Para Lembrar
15 Um novo passo
Notas iniciais
“- Deus, como é bom ouvir sua voz.
Engolindo um caroço em minha garganta, tentei dizer algo, mas nada saia.
– Bu?
BU? Como ele ousa?
– Estou ocupada Mason, não posso...
– Espere! Tenho algo importante para lhe dizer.
– Eu realmente não estou interessada Mason...
– Estou voltando Erin! Voltando pra você.
Tentando assimilar o que ele havia dito, permaneci quieta. Eu não ia chorar.
Mason estava voltando? Eu o queria aqui?
– Não acho que seja uma boa ideia. – suspirando falei.
– Você n-não me ama mais?
Sua pergunta mais uma vez me fez sentir estar sendo cortada ao meio.
– E-eu, ...- um som estridente ecoou pelo cômodo, que merda era...”
A água agora gelada machucava minha pele, não tanto quanto o som de meu celular tocando, realmente tocando.
Fechei os olhos me entregando a gélida sensação de estar sozinha. Tudo não passara de um sonho, um maldito sonho onde Mason se importava e estava voltando para casa. Quase ri de minha mente maligna, que insistia em me torturar.
Quando finalmente deixei a banheira, corri para minha cama, extremamente grande e vazia, levando comigo uma das cartas de Mason. Não me importei em checar quem havia ligado a alguns minutos, não me importei em apagar as luzes, ter medo do escuro era algo novo, mas algo com que eu podia lidar. Adormeci pensando em um par de olhos negros.
~~~
Depois de acordar, vestir-me e ir dançar, voltei e comecei a me preparar para encontrar Jorge. Era ele quem tinha ligado ontem para me informar que agora, eu era oficialmente uma empresaria, dona da mais nova companhia de arte“Blue Sunrise”. Agarrei-me a minha felicidade passageira, sabendo que logo ela iria se esvair também.
Jorge também disse que eu teria de começar minha procura por professores e alunos.
Este era um novo passo para mim, o maior que eu já ousara dar, era difícil não ter medo. Em minha bolha de felicidade decidi que comprar um carro era necessário agora. Como não sabia muito sobre a cidade e onde devia ir, liguei para Derek, ele pareceu contente em me ajudar, mandando o endereço de uma concessionaria aqui no centro.
Chamei um taxi e 15 minutos depois me encontrava em frente a um monstruoso prédio espelhado. Um pouco intimidada, entrei.
Um homem com um grande sorriso branco, olhos verdes e cabelos claros, veio me atender. Ele falava muito enquanto eu apenas assentia e olhava os carros a minha volta. Brad, o vendedor pareceu perceber minha falta de interesse em seus esportivos.
– Não gosta do que vê? – eu estava ficando louca ou suas palavras estavam repletas de segundas intenções? Brad era bonito, parecia ter algo entre 27 e 30 anos, mas eu definitivamente não estava pronta para um novo relacionamento. Fugindo do assunto, fingindo não perceber sua pequena insinuação, falei:
– Não, é que prefiro algo mais, humm, clássico.
– Por que não disse antes amor?
Amor?
Tentando sorrir o segui até outro ambiente, um pátio parecido com o que nos encontrávamos a alguns segundos, mas não tão grande. Nele estava minha perdição. Mustangs, Dodges, Impalas,...
Eram tantos...
Trouxe minha mão a boca, apenas para ter certeza de que não estava babando.
– Devo dizer, você tem bom gosto... senhorita?
– Everly. – respondi automaticamente.
– Oh! – Brad me olhava com uma expressão curiosa e triste ao mesmo tempo. É claro que ele saberia.
– Erin Everly. – falei, voltando minha atenção para os possantes a minha volta. Foi quando meus olhos o avistaram. Tentei lutar contra o impulso, mas era impossível, quando dei por mim, encontrava-me em frente a um Mustang GT idêntico a minha Sally.
Tocando sua lataria preta perfeita, voltei-me para Brad.
– Quero este aqui.
Depois de uma hora eu finalmente tinha meu novo possante, e o dirigia para casa. Mas algo ainda faltava. Alguém faltava. Aumentei o volume de meu toca fitas, tentando não pensar demais. Quando virei em um cruzamento notei a grande placa de um pet shop. Era isso!
20 minutos depois eu dirigia meu novo carro rumo a minha nova casa, com meu novo melhor amigo dormindo no banco de trás.
~~
– Senhorita Everly?
– Sim?
– Estamos quase prontos.
Eu tenho tudo sobre controle, tenho tudo sobre controle.
