Notas iniciais
Boa tarde, docinhos! Desculpem o pequeno atraso, mas eu voltei (e isso é o que importa) Este capítulo está confuso? Sim! Por quê? A narradora é onisciente. Então, o pensamento de cada personagem foi bem elaborado (ou não auhsuha) até que elas resolvessem fazer alguma coisa. Porém, não se preocupem, em cada parágrafo eu separei o ponto de vista da Marcy e da Bonnie. Boa leitura! Qualquer dúvida, é só me chamar nos comentários! Aliás, comentem bastante, pois não me importo em responder, muito pelo contrário, amo! ^^

Meio de verão, volta às aulas. Era a primeira vez em que os pés calçados por sapatos desconfortáveis, nos quais nunca foram usados e saíam constantemente do devido lugar, caminharam pelo piso brilhante e liso do novo centro de estudo. Porém, não só essa lembrança de seis anos atrás que marcava a garota pálida: também fora a primeira vez em que vira Bonnibel.

Marceline Abadeer jamais pensou que trataria a ruiva bem e, muito menos, pediria perdão por algo que tivesse feito de errado. Nunca se reconciliara com alguém íntimo, nem mesmo com seus pais. Entretanto, o enigmático olhar da senhorita Buckholz compartilhava emoções incompreensíveis para quem não sofresse com uma situação semelhante, o que era uma característica que a morena se identificava. Independente do poder aquisitivo ou da quantidade de amigos, ambas eram desoladas, incompletas.

A sua primeira tentativa de ser perdoada foi um fracasso. Na lista de decepções de Marceline, isso, com certeza, ocupava a posição máxima. Ter a iniciativa de consertar um erro é uma atitude digna de aplausos, principalmente para alguém como a morena. Desde que direcionara a palavra à Bonnibel, a maior percebera que a ruiva agia sarcástica, ainda não satisfeita.

– Você quer um beijo? – balbuciou, abrindo levemente a boca.

Pigmentos vermelhos foram surgindo nas bochechas de Buckholz. Ela estava estupefata, não esperava uma pergunta com tamanha ousadia. A demora para responder fez com que Marceline erguesse as sobrancelhas e desse um pequeno riso.

– Não! – berrou com a voz gutural, trazendo o fiscal até ali.

Ele ajustou os óculos, aproximou-se das jovens e as entregou uma multa, seguida de uma expulsão nada conveniente:

– Saiam daqui. Estão proibidas de entrar nesta biblioteca por uma semana.

Bonnibel cruzou os braços e franziu o cenho à Abadeer. Irritada, buscou seus pertences e os guardou na mochila, andando até a saída do local. A morena também tomou o que era seu e foi atrás da ruiva, que já estava na calçada. O Sol tinia na pele sensível das duas, e o dia estava abafado.

– Bonnie... – disse em meio aos suspiros consequentes do ritmo acelerado que corria a fim de alcançar a garota.

– Não entende que eu não quero você por perto? Você estragou o meu dia! Não há como eu fazer o meu trabalho de forma original, graças a você. É uma perda de tempo pedir desculpas a mim. Então, qual o motivo para me seguir? – parou e virou-se à Marceline.

– Você tem outra fonte boa de pesquisa?

– Não, mas isso não interessa...

– Interessa sim. Por isso estou te seguindo. Meu irmão tem toda a coleção dos livros de história disponíveis na biblioteca.

– E por que você acha que preciso de sua ajuda?

– Na verdade, ainda nem ofereci. Mas, como você é esperta, já vou adiantando as coisas. Você não me perdoou, logo a única alternativa que me resta é oferecer o material para o seu trabalho, pois sei que você é boa aluna e não irá resistir a uma proposta dessas.

A ruiva quase rejeitou o ato bondoso da Abadeer ao pensar que, se ela nunca a tivesse procurado, estaria despreocupada fazendo suas obrigações. Todavia, caiu a ficha de que é impossível voltar ao passado – apesar de que planejava construir uma máquina do tempo. Não havia opção melhor que a oferta da morena. Segurando as mãos, murmurou sua vontade, ou seja, anuiu.

As duas calcorrearam ao destino. Bonnibel se questionava por que Marceline fora fazer o trabalho na biblioteca se ela tinha os livros do irmão para estudar. Assim, acabou ficando desconfiada sobre o que poderia acontecer. A morena iria aprontar mais, pois suas ações eram imprevisíveis.

– Espere aqui. – pediu com gentileza – Não mexa em nada.

Buckholz acomodou-se no colchão macio do quarto da jovem. Suspirava impaciente e olhava para o relógio de pulso. Embora estivesse numa má relação com seus pais e quisesse que eles a dessem mais liberdade, era irresistível demonstrar preocupação com o horário que chegaria a casa. Tantos foram os anos em que se adaptou a ser uma filha perfeita, como uma marionete, que se acostumou inconscientemente com os compromissos que tinha com os pais.

