Paper Girl

1 Capítulo I


Paper Girl ‒ Capítulo I

por The Queen

Haruno Sakura estava cansada. Tudo bem que ela era a editora chefe do jornal da escola, mas isso não significava que deveria ser sempre a última a sair da sala de edição, quase duas horas e meia depois que os outros tivessem ido embora. Se ela não fosse paga para fazer parte daquele jornal, teria se livrado do “trabalho” há muito tempo.

Um longo suspiro escapou de seus lábios e ela fechou a pré-edição do jornal que seria publicado dali a dois dias. Ia erguendo-se da cadeira quando uma forte batida na porta a sobressaltou, de onde estava pode ver um envelope roxo escorregar pelo vão embaixo da porta.

Os olhos verdes de Sakura piscaram curiosamente por detrás de seus grandes óculos de mentira e andou até o envelope para em seguida pegá-lo. Examinou-o e viu que não tinha identificação, mas não se demorou muito e puxou um papel branco com uma mensagem impressa nele escrita.

Olá, Haruno Sakura.

Meu nome não importa, sou somente alguém que gostaria de ajudá-la. Sei que seu jornalzinho sem graça não faz muito sucesso e acredito que tenho algo que pode apimentá-lo.

Se estiver interessada vá até a biblioteca e procure por outro envelope roxo que está colado embaixo da cadeira azul com a mancha de corretivo.

Pense no aumento do seu salário.

Anônimo.

Assim que terminou de ler Sakura revirou os olhos, nem se preocupando em abrir a porta e ver se havia alguém no corredor, aquela não era primeira vez que tentavam enganá-la com aquele tipo de carta anônima, na última vez que tinha acreditado em algo daquele tipo passou duas horas dentro de uma sala procurando algo debaixo das classes e cadeiras.

Sentindo-se com raiva, jogou o envelope com a mensagem sobre a mesa e pegou suas coisas para ir embora. Ao sair trancou a porta e guardou-a na bolsa.

Enquanto descia as escadas para o primeiro andar começou a pensar no que o tal anônimo havia escrito. “Pense no aumento do seu salário”. Aquilo fazia a ideia ser tentadora porque seu salário era uma reflexo das vendas do jornal, 25% do dinheiro era da escola e o resto ficava para ela, Hinata e Rock Lee, que também trabalhavam com ela, cada um com também 25% da venda. Se as vendas aumentassem, consequentemente o salário deles também.

‒ Hum, isso seria bom ‒ murmurou para si mesma.

Ela tinha consciência de que qualquer dinheiro que pudesse juntar seria uma grande ajuda quando se mudasse sozinha para Tókio no fim do ano letivo e tivesse que sustentar a si mesma.

Sakura parou e emitiu um resmungo. Ela precisava ver se havia algo na biblioteca e ela ia. E então voltou a subir as escadas, indo para a biblioteca.

A bibliotecária, Yume, direcionou-lhe um sorriso quando a garota entrou na biblioteca e Sakura correspondeu imediatamente. Ao encontrar a cadeira com o fino estofado azul machado por corretivo, se baixou e colocou a mão embaixo dela, seus dedos roçaram sobre a superfície de um papel que se revelou outro envelope roxo quando ela puxou. Ela o colocou sobre a mesa.

Sakura sentou na cadeira ao lado da machada e torceu seus cachos cor-de-rosa e volumosos para fazer um nó apertado.

‒ Espero que não seja uma brincadeira ‒ disse enquanto abria o envelope e abria mais um papel com escrita impressa.

A interessantíssima vida de Uchiha Sasuke

por Anônimo

Para este autor não existe aluno na Escola de Ensino Médio de Konoha que não tenha ouvido falar de Uchiha Sasuke, não existe modo de proteger seus ouvidos ‒ e também seus olhos ‒ do garoto mais popular desta escola. Bonito, rico e inteligente. O alvo mais procurado e também o mais difícil de acertar.

O que a maioria das pessoas não sabe é que Sasuke tem uma relação muito conturbada com seu querido pai. Aparentemente Uchiha Fugaku não pensa da mesma forma que nós, seu filho mais novo está longe de ser o orgulho da família, mesmo que Sasuke tente desesperadamente.

Imaginem o se passa na cabeça de um garoto vindo de uma família importante e de grande influência, um garoto que gera tantas expectativas, mas para seu pai não consegue ser mais do que um grande fracasso. A verdade é que ele jamais será bom como seu irmão mais velho e sempre será a segunda opção.

‒ Oh!

▪ ▪ ▪

Sasuke sabia que algo estava errado. Ele sabia lidar bem com os olhares que lhe eram direcionados todos os dias, mas havia algo naquele dia que não estava sendo normal, por que diabos as pessoas estavam olhando para ele com pena? Os alunos daquela escola tinham um estranho interesse nele, mas certamente nunca tiveram motivos para terem pena dele.

Ignorando um grupo de calouros que virava-se para ele com o mesmo olhar que tinha visto várias vezes nas horas passadas, concentrou-se em uma garota loura que passava pelos outros alunos a cotoveladas. Era Ino, sua amiga e ex-namorada, e ela vinha em sua direção.

‒ Você não vai acreditar no que está acontecendo! ‒ disse ela sem fôlego. As sobrancelhas de Sasuke arquearam. ‒ Tem uma nota sobre você no jornal da escola!

‒ O que? ‒ Sasuke quase não se lembrava de que havia um jornal da escola.

‒ Sim! E acho que você não vai gostar nem um pouco.

Foi nesse momento que Sasuke notou um papel enrolado na mão da garota.

‒ Esse é o jornal? ‒ perguntou e Ino assentiu.

‒ Aham, pegue e veja.

