Paraíso Proibido

10 Capítulo 10. Atitudes


Notas iniciais
Yay! LEEEIAM AQUI, é importantinho :/ Bom galerinha, pra começar eu queria me desculpar por não ter atualizado a fic ontem, eu realmente dei uma segurada porque eu "empaquei" um pouco pra escrever D: eu estou com tudo elaborado aqui na caixola, mas não consigo escrever, eu começo e daqui a pouco já paro e vou fazer outra coisa, eu não estou conseguindo me concentrar -_- esse é um dos motivos de eu nunca ter postado aqui antes, tinha medo de isso acontecer, de me dar um branco gigante na memória, e acabar abandonando tudo :/ Enfim, eu já estou dando continuidade à história, agora estou um pouco "melhor", to me empenhando :3 de qualquer forma, até eu conseguir adiantar pelo menos dois capítulos adiante, eu vou dar uma segurada pra postar, amanhã é capaz que eu não poste também, só se eu conseguir terminar o que to escrevendo ;/ vamos torcer #yn É isso. Chega de enrolação e vamos ao capítulo! Eu adorei escrever esse porque adoro as cenas da Claire, ela é bem doidinha mesmo, kkk. Sem contar que está tudo muito fofinho ^u^ Boa leitura, amiguinhos! (Sem notas finais, já adiantei tudo aqui :*)

Fernanda PDV {Fernanda: Ponto de Vista}

Depois de tomar um banho, vesti uma roupa leve — um shorts jeans e uma regatinha azul; fazia calor lá fora. E aliás, a sorveteria era aqui ao lado, eu não ia me arrumar toda e menos ainda para a Claire, faça-me o favor. Já estava contrariada de ter que ir vê-la quando tudo o que tinha acontecido estava tão recente, eu sabia que ia ter que me conter muito para que ela nem sequer desconfiasse de nada. Seria um verdadeiro desafio. Eu sabia que não conseguiria disfarçar, Claire era um poço de desconfiança e ficava o tempo todo analisando as pessoas enquanto elas falavam, ela praticamente fazia disso um hábito, uma mania que deixava qualquer uma de nós irritadas — ela nunca deixava passar nada. Agora eu teria que ser ninja. Ia ser complicado — traduzindo: impossível.

Olhei em meu relógio de pulso e faltava pouco para as duas da tarde. Resolvi que poderia ir descendo, ela costumava ser bem pontual — isso quando não chegava antes de todo mundo. Sai do prédio e segui para o lado esquerdo da calçada, pois a sorveteria ficava bem ao lado da padaria. Quando entrei, procurei por uma mesa vazia, mas qual não foi minha surpresa ao ver uma coisinha saltitante com seus cabelos cor de mel cacheados pulando que nem uma fã enlouquecida. Sim, essa era a Claire. Rolei os olhos, devia saber que ela já estaria ali me esperando. Me aproximei da mesa e ela logo pulou em meu pescoço e me deu um abraço desajeitado.

– Ai, Claire — resmunguei.

– Credo, não melhorou nem um pouco esse humor, criatura? Eu hein. Mas eu não ligo! — ela já sorria. — Sente-se aí e vamos direto ao que interessa. Você tem muuuita coisa para me contar, você sabe, não é dona Fernanda?

Bufei.

– Nós podemos pedir um sorvete primeiro, por favor? Obrigada — eu peguei o cardápio.

– Você pode ir falando enquanto escolhe seu sorvete, eu deixo.

– Eu não quero falar enquanto não pedir o meu sorvete — fechei a cara.

– Ai que uó, na boa Fê, você está insuportável hoje. Pede logo esse negócio então — ela cruzou os braços, se recostando na cadeira. Escutei ela murmurar: — Isso é o que acontece quando as pessoas não transam. — E eu a fulminei com o olhar. Ela ergueu as mãos como se dissesse "não falei nada". Engraçadinha como sempre!

