“A cada novo raiar do Sol, nossas almas são renovadas, apenas para aguentar aquele novo dia.”

Acordei e, ainda um pouco derrotada pelo sono, fui caminhando, lentamente e aos tropeços, até o banheiro e me pus a arrumar meu banho. Assim que a banheira se encheu com a agradável água quente, que havia botado para ferver, me deliciei com um banho maravilhoso nesse inverno tão frio. Sai do banheiro um pouco em choque com a temperatura, mas logo cheguei ao armário onde guardo todos os meus vestidos de inverno.

Escolhi um preto de manga comprida, com o tecido inteiramente rendado de flores, preto e um pouco transparente no final das mangas e de sua saia. Como o vestido era curto, coloquei uma meia 4/4, tecido transparente e cheio de minúsculas bolinhas pretas e um sapato de salto alto, também preto, e com um formoso laço atrás.

Peguei meu diário e minha caneta-tinteiro favorita (presente de Papai) e os coloquei em cima de minha penteadeira. Logo, me pus a postos para lutar com meus longos fios de cabelo ruivo. Obviamente, como se era de esperar, demorei (apenas) um infinito para pentear o grande mar vermelho.

Assim que terminei de penteá-lo, o prendi em uma trança rápida, apenas para deixá-lo mais baixo, e logo me joguei na cama novamente para terminar os desenhos iniciados na noite anterior. Fiz tudo para deixá-los os mais realistas possíveis e incluí “detalhes adicionais”, apenas para tomar o tempo até que alguém acordasse e, finalmente, viesse abrir a porta para mim, e eu pudesse recomeçar minhas simples tarefas diárias em casa, já que sou rigidamente proibida de sair – segundo mamãe, por questões de segurança.

Hoje, foram minhas irmãs as primeiras a acordarem para abrir a minha “liberdade”. Infelizmente, antes que pudesse ao menos me manifestar, elas me bombardearam com presentes trazidos por papai na noite anterior. Mostraram-me os delas e, ansiosamente, esperaram até que abrisse e todas pudéssemos ver os meus presentes.

Recebi um lindo arco de flores, um anel e um novo conjunto vermelho (vestido, sapatos e lenço). Também ganhei uma linda cesta de café da manhã, que logo levei para o andar de baixo e servi a mesa, deixando um pouco de cada alimento para que mamãe pudesse comer assim que acordasse.

...

Ao passar disso, não fiz de muito interessante. Apenas realizei minhas tarefas domésticas de sempre e li alguns livros que mamãe tem em casa.

A única coisa de diferente que ocorreu nesse dia foi a omissão do Papa para que fosse feita a caça, prisão, tortura e execução de todas as bruxas do Reino.

Não sei o que são, mas depois que mamãe voltou da feira, disse que uma delas havia sido capturada e queimada viva em uma cidade vizinha a nossa.

Disseram a ela que as bruxas são monstros de aparência terrível, com poderes sobre-humanos e que gostam de matar e cometer outros atos maldosos.

Ter pensado tanto nisso durante o dia fez com que tivesse pesadelos naquela noite. Chegou ao ponto d’eu perder a conta de quantas vezes acordei por causa deles.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.