentes, e principalmente a nós que lidamos com os dois mais diretamente, sair da frente e se refugiar o mais longe possível das brigas. Pois, mais cedo ou mais tarde, algo vai voar, seja um sapato, uma faca, uma arma ou um corpo...
— Mas tá tão ruim assim? – Perguntei.
— Muito, Abbs. Hoje é o pior dia desde que tudo começou. – McGee me respondeu desanimado.
— Droga... – Me virei para meus computadores e fui marcar mais um x na data. Já são três meses assim.
— O que significa tudo isso? – Ziva me perguntou por cima do ombro.
— Isso, Ziva, é a quantidade de dias que tivemos sem brigas.
— E essas marcações pretas? – Ela apontou para dois dias em destaque.
— A suposta data em que Gibbs começou a namorar e que Jenny também.
— E desde a data do namoro da Jenny não tivemos um dia de paz? – A ninja arregalou os olhos.
— Não. Pelo menos uma briga por dia. Teve dias que foram mais de duas. – Falei tristemente. Eu não gostava disso.
Mirei o calendário novamente e corri os olhos para o restante da semana. Nessa semana teríamos uma sexta-feira 13.
Uma sexta-feira 13 com lua cheia.
Que conveniente!
E tudo o que eu precisava era do velho caderno de minha querida Tia Gertrudes e que os dois ciumentos e teimosos que viviam brigando não se matassem.
— Por que esse sorriso, Abbs? – Tony quis saber.
— Só me lembrei que teremos uma sexta-feira 13 nessa semana.
— Tá explicado o terror lá em cima.
— O que está explicado, DiNozzo? – Gibbs apareceu do nada.
— A alegria da Abby. Teremos uma sexta 13 nessa semana, — Tony se levantou correndo e tentou ficar o mais longe da mão de Gibbs.
Gibbs observou meu lab. Parando em cada um de nós.
— E vocês três estão fazendo o que aqui embaixo?
Tony, Tim e Ziva se atrapalharam na resposta, nenhum deles querendo pôr mais lenha na fogueira das desavenças entre o Chefe e a Chefe do Chefe.
— Já estamos subindo. – Disseram por fim e saíram correndo para o elevador. Gibbs ficou e depois de bebericar o café, me fez uma pergunta estranha.
— A Diretora ainda está saindo com o Capitão Gelfand?
Eu não sabia a resposta.
— Não sei, Gibbs. Ela não comenta a vida pessoal dela comigo.
Ele me encarou.
— Ou não todos os detalhes. – Fui mais específica.
— Então descubra.
— Por quê?
Gibbs não me respondeu.
— Ah, tá... pessoal. Claro. Te chamo assim que tiver uma resposta. – Falei alto. – Se eu achar alguma coisa... – murmurei.
Digitei os dados da Diretora que eu sabia e coloquei meus bebês para trabalhar. Pensando no que Gibbs tinha me pedido.
Foi então que todos os deuses me deram o dom de esclarecer a situação. Se Gibbs queria saber sobre o status da Diretora, será que o dele tinha mudado?
Eu já estava pesquisando a Diretora. Pesquisar o Gibbs não seria tão difícil...
Coloquei os dados que queria no meu computador e minimizei as telas, não queria ser pega de surpresa por nenhum dos dois investigados.
Minhas buscas só foram me dar resultado no final do dia, logo depois do round 4 entre Gibbs e Jenny; – pelo que ouvi a Diretora levou esse. – E eu não poderia ter ficado mais feliz com o que os meus bebês me mostravam.
Primeiramente: Coronel Hollis Mann tinha se mandado para o Hawaii. Segundo, já tinha quase um mês que o número do Doutor Gelfand não aparecia na lista de ligações discadas ou recebidas. Só por precaução, busquei pelos outros números. Nenhum aparecia com frequência.
Resultado: os dois estavam solteiros novamente.
É, meu plano bem que podia dar certo no final.
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Eu corri a semana inteira, juntei todos os ingredientes que iria precisar, comecei a fazer o bendito do soro quando deu meia noite e treze, da sexta-feira 13.
Tinha tudo pronto aqui no meu laboratório. Agora eu só precisava das presenças ilustres. Liguei para a Diretora e depois para Gibbs, disse que era urgente e que precisava deles aqui embaixo, agora.
Os dois chegaram ao mesmo tempo, nem quero saber como foi a viagem dentro do elevador. Tensa deve ter sido apelido, a julgar como os dois se olhavam agora. Contudo, por trás de toda aquela animosidade era possível ver algo mais, se olhasse com cuidado e com muita, mas muita atenção. Esses dois não me enganavam mais.
— Então, o que foi Abbs? – Eles perguntaram ao mesmo tempo, o que rendeu outra rodada de encaradas. Eles nunca brigavam na minha frente, por mais irritados que estivessem.
— Isso! – Dei uma pirueta e apresentei os dois copos de café.
Os dois olharam descrentes para os “presentes”.
— Abby, você me chamou aqui... – Jenny começou.
— É só um presente! – Fiz a minha melhor carinha de santa. – Vocês sempre que vêm aqui embaixo me trazem o meu café, hoje eu quis inverter!
Eles pareceram cair na minha conversa, Jenny deu um meio sorriso e Gibbs pegou o copo de café. A Diretora imitou o gesto automaticamente. E sem que eu pedisse ou que desse alguma dica, os dois tomaram um gole, ao mesmo tempo.
Estava feito. Eu só esperava que funcionasse.
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Não era nem seis da manhã e eu já estava acordada. Na verdade, eu estava implorando pelo final de semana, para poder dormir até tarde e esquecer um pouco dos problemas da semana. E aqui estava eu, acordada antes mesmo que o sol nascesse. O dia nem tinha começado e tudo o que eu queria era brigar com alguém, chorar e uma enorme caixa de chocolates.
Maldita TPM.
Minha sexta-feira foi péssima. A única coisa que prestou foi o agradinho de Abby. Porque depois! Haha, nem sei como a porta do meu escritório ainda está no lugar.
Jethro entrou e saiu do meu escritório como bem quis, e a cada vez que ele invadia o meu santuário, o meu espaço pessoal, tudo o que eu queria fazer era: agarrá-lo pelo colarinho e beijar a boca dele, mas aí eu me lembrava do motivo de querê-lo longe, e eu queria arremessar meus sapatos na cara dele só para apagar aquele sorrisinho convencido do seu rosto.
Porém, ao invés de fazer uma dessas duas coisas, nós dois discutíamos, sobretudo, até mesmo sobre a falta de um pingo no i em um dos relatórios.
Foi um dia difícil. Tão difícil que nem a equipe dele ficou por perto, nas três vezes em que tive que me dirigir até o MTAC, notei que nenhum dos três agentes estavam em suas mesas. Nem mesmo o fiel São Bernardo do DiNozzo aguentou o Chefe nessa semana.
Respirei fundo. Era Sábado. Eu não teria nenhum problema com nenhum deles. Estava de folga, o que significava que estava livre de Jethro e toda a sua presença sufocante.
Me espreguicei para começar o dia que tinha a perspectiva de ser bom, mesmo que a minha atual definição de bom seja ficar sozinha em casa, trabalhando e comendo chocolate.
Estiquei os braços e cai da cama.
Não, espera, isso não é a minha cama, aliás eu não estou nem no meu quarto!
