Papaoutai
1 Capítulo 1 - Único
Notas iniciais
É a minha fic "de retorno", já que passei uma caralha de tempo afastada no Nyah!, e espero que gostem dela(eu particularmente, adorei o meu trabalho porque pra quem estava com um bloqueio fudido, né - mas isso não cabe a mim julgar e sim, a vocês).
Leiam de preferência ouvindo essas músicas aqui: https://www.youtube.com/watch?v=_VONMkKkdf4 | https://www.youtube.com/watch?v=wdwQD9r8m1M | https://www.youtube.com/watch?v=ScDIkNcqZjE (versão Pentatonix) | https://www.youtube.com/watch?v=SJCPT8uLL80 (versão Margaux Avril)
Espero que gostem! (e ah, relevem os erros, ok? São 22:20 mas eu já estou com sono -_-)
Beijos e boa leitura :)
Estrelas brilhavam intensamente mas nenhuma delas era a sua.
Mais estrelas. E nenhuma delas continuou sendo a sua.
E assim ela continuou; sentada no pequeno banco debaixo da frondosa macieira no jardim de trás da casa. Por mais decepcionada que estivesse, aquela faísca de esperança ainda não havia deixado seus olhos, nem seu coração. Ela checou o bolso, tirando de lá um pequeno relógio prateado antigo, o qual ganhara em um Natal quando ainda era pequena. Já passava da meia noite e só se sentia mais frustrada cada vez que ouvia mais um tique ou taque.Sabia que às vezes aquilo acontecia mas o momento sempre chegava.
Outro tique.O vento frio do inverno só se intensificava mais e mais a cada segundo. Fechando um pouco mais o zíper do casaco e afundando suas mãos nos bolsos do mesmo, bufou; apertando o relógio com força em uma das mãos, os olhos semicerrados a fim de conseguir ver direito com todo aquele vento.Volta e meia, uma mecha de cabelo voava em seu rosto e ela trazia a mão trêmula e já pálida até o mesmo, empurrando a mecha para trás de novo.
Perdeu a conta de quantas vezes fez aquilo enquanto os tiques e taques incessantes do pequeno relógio se tornavam mais insistentes. Meia noite e meia. Todos os outros já estavam em suas camas desde às onze, dormindo profundamente, quem sabe sonhando com coisas boas, unicórnios, férias, um aumento, etc..mas ela continuava ali. Continuava na esperança de vê-lo mais uma vez e ter aquele sentimento confortável dentro de si de novo, aquele sentimento de ter alguém, de ter uma família..
Família...algo que o significado lhe era conturbado desde os seus dois anos de idade, quando a mãe morreu, a deixando sozinha com o pai e o avô, que morreu um ano depois, vítima da mesma doença silenciosa que levara sua mãe. Ao ver a família se desmantelar, o pai da menina, David, um homem que trabalhava no café local, começou a se desesperar.Sem dinheiro para sustentar a ele e a Emma, na época já com três anos, o homem se desdobrava em mil e fazia pequenos bicos em locais diferentes daquele onde trabalhava, na esperança de conseguir um dinheiro a mais.
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Aos seis anos,Emma já estava acostumada e passava os dias praticamente sem ver o pai, sozinha em casa. Quando acordava, fazia os deveres, lavava as roupas, se arrumava e aguardava ansiosa o horário de ir pra escola, único lugar onde sabia que a comida era garantida. Às oito, saía de casa e corria para ser a primeira da fila e pegar o pequeno café da manhã ainda quentinho e no ínicio; quando o fazia, aquilo era o ponto de seu dia e nada poderia fazê-lo ficar melhor. Todos os dias às dez, era a aula da Professora Ella, uma moça de feições doces e agradáveis, que sempre a ajudava no que podia. Às quinze para o meio dia, a garota ficava inquieta na cadeira; sabia que o almoço era servido ao meio dia em ponto e que, se não chegasse a tempo, iria perder todas coisas boas. Portanto, nos dias das coisas que lhe interessavam, sempre fingia uma dor de cabeça ou coisa parecida para ser dispensada mais cedo e, uma vez fora da sala de aula, virava um foguete e se lançava em direção ao refeitório, onde era a primeira e sempre paparicada pelas moças da cantina.
