Papercut

23 Capítulo 23


Capítulo 23

A face de Aoi expressava absolutamente nada. Era nula. Seus olhos estavam abertos quase rígidos e a boca estática, formando um pequeno enrugado.

Seu espanto fora tanto que a reação reduziu-se à inexpressividade exata.

Já o ruivinho sorria com tal ação – ou a falta desta — do irmão mais velho, vitoriando-se pelo objeto em seus dedos pequenos. Seus lábios vermelhos contradiziam os do moreno. Desenhavam-se em uma linha extensa que era preenchida até o canto de sua face; um sorriso largo.

Reita, atônito, apenas olhava para Ruki, aparvalhado.

Seus orbes iguais ao de Aoi, arregalaram-se ao ver o conteúdo da fotografia. Uma lembrança lhe arrebatou fortemente e foi como proeza que lhe caiu em si.

A situação lhe induzia uma mescla de alegria e amargura. E, ao lançar um prévio olhar ao moreno, entendeu por que sua inexpressividade tornara-se em fúria.

Parecia que este iria saltar para arrancar a foto tão comprometedora das mãos do pequeno. Seus dentes estavam trincados e as mãos já fechadas, como pronta novamente para uma iminência.

“C-como... Como conseguiu isto?!” – sibilou com furor, incoerente.

O ruivo alargou o sorriso, seus meigos dentinhos brancos em vista, prontos de preeminência; a situação mudara.

“Reconhece essa foto? – ironizou, ainda com o sorriso estampado – “Claro que sim...” – sua voz adquiria, com cada nova palavra, uma amargura instável, como que se lembrando pouco a pouco — “... Além do mais foi você quem a tirou”

Disse por fim, apertando o papel já amolgado em suas mãos, o sorriso agora fortalecido com o escasso e os olhos embutidos de pesar.

Sem pronunciar uma única sílaba, Reita contraía do mesmo sentimento que Takanori. Na foto a figura de Aoi infundido sobre o corpo do ruivo, seus olhos lascivos, mãos traiçoeiras, portador de nenhuma peça de roupa. Escassez... Era o que sentia, afligida, ao ter que ser submetido a olhar para a figura manchada, impotente.

O motivo de Ruki ter chorado em seus braços naquele dia, débil, se concretizou naquele instante.

Um furor lhe assolou.

Uma cólera suprimiu seu âmago, e, amargurado, olhou para a figura pequena, imóvel ao seu lado. Nas mãos, a fotografia, nos lábios o decair do sorriso, e nos olhos, o embutir de uma tristeza ínfima.

Decidiu não se intrometer, não tocar o corpo frágil necessitado de um conforto, ou golpear com palavras chulas o desprezível, ali, estático.

Então se reteve, sentindo-se impotente, deixando que as palavras fluíssem da boca do menor, que toda a raiva enrustida saísse de quem mais sofrera na situação. Ruki.

“Que foi Aoi? Não está se sentindo prazeroso como parece nessa foto?” – provocou – “Ou talvez você saiba o que esta prova é capaz de fazer?”

Aoi repassou a sua expressão de raiva para um sorriso.

“Como se você realmente fosse fazer alguma denúncia contra mim...” – se aproximou do menor, lubricamente, ficando rosto a rosto – “Você não tem essa coragem, irmãozinho...”

Ruki sorriu de volta.

“Não tenho? O que eu não tenho mais é qualquer afinidade por você que me impeça. Ou você acha que eu me arrependeria de acusar aquele que me perfurou, me machucou da maneira mais grotesca, não se importando quantas vezes eu pedi? Por um motivo hipócrita. Você me dá nojo, isso sim...!”

Ruki cuspiu as palavras, insólito. Não deixando Aoi sequer proferir alguma reação digna.

“Mas não ache que é apenas isso...” – imitou os movimentos que este fizera anteriormente, colando os rostos mais ainda, sua boca moteja – “Ou você também se esqueceu o que aquele bêbado miserável que é o nosso pai seria capaz de fazer após ver esta fotografia? Aquele filho que foi sempre o mais prudente... maculando ao próprio irmão?”

Sorria, vendo a testa do moreno franzir... Seus dentes trincados, seus olhos desafiadores emanando pura raiva.

E não deu tempo sequer de Ruki acusá-lo de algo mais, pois esse já estava partindo para cima de si.

“QUEM VOCÊ PENSA QUE É, TAKANORI?”

Aoi agarrou a gola da camiseta do ruivo, levantando minimamente o corpo frágil do chão, vendo como a face deste retorcia-se em um tom já avermelhado. Aoi tinha os dentes trincados e os punhos fincados de ódio.

“Então você acha que uma simples fotografia deu te comendo prova alguma coisa?!” – apertou ainda mais forte o pescoço sentindo o corpo pequeno se retesar, e um breve e minucioso apelo sair dos lábios trêmulos:

“M-me solta...”

“Como se você não tivesse dado inúmeras vezes pra esse professorzinho de merda, gemido incontrolavelmente e pedido por ma—“

Aoi parou abruptamente. Ruki arregalou os olhos.

“Se você encostar mais um dedo nele, você é que vai gemer incontrolavelmente, de dor”

Reita estava ali, á frente de Ruki, apertando o pulso do moreno.

Ruki, na intromissão do loiro, havia sido colocado de volta a superfície. Tossiu um pouco por causa da forte pressão exercida em sua garganta e um leve rubor lhe apossou a face.

Olhou pro loiro após recompor a postura... Este estava com uma face convicta, os olhos certeiros...Sua voz soara tão grossa, convencida, persuadido em não aceitar todas aquelas acusações que o irmão lhe fez... Provar que eles eram mais do que isso.

Mais do que um simples caso, mais do que um simples ato de prazer.

