Paraíso Infernal
3 Capítulo 2 - Minha maldita obsessão
Notas iniciais
Reviro-me na cama soltando um grunhido de irritação.
A claridade invade o quarto, assim como a brisa gélida do início da manhã. Maldição! De novo esqueci-me de fechar as janelas.
Aquela desgraçada não sai da minha cabeça. Puxo meu cabelo. Ela pode enganar a todos. Mas a mim, ela não engana!
E essa dor de cabeça não ajuda no meu mau humor matinal. Abro meus olhos, passando a mão pelo rosto e ajeitando meus fios rebeldes. Encaro o teto completamente branco.
As cortinas da mesma cor, balança suavemente
O silencio predomina o ambiente.
Só me lembro de flash da noite passada e de que bebi muito.
Suspiro, apoiando-me em meus cotovelos.
É então que eu a vejo.
Parada, diante de mim. Quase que como uma miragem.
A dominadora dos meus pensamentos.
A própria luxuria.
Ela que me seduz com seus olhares dosados de malicia.
A mesma que se oculta por trás de uma falsa fachada de inocência.
Garota inocente.
Mas não é mesmo.
E está me encara em uma guerra silenciosa. Genevieve...
Destacando-se completamente em meio ao total branco imaculado das do meu quarto.
Usando um roupão preto de seda. Com suas belas coxas a mostra.
Escorada ao batente da porta, seus cabelos castanhos ondulados, soltos como cascata sobre suas costas e ombros.
Seus olhos fixos em mim.
Me devorando.
Ela se aproxima, a passos lentos.
Me torturando.
Suas mãos desfazem o nó que mantêm seu roupão fechado.
Ele se abre e de desliza sobre sua pele, caindo ao chão.
Só essa simples cena já me deixa louco de tesão.
Genevieve está usando lingerie preta rendada.
Meus olhos percorrem todo o seu corpo. Completamente hipnotizado.
Parada a minha frente, seus olhos nos meus, me provocando, me atiçando.
—Pelo jeito, você é uma vadia mesmo. _Sorrio.
Seu dedo indicador vai até meus lábios. Me silenciando.
Suas mãos empurram meus ombros. Fazendo-me cair sobre a cama.
Ela engatinha, subindo em cima de mim como uma felina faminta.
Seus dentes roçam o lóbulo da minha orelha. O que me provoca arrepios.
—Vamos brincar? _Sussurra
sensualmente em meu ouvindo.
Bip!
Bip! Bip! Bip, bip, bip...!
06:00Am
Argh! O maldito despertador apitava sem parar.
Num movimento de raiva jogo a merda do aparelho inventado pelo capeta longe.
Ouço ele se espatifar contra a parede.
—Que buceta! _ Escuto uma risada de escárnio.
—Quem te ouve assim até pode pensar que você não gosta.
—Debocha a vadia nua deitada ao meu lado.
Ah! Ótimo, logo de manhã um motivo de estresse.
—Cala boca! Antes que eu te jogue longe também Mayra.
—Wou... O rei ta nervosinho? _Faz aspas com os dedos ao dizer “Rei”, reviro os olhos com tédio
—Porque não deixa a Mayzinha te relaxar.
—Toca meu ombro.
—Porque creio que não é agora que você vai realizar o milagre que não realizou a noite inteira. _digo de mau humor e a vejo desmanchar seu sorrisinho imediatamente.
Vadia estúpida.
—Argh! Você é muito idiota sabia cara.
—Levanta-se da cama nervosa.
Tão típica e patética. Mas, é uma morena gostosa.
Não é por acaso que meti nela a noite toda.
Uma vadiazinha que não se dar valor e não merece respeito.
—Não sei por que ainda ligo pra você. _Veste-se afobada. O que ela espera? Um Oscar pelo seu grande mérito?
—Eu te digo por quê... _Dou um sorriso carregado de maldade que a faz para o que está fazendo, que é vestir sua blusa. E me encarar com medo em seu olhar.
Como se agora cobrir toda essa pele exposta fosse fazer alguma diferença.
—Por que você é uma desesperada. Desesperada por atenção. Desesperada por amor. Desesperada por sexo. Mas nunca vai conseguir preencher esse vazio. Por que ninguém liga pra você! Ninguém vai amar alguém que não se ama. E sobre o sexo... Bom, gostosa tu é, mas não vai passar disso, uma boa foda. Nada mais que isto.
Eu não vou te dar carinho, muito menos amor, agora sexo...