À uma, as aulas recomeçavam e era hora da aula de Ciências com a Senhorita Alma Peregrine, outra moça encantadora mas com um parafuso a menos, segundo Emma, pois o amor da mesma por pássaros e coisas um tanto quanto...peculiares, era algo muito difícil de se ver. Mas foi Alma quem notou as mudanças em seu comportamento primeiro. A menina loirinha, que sempre chegava sorridente à escola, apesar dos problemas que a vida já havia lhe dado, começou a faltar aulas. Quando ia, estava sempre cansada e com olheiras, por vezes até dormindo em suas aulas, coisa que antes não fazia, pois estava sempre com os brilhantes olhinhos verdes bem abertos, atenta a toda e qualquer informação.
Preocupada, a morena resolveu comentar aquilo em uma reunião de professores e ficou chocada ao perceber que não era a única que havia notado as drásticas mudanças na pequena Emma. Decididos então a averiguar o que estava acontecendo, os professores estabeleceram que Alma e Ella falariam com Emma e tentariam convencer a menina a trazer o pai à escola para que pudessem os quatro conversar de maneira amigável sobre seu rendimento.
— Ele não pode vir.. — disse a pequena quando confrontrada
— Como assim, Emma? — perguntou Alma, franzindo o cenho levemente
— É, ele não pode vir. Meu pai..não aparece em casa faz alguns dias..ele já fez isso outras vezes mas nunca ficou esse tempo todo fora..
— Emma..como assim? Por que não disse nada? — Ella interveio, tomando suas mãos e lançando um olhar de preocupação à outra professora
— E-ele faz isso..é o que ele faz. Está tudo bem, eu juro. Hoje ele deve estar voltando, eu prometo! Amanhã mesmo eu trago ele para falar com vocês e vocês vão ver que está tudo bem! — Emma disse, tentando dar seu melhor sorriso ao notar a preocupação das duas mulheres; queria que todas aquelas perguntas acabassem logo
— Emma..nós não podemos te deixar ir pra casa assim. E se ele ainda não estiver lá? E se não voltar mais? Você não pode viver sozinha assim, ainda é uma criança. — Alma interveio, vendo que a menina estava se acuando. — Porque não fazemos assim, hoje eu te levo até em casa e tento ficar um pouco com você até seu pai chegar, o que me diz? Hm? — perguntou, sorrindo calorosamente como sempre fazia
Emma ponderou a oferta da mulher por um tempo. Mordeu o lábio inferior, os olhos verdes e grandes fixos nas mãos da outra professora, que acariciavam as costas das suas com os polegares,a fim de passar calma a menina.Depois de alguns minutos de expectativa, as professoras respiraram aliviadas quando a garota fez que sim com a cabeça, aceitando a proposta.
Naquele dia, quando o relógio marcou três horas em ponto e todas as outras crianças bateram em retirada da sala, Emma guardou seu material com calma e se levantou para esperar a professora na porta. Terminando de corrigir alguns deveres e trabalhos e guardando uma outra pilha em sua pasta, a mulher se levantou e direcionou um olhar triste à menina, que não o notou por estar distráida demais em seus sapatos e em chutar uma pedrinha no chão, enquanto colocava seu sobretudo azul petróleo e seu cachecol preto. Com um suspiro pesado, ela se dirigiu à pequena, colocando uma mão em seu ombro e assim, as duas seguiram pelos corredores já vazios da escola.
Ao chegarem ao portão, Emma se soltou da professora e correu em direção à calçada.
— PAPAI! PAPAI! — a menina gritou ao ver o homem desaparecido do outro lado da rua mas este não apreceu notá-la do alto de sua embriaguez. — PAPAI! Sou eu...Emma! — mais uma ela tentou mas sem sucesso algum.
Ouvindo aquilo, Alma que ainda estava um pouco mais atrás, apertou o passo, franzindo o cenho para enxergar com quem a menina estava gritando. Ao ver que se tratava do "famoso" pai desaparecido, a professora sentiu um alívio.
— Senhor Nolan! Aqui,olhe para o lado de cá, estou com a sua filha! — a mulher gritou ao se aproximar de Emma mas logo fraziu o cenho de novo ao notar, por entre os carros que passavam, o homem tirar uma garrafa de dentro do casaco e beber um longo gole, cambaleando um pouco para trás.