Contudo, eu conheço essa sala, eu conheço esse sofá, eu já dormi aqui.
O que eu estava fazendo na casa do Jethro?!!
Me levantei do chão desorientada, e quando me vi de pé, senti uma dor horrorosa no joelho. Será que eu tinha trocado as brigas por outro alívio da tensão?
Não. Eu não tinha feito isso, tinha?
Esfreguei meu rosto e tinha algo de muito estranho nele, como se fosse barba por fazer...
Olhei em volta, crente que veria Jethro me olhando, seu sorriso de lado, me dizendo mais do que qualquer palavra que poderia sair de sua boca. Porém ele não estava lá.
Eu não acredito que ele me deixou no sofá e foi brincar no porão. Segui na direção da caverna, só para parar quando notei meu reflexo no vidro do micro-ondas.
Voltei e encarei o vidro de novo. Depois virei para trás, crente que tinha visto Jethro e não a mim.
Mas não tinha mais ninguém ali.
Não. – Arfei. — Isso devia ser um sonho. Um daqueles bem estranhos, que você tem certeza de que não vai acordar. E quando acorda, sente até um alívio.
Me belisquei, dei um tapa na minha cabeça – o que doeu pra caramba, porque esse corpo não era meu e essa força não era minha. – tentei até tropeçar na mesa de centro, mas fiquei com medo de quebrar o dedinho do pé.
Já quase na fase do surto, corri para o andar de cima, teria que ver em um espelho de verdade. Desnecessário dizer que o joelho doeu por todo o tempo.
Devagar entrei no banheiro e parei de frente para o lavabo, covarde como sou, estava de olhos fechados.
— Calma, Jenny. Isso é só um sonho. – Disse a mim mesma.
Abri só um dos olhos e:
— O QUE ACONTECEU COMIGO!! COMO EU VIM PARAR NO CORPO DO JETHRO???
Quase que automaticamente eu escutei um som. Parecia que alguém entrava na casa. Minha intenção era disparar escada abaixo, mas aí me lembrei que não estava no meu corpo.
Parei no meio da escada só para ver o meu corpo atravessando a porta e a batendo assim que entrou na casa. Ia abrir a boca para perguntar que roupa era aquela, quando a minha voz, soando nada educada e muito colérica disse:
— Que merda que você fez comigo, Jen?
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A luz estava entrando pelo lado errado na cortina. Aliás, tinha algo errado em tudo aqui.
Primeiro, meu sofá não é tão confortável assim e muito menos tem tantos travesseiros. Segundo, eu conheço esse perfume.
Antes de abrir o olho, ponderei minhas opções. Eu não sabia como tinha vindo parar aqui. Porque, com certeza, essa não era a minha casa, muito menos a minha cama. E eu sabia a quem pertencia esse quarto, eu já estive aqui antes. E, por experiencia própria, também sabia que a dona da casa não seria muito receptiva nessa manhã, ainda mais se o que eu estou pensando que aconteceu, aconteceu devido ao excesso de álcool. E se eu não me lembrava de nada da noite anterior, ela se lembraria muito menos.
Assim, eu tinha duas opções. Saia agora antes que ela acordasse, porque eu sabia que ela estava aqui, eu estava sentindo o seu perfume. E fingia que nada disso tinha acontecido. Ou eu esperava que ela acordasse por vontade própria e nós dois resolveríamos essa bagunça.
Mas será que ela estaria disposta a conversar? Mesmo toda a tensão tendo sido eliminada? Eu não sabia dizer. Jen não estava muito racional nessa semana.
Escolhi pela primeira e tente me levantar o mais silenciosamente possível. Sei que Jenny praticamente desmaia depois de noites assim. Me sentei na cama e quando eu pus minha perna no chão.
Não! Tem algo errado. Essa perna não é minha! Balancei a cabeça só para sentir algo batendo no meu rosto. Tirei o que era, só para notar que eram longas mechas de cabelos ruivos, mas o que mais me apavorou foram as mãos. Pequenas, com as unhas feitas e pintadas de vermelho.
Esse corpo não é meu!
Se eu me lembrava dessa casa, sei que o banheiro é atrás de uma das duas portas do outro lado do quarto, a outra era do abominável closet de Jen.
Acertei a porta e assim que a abri, me vi refletido no espelho.
Definitivamente não era eu ali, mas sim Jen.
— QUE MERDA ESSA MULHER FEZ DESSA VEZ? – Foi tudo o que eu consegui pensar.
Se eu estava, como eu acho que estava, dentro do corpo dela, creio que ela estava dentro do meu. E, até onde eu posso me lembrar, eu estava em casa ontem.
Eu ia atrás dela e do meu corpo era agora.
Estava no meio da escada, quando me lembrei de um detalhe, na verdade, eu observei o detalhe.
— Por que raios Jen tem que dormir com essas coisas? – Olhei para a camisola de seda. Se eu saísse assim, amanhã a Diretora do NCIS estaria na capa de todos os tabloides.
Voltei para o quarto dela. Tinha que ter ali algo que fosse fácil de vestir. Não tinha.
Olhei para a porta oposta a porta do banheiro. Eu não queria entrar ali e ver os monstros que, com certeza, tinham escondidos lá dentro. Mas era a minha única opção.
Abri a porta, acendi a luz. Definitivamente, era o cômodo de Jen. Porque tudo estava muito bem organizado. Vi algumas roupas que reconheci serem os caros terninhos que ela ia trabalhar, passei perto dos impossíveis saltos altos e notei, quase em desespero, que essa mulher não tinha um sapato baixo. Depois do que pareceu ser horas, achei algo que eu conseguiria vestir, até porque aquele moletom era meu.
Peguei a calça e o moletom e sai para me trocar, só para me encontrar com outro problema.
— Quantas peças de roupa uma mulher precisa?
Olhei para o moletom, era grosso o bastante para não ser necessário usar nada por baixo. Mesmo que a tentação de procurar pela gaveta específica de lingerie fosse maior.
Que mal iria fazer? A dona não estava aqui mesmo.
Eu até encontrei a gaveta, e quem diria, tinha coisa ali que bem... eu teria que fazer uma ou duas ou três insinuações perto de Jenny em um futuro próximo. E me perguntei com quem, ou melhor, para quem ela tinha usado alguns daqueles conjuntos?
Depois de ter um soutien na mão e me decidi em não usá-lo por uma simples razão, a alça arrebentou. Eu sabia abrir o fecho daquela coisa, mas de jeito nenhum, sabia como colocar um daqueles em mim. Era mais difícil do que eu teria imaginado.
Larguei a peça em qualquer lugar e acabei por encontrar uma camiseta. Vai ter que servir.
Troquei de roupa e dei uma outra olhada para dentro do closet. Para que tanta roupa sendo que a maioria nem é assim confortável?
Procurei por algum sapato usável. Achei um lá, sei lá como chamam, e o calcei.
Apertou o meu pé na hora. Mas teria que servir até que eu chegasse no carro.
Outro problema. Onde estavam as chaves do carro?
Rodei o primeiro andar e acabei parando no escritório dela. Ali estava a bolsa que ela tinha levado para o NCIS no dia anterior. Deveria estar ali a chave.
Se eu achei que o closet de Jen era um pesadelo. A bolsa era outro lugar que eu não queria ter mexido.