Eu pedi um sorvete de pistache com calda de chocolate, que era um dos meus favoritos, e Claire pediu um de morango e flocos com calda de caramelo. Não pronunciei uma palavra enquanto meu sorvete não chegou, mas também depois que chegou Claire já estava tão impaciente que quase me batia.

– Desembucha, Fernanda! Mais um minuto de silêncio seu e você vai engolir esse sorvete com pote e tudo.

– Vai, Claire, diz logo o que você quer saber. Eu não tenho escolha mesmo, não é?

– Não! — ela dizia já animada. — Então, amiga. É óbvio que eu quero saber tudo o que aconteceu no jantar de ontem. Não venha me dizer que foi só um jantarzinho burguês, porque eu sei que foi mais que isso, eu já sei de tudo.

– Sabe de tudo?

– Tudo, senhorita Fernanda. Sei que você não ia fazer companhia pra Izie coisa nenhuma, que você ia ser a "namorada" — fez aspas com os dedos — dela nesse jantar. Mentiu pra mim, sua tratante! Como você pôde me esconder uma coisa dessas hein? Não tem vergonha não?

– Ah, isso — falei sem muito ânimo. — Bem, eu menti porque eu te conheço muito bem, dona bla-bla-bla, você ia atormentar minha cabeça se soubesse desse pequeno grande detalhe, até porque você é louquinha pra me ver rastejando aos pés da Ísis, mas isso não me ajuda, ok? Você precisa parar de querer fazer eu me jogar pra cima dela, não é assim que funciona, eu... — ela me interrompeu, fazendo pouco-caso e imitando minha voz de um jeito irritante:

Eu valorizo muito a minha amizade com a Izie para pôr tudo a perder agindo sem pensar. Bla bla bla, bla bla bla — finalizou rolando os olhos. — Ok, Fê. Isso eu já sei de cor e salteado. Agora, escuta: eu não tento te jogar pra cima da Izie o tempo todo, o que eu tento é te encorajar a tomar algumas atitudes, entende? Cara, eu detesto te ver assim, tenta me entender. Você é maluquinha pela Izie há um tempão, tipo, tempão mesmo, isso é uma tortura até pra mim! Ter que ficar vendo você morrendo se escorando pelos cantos porque não pode ter a garota que você tanto quer...

– Ai que exagero! — retruquei.

–... Shh, eu não terminei. Escuta: eu quero teu bem, ok? Mas você é mais teimosa que uma mula! Sabe quando uma mula empaca e não quer sair do lugar e você tem que dar aquele chute no traseiro dela pra ela voltar a andar? Eu estou quase dando esse chute no seu traseiro. Você precisa sair do lugar, Fê! Até quando você vai ficar só olhando e desejando? Até alguém aparecer e tomar o seu lugar? Sério, eu te tiro do meu testamento se você deixar isso acontecer! Está na hora de você ser feliz, arriscar tudo, rasga o véu da viúva e samba na cara de todo mundo, criatura! Se liberte. Sai desse mundinho sem vida que tu ta vivendo aí. Ai, que uó!

Foi inevitável não rir desse discurso dela. Claire era uma ótima amiga, eu não podia negar, o único problema era que as vezes o tesão dela pela idiotice falava mais alto que esse lado amiga e irmã protetora que eu tanto gostava — era bom saber que esse lado dela ainda estava aí escondido e intacto. Ela voltou a falar, gentilmente:

– Agora é sério, Fêfê. Atitudes. Atitudes é tudo o que eu quero de você, está bem? Chega de ficar sempre se lamentando pelos cantos, "bora" ser feliz! — ela apertou minha bochecha e eu franzi o nariz. Ela sabia que eu não gostava disso, e era exatamente esse o motivo de ela sempre fazer. — Então, me diz: como foi esse jantar pra você? Será que a senhorita tirou alguma lição de tudo isso? Me conte, anda.

– Ah, Claire. O jantar em si foi tranquilo, não estávamos apenas nós e os pais dela, tinha outras pessoas também...

