Um feixe de luz atravessou a janela e pousou sobre meu olho, relutei em os abrir, mas a intensidade forte fez com que eles se abrissem com dificuldade.

Ao olhar no relógio de parede do quarto de Mary, minha namorada, percebi que já eram seis e meia da manhã, ela já não estava mais sobre a cama, então levantei e me encaminhei até o banheiro.

A casa de Mary era realmente grande, atravessei o corredor e dei de cara com o espelho, que refletiu meu rosto cansado, meus cabelos que estavam mais encaracolados do que o normal e meus olhos cinzas que mais pareciam vermelhos. Me despi e entrei no chuveiro, a agua quente percorreu meu corpo e senti algo em minhas costas, os arranhões de Mary eram mais profundos do que imaginei.

Ao término do banho, voltei ao quarto e lá estava ela.

– Onde você foi? – Perguntei.

– Na cozinha, fazendo seu café – Ela sorriu e bocejou – Pão de forma com nutella, suco de laranja sem açúcar e um potinho de jabuticabas.

– Sempre tão prestativa – Sorri de volta e beijei sua testa, Mary era realmente linda, seus cabelos eram pretos e lisos, teus olhos verdes refletiam minha expressão sonolenta e seu corpo era de dar inveja a qualquer garota.

– Vou tomar banho, vá se trocando antes que meus pais cheguem de viagem – Ela se dirigiu ao banheiro e eu apenas balancei a cabeça confirmando.

Procurei minha mochila pelo quarto e a achei de baixo da cama, vesti uma camisa xadrez vermelha e cinza, minha calça bege já desbotada e um all star de couro preto.

Desci as escadas sinuosas e me encaminhei a cozinha, aquele lugar me dava medo, era cheio de imagens e quadros de santos, não sei o porquê, mas sentia calafrios só de pisar ali. Peguei meu café e fui até a sala, o que não era muito melhor, a família de Mary era católica e tentava a todo custo me converter, mas eu não me encaixa ali, não mesmo.

Enquanto saboreava meu suco de laranja ouvi barulhos na escada, Mary estava descendo apressada, ela me alcançou e disse:

– Lincoln é melhor você ir, meus pais vão chegar e não irão acreditar na hipótese de você ter acordado as seis da manhã pra vir tomar café aqui.

– Eles já devem saber a muito tempo que a gente namora, tá na cara – Franzi a testa – E consequentemente que temos relações sexuais.

– Não, não sabem, não devem saber e não vão saber, só Adália sabe.

– A Adália guarda segredo, relaxa, mas não adianta evitar – Sorri, mas Mary continuou séria – Mesmo sendo católica fanática, ela prefere eu contigo do que com outra garota.

– Depois conversamos, okay?okay – Ela realmente estava me expulsando, pensei – Agora você precisa ir.

Mary me levou até a porta e me beijou.

Estava muito frio lá fora, jurava que iria nevar, até lembrar que estou no Brasil, comecei a bater meus dentes e pressenti que iria congelar se não fosse por minha casa não ser tão longe.

Fui caminhando lentamente até que meu telefone vibrou, era uma mensagem de Adália: “Vem pra minha casa agora, é urgente!”