Depois de encontrar diversas coisas que eu não vejo utilidade nenhuma, achei a chave.
Finalmente ia atrás do meu corpo.
Dentro do carro de madame dela, acabei por tirar o sapato, meu dedinho, ou o dedinho do pé de Jen, estava me matando de dor, apertado por conta da ponta fina do único sapato sem salto que ela tinha.
Parei na porta da minha casa em tempo recorde, e resolvi ignorar o sapato, entrei de uma vez, batendo a porta.
Assim que me virei, dei de cara comigo, parado no meio da escada, com um olhar completamente apavorado.
— Que merda você fez comigo, Jen? – Soltei antes que ela ou eu, pudesse abrir a boca.
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Então eu não estava sonhando afinal. Algo estranho tinha acontecido. Eu estava no corpo de Jethro e Jethro estava no meu.
E, enquanto ele ou eu, estava parado no pé da escada, me fuzilando, eu percebi uma coisa.
— O que que é isso que você colocou em mim?
Jethro deu um passo para trás.
— De todas as coisas que você quer dizer, está preocupada com a roupa que eu estou vestindo?
— Tecnicamente, Jethro, eu estou vestindo isso aí. Ou você quer arriscar sair por aí falando que nós dois trocamos de corpos? – Retruquei chegando perto dele. E vi uma vantagem na troca, eu era mais alta do que ele, podia encará-lo de cima. O que me chamou novamente minha atenção. – Por que está descalço?
— Você também está!
— Acabei de cair do sofá, Jethro. Me responda, cadê o sapato?
— Aquela coisa aperta meu pé. Ou o seu pé. – Ele me deu as costas e foi para a cozinha.
— Não dê as costas para mim. Temos um problema aqui.
— Um problema que você criou. – Ele me acusou, sem olhar para trás. E era tão estranho discutir com ele, ouvindo a minha voz e vendo o meu corpo, mas sabendo muito bem que quem estava ali dentro era Jethro.
— Eu não criei problema nenhum! – Caminhei até onde ele estava.
— E como isso aconteceu? – Ele se virou furioso na minha direção. E notei que nem o meu cabelo ele tinha penteado.
— Como eu vou saber? Acordei na sua cripta, no seu corpo! Eu não faço ideia!
Ele me encarava. Eu o encarava.
— Eu quero meu corpo de volta! – Falamos ao mesmo tempo.
— Isso é culpa sua! – Ele me acusou.
— Minha? Desde quando eu sou a rainha da bruxaria, Jethro? – Devolvi.
E quando eu falei bruxaria, tive um estalo.
— Abby! – Falando juntos, de novo.
— Como? – Ele quis saber.
— Não faço ideia. Eu nem sabia que isso era possível! – Joguei meus braços para ar e acertei o armário. – Droga! – Esfreguei a mão que bateu na maçaneta.
— Nem um pouco acostumada com a altura, não é mesmo, Jen?
— E você não deve saber o que é pentear um cabelo ou usar... Peraí, Jethro, como você teve coragem de sair assim da minha casa? – Levantei uma sobrancelha.
— Para que tanta peça de roupa? E por que você tem tanta roupa?
Ignorei os questionamentos. Ele vai acabar com a minha imagem em menos de vinte e quatro horas.
— Temos que achar a Abby e fazê-la nos devolver nossos corpos. – Falei.
Jethro voou para o celular.
— Teoricamente esse é o meu celular. – Disse sarcasticamente.
— Eu não sei ligar aquela porcaria que está dentro da sua bolsa. – Ele me respondeu pegando o celular dele e ligando para Abby.
Gemi em desespero. Jethro não só tinha feito um tour dentro do meu closet, como tinha mexido na minha bolsa.
— Ela vai se perguntar o porquê a Diretora está ligando para ela do celular do Gibbs.
Ele me jogou o telefone no momento em que Abbs atendia a ligação. Olhei para ele. Eu não sabia ser grossa e sem educação em uma ligação.
— Oi Gibbs! Bom dia! – Ela saudou.
— Abbs. – Comecei.
— Precisa de alguma coisa?
— Sim. – Eu estava tentando o meu melhor e, pelo visto, estava indo de mal a pior.
— Tem algo errado? – Ela perguntou desconfiada.
Jethro tomou o celular da minha mão e soltou.
— Abbs, na minha casa, agora.
— Sua voz é a minha voz, esperto! — Sussurrei.
— Diretora? – Pude ouvir Abby perguntar confusa.
— Você sabe que não é a Madame Diretora, Abbs. – Ele soltou e eu dei um tapa tão forte nele, que ele gemeu de dor. – Por que isso, Jen? – Ele perguntou a mim.
— Nada de Madame Diretora, Jethro, você sabe muito bem disso.
— Ah, meu Deus! Deu certo! – Abby gritou do outro lado.
— Desfaça isso! – Exigimos.
— Não dá!
— Abbs.... – Jethro a chamou.
— Eu vou tentar explicar isso para vocês, mas em um lugar público.
— Não!
— Sim, eu quero garantir que vocês não vão atirar em mim!
— Abby. – Pedi. – Não tem condições de Jethro sair no meu corpo, nenhuma!
— Em uma hora, no restaurante que o Gibbs gosta. – Ela desligou o telefone.
Olhamos um para outro.
— Vamos ter que ir na minha casa, nem pensar que você vai sair assim! – Falei entredentes.
— Vá fazer a barba! – Ele ordenou.
— O que?
— Anda, vai lá!
— Eu não sei fazer isso! – Reclamei.
Mais de uma hora – e alguns cortes depois, — consegui ficar pronta. Jethro me apressou por todo o tempo.
— Não sei por que você está tão bravo. Olha o que você fez comigo! – Disse ao descer as escadas.
— Vamos logo, Abbs já deve...
— Vamos para a minha casa. Eu não vou te deixar sair com o me corpo desse jeito!
Jethro grunhiu alguma coisa e saiu da casa, indo na direção do meu carro, para o lado do motorista.
— Acho que você não vai dirigir... temos que manter as aparências! – Soltei.
Ele me encarou mortalmente e voltou para o banco do passageiro.
Peguei as chaves e entrei no banco do motorista, para ter as minhas pernas esmagadas pelo volante.
— Viu como você é baixinha, Jen!
Se ele não estivesse no meu corpo, eu juro que batia nele. Depois de ajustar todo o carro para a altura do meu corpo atual, fui para a minha casa.
— Nossa sorte é que Noemi não vem no final de semana. – Disse assim que esperei que ele abrisse a porta.
— Uma pena, ela ia descobrir que a patroa dela é doida. – Ele me respondeu.
— Já para cima! – Ordenei. — Vou procurar algo para você vestir.
Essa foi a luta número dois. Estava tentando não pensar muito no fato de que Jethro estava no meu corpo, debaixo do chuveiro, mais ou menos como eu tinha tentando desconectar o meu pensamento quando foi a minha vez de fazer isso.
Com menos de cinco minutos ele desligou o chuveiro, e tudo o que eu tinha conseguido fazer era ver a bagunça que ele tinha feito no meu closet.
— Não é possível! – Disse tanto para a bagunça quanto para o banho de marinheiro dele.
— Cadê a roupa, Jen? – Ele perguntou da porta do banheiro.
— Olha a bagunça que você deixou aqui dentro! E como você fez isso? – Mostrei um soutien detonado. Tanto a alça quanto o fecho estavam arrebentados.