– E os pais dela, hein? Como foi quando você os viu? Teve que fazer aquela ceninha de "ai sogrinha e sogrinho lindos meus amores, que prazer, como é bom finalmente conhecê-los!", ou nem?

Eu ri da cara que ela fez. Era o tesão pela idiotice falando mais alto!

– Não! — falei ainda rindo de leve. — Não exagere, ok? Eu não precisei fazer cena nenhuma, a Izie me introduziu e eu simplesmente os cumprimentei. Aí nós cumprimentamos o resto do pessoal que estava lá, o Rodrigo também estava, o irmão dela...

– O Rodrigo?! Ai nossa, ele é um gato! - ela ela fez uma cara que era bem digna dela mesmo. — Eu só o vi duas vezes, antes de ele ir para fora do país, quando ele ia buscar a Izie no colégio e chegava com aquela moto enorme rugindo a todo o vapor, Fernanda minha filha, não tinha uma que não comentava! Lembra disso? Nossa!

– Eu lembro sim — respondi com um sorriso. Agora eu lembrava. E ele era outro que poderia ter me reconhecido naquele jantar. Meu Deus, eu estava correndo sérios riscos lá e nem sabia! – Lembra que a Samantha, aquela piriguete lá do Hermano, foi tentar puxar assunto com ele e ele deu um baita fora nela?! Nossa, justo ela que se achava a maior gostosa do pedaço, aquele foi o dia – nós rimos com as lembranças. Bons tempos.

– Realmente! Esse dia foi um marco na história do colégio Hermano Ferreira de Assunção. Mas agora, voltando... E aí? Não rolou absolutamente nadinha? Nenhum clima assim, meio que digamos... "propício" a um beijo entre vocês, uma tensãozinha, nada de nada? Ninguém gritando "beija, beija, beija!"?

A lembrança do jardim já veio à tona na minha mente. Tentei disfarçar, mas ela já me encarava com aquele olhar analisador, lendo minha mente, e era tarde demais. Mesmo assim, ainda tentei me esquivar:

– Não, Claire. Claro que não — sacudi a cabeça. Nossa, que convincente!

– Ah, ta! Mentirosona! Caramba, é sério, eu não sei porque diabos você ainda tenta mentir para mim, Fernanda, sua descarada! Agora me fala logo: você beijou a Ísis? Não minta!

Suspirei derrotada. Era inútil. Se eu continuasse negando, ela acharia que eu tinha beijado Izie, o que não tinha acontecido realmente, mas ela nunca ia acreditar se eu dissesse isso. Então, não tive outra alternativa: contei tudo à ela. Tudo o que tinha acontecido no jantar, eu contei. Ela estava com a boca aberta de surpresa.

– Fer-nan-da! Porra! Desculpa — ela colocou a mão sobre a boca ao proferir o palavrão. Nem me importei realmente. — Meu! É sério isso tudo que você me falou? Caramba... Eu aqui achando que ia ter que chutar o teu traseiro e você já está bem uns cem passos na minha frente! Nossa Fêfê, to pasma. Será que finalmente a Izie está te olhando de outra forma? Porque né... — ela tinha os olhos bem abertos em surpresa

– Eu não sei, Claire. Ela estava meio bêbada e... — ela me interrompeu, quase gritando:

– Não vem me dizer que era culpa da bebida não!

– Não foi isso que eu disse! E fala baixo. Eu só disse que ela estava meio bêbada, isso pode ter ajudado, mas enfim! De qualquer forma, o beijo não rolou.

– Aquele idiota, e gato, do Rodrigo tinha que estragar o momento de vocês, mas que grande merda hein! — ela estava inconformada.

– Ah, provavelmente ele pensou que estragar aquele momento em especial não faria diferença, que depois nós teríamos muitos outros, então...

– Ele foi um idiota, e pronto. Mas e aí, o que aconteceu depois? — ela já me analisava outra vez. — Aí vocês foram embora, cada uma para o seu apartamento e tudo ficou por isso mesmo?

Eu nunca ia dizer a ela que a Izie tinha dormido ali comigo no meu apartamento! Nunca. Isso não.

