Notas iniciais
Devo afirmar que adoro todas vcs, são o máximo. Muito obrigada pelos comentários, de paixão! Este capítulo que se segue é a quebra da barreira entre Damien e Darcelle, acho que finalmente as coisas podem começar a andar entre eles... Boa leitura,

Em nenhum momento Damien vacilou, embora tenha parado de dançar, o seu corpo ainda permanecia colado ao de Darcelle.

— São duas pessoas a dançar, como bem pode ver parece que todo o salão está a fazer o mesmo — respondeu de cenho unido, com uma naturalidade que espantou os demais.

Joanne veio a voar como uma flecha, cruzando o salão até a pista e segurando a irmã mais nova pelo braço, obrigando-a a retirar-se de cena.

— Desculpe senhor Beauchamp. Emma às vezes pensa muito pouco. — Com delicadeza puxou a noiva, tirando-a de cena e a empurrou para fora do salão de festas. Lá fora a noite trazia o frio, mas nem a temperatura serviu para arrefecer os ânimos das Charlton.

— Você viu o que aquele monstro fez? Dançar com a assistente, antes mesmo de me convidar? E na frente de todo mundo! — Colocou a mão na barriga como se toda a irritação estivesse alojada ali. Respirou fundo várias vezes.

— Emma, o que foi que você não viu? Aquela empregada saiu com Damien, e quando voltaram ele estava sem máscara. Não sei que influências essa empregada tem, mas uma dança é o menor de nossos problemas — sussurrou Joanne com os olhos castanhos bem abertos. — Não passa de uma empregada, mas o melhor é mudar de foco. Aproxima-te de Damien, conquiste sua amizade e não apenas um futuro marido por contrato. És mais esperta do que parece. Se Darcelle tem acesso ao monstro, você também tem que ter.

— Hum. Hum — Jamie apareceu do lado de fora, os olhos estreitos atentos nas Charlton. — Acho melhor entrarem, o Christian anunciou o brinde.

— Claro! — Emma se virou num passo rápido, a cobrir o corpo com os próprios braços pálidos, para se proteger do frio.

— Eu a conheço? — A médica analisou a noiva com atenção e pestanejou. — Seu rosto não me é estranho!

— Mas o seu é estranho para nós. Agora com licença! — Joanne interveio como sempre, apoiando a mão no ombro da irmã, a conduzindo para dentro do salão de festas. Johnson fez uma careta e só mordeu a língua por se tratar de pessoas a quem prima não quereria faltar com o respeito. Mas ela queria e muito!

O noivado correu como esperado, a tensão criada pela súbita dança aos poucos foi dissipando, e o brinde aos noivos feito por Christian, serviu para levantar os ânimos e todos aproveitaram ao máximo a festa. Menos o anel. Damien manteve a caixa dentro do casaco, deixando Emma com o antigo no dedo.

Darcelle bebeu coquetéis suficientes para decidir dormir na mansão, no quarto destinado a si quando ali trabalhava. Jamie tinha sumido e ao que parecia, o jovem Dash parecia usufruir da mesma magia do desaparecer.

Ao longe dava para ouvir o barulho dos arrumadores que limpavam e organizavam o que restava da festa na mansão. A Johnson decidiu tomar um banho para aliviar os músculos e tirar o cansaço do dia espalhado pelo corpo, e logo em seguida entrou na confortável cama, adormecendo para sonhos perdidos.

Despertou com um barulho vindo do corredor, e saiu da cama assustada. Lá fora uma chuva fina caía, e assim que abriu a porta para o corredor sentiu o ar frio que invadiu o seu quarto.

— Damien? — Agachou-se com prontidão para ajudar a apanhar os cacos da garrafa e do copo partidos no chão. — O que estás a fazer? E a senhora Charlton?

Beauchamp riu baixo e deu de ombros, mostrando sua falta de interesse na última questão. Apenas levantou os olhos azuis brilhantes e tentou levantar o corpo, se desequilibrando no processo.