Ele deu de ombros.
— Eu sei tirar isso, não colocar!
— Você estragou o meu conjunto! – Reclamei.
— Falando em conjunto, você usa tudo isso por baixo das suas roupas de trabalho?
Eu sabia sobre quais peças ele estava falando. Quis dar uma resposta sarcástica, porém, não consegui reprimir o rubor no meu rosto.
— Não é da sua conta. – Soltei sem olhar.
— Bem... agora eu vou ficar me perguntando todo dia sobre o que está debaixo das suas roupas tão sérias.
— Cala a boa e veste isso.
— Quer perder outro? – Ele perguntou sem pudor nenhum enquanto segurava a peça com um dedo.
É claro que eu não queria perder outro soutien, assim...
— Passa os braços pelas alças que eu vou fechar. – Disse. E aqui eu tinha a oportunidade de atrapalhá-lo só um pouquinho. Tudo bem que a marca ia ficar no meu corpo, mas quem iria ficar com falta de ar e sentindo o aperto durante todo o dia seria ele. Assim, escolhi um fecho mais justo para abotoar o soutien.
— Isso tá me apertando! – Ele reclamou na hora.
— Bem-vindo ao mundo das mulheres!
— Eu não tô respirando.
— Daqui a pouco você se acostuma. – Eu segurava a risada a cada resposta.
Deixei Jethro tentando lidar com o aperto do soutien e fui pegar as roupas.
— Agora veste isso. – Entreguei a calça e o suéter para ele.
— Eu não entro nessa calça. – Ele reclamou.
— O meu corpo entra nessa calça. – Disse com firmeza.
— Mas não entra mesmo!
— Por acaso você está me chamando de gorda, Jethro?
Ele olhou para o meu corpo com interesse.
— Na verdade, não. Mas eu não vou vestir isso.
— Não é você, sou eu. E pode parar de ficar fazendo isso! – Dei um tapa na mão dele.
— Você colocou silicone, Jen? – Ele me perguntou.
Eu vi vermelho.
— Não.
— Tem certeza, não me lembro de você ter tudo isso!
E eu me lembrei que estava de TPM e que o inchaço era uma das consequências. Sorri mentalmente. Se ficássemos por muito tempo um no corpo do outro, Jethro logo teria uma surpresinha...
— Eu não coloquei silicone, Jethro. Agora vista essa roupa e calce esse sapato. – Indiquei o par.
Ele fez o que eu falei e na hora de calçar o sapato... foi um vexame total.
— Anda devagar ou você vai quebrar o meu tornozelo! – Reclamei.
— Como você aguenta isso o dia inteiro? Tá apertando e machucando ao meu mesmo tempo!
— Esse sapato não me aperta!
— Tá apertando.
— É você que não sabe andar! – Gritei de dentro do closet. Peguei um par de sapatilhas e entreguei a ele. – Nada de tirar os sapatos.
Jethro calçou os sapatos e foi embora para a escada, andando como se fosse um pato.
— Dá para voltar aqui!
— Para que? Já estamos atrasados.
— Eu não te deixei sair assim! – Cheguei na porta.
— O que você vai fazer? – Ele quase saiu correndo. E eu fui atrás dele.
— Eu não vou sair de cara limpa desse jeito. E muito menos descabelada, volta aqui! Você me fez fazer a barba, agora vai aguentar a minha parte! – Arrastei-o para cima.
Logicamente ele não cooperou muito, melhor dizendo, não cooperou nada. Mas meu corpo ficou apresentável.
— Eu não vou usar...
— Sou eu quem está usando. E isso aqui é só o básico. Durante a semana é muito mais elaborada.
— Nem pensar que eu vou passar por toda essa provação todo dia!
— Vai sim. Se eu vou ter que sentir a lâmina do barbeador me cortando todo dia, isso aqui é a sua parte. – Dei um tapa atrás da cabeça dele. E foi com prazer que o vi encolher. – Dói, né? – Perguntei com um sorriso no rosto, a minha resposta, um olhar zangado.
Era a hora de encontrar com Abby.
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Eu juro que não sei como eles chegaram à conclusão tão rapidamente. Era para ter demorado uns três dias, pelo menos.
Contudo, em menos de quatro horas os dois me ligaram. Meu plano tinha dado certo, eles tinham trocado de corpos e logicamente de rotina. Restava saber se eles iriam se entender depois disso. Pois o meu objetivo era um só: mostrar para cada um deles como é a vida do outro. O que cada um passa no dia-a-dia. E, claro, que eles tivessem que conviver um com outro. Para aprender as fraquezas que o outro tem. Coisa fácil. Se eles realmente sentiam algo um pelo outro, em um piscar de olhos a troca seria desfeita. Mas para isso, eles teriam que entender a vida do outro... e pelo que me pareceu no telefone, isso não estava acontecendo.
Estava sentada na mesa dos fundos, virada para porta no restaurante favorito do Gibbs a quase meia hora. E nenhum deles tinha chegado. Era uma olhada na tela do telefone, outra na porta, outra na rua. Absolutamente nada.
Foi quando eu vi o Cadillac da Diretora parando do outro lado da rua. Quem estava dirigindo era Gibbs, ou pelo menos quem todos pensavam ser ele. A Diretora saiu do banco do carona. E de cara já dava para ver que algo estava errado. Faltavam os saltos.
Eles falavam alguma coisa, com certeza brigavam por algo. Subiram os degraus, teve uma pequena briga para saber quem entraria primeiro. Eles estavam tentando seguir o que a sociedade mandava, mas estava difícil.
Entraram no restaurante. Gibbs olhou para a esquerda, a Jenny para a Direita. Ela me viu e chamou Gibbs. Os dois vieram andando na minha direção. Nenhum deles com cara boa.
Já na minha frente, outra confusão. Gibbs deu passagem para Jenny, só que ficou estranho. Ela só sibilou.
— Jethro, você fica no canto! Diferença de altura.
Gibbs xingou qualquer coisa e escorregou para canto. Jenny se sentou do lado dele e os dois me encararam.
— Oi vocês! – Os cumprimentei.
— Queremos nossos corpos de volta! – Eles sibilaram juntos.
Vieram anotar nossos pedidos. E os dois tentaram pedir como se fossem os donos dos corpos e não eles mesmo. O mais engraçado, eles sabiam o que cada um gostava, sem perguntar.
Elaine, a garçonete, se foi e os dois voltaram a sua atenção para mim.
— Abbs. – Era tão estranho ouvir Gibbs chamar a minha atenção na voz da Diretora.
— Eu não posso fazer nada...
— Como não? – Jenny quis saber.
— Isso tá tão estranho... – Comentei.
— Você não faz ideia! – Gibbs respondeu se recostando no banco e passando o braço por trás da Jenny.
— Abaixa o braço. – Ela o cutucou.
— Dá para parar de ficar me mandando o que fazer! – Ele reclamou.
— Eu não me sento assim. – Veio o sibilar dela.
Elaine veio com os pedidos e os colocou na nossa frente. Para evitar qualquer desconfiança, eles só balançaram a cabeça em agradecimento. Assim que ela estava fora de vista, trocaram os pratos.