– É, Claire, depois disso nós saímos de lá, ela me deixou aqui e então foi embora. Não rolou nada! Antes que você insista em saber.

– Humm, será que foi isso mesmo que aconteceu? — ela se fez de pensativa.

Meu corpo gelou. Não era possível que ela já tivesse descoberto minha mentira! Eu tinha sido firme dessa vez, droga...

– Claro que foi isso, criatura — retruquei.

– Se foi isso mesmo, então por que o carro da Izie estava parado em frente a padaria quando cheguei? E alguns minutos depois ela veio da direção do prédio onde você mora e entrou no carro? Humm — ela tinha os olhos estreitos me encarando.

Ferrou!

– Desde quando você está aqui, Claire?! — perguntei abismada. Izie já tinha ido embora há pelo menos uma hora!

Ahhh, então você confirma que ela estava em seu apartamento!

– Eu não disse isso!

– Quem precisa da sua confirmação? Está mais que óbvio, Fernanda! Olha, poupe suas desculpas. Só me diz: ela dormiu no seu apê?

Arregalei os olhos. Essa garota não era normal!

– Olha, Claire...

Ela dormiu no seu apê! – ela praticamente gritou. Eu ia reclamar, mas ela não deixou: — Calada, Fernanda Nogueira, sua grande tratante! Eu te daria uns tapas só de pensar que você pretendia esconder isso de mim! Mas eu estou tão feliz que vou até pagar a conta da sorveteria, olha que amiga legal que sou. É sério Fê, eu nunca ia imaginar isso! Minha nossa... Ela dormiu com você, na sua cama? Não me diga que ela dormiu com você...

– Ok, eu não digo.

– Ela dormiu... Meu Deus... — ela estava com a boca bem aberta. Ela ia surtar a qualquer momento.

Fechei ainda mais a cara.

– Você já dormiu lá no meu apê, Claire, sabe que aquele sofá de couro não é nem um pouco confortável para se dormir, o que queria que eu fizesse? — cruzei os braços, emburrada.

– Ela dormiu na sua cama com você, eu não acredito nisso! — ela berrou, agitada.

Todo mundo nas mesas ao redor olharam em nossa direção. Meu Deus, que vergonha!

– Tchau, Claire, eu não te conheço! — falei me levantando, mas ela agarrou meu braço e me fez sentar novamente. Eu queria esganar ela!

– Não ouse sair deste recinto, mocinha! Eu não acredito que você dormiu na mesma cama que a garota dos teus sonhos, sério. E aposto que não fez nada!

Eu não fiz nada. Repeti isso mentalmente mil vezes para que a cena daquele "selinho" que dei em Izie não viesse à minha mente, pois se isso acontecesse a Mãe Claire veria tudo em seu crânio de cristal.

– Sua lerda! Você é muito lerda, Fernanda. Na boa, não me leve a mal, mas se fosse eu no teu lugar, dormindo ao lado da Izie — ela soltou um riso divertido -, minha filha, eu teria feito loucuras naquela cama! Ok, eu não sou gay, mas a Ísis é gata e eu não sou hipócrita de negar, e se eu tivesse esse abismo que você tem por ela, que já está muito longe de ser uma "queda", eu ia fazer aquela garota querer cada pedacinho de mim! Obrigada. Pronto, falei. Me desculpe se sou sincera demais as vezes.

Respirei fundo, derrotada. Eu precisava contar uma coisa à ela, embora suspeitasse que seria a maior cagada a se fazer.

– Claire, agora falando sério, tem algo rolando...

Ela pareceu notar meu tom sério, e logo parou com as gracinhas. Segurou minha mão.

– O que é, Fêfê? Sabe que pode me contar tudo — falou gentilmente.

– É que... Eu não sei o que fazer, e eu realmente preciso que você seja madura agora, ok? Sem brincadeiras, é sério.