Quando “Eu” tiver afim e quiser, aí sim, mas eu tenho que ta sem nenhuma opção e é onde o seu desespero entra por que é só estralar os dedos e você abre as pernas pra mim. Não é, Mayra... _Sorrio para ela. Mayra me encara perplexa com lágrimas em seus olhos. Uma piranha estúpida.
—Eu... não.... Não sou uma vadia Enzo! Não fala assim comigo. Você não sabe...
—Não faço à mínima. O que eu sei? Seus problemas? _Como se me importasse.
—Estou me fodendo para o seus problemas.
A gente já passou por isso antes não é? "Amor"? _sôo extremamente cínico, principalmente ao dizer a palavra amor.
—E você está aqui de novo... Por quê? Ta apaixonada? _Dou uma gargalhada da minha própria frase e o quão zombadora ela é.
—Eu... Eu... – Coloca e calça a sandália.
—A gente se ver na escola Enzo. De-depois a gente conversa... _Sai as pressas do meu quarto que nem um furacão.
Finalmente sozinho, sorrio.
Ela se foi que nem um furacão.
Seria tão mais fácil se essas vadias depois da transa se mandassem e fossem embora.
Não iria precisar gastar meu latim logo de manhã cedo.
Caralho, de estresse!
Mayra não é minha namorada.
Claro que não é.
Ela não é nada. Só uma vadia qualquer da escola. Posso ter sido cruel, mas ela está acostumada.
Já deu para a metade da Escola. Ela e sua amiguinha Sônia.
Mayra uma morena encorpada de olhos "de gato" verdes.
Conhecida como “Passarilho” e Sônia, uma oriental siliconada como “Corrimão”.
O motivo? Acho que é bem óbvio. E elas não ligam de serem as vadias da escola, todo mundo sabe o nível delas e pior elas gostavam da falsa popularidade.
Falsa porquê se elas enfeiarem perderão os "fãs punheteiros" e toda a moral de gostosas.
Caso deixem de ser gostosas, serão mais duas excluídas pela sociedade estudantil.
São patéticas.
O pior tipo de ser humano.
E no meu nível de estresse, só comi a Passarilho denovo por conta da bebida ter mexido com meus neurônios.
Porém, não posso julgá-las por querer e gostarem de serem populares.
É deliciosa a sensação de "poder", os fãs, as garotas tudo.
Ou você se torna inspiração ou alvo de inveja e tem tudo oque quiser. Ou é um fracassado sem vida social. E eu sou esse cara que os outros querem ser, muitos querem como amigos e as garotas desejam na cama delas.
Mas nunca precisei abri minhas pernas que nem as vadias para conseguir meu status.
Por mais enojado que Mayra tenha me deixado não é ela a culpada do meu mau humor, antes fosse.
Outra vez aquela demônio tinha que invadi meus sonhos e me atormenta com seus joguinhos eróticos e no final sumido como sempre. Como a odeio!
Como se já não bastasse me provocar todos os dias agora me atormentar em meus sonhos.
Se eu ainda pudesse toca-la...
Mas a demônio foge. Sempre na melhor parte.
Genevieve Sanches a demônio disfarçada de anjo.
Mais uma puta como todas as outras só que ela não é como Mayra ou qualquer outra que tenha transado.
Minha maldita obsessão
Ela é o saco de pancadas da escola principalmente meu.
E é ai que entra a parte que ela sempre foge.
Só que sem jogos eróticos claro.
Genevieve demonstra ser o mais casto dos seres, mas eu sei que ela é uma vadia desprezível.
A pior de todas.
Mês passado antes das férias ou melhor, greve , eu e Anthony pensamos em dar de presente uma cor a aparência doentia e pálida de Genevieve e nada melhor que um banho de tinta.
Colocamos a tinta dentro de bexigas.
Ela saiu do prédio da sala de aula sozinha como sempre, segurando desajeitada a mochila num ombro só.
E olhando distraidamente para baixo, quando se deparou comigo, Anthony, Dado e Judy a esperando. Pude ver o medo em seu rosto.
E quando percebeu nossa intenção vi a vontade de fugir, mas fui mais rápido.
Foi maravilhoso acertar aquela bexiga com tinta vermelha na cara dela.
Ah, Impagável!
Depois outra e outra e claro acompanhado dos meus amigos exceto Dado que filmava tudo com o i-phone.
Porém, nossa diversão acabou quando a puta paga da professora de Filosofia que eu não lembro o nome nos interrompeu e salvou a vadia do nosso "presente de despedida".