— Abby. – Jenny começou. – Tem que ter um jeito. Nós não podemos ficar assim. Eu tenho vários compromissos inadiáveis, inclusive a reunião para votação do orçamento para o próximo ano.
— Você é a única com compromissos aqui, Jen? – Gibbs quis saber.
— Por quê? Quais os seus? Trabalhar no barco? Pois saiba que você não vai estragar as minhas unhas trabalhando naquele barco de jeito nenhum!
É, nem tudo tinha mudado.... as brigas ainda estavam ali.
— Não tem como reverter! – Eu falei enquanto eles se encaravam furiosos.
— Vamos ficar trocados assim até...
— Até que vocês dois se entendam... que aprendam a respeitar o outro e, principalmente notem que ambos fazem um trabalho importante. E...
Os dois me olhavam como se quisessem me enviar para a Lua.
— E o que Abbs?
— E passem a respeitar os sentimentos do outro. Vocês dois são incapazes de fazer isso. Só sabem se machucar. Aprendam a fazer isso e a troca será automática. – Respondi, me levantei e sai o mais rápido que pude. Eu sabia que eles iriam explodir agora.
Do lado de fora, eu vi que eles discutiam baixo. Não chamou a atenção de mais ninguém dentro do restaurante, mas me deu a certeza de que eles não voltariam para seus corpos nem tão cedo.
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Abby tinha saído correndo e nos deixado sem respostas.
É claro que Jen logo começou a me culpar. Como sempre ela era uma santa.
Quando mencionei isso ela quase estourou, com sorte se lembrou que estava em um lugar público e refreou as críticas.
Agora nós dois estávamos sentados frente a frente, no meu porão. Eu tentei fazer qualquer coisa no barco, mas o corpo de Jen é tão fraco que não consegui fazer nada, isso e o fato de que assim que a unha dela quebrou doeu pra caramba.
— Eu disse que não era frescura. – Ela murmurou da bancada, olhando a agenda dela, vendo o que ela poderia cancelar ou não. E a cada entrada que ela via, era uma careta.
— Eu não vou bancar a Diretora.
— Vai sim, Jethro. O NCIS não pode ficar entregue às traças por sabe-se lá quanto tempo. Eu estou mais preocupada om a minha reputação, na verdade...
— É mesmo?
— Claro. Você sabe liderar a agência, e apesar de maltratar todos os políticos que passam na sua frente, sei que não vai dar uma de louco e prejudicar a agência e muito menos os agentes. O meu medo é como você vai fazer isso, estando no meu corpo. Porque para todo mundo você sou eu, e eu não saio por aí distribuindo tapas e encarando todo mundo para conseguir o que eu quero. Eu sou diplomata, você não, e a partir do momento em que você pisar fora da linha na primeira vez, Jethro, era uma vez a minha reputação e minha carreira. – Ela disse massageando a testa.
Por mim ela estava falando demais. Eu não era assim tão mal educado.
— Eu também tenho que trabalhar. – Falei.
— Eu sei. E isso não me preocupa. Eu já liderei equipe de investigação. Sei o que fazer, e depois, grunhir o dia inteiro, beber café e dar tapas na cabeça do DiNozzo não deve ser tão difícil assim.
Se ela acha que será fácil...
— Como nós dois vamos fazer para manter as aparências? – Jen tinha ficado tão quieta que eu quase tinha me esquecido de tudo. Quase porque essa roupa não estava me deixando.
— Como assim?
— Eu não vou aguentar ficar aqui dentro dessa casa, Jethro. E sei muito bem que você não quer ficar na minha. Mas eu tenho um detalhamento de segurança que vai achar muito estranho se eu não for para casa e, pior ainda, se você aparecer por lá todos dos dias...
— Para que serve a entrada da cozinha? – Perguntei.
— De hora em hora passa um segurança lá. – Ela me respondeu.
— Eu saio nos intervalos.
— Em qual carro? – Ela tinha um ponto. – E o pior. Seu senso de moda. Eu consigo te arrumar, Jethro, mas você nunca vai conseguir me arrumar!
Com tantas pessoas no mundo, eu tive que trocar de corpo com a mais complicada delas.
— Eu não sou complicada. – Ela respondeu.
— Você lê pensamentos agora?
— Eu te conheço Jethro. Jamais esqueça disso.
— Alguma ideia?
— A Diretora não pode sair, mas o Agente Gibbs pode aparecer no intervalo de meia hora. – Ela deu de ombros.
— Eu não vou ficar na sua casa.
— Você vai ter que ficar, Jethro. E vai ter que fingir que segue a minha rotina ou os meus seguranças vão desconfiar de algo.
— E agora eu vou ter que fazer o seu trabalho?
— Eu vou fazer o seu, não vou?
Isso foi o sábado. O domingo foi ainda pior. Eu não tinha nada para fazer e ficar zanzando na casa de Jenny estava me dando nos nervos. Como ela disse, a cada hora, um dos seguranças fazia o perímetro da casa. Achei pouco, a Diretora do NCIS era um alvo valioso, já tinha sido sequestrada, será que ninguém tinha aprendido nada?
A certa altura acabei ligando para ela. Queria saber se a minha casa ainda estava de pé?
— O que foi Jethro? – A sua voz estava abafada.
— O que você está fazendo? – Comecei a pensar que deixá-la dentro da minha casa era uma péssima ideia.
— Procurando uma roupa para vestir amanhã. Você não tem nada que preste?
— Tudo o que eu preciso está aí. Eu não necessito de um cômodo cheio de roupas para vestir, Jen.
— Sei... estou vendo. – A voz dela ficou mais alta. – Está ligando para saber se a casa está inteira? – Quis saber.
— Você ainda não pôs fogo no meu barco?
Ela gargalhou.
— Ainda não, mas estou quase. Não tenho nada para fazer e a sua televisão tem uma recepção horrível.
— Sempre tem os seus adorados relatórios. – Lembrei-a, afinal, ela tinha vindo até aqui para pegar alguns e trabalhar.
— Devido a total falta de ter o que fazer dentro da sua casa, Jethro, eu já fiz isso também. A Diretora do NCIS não precisa se preocupar com o serviço atrasado.
Parecia injusto que ela pudesse fazer o trabalho dela e eu não. Mas eu queria distância da burocracia.
— Ah, Jethro. Você se lembra da agenda de amanhã, não se lembra? Pelo amor de tudo o que é mais sagrado, não faça nenhuma besteira.
— Achei que você ia passar aqui de manhã para brincar de boneca.
— Eu não vou brincar de boneca. Eu vou tentar te ensinar a ser eu. – Ela desligou o telefone, justo quando a conversa estava ficando divertida.
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A segunda foi maçante. Além de bancar Jethro o dia inteiro – por que o telefone dele não parava de tocar? – eu estava morrendo de dor nas costas, tudo porque Jethro insistiu que eu tinha que dormir no sofá, para o caso de alguém aparecer de surpresa na casa dele. Internamente eu me perguntei quem apareceria, mas depois desisti,
Logo pela manhã, tive que ir até a minha casa – que saudade da minha cama! – para ver se o meu corpo estaria apresentável para o dia, porque se dependesse de Jethro eu apareceria descalça e descabelada.
A única parte do dia que valeu a pena foi quando eu tive que ver Jethro se sentar no banco de trás da limusine que me carregava por toda a cidade e ser informado que iria direto para o Capitólio porque o trânsito estava engarrafado.