Depois que ela concordou, logo após reclamar por eu tê-la chamado de imatura, eu dei continuidade ao que ia dizer. Eu contei a ela sobre o comportamento de Izie naquela noite, depois durante o café da manhã, mesmo hesitante falei sobre o "beijo" que ela me "roubou", contei tudo — omitindo apenas, é claro, aquela ideia maluca que tive de provocá-la quando fui pegar o adoçante, isso minha dignidade não me permitiu dizer. Eu estava confusa porque não sabia como reagir diante daquilo, aquele comportamento não era típico da Ísis comigo, e isso me deixava meio desconcertada.

– Bem, você me pediu maturidade, então aqui vai meu lado maduro: alguma coisa está rolando com a Izie, ok? Preste atenção nela, preste atenção em todos os detalhes, em tudo o que ela mudou com relação a você. Eu tenho o palpite de que esse jantar bagunçou um pouco os sentimentos dela por você, e se isso aconteceu, é a tua chance, Fê! É a chance que você queria de ver ela corresponder ao que você sente. Agarra essa oportunidade com unhas e dentes, sério. Ela está balançada de alguma forma, você só precisa acertar o "ponto fraco", entendeu? Eu sei que por todo esse tempo você se proibiu de ter um contato muito próximo ou íntimo com ela, pois "bla bla bla" você achava que ela ia te rejeitar por te olhar apenas como uma amiga... Mas agora ela não te olha mais assim, você entende isso? Seria estupidez sua deixar essa oportunidade simplesmente fugir. Pronto, meu lado maduro se esgotou.

Claire tinha razão, e pela primeira vez na vida eu daria esses créditos à ela. Eu já tinha considerado essa mesma hipótese, de que Ísis estava me olhando com outros olhos agora, não tinha mais aquele "carinho" de amiga — apesar de ela nunca deixar de ser carinhosa comigo. Agora, seus olhares demonstravam certa intensidade, uma necessidade, um tipo de desejo quando me olhavam. Desejo. Essa era uma palavra forte, e pensar que Izie me desejava...

Era hora de investir nisso, eu não poderia perder a garota que amei por todos esses anos. Ela tinha que ser minha, e de mais ninguém.

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Ísis PDV {Ísis: Ponto de Vista}

Eu saí do apartamento de Fernanda com uma guerra acontecendo em meus pensamentos. A noite anterior, aquele episódio na cozinha... Ela sentia alguma coisa, e eu já não tinha mais dúvida quanto à isso, aquela foi a prova final. O modo como ela estremecia cada vez que eu estava perto demais, como reagia às minhas investidas... Eu não podia mais negar o que estava nítido diante dos meus olhos. De fato, aquele jantar não tinha só mexido comigo, mas também com ela. De pensar que eu nem sequer considerei as consequências quando disse aos meus pais que Fernanda era minha namorada! E agora eu acabava assim: me apaixonando pela minha melhor amiga. Isso não era ao todo ruim, porque se ela correspondia como eu imaginava que sim, se os sentimentos estavam em uma intensidade igual, então eu podia tê-la para mim. Eu queria tê-la para mim. Cada segundo que eu passava longe dela agora era como se estivesse faltando um pedaço de mim, era como se ela fosse um órgão vital em meu corpo. Era loucura pensar dessa forma, eu não sabia como meus sentimentos por ela puderam se transformar tão rápido! Apesar das certezas, eu ainda estava confusa com essa parte da história — a rapidez com a qual tudo aconteceu.

Enquanto dirigia para o prédio onde eu morava, que ficava a mais ou menos quinze minutos dali, eu não conseguia parar de pensar em Fernanda. De repente, todos aqueles anos ao lado dela me vieram como um filme à cabeça. Seus sorrisos, seus gestos, manias, suas caras e bocas, o modo como nós adorávamos irritá-la e como ela reagia extremamente fofa à isso, porque até brava ela era linda em seu jeitinho de ser. Podia lembrar do sorriso que iluminava seu rosto cada vez que ela me via chegar à escola ou à faculdade, pois sempre parecia que ela me esperava na entrada — nem sempre as meninas estavam junto, na maioria das vezes ela estava sozinha quando eu chegava, e ela me olhava como se eu carregasse um mundo novo nas costas e fosse capaz de dar esse mundo à ela. Agora eu sabia que eu era capaz disso, e muito mais.