“Você pode ameaçá-lo quantas vezes quiser, mas não há nada que impeça de acusar-lhe sob o inquérito de abuso ao próprio irmão. Então é melhor você ficar aí na tua, se a sua diversão é esta, é melhor procurar uma boa prostituta, por que se você voltar a tocar-lhe, e eu garanto que não isso não vai acontecer, você vai ter que cogitar os efeitos”

O moreno resolveu não falar nada. O motivo, ainda não notório precisamente. Sua face voltava a certa inexpressividade, ficou ali, no meio da sala, enquanto o casal se retirava do cômodo.

Reita pegou a mão de Ruki, segurando-a fortemente, sorriu, presunçoso... O ruivinho lhe sorriu de volta.

Takanori encarou o irmão, que lhe retribuiu o olhar. Não havia mais um esplendor de raiva ali nos orbes escuros, e sim, a ausência de algo que o mesmo ainda não poderia entender. Estava apenas... Deixando algo mais escapar-lhe.

E da maneira mais dolorosa.

“Você está morto para mim, Yuu”

E a última coisa que se ouviu foi um o bater da porta e um ofego baixo.

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O balançar desajeitado do trem, o calor tão sereno que fazia uma tranqüilidade lhe transbordar com aquele toque suave em sua face fazia o medo parar no tempo, cruelmente.

Com a respiração presa, aos poucos começou a ficar distante... A mão que tanto estendera para ele não poderia mais ser alcançada. Como pôde machucar, ‘um inútil como eu’, perguntava-se. Olhando para trás, com um sorriso seco nos lábios.

Mas a felicidade transbordava naquele momento. Agora estava, então, tudo bem.

Sentiu o contato doce das mãos de Reita sobre as suas. Levantou a face que se encontrava apoiada sobre o ombro do mesmo e viu um sorriso adornar-lhe os lábios mimosos.

“Pensando muito no passado?” – perguntou carinhoso, a voz saindo baixinha, no pé de seu ouvido, fazendo seu corpo todo estremecer...

Os lábios agora estavam em seu pescoço, deixando pequenos beijos sobre a pele quente, cuidadosamente se enroscando com o toque melodioso.

“Essas memórias vão se arrebentar com o tempo, como bolhas. Frágeis e sutis, fazendo com que seu rachar desapareça com as cicatrizes” – continuou o loiro, sabendo exatamente que pensamentos tortuosos passavam pela cabeça do ruivo naquele instante...

Ruki abriu levemente seus olhos escuros, para esboçar um sorriso logo em seguida. Sua mão pequena foi de encontro com a face do loiro, que aspirava do doce odor de sua pele branquinha. Levantou o queixo deste, fazendo as faces ficarem na mesma altura, e, em um ato lento, beijou-lhe os lábios.

Os olhos se procuraram em um instante para se cerrarem languidamente, suaves, doces e hipocritamente voluptuosos, lúbricos. Ruki explorou o canto de sua boca já antigamente decorada, e sentiu Reita fazer o mesmo. Parecia um beijo de saudades. Quando foi a última vez que se beijaram desse jeito?

Suas pernas pareciam até bambas, e não pelo agitar desengonçado do trem. Suas mãos tremiam, seus lábios procuravam afoitos pela boca que lhe beijava tão languidamente e com vontade. A saudades, o entrelaçar, o símbolo de um vitória muda.

E então, ao quebrar o contato lascivo e molhado, três palavrinhas foram ditas com as pálpebras ainda cerradas por causa do torpor do beijo.

“Eu te amo... Te amo tanto...” – repetidas vezes.

Reita que ainda estava com os lábios molhados pelo sabor de Ruki, sorriu, singelo passando a língua pelos mesmos de forma provocativa, vendo o menor lhe olhar com a face rubra e os olhos estreitos, interrogativo.

“Ama?” – sorriu, olhando nos orbes chocolates enquanto suas mãos grossas pousavam sobre as pequenas do ruivo — “Eu amo Sex Pistols e dormir só de parte de baixo. Eu sou uma confusão e geralmente meu apartamento também. Rio de coisas estúpidas, digo e faço coisas erradas em momentos errados. Faço certas estupidezes, sou muito cabeça dura e as vezes fico com raiva sem razão. Mas sou apenas eu, e isso é o que eu posso ser. As vezes eu espero que simplesmente possa ser o bom suficiente para você...”

“O que você pode ser é a única coisa que eu quero que você seja”

E então beijaram mais um vez, calmos.

A cidade passava despercebida em borrões pelas janelas enquanto a lembrança de algo em Ruki florescia, sorrira o mais sincero dos seus sorrisos, dera o mais forte dos seus abraços e tomara para si no mais profundo e apaixonado beijo.

E então, uma última palavra se passou calma...

Boa viagem...

Era um bom sonho...

Bom, dessa vez nem demorei muito, só houve uns probleminhas técnicos. Hehehehehe.

Mas enfim, queria fazer um pequeno textinho agora. Como você viram, Papercut está acabando, não vou dizer que este capítulo foi o último por que ainda há um epílogo, assim como não vou agradecer a todos que me ajudaram pois ia ficar com muita cara de final.

MAS MUITO OBRIGADA MESMO ASSIM! A todos que acompanharam até aqui, foi uma jornada muito linda rairarairairairairairai~ :B/

Gostaria de fazer um pequeno pedido pra quem está lendo isso: Pra você que leu, ou deu uma olhadinha até agora, deixei sua marquinha aqui, eu ficaria muuito feliz em saber quem se interessou por essa fic até aqui.

OK, CHEGA DE MELAÇÃO E BLÁ BLÁ BLÁ, um presentinho da minha interpretação de Papercut aqui.

é o efeito das d0rgas, brothi, eu juro! rairairiarai~

<33/

reviews? ;-;