Já o restante, eu queria esquecer. A única pessoa que sabia a verdade por trás de toda essa loucura era Abby. E ela estava fazendo questão de me evitar. Não por muito tempo, se as aparências deveriam ser mantidas. Assim, comprei um CAF-POW!, e me entregaram junto um café sem açúcar e fui conversar com ela.
— Abbs.
Ela até se encolheu quando coloquei o café na sua frente.
— Como estão as coisas? – Ela perguntou depois de verificar se não tinha mais ninguém ouvindo.
— Como sábado. Nada mudou, a não ser o meu mau-humor. Por que você fez isso?
— Eu só quero que você e o Gibbs se entendam como antigamente.
— Antigamente, quando, Abby?
— Em 1999? – Ela fez uma careta.
— Isso foi em uma outra vida, Abby. Não tem volta.
— Você, Jenny, quem está falando isso. O que o Gibbs acha? – Ela me desafiou, eu sabia que ela estava fazendo isso porque era eu. Ela jamais desafiaria Jethro.
— Eu não sei, mas espero que ele não esteja acabando comigo lá fora.
— Eu deveria pedir desculpa, mas me ensinaram que é um sinal de fraqueza. – Ela soltou baixinho. Ouvimos o elevador fazendo barulho.
— Atualização. — Pedi. E quando Tony entrou no laboratório, Abby me passava o endereço para a solução do caso.
E essa foi a segunda-feira, a terça não foi muito diferente. Um novo caso, novas brigas entre Tony e Ziva, outros suspeitos para interrogar. Telefone que não parava de tocar, pessoas que não paravam de me chamar... e eu comecei a ver a dor de cabeça diária que Jethro encarava. E no final dia, incapaz de poder voltar para a minha casa, me contentava com um dos livros que tinha na casa dele. Para no outro dia, me levantar cedo, me esgueirar para dentro da cozinha da minha casa e tentar me arrumar, enquanto atualizava Jethro sobre o que ele enfrentaria. Isso, sempre acompanhada dos grunhidos e xingos de mau humor dele.
Eu só fui ver Jethro, dentro da Agência, na quarta-feira à tarde. Eu sabia que essa semana era de reunião atrás de reunião e tudo o que eu pude fazer, era tentar alertá-lo, sobre o que o esperaria durante o dia. Assim que ele pisou no escritório, Cynthia foi atualizá-lo. Torci mentalmente que ele não a tratasse mal. E quarenta minutos depois, o telefone da mesa tocou, e quase que eu respondi “Shepard” ao invés de “Gibbs”, era ele.
Papeis invertidos dessa vez. Desliguei, e olhei para cima. Os outros três olharam em minha direção. Dava para ver que eles sabiam que tinha algo diferente, só não conseguiram descobrir o que, ainda.
Subi as escadas e me preparei para a enxurrada de impropérios que ia escutar.
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Passei os três primeiros dias da semana em reuniões intermináveis. Ouvindo um bando de idiota falando besteira sobre corte de orçamento.
Era fácil falar em corte de orçamento das Forças Armadas, das Agências Federais, quando nenhum deles jamais ficou na linha de fogo. A certa altura, me desliguei do que eles falavam, nada ali era importante. Pelo que li do resumo de Jenny, o lobby já estava feito, bastava acompanhar a votação. E era isso que eu estava fazendo. Me mantive o mais quieto possível, ou o tanto que eu consegui, enquanto Senador atrás de Senador, Deputado atrás de Deputado, dava a sua opinião medíocre sobre as agências.
Em um dos intervalos, creio que na terça, eu tive que me perguntar internamente o porquê que um grupo de Senadores me olhava. Só fui me lembrar o motivo quando passei por um conjunto de portas de vidro. Jenny aguentava isso toda vez? Um deles veio na minha direção e antes que ele pudesse falar qualquer coisa, que eu sei que eu não gostaria e não saberia responder à altura do que Jen faria, o celular dela tocou. Tive que me lembrar como aquilo funcionava para poder atender.
Era Cynthia, com um monte de reuniões para a próxima semana. E com uma notícia não muito agradável.
— Senhora, não se esqueça que quinta pela manhã, logo cedo, tem a última prova do seu vestido.
Vestido?!
— Será às oito da manhã, o staff da loja pediu que não se atrasasse, já que o baile é na sexta-feira.
Jenny não tinha comentado nada sobre baile comigo!
— Pode confirmar, Cynthia. – Foi o que respondi.
Jenny teria que me explicar algumas coisas quando eu chegar na agência.
Só consegui sair da reunião de fundos quase no final da tarde. E, assim que me vi livre das conversas sem propósito nos corredores, segui para o carro, com motorista, que me esperava. Só para ter o meu caminho impedido por um dos Senadores de mais cedo.
— Olá, Jenny. Como vai? – Ele quis saber. Eu estava tentando saber quem era ele... não me lembrava da sua cara.
Sabendo que eu tinha que ser o mais político e discreto possível, ou sei lá o que Jenny era capaz de fazer com o meu corpo, optei pela saída mais fácil.
— Boa tarde, senador. – Ela falaria isso, não falaria?
— Nós dois precisamos conversar. – Ele soltou.
— Sobre? – Não diminui o ritmo das minhas passadas, apesar de que com essas pernas e sapatos, não era rápido o suficiente para me ver livre dele.
— Nós dois.
Eu quase escorreguei na escada.
— Eu sei que você já deixou muito claro que nunca haveria nada entre nós, mas acho que você não estava sendo sincera comigo.
E agora? Resolvi deixá-lo falando. Jenny faz muito isso comigo.
— Você disse que tinha um relacionamento de longa data. – Ele continuou e eu fiquei curioso para saber quem era essa pessoa. – Mas nunca te vi com ninguém. – Terminou e parou na minha frente.
Sinceramente, nem eu vi. Só vi Jenny com o Doutor Gelfand porque eu a segui uma noite. Não que ela saiba.
— Assim, creio que o tal de Jethro era uma invenção sua. Agora eu só queria saber por que você disse isso? As coisas teriam sido muito mais fáceis para o NCIS se você tivesse aceitado o meu convite. – Ele deu um passo na minha direção e apoiou a mão no meu ombro, ou no ombro de Jen. Minha reação natural foi dar dois passos para trás e afastá-lo.
Jethro. O relacionamento de longa data de Jenny era comigo? Mas por que eu?
— Tudo continua como eu disse. – Foi a melhor resposta que eu consegui formular.
— Esse Jethro existe mesmo? – Ele deu outro passo na minha direção e eu sabia o que ele estava tentando fazer, me encurralar entre duas pilastras. Se ele achava que iria tentar me beijar a força, ele ia se arrepender.
— Sim, Jethro existe. E quando eu.. ele – me corrigi a tempo — ficar sabendo sobre o que você está tentando fazer e te encontrar pessoalmente, você não vai gostar do resultado. – Dei dois passos para frente e aproveitei que o corpo de Jen é bem menor do que o meu e passei entre o Senador e a pilastra.
Minha reposta não era mentira. Eu ia voltar ao meu corpo e esse babaca iria ter uma lição e tanto.
Fui para o carro e Melvin me levou para o NCIS. Assim que cheguei, depois de conferir a hora, o dispensei, falando que trabalharia até tarde.