Fernanda sempre fora muito expressiva, quando ela queria transparecer uma coisa, seus olhos diziam mais que qualquer palavra. Eu adorava isso nela, sempre a admirei muito, e talvez essa admiração e a nossa proximidade desde sempre, agora me fizeram ver que, na verdade, eu sempre fui apaixonada por ela, mas esse sentimento só estava esperando o momento certo para emergir e me envolver por completo.

Eu precisava dizer à ela tudo o que eu sentia, era como se minha vida dependesse disso naquele momento. Eu já não me via mais vivendo em mundo no qual ela não existisse, e esse pensamento foi tão forte quando entrei em meu apartamento e não senti sua presença ali, que fez meu coração se apertar. Eu nunca havia me sentido daquela forma antes, era como se eu estivesse triste e feliz ao mesmo tempo — triste por estar ali, onde não havia o sorriso radiante de Fernanda para me iluminar; e feliz por saber que, se eu soubesse como fazer isso, eu poderia tê-la para mim como eu desejava naquele momento. Ela sentia algo, disso eu tinha certeza, só não podia afirmar se era tão intenso quanto o que eu sentia por ela, mas eu precisava ter essa certeza.

Eu ia conquistá-la. Sem mais dessas brincadeiras bobas de ficar agarrando ela, provocando, sem isso... Agora eu estava decidida a conquistá-la de verdade, com ações, e não provocações.

Eu ia preparar algo para nós naquele domingo, decidi. Pensei em levá-la para jantar em algum lugar, ou para passear, mas nada disso me soou muito legal — eu queria algo que fossemos apenas eu e ela, ninguém mais, sem pessoas ao nosso redor. Por um momento eu achei piegas demais aquela ideia que me veio à cabeça, mas era perfeito para o que eu planejava. Havia um parque florestal próximo ao prédio onde Fernanda morava, e de repente eu comecei a imaginar mil e uma maneiras de fazer algo "romântico" naquele lugar. Um piquenique, era isso. Eu faria um piquenique e a levaria até lá. Será que ela acharia isso muito ridículo? Eu não conseguia imaginar uma cena diferente da que vinha à minha cabeça: Fernanda chegando ao lugar que eu havia preparado para nós, e me presenteando com aquele sorriso maravilhoso que só ela tinha. Ela iria gostar. Eu tinha essa certeza comigo, e essa certeza me acalmava o coração.

Deitada em minha cama, completamente perdida em meus pensamentos que não sabiam se voltar para outra coisa que não fosse ela, eu sorria sozinha só de pensar na loucura que estava prestes a fazer. Eu nunca tinha agido assim com nenhuma outra, justamente porque eu nunca tinha me apaixonado por outra garota. Era como se meu coração estivesse todo esse tempo ocioso, só esperando pelo momento propício para acordar e me fazer ver que a garota que eu mais queria na vida, a única que seria capaz de me fazer sentir um sentimento tão forte, sempre esteve ali ao meu lado. Eu havia perdido tanto tempo!

Mas eu soube, naquele momento, que fora uma força maior do que eu imaginava que havia me empurrado naquela direção, que tinha me feito pensar em Fernanda quando meus pais me pressionaram sobre a minha vida amorosa — e essa força se chamava destino. E eu acreditava em destino, acreditava em um amor-para-toda-vida, acreditava que havia sim aquela pessoa que seria nossa alma gêmea, uma pessoa cujo destino fora traçado e ligado ao seu antes mesmo de nascermos.

E, então, de súbito eu descobri que desde sempre o meu caminho e o de Fernanda Nogueira estavam destinados a se encontrarem no final. Que ela, e apenas ela, era o meu amor-para-toda-vida, a minha alma gêmea. E eu não ia deixá-la ir por nada nessa vida.