Este vinha sendo o meu novo mantra a alguns dias. Hoje, 3 de Dezembro, era finalmente a festa de aniversario de Claire. E eu? Eu estava pirando!
Correndo para cima, fui tomar um banho e me arrumar, já que os convidados chegariam nos próximos 20 minutos.
Em tempo recorde tomei banho, fiz minha maquiagem, enrolei o cabelo, entrei em um vestido e calcei meus saltos. Olhando-me em frente ao espelho, agradeci pelo fato de minha corrente ser grande o suficiente para descansar o pesado anel de diamante no meio de meus seios, notei também o quanto eu parecia comigo mesma outra vez. Com minha companhia sendo cotada, passando mais tempo com Claire e Sam, eu vinha melhorando, deixando de pensar em Mason, deixando de sonhar com sua volta.
Olhando para baixo notei a não tão pequena bola de pelos aos meus pés.
– Por que tem que doer tanto Sammy?
Meu filhote de São Bernardo esfregava seu focinho gelado em mim, como se tivesse algo a dizer.
– Pronto?
Agarrando e o abraçando apertado, peguei minha bolça e fui para um de meus estúdios, onde seria a festa de Claire, mal sabendo o que me esperava lá.
Sam e eu chegamos antes de qualquer convidado, o que era um alivio, mas Car, Derek e sua desagradável-esposa-Emmily já estavam aqui. Quando notei Claire quase tive uma parada cardíaca, ela estava linda em seu vestido de tutus azul, com seu cabelo enrolado e suas sapatilhas rosas. Ela definitivamente parecia uma princesa.
– Ei Erin!
Então como ela sempre fazia, Car correu até mim e se jogou em meu colo, tive de fazer uma manobra extremamente perigosa para me manter em cima destes saltos assassinos, segurando um filhote gigante e uma garotinha.
Rindo a beijei enquanto Sammy a lambia animadamente.
– Olá Sammy. – dois dias após compra-lo, trouxe Claire para casa, para que ela o conhecesse. Ambas concordamos que seu nome deveria ser Sam, em memoria de nosso antigo melhor amigo.
– O que ele esta fazendo aqui?
Usando minha melhor cara de “foda-se eu não dou a mínima para o que você pensa”, encarei Emmily.
– Ele esta aqui, porque eu estou aqui.
Ela estava prestes a dizer algo quando avistamos nossos primeiros convidados.
Claire confessou não ter muitos amigos, mas os poucos que chamou a fizeram feliz com grandiosos presentes e sorrisos. Eu estava tão feliz por minha pequena garotinha, sorri enquanto ia até o banheiro.
– ... A semelhança é assustadora. Tenho certeza de que é a mãe dela. Tadinha de Emmily, como ela consegue lidar com tudo isso? – espera? Fiquei em frente a porta, tentando entender o que aquelas vozes diziam. – Parece que ela abandonou Derek quando Claire era apenas um bebê.
– Não acredito! Que cretina!
– Concordo...
Deus! Elas pensavam que eu era mãe de Claire? Correndo para longe do banheiro, fui atrás de algo para beber. Ainda nem tínhamos cortado o bolo e eu já estava em minha quinta taça de Martini, escondida na sacada do estúdio, pensando em toda a porcaria que podia.
– Erin?
Virei deparando-me com Derek.
– Você sumiu, Claire quer cortar o bolo. – ele parecia preocupado. Suspirei pensando em como eu era uma cretina digna de pena.
– Perfeitamente bem. – o sarcasmo em minha voz era imperceptível. – Estou fodidamente bem Derek. Nunca estive melhor.
– Ah Erin! – quando ele me abraçou, eu permiti. Precisava de um abraço amigo, de alguém. Estava cansada de estar sozinha. – Eu sinto muito.
Apenas assenti, sentindo as lágrimas escorrerem por meu rosto.
Então Derek segurou meu rosto com suas mãos, fazendo com que eu olhasse para ele.
– Você é incrível Erin, sempre foi. Não se deixe cair, não se deixe chorar. Mason é um idiota por trata-la desta forma – secando uma de minhas lágrimas com seu polegar, ele continuou – Acredito e me importo com você, o suficiente para que saiba, que estarei aqui. Sempre.
Algo em mim se quebrou naquele momento.
– Eu te...
– Tire suas mãos dela Derek.
Assustada, recuei. Conhecia aquela voz, não poderia esquecê-la nem em um milhão de anos.
– Mason? – sussurrei, encarando o homem que lutava para esquecer.
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