Eu tinha que conversar com Jen. E essa ia ser a primeira coisa que faria, depois que Cynthia me atualizou com a agenda do outro dia.
Cynthia saiu se despedindo e peguei o telefone, fazendo o mesmo movimento que Jen sempre fazia. Ela vai saber o quão irritante a voz dela soava ao telefone.
Cinco minutos depois – eu não demorava tudo isso! – Ela entrou na sala. Batendo a porta na parede e deixando que batesse para fechar também. Aquilo doeu dentro da minha cabeça e quando a olhei para xingá-la, vi que ela sorria. Ela sabia que doía porque eu fazia isso o tempo todo.
— Queria em ver? – Jen não escondia o sorriso de saber que tinha me perturbado.
— Minha equipe está viva? – Fui direto.
— Sim. E será que você pode não beber? A Diretora ainda está em serviço. – Ela chiou.
— Tem certeza? – Ignorei o comentário dela e voltei à questão principal.
— Tony e Ziva brigam o tempo todo. Não sei como você consegue lidar com eles. Um tapa na cabeça é muito pouco para pará-los. De resto, foi tudo muito bem, resolvemos o caso, tudo está certo. O relatório está assinado pela Diretora e é menos um nessa pilha. – Disse eficiente.
— Eu te disse que ter a Ziva na equipe era problema. – Voltei ao primeiro comentário dela.
— Ela é uma excelente agente, Jethro. E eu sei que você gosta dela. O problema é ela e Tony, juntos. Coloquei Ziva com McGee e resolveu. Temporariamente.
— Você e DiNozzo?
— Uma péssima ideia. Eu quase atirei nele umas três vezes, ou bati o carro só para que ele calasse a boca. Por fim, acabei escolhendo McGee, a quietude dele é uma benção. E você, como foi ser eu pelos últimos dias? – Ela me encarou com curiosidade.
— Tenho três comentários.
— Sou toda ouvidos. Ou deveria dizer todo ouvidos?
— Que história de Baile Presidencial é essa?
Ela arregalou os olhos.
— Eu, como Diretora do NCIS, fui convidada pelo Presidente, Jethro. E não tem como dizer não a ele. Você vai ter que ir. E olha que interessante, adivinha quem vai te acompanhar! – Ela apontou para o meu corpo.
— E se eu quiser levar outra pessoa?
— E deixar você estragar o meu trabalho por uma noite? Nem pensar. Você nem sabe os nomes das pessoas!
Ela estava chegando onde eu queria, mas deixaria esse assunto por último.
— Como foi a reunião dos fundos? – Quis saber, trocando de assunto.
— Pelo o que eu consegui prestar a atenção, sem dormir, nenhuma agência teve aumento. O NCIS tem o mesmo orçamento do ano passado.
Por incrível que possa parecer, Jenny soltou um palavrão.
— Não era para isso ter acontecido? – Perguntei.
— Sim, eu esperava por isso. Ao menos era o que eu sabia que aconteceria se mantivesse a minha postura, como mantive. – Deu de ombros, mas eu a conhecia bem para saber que estava furiosa.
E ela chegou lá.
— Te prometeram um orçamento maior?
Ela que tinha se levantado da cadeira e ido até a cafeteira que ela tem, voltou, me encarou e disse:
— Pelo visto você já sabe disso. – Disse seca.
— Por que você nunca retrucou? Ou me contou?
— Não é algo que você retruca, Jethro. Você finge que não escuta se quiser permanecer no seu cargo e ter uma reputação. Eu tenho orgulho de saber que eu não pulei de cama em cama, como muitos acham; eu tenho orgulho de poder dizer que eu luto por um orçamento maior para o NCIS com palavras, com fatos e demonstrando o quanto essa agência é capaz de fazer e o tanto que ela é importante. É assim que eu quero que vejam o meu trabalho.
— Mas você deveria ter falado alguma coisa! – Eu queria que ela me explicasse tudo.
— O que ele fez? – Ela cuspiu a pergunta.
— Tentou me cercar. Ou te cercar.
— O que você fez?
— Saí de perto, dando uma resposta que eu sei que você daria.
Ela estreitou os olhos.
— O que ele queria?
— Além de me beijar? Me perguntou se o Jethro era real. – Soltei de uma vez.
Jenny ficou sem fala. Sem cor. Sem reação. Nem seu olhar tinha foco. Eu esperei que ela voltasse a si, porém, ela não voltou. Só deixou o copo de café em cima da mesa e saiu andando, apressada.
Quando consegui calçar os sapatos e chegar até o corrimão, ela já tinha desaparecido.
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— Merda! Merda! Merda! De todas as pessoas, de cada um que ele pudesse encontrar, que tinha que falar com ele, justo Bobby Sanders. Eu não tinha um minuto de paz!
Eu sei que foi arriscado, errado até, usar o nome de Jethro como meu relacionamento de longa data. Não era um casamento, mas quem precisa de um ato oficial para ficar junto? E além do mais, quando que os dois iriam se encontrar? Nunca.
Isso em um mundo perfeito. Mas o mundo não era perfeito e minha desculpa, mais do que bem preparada e sedimentada tinha sido descoberta. E justamente pelo Jethro.
Quando o mundo giraria ao meu favor?
Saí do estaleiro e só pude ir para um lugar. Até que agora eu entendia a razão de se ter um porão. Sem poder mexer em nada no barco, por ter medo de quebrar e Jethro ser vingativo o suficiente para pôr fogo na minha coleção de sapatos, fiquei sentada com o pé apoiado em uma das laterais do barco, bebendo o Bourbon dele, pensando na desgraça que era a minha vida.
Não que ficar dentro dessa casa que parece mal-assombrada seja uma mudança radical, eu não tinha ninguém me esperando quando voltasse para casa, minha casa era vazia igual a de Jethro. Mas ele ainda tinha as lembranças. Ele teve algo, anos atrás. Mas teve. Ele soube como era voltar e se sentir querido, amado. Eu nunca saberia.
Internamente me perguntei onde ele tinha escondido a maioria das lembranças. Porque ele deveria ter uma caixa de fotos em algum lugar, ele deveria ter algo que fora delas. Sei que tem um quarto no segundo andar que está fechado a chave. Por mais tentador que tenha sido em querer saber o que tinha atrás daquela porta, eu não tive coragem, esse passado dele é pessoal demais, então desisti de abrir a porta e tinha voltado para a sala onde passei o restante do meu domingo lendo um livro qualquer que tinha na estante.
Agora, fico aqui pensando como vou encará-lo quando tudo isso acabar. Pedir a minha renúncia estava sendo tão tentador...
Escutei passos no andar de cima e me preparei para o que quer que fosse que ele queria.
Correção, eu não tinha me preparado para isso. Pois quando a pessoa que descia as escadas ficou visível, eu só pensei que a minha noite não poderia ficar pior do que estava naquele momento.
— Oi, Jethro. – Hollis Mann cumprimentou
Se eu não gostasse tanto da Abby, eu juro que estaria excomungando a garota.
— Hollis. – Foi tudo o que eu falei.
Ela deu um meio sorriso e veio até a direção da estação de trabalho, pegando uma caneca velha e a enchendo de Bourbon. Eu não precisava de uma loira dando em cima de mim hoje, achando que eu era Jethro, de jeito nenhum!