— Ele não escuta.. — sussurrou a menina com pesar, tirando a morena de seus devaneios — Será que esqueceu de mim ou só não quer falar comigo?
— O que? Não, não, meu amor, o que é isso? É óbvio que seu pai quer falar com você, ele só não deve estar escutando direito por causa do barulho dos carros. Vamos tentar mais uma vez? Com bastante força agora, está bem? — ela disse, olhando para baixo e nos olhos verdes esperançosos da menina que prontamente fez que sim, um sorriso lhe preenchendo os lábios
— PAPAI! PAPAI! É A EMMA! — ela gritou mais uma vez e sentiu a mão de Alma em seu ombro apertar com mais força quando a professora notou que o homem havia abaixado a garrafa e parecia tentar ver de onde vinha o som. — É A EMMA, PAPAI!
"É a Emma, papai! Emma...Emma...que Emma? A minha Emma?", o homem do outro lado pensou, enquanto os gritos preenchiam seus ouvidos e ecoavam em sua mente. "Mas a minha Emma morreu..ou será que fui eu que morri? Há tanto tempo que eu não vejo a minha Emma..seria bom vê-la novamente..tão bom.", ele pensou, lágrimas enchendo seus olhos enquanto ele apertava os mesmos a fim de tentar enxergar com clareza. "Emma..minha Emma..", ele sussurrou, se virando devagar e semicerrando os olhos ao ver o pequeno ponto que pulava na outra calçada.
— Ele virou! Ele me viu! Senhorita Peregrine, ele me viu! — a menina disse entusiasmada e olhando para cima. Não percebendo que agora a professora tinha um semblante sério e preocupado, Emma continuou a gritar a plenos pulmões pelo pai. — PAI! PAPAI! É A EMMA!
"Emma..", era tudo o que o homem sussurrava enquanto cambaleava para a beira da calçada.
— Emma..Emma, é melhor não chamar mais. Emma.. — a professora disse, apertando com força o ombro da menina. Seus olhos verdes alternando entre o homem cambaleante e o sinal no fim da rua que estava prestes a abrir.
— Ele está me ouvindo! PAPAI! PAI! — a menina voltou a gritar, agora com mais força, determinada a provar para a professora, para seus colegas, para o mundo que seu pai não esquecera de si e ainda lembrava dela.
"Minha Emma..", o homem disse ao colocar um pé no meio fio. "Papai está aqui.", ele sussurrou ao colocar o outro, "papai voltou para você..".
— PAPAI!
— Emma...Emma não. Pare de gritar. O sinal, Emma.. — Alma sussurrou, apertando o ombro da menina mais uma vez. De repente, sentiu seu chão desaparecer ao ouvir um "Me solta, ele está ali!" e sentir a menina se desprender de si. — EMMA, NÃO! — ela gritou e correu em direção à pequena figura loira que já estava na beira da calçada quando o sinal abriu e os carros vieram à toda...
— PAPAI!
— Emma...
Foi tudo o que a professora conseguiu ouvir ao puxar a menina para si, no momento em que um carro que vinha a toda velocidade, perdeu o controle no asfalto ainda molhado pela neve da noite anterior e acertou em cheio o pai de Emma, o jogando longe e fazendo com que fosse parar mais à frente na rua.
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Como se o ar estivesse sendo sugado de seus pulmões, a loira arquejou, abrindo os olhos de supetão e agarrando a mão em seu ombro.
— Ei, calma..sou só eu. — disse uma voz suave e rouca atrás de si. — Sou eu, Emma..Regina. Calma. — a morena disse, apertando novamente o ombro da loira, antes de ir sentar a seu lado no pequeno banco de madeira. — Pensando nele?
— E quando eu não estou? — a loira respondeu em um sussurro, rapidamente levando a mão livre ao rosto para secar as lágrimas que ela nem sabia que havia derramado.