Sasuke desenrolou o papel e leu rapidamente a página, encontrando o título “A interessantíssima vida de Uchiha Sasuke” na parte baixa da folha. Sem esperar mais um segundo começou a ler a nota.

‒ E então, o que achou? ‒ A voz de Ino chegou a seus ouvidos cautelosamente momentos depois.

As mãos de Sasuke tremiam de raiva.

‒ Quem escreveu isso?

‒ Não tenho ideia, ali diz “Anônimo” e é só o que todo mundo sabe ‒ disse Ino e em seguida mordeu o lábio inferior.

Então Sasuke entendeu o motivo de todos aqueles olhares penosos que as pessoas estavam dirigindo a ele naquela manhã. Todos achavam que seu pai o tinha como um fracassado.

‒ Mas está rolando um rumor de que foi Haruno Sakura que escreveu ‒ Declarou a loura. A cabeça de Sasuke ergue-se rapidamente, seus olhos cor de ônix brilhavam perigosamente.

‒ Quem é Haruno Sakura? ‒ perguntou.

‒ É a editora do jornal da escola, uma garota esquisita que tem cabelo cor-de-rosa.

‒ E você sabe onde ela está agora?

Sasuke pode perceber que Ino ficou receosa de responder, mas por fim ela disse: ‒ Eu a vi próxima da secretaria.

Foi o que bastou para que o garoto começasse a andar decididamente na direção da secretaria, ignorando o “você vai perder a próxima aula” que Ino gritou para ele.

Quando Sasuke encontrou Sakura não pôde acreditar que nunca a tinha visto antes, era impossível não notar aquela garota. O cabelo cor-de-rosa era cacheado e volumoso, lembrando vagamente um algodão doce; os óculos tão quadrados e grandes que era difícil acreditar que fosse possível enxergar por trás das lentes; e o figurino totalmente peculiar, um fino casaco azul por cima de uma camisa branca de botões, uma saia jeans de pregas e sapatilhas azuis que era difícil determinar como encaixavam tão bem mesmo com a meia calça preta muito grossa que a garota usava.

Ele percebeu quando ela o reconheceu, pois Sakura deteve os passos e esperou que se aproximasse.

‒ Você! ‒ Acusou Sasuke sem conter a fúria. Sakura arqueou uma sobrancelha.

‒ Eu ‒ disse ela calmamente.

‒ Pode explicar que merda é essa? ‒ Jogou o jornal, já amassado por sua mão, para Sakura.

‒ É o meu jornal.

‒ Não tinha o direito de escrever aquela nota mentirosa e muito menos de publicá-la!

Sakura suspirou e encostou o ombro na parede ao lado deles como se nada pudesse perturbá-la. Alguns alunos ainda fora das salas espichavam os pescoços para poder enxergar melhor o que acontecia.

‒ Bem, se é mentirosa ou não, é problema seu, o pai é seu e o relacionamento conturbado com ele também é seu.

‒ Antes disso ‒ apontou para o jornal nas mãos dela ‒ eu nem sabia quem você era, não a conheço e não entendo de onde teve a ideia de escrever essa porcaria.

‒ Não acho que deva ficar tão bravo, a maioria das fofocas que rondam esta escola são sobre sua vida e não foi preciso que publicassem notas para que isso acontecesse.

‒ Não é motivo para escrever e publicar no jornal da escola!

‒ Para você não é.

Sasuke pressionou os lábios até que formassem uma linha reta por um momento.

‒ Obviamente você tem algum problema comigo então.

As roupas de Sakura farfalharam quando ela desencostou da parede, claramente desconfortável.

‒ Não, é claro que não, você mesmo disso que nem nos conhecemos.

‒ Não estou entendendo, garota, você escreveu e publicou uma nota sobre mim nesse seu jornal inútil...

‒ Ei, ei, espere um pouco! ‒ disse ela. ‒ Em primeiro lugar, meu jornal não é inútil! E em segundo lugar... ahm... não fui eu quem escreveu essa nota sobre você.

‒ O que?

Sasuke encarou os olhos extremamente verdes dele.

‒ Não fui eu, eu apenas incluí na edição e publiquei. ‒ Sakura desviou o olhar.

‒ E por quê?! Quem foi que escreveu? ‒ A garota se encolheu ligeiramente.

‒ Não sei ‒ respondeu.

‒ Como não sabe? Alguém lhe deu isso, você tem que saber!

‒ Não sei! ‒ repetiu. ‒ Alguém passou um envelope por debaixo da porta da sala do jornal e foi assim que começou.

Sasuke balançou a cabeça, incrédulo.

‒ E você espera que eu acredite nisso?

‒ Se acredita ou não, não me importa.

Sasuke balançou a cabeça mais uma vez, pensava que aquela garota definitivamente tinha algum tipo de distúrbio e precisava dar um fim naquela conversa.

‒ Certo, então vou ser bem direto com você ‒ disse em tom baixo e aproximou-se mais um passo dela. ‒ Você não vai publicar mais nada sobre mim ou minha família, Haruno, porque se publicar vai se arrepender.

O olhar de Sakura endureceu.

‒ Está me ameaçando? ‒ perguntou.

Sasuke ergueu os ombros e respondeu: ‒ Entenda como quiser.

Sakura ergueu ainda mais a cabeça e olhou em seus olhos com ferocidade.

‒ Não me ameace, Uchiha, eu não tenho medo de você.

E foi nesse momento que Sasuke sorriu, o típico sorriso no canto de seus lábios.

‒ Hn, o problema é seu. ‒ E lançando-lhe um último olhar, se afastou.

Notas finais
Eu gostaria muito se vocês deixassem uma review com a opinião sobre o primeiro capítulo, pra eu saber se devo continuar ou não.Obrigada por terem lido até aqui!