A melhor parte e ela fugiu. Foi salva, escapou. E de novo hoje.
Só que nos meus sonhos, o que mais me emputece.
Até nos meus sonhos ela foge.
Hoje foi tão real.
Ela seminua na minha cama onde a Mayra estava.
Me provocando, se oferecendo, parecendo mesmo uma vadia.
Quando eu a dominei ela sumiu.
Tudo por culpa da merda do despertador.
Mas ela não vai fugir de mim para sempre, logo a demônio vai ter o que merece.
Recebi uma mensagem no watts. É do Anthony.
Sorri com a mensagem.
É Genevieve.... Talvez não demore muito para você começar a pagar.
Uma boa vinda nunca é demais...
***
7:30
Crianças brincavam numa praça.
Um casal sentado em um banco conversa sobre trivialidades.
Por ali passava uma garota magra e alta de cabelos presos numa trança e roupas pesadas cobrindo todo o seu corpo, mesmo estando sol.
Ela anda cabisbaixa em direção a escola pública estadual Cosmos.
Dias Depois de uma greve que para muitos alunos foi considerada "férias", as aulas finalmente voltaram.
Motivo de alegria para alguns e tristeza para outros.
Para Genevieve é o começo do seu pesadelo.
Não que sua família seja “amável” para que a faça querer prolongar um pouco mais suas férias. Não, pelo contrário. Só que agora ela irá rever os amigos dele.
E o último encontro não foi nada amistoso.
Terminando com a garota tomando banho três vezes para se livrar da tinta multicores que havia em seu corpo.
O que é irônico, já que Genevieve é quase gótica.
Só usava preto e cinza e seus "queridos" colegas a transformaram em um arco-íris ambulante.
Ela se perguntava se o que dava mais raiva era a agressão em si ou o fato de estar com todas as cores impregnadas no corpo.
Que jogassem sangue de porco de uma vez.
Seria mais honroso com a garota mais estranha do colégio, mas não eles tinham que mexer com a mente dela usando uma "brincadeira de criança" como ataque.
Genevieve realmente queria ser Carrie White só para poder matar com as próprias mãos, ou mente. No caso aqueles idiotas. Porém, é uma simples e normal garota.
Tem pensamentos obscuros, mas ainda era uma garota normal, pelo menos aparenta ser.
Suspirou ao se encontrar na frente do grande prédio da escola
Ela poderia gazeta aula e ninguém ligaria Ou parar de ir e ligar o botão do foda-se!
Mas....
Sempre tinha um “Mas”.
Ela já tinha aguentado demais para desisti agora.
É o último ano.
Em alguns meses tudo acaba.
Só tem q resistir um pouco mais.
Resistir um pouco mais
Esse era seu mantra.
Entra no colégio. A cada passo que dá Genevieve quer morrer.
Cumprimentou o homem chamado de "tiozinho da portaria" por cuidar da entrada. E o mesmo acenou em resposta.
Qual é Mesmo seu nome? Joaquim? Antônio?
Não se lembra e não se importava. Não gosta desse homem.
Percebe e ver o jeito que olha para as estudantes e até algumas vezes para si para sua surpresa e nojo.
Com certeza não gostaria de ficar sozinha num beco escuro com o homem.
Mesmo assim, o cumprimenta por educação. Preferia o outro Tiozinho Eliel.
Esse sim era um homem respeitável e tinha um carinho pelo idoso.
Passando pela entrada viu os alunos.
Uns conversam, outros mexem incansavelmente no celular e outros se beijam.
Alguns pararam de fazer essas coisas para olhar a garota com cara de deboche e desprezo.
Que agonia isso causava na garota
Genevieve só quer enterrar a cabeça num buraco, mas não pode.
Ela chega até o bloco em que estudava, acabou de bater o sinal.
Antes de entrar na sala viu a prima, com a qual mora: Emily.
Ela está com um garoto.
Não sabe o nome dele.
Ela o puxa para o lado oposto da escola.
Genevieve balança a cabeça em negação.
Entra na sala e se senta na última carteira, perto da janela e espera a sala encher para então, enfim o professor aparecer e dar início a aula.
E então...
“Ele” entra.
Qualquer um que o visse o compararia com um anjo. Olhos e cabelos negros. Pele branca. Alto. Musculoso, porém, sem exageros.
Ele automaticamente a encara e sorriu.
Um calafrio passa pela espinha da garota.
Enzo é tudo. Menos um anjo.
E sorrir abertamente desse jeito para ela não é bom sinal. Mal sabia ela o quão certa estava.
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