Notas iniciais
Boa leitura.
E Mia... Espero do fundo do coração que você goste.

E então lá estava eu...

Parado, no meio do parque onde te dei o seu primeiro beijo, vendo você com ele.

E eu não posso evitar nenhum segundo me culpar do que aconteceu com a gente. Você sempre foi cem por cento eu, Hinata. Enquanto eu, mesmo com um turbilhão dentro do peito, ignorava qualquer sentimento que pudesse ter por você.

Você pode achar que não me importei em nenhum momento. Que não lembro daquele dia em que ficamos presos na biblioteca do colégio até mais tarde, e você, com medo quando as luzes se apagaram, acabara por me abraçar, corando violentamente depois. Aquela noite, enquanto ninguém aparecia para nos procurar, foi a primeira vez que conversamos, não foi? Sempre foi fácil para mim falar com você. Temos gostos parecidos, sonhos parecidos, e até mesmo a sua timidez sumia quando começava a falar tão entusiasmada das coisas que queria fazer, dos lugares que queria conhecer, da liberdade que queria conquistar.

Você me confessou, muito tempo depois daquele dia, os seus verdadeiros sonhos. O principal era se apaixonar de verdade. Me desculpe por ter sido sua maior decepção. E me desculpe por não me arrepender de, sabe se lá como, ter feito você se apaixonar por mim.

Quero que saiba que, naquele estranho momento que você fantasiou demais quando me descreveu. Como era mesmo? “No momento em que a luz da lanterna do vigia iluminou nosso rosto, e eu pude olhar nos seus olhos, foi quando me apaixonei.” Pois é, Hinata. Eu nunca te contei, mas naquele momento eu também senti uma coisa estranha na boca do estomago. Diferente.

Eu já havia me apaixonado, você sabe, ou ao menos eu achava que tinha. Era o cara mais popular da escola, e me acostumei a ser o centro da atenção feminina, de ter a garota que eu quisesse na cama. E isso, Hyuuga, é o meu pecado.

Desculpa, Hinata, por ser um estupido mulherengo.

Me desculpa por inconscientemente me aproximar de você após aquela noite. Você estava bem no seu ciclo de amizades, eu tinha o meu. Mas de alguma forma eu precisava ter você na minha vida. E acho que você sentia o mesmo, pois me confessou que havia deixado de passar os intervalos na biblioteca apenas porque sabia que se fosse ao pátio, eu estaria lá para sentar ao seu lado.

Você esperava ansiosamente pelos intervalos, e eu também.

Me desculpa, Hyuuga, por ter te convidado para aquela festa na minha casa. Eu precisava que você estivesse lá. E de forma egoísta, eu precisava que você me visse com a Sakura naquela noite, porque me fazia bem te ver sentir mal. Me fazia achar que você sentia algo. Que eu tinha controle sobre os seus sentimentos, porque naquela época eu já sabia que não controlava os meus.

Espero que você saiba que quando eu falei para o Naruto que nunca dormi com a Sakura, é a verdade. Eu não tive coragem porque me lembrei da sua face desapontada quando saiu da festa aquela noite.

Uma hora depois, nesse mesmo parque, eu te dei seu primeiro beijo.

Foi errado ter te agarrado sem permissão, eu sei. Talvez fosse o efeito do álcool ou a raiva por mais uma vez, ter meus sentimentos fora do controle por sua culpa.

Hinata, o seu primeiro beijo teve gosto de álcool e chuva, misturado com as lagrimas que eu mesmo causei.

Me desculpa, principalmente, por ser um cínico. Porque naquela mesma noite eu recebi uma mensagem sua pelo celular. Uma declaração. Deve ter sido difícil pra você falar de seus sentimentos, mesmo que por trás da tela. Mas eu não pensei nisso, não é? Mais uma vez eu só pensei em mim, e deve ter sido naquele momento que eu comecei a ti mudar, porque você também virou uma cínica. Éramos dois conhecidos que não trocavam mais do que palavras casuais na frente da escola inteira. Mas você tava morrendo por dentro.

Eu sei disso porque quando você não aguentou mais ficar calada, você bateu na porta da minha casa as nove da noite. Parecia ter passado o dia chorando. Estava destruída, mais uma vez por minha culpa.

“_ Por favor, Sasuke. Diga algo. Qualquer coisa. Simplesmente peça que eu te esqueça.”

Eu disse não disse?

“_ Me esqueça, é o melhor para nós.”

Mas ter te beijado após isso deve ter anulado o efeito dessas palavras.

Estranhamente, após isso foi nossa melhor época. E espero que você também considere.

A gente se encontrava no mesmo parque e passávamos horas conversando sobre tudo. Alguns beijos roubados e sorvetes derretidos. O calor dos teus braços e um anjo de neve. Aquela marca no meu queixo que você adorava tocar. Um beijo e uma dança na chuva. Tão clichê, mas tão nosso.

Eu me pergunto o porquê de eu nunca ter conseguido te dizer que te amava. Eu já sabia que amava. Mas o nosso infinito sempre acabava quando nos encontrávamos na escola no outro dia. Continuávamos sendo dois cínicos. E eu me arrependo amargamente de ter feito você seguir do meu jeito.

Eu amaldiçoo todos os dias em que, mesmo estando satisfeito e feliz ao seu lado, eu me deixei levar pelas provocações dos meus amigos e levei alguma garota para a cama. Apenas para mostrar que eu continuava na ativa. Talvez para provar a mim mesmo que não precisava de você. De alguma forma, eu sempre tentei te esconder minhas burradas, e me desculpe se a maioria chegava nos seus ouvidos.

Amaldiçoo principalmente o dia em que Karin conseguiu me levar para a cama. Não porque você viu. Mas porque naquele momento eu realmente me senti sujo e imundo. Por todas as vezes que estive com outra e não você. Eu sou errado, Hinata. E de alguma forma, eu senti que não haveria conserto.

Você realmente quebrou aquele dia.

E mais uma vez eu fui egoísta por não ver que Uzumaki Naruto estava apaixonado pela mesma garota que eu. E estupido por ter dado a oportunidade de ele se aproximar.

Por que enquanto eu te ignorava na escola, ele te fazia sorrir. Ele estava onde eu devia estar, apenas esperando a chance de entrar no lugar que sempre fora meu. Você chorou nos braços dele, e aquele foi o momento que eu te perdi.

Ele te faz bem, não é? Te faz sorrir como eu nunca fiz. E eu posso assegurar que ele nunca te trocaria por noites com quaisquer garotas.

Com egoísmo, gostaria de te dizer que eu vou esperar. Na menor chance eu te tomarei de volta pra mim. Porque sabemos que você sempre será minha. E sim, eu sei que sou o errado. Sei que errei demais e que não te mereço. Mas quero provar a você que posso ser aquele cara das tardes de inverno. Desta vez, por inteiro.

E por último, eu assumo agora, por meio dessa carta amassada, mas sincera que eu te amo. Desde o princípio. E espero que isso conte de algo para me fazer ter mais uma chance.

Seu.

US.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!