Vozes batalhavam a fim de transparecer uma sobre a outra. Provavelmente, Marceline estava brigando com seu irmão. Bonnibel estava cansada, e passou a observar o aposento da garota. Nunca vira tantos tons escuros em um lugar. Alguns objetos eram brancos, mas, destes, a maioria era predominante preta ou cinza escuro. O quarto, sem dúvidas, tinha dimensões maiores que o seu. A ruiva sabia que as condições financeiras da família eram espetaculares, porém só pôde concluir quando foi pela primeira vez até ali, e ainda se surpreendeu.

– Resolveu? – implicou com a jovem.

– Marshall vai ao shopping, então o quarto dele é todo nosso. Eu acho que posso me vingar das pegadinhas que ele arma frequentemente. Se quiser, você pode ser minha cúmplice. – deu um sorriso à Bonnibel, enquanto se apoiava na porta.

– Não se esqueça do porquê de eu estar aqui. – retrucou, sem retribuir uma expressão alegre, saindo do cômodo.

Marceline, imóvel, revirou os olhos e bufou, pensando em alto:

– Será que ela não poderia ser menos ranzinza?

– Eu ouvi o que você falou. É uma falta de educação convidar pessoas para sua casa e depois reclamar.

A ruiva adentrou no recanto do herdeiro mais velho, com uma tênue linha esticada abaixo de seu nariz e, em seguida, pestanejou ao ver o dono do ambiente sem camisa. Ele a cumprimentou e prosseguiu com o caminho, aproveitando a oportunidade para bagunçar o cabelo da caçula, que se abeirou de Bonnibel a provocando:

– Ele tem namorada.

A jovem rangeu os dentes e abancou-se em uma das duas cadeiras giratórias propínquas à mesa de estudos. Enquanto isso, Marceline pegava os livros na estante, que se encontrava no fundo do quarto. Começaram a folheá-los, e Buckholz percebeu que a garota estava com o principal. Entretanto, pulava as páginas sem rumo. Reclamaria nesse instante com desdém, até olhar para a feição da maior. Gostaria de perguntar o que a afetara de tal maneira, mas lembrou-se de que estava diante de sua inimiga mortal. Assim, concluiu que era tão ruim quanto à morena. Desde quando os problemas que tinham entre si poderiam interferir na preocupação com ela? Como se não bastasse, simplesmente deixou escapar ásperas palavras:

– Se você não for ler esse livro, empreste-me. Afinal, você está com o que preciso, e eu vim por causa dele.

Marceline o fechou e lançou-o com força sobre a mesa. Depois, abriu a porta francesa e foi até o balaústre. Bonnibel ficou perplexa, porém, embora já soubesse o que aconteceria quando dissesse algo, não tinha noção de como lidar com o fato posterior. Pelo menos, levantou-se e também se manteve apoiada no balaústre, apreciando a paisagem.

– A vista é magnífica. – disse a morena em meio às lágrimas, limpando-as com os dedos.

A ruiva prosseguiu calada, somente assentindo com a cabeça.

– Meu baixo e este lugar são o meu refúgio. Nem sei por que digo isso a você, pois não irá entender. Agora, é a primeira pessoa que conhece...

Com um olhar acolhedor e um sussurro, a jovem a interrompeu.

– Eu te entendo.

– Você odeia que eu a chame de Bonnie, mas foda-se... Bonnie, eu te admiro muito por não ser como eu, por ter sofrido em minhas mãos e, ainda, aceitar vir a minha casa sem questionar, confiando em mim, ciente de tudo o que te fiz. Obviamente, nós duas sabemos que só existem dois verdadeiros motivos que expliquem sua presença: ou você me perdoou ou está armando alguma coisa. – sorriu.

Mas, ela não dava a mínima para o que a jovem estava fazendo ali. Marceline tinha a quase certeza de que Bubblegum não a faria mal, nunca usaria uma tortura íntima como arma para atacá-la, por conta da imensurável inocência que possuía. Embora caçoasse e desprezasse essa qualidade em público, admirava-a tanto que chegava a invejar os sortudos que a tinham. Seu desespero emergia numa vontade de ser libertado, contado a alguém. Só chorara na frente de Marshall, nunca próxima de um amigo. Bonnibel parecia sincera e confiável, todavia a morena não teve coragem para desabafar suas dificuldades envolvendo a família.

A garota suava e engolia em seco. O corpo todo se contraiu com a brincadeira. Deduziu que Marceline acreditava que sua ingenuidade ainda existia. Em seu rosto, apenas um sorriso maligno foi esboçado. A ruiva não conseguia perdoar, precisava ver a morena sofrendo como si mesma sofrera. Suas lágrimas não eram o suficiente. As pausas entregavam a profundidade do segredo. A vingança poderia aproveitar cada centímetro desse poço. Conquistaria Marceline até que esta a amasse, o que parecia não ter tantos obstáculos. Cerrando os olhos, suplicou:

– Não chore. Agradeça enquanto atrocidades não acontecem.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.