Hollis se sentou na bancada e ficou calada. E a cada minuto que passava, eu ficava ainda mais curiosa com a presença dela no porão, pois eu sabia que ela tinha se aposentado e ido para o Hawaii. Esse foi um dos motivos para a minha repentina felicidade duas semanas atrás.
— Não vai trabalhar no barco hoje? – Ela perguntou.
— Não. – Agradeci aos céus que Jethro era monossilábico por natureza.
— Eu acho que preciso esclarecer algumas coisas com você.
Eu conhecia esse papo... lá vinha a DR pós término, quando ainda tentam manter a amizade intacta.
Meneei a cabeça, falando para ela continuar.
— Não é que eu não goste de você, Jethro. Eu gosto. Dizer que te amo não seria de grande valia agora. – Ela parou.
Vai por mim, nunca diga a Jethro que você o ama. Experiência própria, a reação dele só vai partir o seu coração.— pensei internamente, enquanto ela buscava as palavras que não eram para que eu ouvisse.
— Mas, apesar de tudo, eu acho que você merece uma explicação. Sim, eu fui embora. Você já sabia que eu queria me aposentar. Mas a minha ida para o Hawaii tem motivo. – Ela olhou na minha direção.
E você, Mann, é a quinta que sai pela porta e o deixa sozinho... essa lista só está aumentando.
— Para falar bem da verdade, eu deveria ter percebido bem no início, mas acho que você me fascinava demais para que eu notasse algo que não fosse você.
Isso não vai terminar bem!
— Acontece que eu não percebi a tempo, algo que a sua equipe gritava, principalmente Abby. Eu deveria ter visto que nós dois não iriamos para frente. Não quando tinha uma terceira pessoa sobre nós.
Como ela descobriu sobre Shannon tão rápido?
— E olha que ela deu todas as pistas. O tempo inteiro. E você também, Jethro. Não tinha como ignorar aquilo.
Ela está viva!? Quem?
— E depois, bem, você sumiu por quase um mês. E isso depois que eu comentei sobre casamento.
Para a minha sorte, ela estava de costas, pois bem na hora eu me desequilibrei da cadeira.
— Era querer muito que você me olhasse como olha para ela.
ELA QUEM??? Eu quis gritar. QUEM É ELA??? DESEMBUCHA LOGO MULHER!!
— Eu jamais vou conseguir ser o que ela é para você. Eu vi o tanto que ela se preocupa com você. – Ela deu uma gargalhada sem emoção. – Você deveria ter visto a forma como ela te defendeu logo que nós nos conhecemos. Ela não disse com essas exatas palavras, mas nas entrelinhas era fácil de saber que o que ela queria. Algo como, “Machuque Jethro, e você vai saber o que é sofrer.”
Mantive a fachada de interessada na conversa, enquanto uma memória passava pela minha mente, eu e a Coronel, dentro do MTAC. Eu a pedi para ficar e disse que Jethro quase tinha morrido seis meses atrás. E eu não queria que nada acontecesse com ele. Nas entrelinhas eu a tinha mandado se afastar dele... será que era isso que ela falava?
— Sabe, de início eu achei que era ciúme dela. Só dela. Mas então a sua ex-esposa apareceu. E ela pareceu saber muito mais sobre você do que eu sabia. Mais do que uma diretora deveria saber de um subordinado. E eu vi que você entendeu a brincadeira dela. porque você já tinha feito a mesma brincadeira com ela.
Ela estava falando de mim?!!
— Jethro. Não vou dizer que eu sou a fã número um da Diretora Shepard, porém, eu sei admitir uma derrota. E ela ganhou de mim. Aliás, eu nunca ganharia dela. Não mesmo. Você faz tudo por ela. E ela por você. Apesar de terem maneiras diferentes de demonstrarem isso... – Ela se virou para mim, e eu não fazia ideia do que ela via no rosto de Jethro, porque eu não sabia reagir ao que ela estava falando.
— Você nunca deixou de amá-la, não foi? A pessoa que Stephanie disse que substituiu foi a Diretora, não a sua primeira esposa. – Não era uma pergunta, era uma afirmação.
Jethro me amando? Conta outra!
— E, bem... eu vi.
Viu o que?
— Me desculpe ter mexido nas suas coisas, sei que tem muita coisa aqui que você detesta que toquem, que vejam, mas eu não resisti. Estava procurando um camisa para vestir, quando uma coisa chamou a minha atenção no fundo da gaveta. Peguei, era uma caixa de joia, do tamanho de um anel.
Quem em sã consciência mexe nas coisas de Jethro? Nem eu que estou aqui dentro estou fazendo isso! Ele sempre sabe que mexeram. Assim como eu...
— E lá estava. É um dos anéis mais bonitos que já vi. E eu não fui boba em achar que era para mim, porque tudo nele grita o nome de outra pessoa. Aquele anel você comprou para a Jenny, não foi?
Um anel? Para mim?
— Eu sei que vocês têm um passado. Eu só queria entender o motivo de vocês dois não estarem juntos. Por que você se magoa tanto fingindo que não se importa com ela, que não se importa com o modo como ela te olha? Jethro... e agora eu te dou um conselho como uma pessoa que tem um carinho por você.... – A coronel parou mais uma vez, agora ela já estava indo para a escada.
Eu estava petrificada na cadeira. Sobre o que ela estava falando? Eu não entendia mais nada.
— Vá atrás dela. Conte para ela tudo o que você sente. Porque você ama aquela mulher, Jethro. Você iria ao inferno e voltaria por ela. Como eu disse antes, eu não tinha percebido, mas você sempre busca por ela quando se senta na sua mesa, sempre que escuta o som de um sapato de salto, você levanta a cabeça. E... basta que alguém fale “A Diretora” que a pessoa tem a sua total atenção. Jethro, admita para você mesmo, você ama a Shepard. E, como uma pessoa que viu vocês dois juntos, eu te digo, ela te ama também. Vocês são o complemento um do outro. – mais uma vez a coronel parou, encarou o rosto de Jethro – porque eu não estava mais ali, não mesmo.— e terminou: Você merece ser feliz, e se tem uma pessoa, entre todas que te cercam, que te entende, que te lê por inteiro, é ela. Espero, sinceramente, que vocês fiquem juntos. Jamais vi uma dupla tão sincronizada quando vocês dois. – Hollis Mann terminou de falar e subiu a escada, sumindo da minha vista e da casa de Jethro.
Segundos depois, escutei a porta ser fechada.
— MAS O QUE FOI ISSO?! – Falei não sei quanto tempo depois.
Eu estava tão atordoada que perdi a noção da hora, só fui me levantar daquela cadeira muito tempo depois que a Coronel tinha fechado a porta.
Como tudo o que estava acontecendo nessa semana, achei que aquilo também era um sonho. Um sonho muito estranho e, terrivelmente doloroso.
Me arrastando, subi os degraus até a cozinha, certa de que precisava acordar no meu corpo, na minha cama, na minha casa, para que tudo isso não passasse de um pesadelo. Porém, quando cheguei na cozinha e mirei o sofá da sala...
— Você.... – Falei sem emoção. As coisas não poderiam ser um pouco mais fáceis para mim, não?
Jethro me olhou, e eu notei que tinha algo na mão dele, ou na minha mão. Um frio percorreu minha espinha.
Será que a Coronel estava falando a verdade?
Notas finais
Obrigada a você que está lendo!
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