— Você está bêbado — constatou Darcelle, abandonando os cacos de vidro e se dispôs a segurar o corpo maior e mais alto. Encaminhou-o para o quarto, agradecendo pelo calor da lareira aconchegar os corpos, e o deitou na cama. — Eu vou buscar uma aspirina e chamar a senhora Charlton.

— Não vá. — A mão agarrou o braço com leveza, e o dedo polegar acariciou a textura da pele negra. — Por favor, fique aqui.

— Não é a melhor das condições para me pedir isso — replicou com retidão, embora o arrepio que sentiu no corpo pelo toque inesperado, a denunciasse.

— A tua imagem não sai de minha cabeça. Estavas nos meus braços e o teu sorriso era tão sincero... — ignorou o que Darcelle disse, e com os olhos fixos no teto, deixou as palavras escorrerem de seus lábios. — Você merece alguém muito melhor, mas muito. Nem imaginas o quanto és maravilhosa, não...

— Por favor para! — A assessora tentou se afastar, mas não conseguiu se soltar da mão masculina. Não queria falar daquele assunto, temia o dia em que pareceria frágil e sensível por sentimentos os quais não sabia classificar. Desejava permanecer num canto recôndito, sem ser notada. — Hoje foi o seu noivado, a senhora Charlton...

— Emma não está aqui, Darci. — Beauchamp levantou o torso, e ficou sentado junto dela. Subiu a mão para acariciar o rosto de traços femininos e bonito se bem apreciado. O hálito a uísque era intenso mas ainda assim, agradável. — Quando acordo e durmo, és a primeira a permear meus pensamentos. Anseio cada segundo por voltar a vê-la.

Darcelle permaneceu de lábios cerrados, se perguntando se ainda estaria a sonhar. Seria provável acordar pela manhã e descobrir que Beauchamp nunca esteve ali. Mas estava.

— Se não partilhares de meus sentimentos, eu compreenderei. Não sou alguém fácil de gostar mas eu precisava dizer tudo o que sinto. É novo, é ousado!

— Isso é errado...

Damien encostou a testa junto da dela, os narizes quase se roçavam e a respiração quente e agitada era sentida por ambos os lados. Lá fora a chuva caía trazendo o inconfundível cheiro de terra molhada, e o crepitar da lareira foi testemunha dos segundos que pareceram eternos antes dos lábios finalmente se juntarem. Foi um beijo rápido, inesperado e cheio de ansiedade. Johnson foi a primeira a se afastar e levantou da cama, assustada e confusa.

— Não posso permitir. Não posso. — A voz estava trémula e o coração palpitante. — O noivado, a senhora Charlton e todo o resto. Não sou traidora, não farei isso!

— Tudo foi um erro! Esse noivado, esse contrato. — Também se levantou atrás dela, mas cambaleou mais uma vez, sendo amparado pela segunda vez.

— Não estás bem, o álcool te deixa assim. Amanhã tudo será diferente. — Obrigou-o a deitar na cama, mas Damien a segurou com força, forçando para que se deitasse do seu lado.

— Fique aqui... pelo menos até eu dormir — pediu e abriu o braço para contornar o pescoço e o ombro de Darcelle, a puxando para o próprio peito. O coração batia, estava agitado.

Ninguém disse mais nada, apenas se ouvia as respirações aceleradas que breve se tornaram serenas. Era suposto ela partir, mas o calor do abraço a conduziu para outras dimensões.

Os dois sentiram a estranha sensação de estarem a ser analisados, um desconforto sem medida que os obrigou a despertar. Primeiro o susto ao descobrir que adormeceram juntos e depois pela figura da senhora parada na porta.

Era alta e elegante, com o cabelo loiro platinado num corte moderno e um vestido caro até aos joelhos. Apesar das rugas na cara, era fácil perceber pelos olhos azuis fulminantes, quem ela era. Trazia um jornal na mão.

— Pensei que tivesses aprendido a identificar golpistas desde que perdeste metade da cara, Damien. — A voz era rude, e o sotaque britânico acentuado.

— Mãe? — Ele pestanejou, tinha a cabeça a latejar e a boca seca. Tentava recordar com eficácia os acontecimentos da madrugada, agradecendo por ambos estarem vestidos como prova de não ter feito nada de errado. — Quem te deu autorização para entrar nesta casa?

— Vim verificar esse maldito noivado de perto, mas cheguei um pouco tarde. Não sem antes receber a nova edição da Tempo. — Atirou o jornal para os dois, e dava para ver as letras garrafais do título: CHARLTON VS JOHNSON uma disputa pelo sobrenome Beauchamp.

Darcelle levou soltou um grunhido, suas feições se contraíram e desceu da cama num desespero. Não era assim como pensava ser vista, ainda mais tinha sido publicada especialmente por Lorenzo Wright.

— Eu vou matar aquele...

— E você menina! — A senhora deu dois passos para frente a fim de averiguar melhor de perto. — Eu sei o que está tentando fazer. Vai ser a diferente, aquela que não tem repulsa pelo rosto assustador, aquela que o encoraja, que não quer o nosso dinheiro e só tem amor para dar. Eu conheço esse truque!

— Eu não vou responder apenas para não ser mal criada — Darcelle redarguiu com firmeza, e sentiu uma raiva interna por não ser como a prima e explodir.

— Esse truque a senhora mesma usou para o meu pai, pois não? — Ele se colocou a frente da assessora, como se a quisesse proteger de algo perigoso. — E o dinheiro é meu.

— Nunca cooperei com essas atitudes, casamentos por contratos, comprar mulheres para o amarem! Por isso fui embora por tanto desprezo por participar dessas situações ridículas. — Como sempre Giovana o acusou, os olhos em descrença espreitavam por trás da jovem.

— Não deverias ter voltado. Essa casa é minha, a vida é minha e eu quero vê-la bem longe de tudo, como sempre esteve. — O monstro du Camp caminhou em direção a porta, e a abriu até ao limite. — Não estavas aqui quando eu precisei, agora é tarde demais para a sua ajuda. Se não sair em cinco minutos, chamarei o segurança. O mesmo que corre o risco de perder emprego por tê-la deixado entrar.

— Damien, ela é sua mãe! — Exclamou Darcelle, boa demais para saber guardar rancores. Já tinha vivido uma situação parecida com àquela, a mãe de Jamie também não era flor que se cheire, e a prima sempre a tratava com rudeza, magoada pelos anos de sua ausência.

— Eu não disse que não era, só que quero que a Giovana se vá embora. Agora. — A resposta demonstrou todo o nervosismo e a urgência de não querer olhar na cara de sua progenitora. Havia ódio nas palavras, e Johnson não gostou de o identificar.

— Meu filho pode ser um idiota, mas eu não sou. Conheço mulheres da sua espécie. — Insistiu em frisar e não escondeu a admiração ao ver a negra revirar os olhos, demonstrando um certo descaso.

— A senhora pode ser tão cética no quesito de não acreditar que alguém possa realmente amar o seu filho por causa do rosto. Se eu o amo? Acho que seria cedo para dizer isso, mas eu gosto de Damien e muito. Inclusive deve estar escrito na minha testa, qualquer um com a sua idade ou experiência, já deveria identificar isso com muita facilidade! — respondeu e desta vez sua voz não falhou nem um segundo, ignorando o peso das próprias palavras e o rosto atónito dos dois recetores.

Giovana ainda demorou a encarar a jovem a sua frente, antes de dar meia volta e sair do quarto deixando os dois a sós. O rosto de Beauchamp estava ruborizado e os olhos azuis fixavam a sua assessora.

— O que foi que você disse?

— Que eu gosto de você. Penso que sabe disso. — Foi sincera.

Damien ficou inerte.

Notas finais
Obrigada aos fantasminhas que apareceram. Não mordi nenhum! Por isso os outros podem estar a vontade! Podem me mandar MP, Me add no facebook, fazer perguntas, conversar. Qualquer coisa. Eu adoro! (geminiana) Gostou? Não gostou? Crítica, sugestão, elogio? Essa linda caixa abaixo, ela também não morde! Quer recomendar? Não se faça de rogado/a! Fique a vontade. A pequena autora sempre agradece.