— Tudo bem, chorar, Emma..eu também choro pela minha mãe, pelo meu pai; Henry chora pelo pai também..você tem todo o direito de chorar pelo seu. — Regina disse, chegando mais perto e deu um leve aperto na mão da loira, seu polegar passeando lentamente pela aliança dourada do casamento que acontecera um ano antes. — Estou aqui com você. Na saúde e na tristeza, lembra? — ela perguntou ao que Emma respondeu com um aceno de cabeça breve e um pequeno sorriso.
— Eu sei. É só que...cada vez que eu lembro..tudo aconteceu tão rápido, Regina. Eu..eu não tive tempo de me despedir dele, assim como mal tive tempo de me despedir da minha mãe ou do meu avô..
— Bem, hoje é o seu dia. Se despeça dele devidamente. E bem, acho que pelo menos hoje, ele está na hora..
— O que-
— Olhe para cima. — sussurrou a morena, apontando para o céu com a cabeça. — Parece que ele não veio sozinho..
No céu, três estrelas brilhavam fortemente, quase que lado a lado. Naquela noite, faziam trinta anos desde o acidente e Emma estava no jardim fazendo o que fazia sempre naquela data, olhando as estrelas; coisa que o pai havia lhe ensinado a fazer para quando sentisse falta da mãe e do avô, apesar do pouco tempo que convivera com eles.
— Ah, antes que eu me esqueça. — Regina disse, colocando a mão no bolso do roupão preto e tirando uma pequena caixinha de madeira. — Deixaram isso pra você hoje lá na Prefeitura de manhã, quem apanhou foi Henry; é pra você.
Com mãos trêmulas, a loira pegou a pequena caixa e arquejou ao ver as iniciais douradas feitas na mesma, 'D.N.'. Dentro estavam uma pequena luneta, também dourada, e um bilhete. Ao abrir o mesmo, reconheceu a caligrafia na hora.
"Quando levaram seu pai para o hospital, acharam isso em seu casaco e me deram antes de prepararem o corpo para o enterro. Acho que ele queria passar esse dia especial com você assim..
Na época e nos anos que se seguiram, não te dei pois achei que te faria mal..mas trinta anos é suficiente, não é mesmo?
Agradeça a um de seus irmãos(o nome começa com 'Au' e termina com 'gust') que me convenceu a deixar na Prefeitura hoje, antes de ir para o lar das crianças. E que mãos melhores para deixar isso se não nas do meu neto..
Que tal um café amanhã aqui em casa? Prometo fazer o chocolate quente com chantilly e canela que tanto gosta. Seus irmãos ficaram de trazer as esposas e os filhos também.
Promete quem vem? As crianças novas estão doidas para ouvir as histórias de vocês e conhecê-los.
Com amor, Alma LeFay Peregrine — Lar das Crianças Peculiares
P.S.: Olhe o verso depois."
Ao final do bilhete, Emma já não segurava mais as lágrimas. Com as mãos quase transformadas em gelatina, ela dobrou o bilhete novamente e pegou a luneta cuidadosamente e devagar, estudando cada detalhe da mesma. Levou o objeto aos lábios e fechou os olhos, dando um beijo e à sua mãe, a eterna Senhorita Peregrine, à Regina e à Henry também, por lhe proporcionarem tamanha alegria, por finalmente lhe proporcinarem uma família, coisa que achava que lhe estava perdida pra sempre quando viu o pai morrer naquele dia, todos aqueles anos atrás.
Notando diferença na luz do ambiente, a loira abriu os olhos e viu Regina de pé e rindo feito criança.
— Emma! Emma olhe! — a morena dizia, quase pulando, enquanto apontava para o céu, agora repleto de estrelas cadentes que faziam seu caminho.
Olhando para cima, a loira se levantou devagar e suspirou, um sorriso enorme e brilhante em seu rosto quando se juntou à esposa para assistir as estrelas cadentes.
— Meu deus, quase que eu ia me esquecendo! — ela exclamou e tirou novamente o bilhete do bolso, a fim de olhar o que sua mãe havia escrito. Olhando para baixo, sob a luz das estrelas, estava, em uma caligrafia mais bordada que o normal e em cores que pareciam mudar conforme a luz as tocava, o mais singelo...
"Feliz aniversário, Emma."
— Feliz aniversário, Emma. — a morena sussurrou, se esticando para dar um beijo na bochecha da esposa.
— É..feliz aniversário,pai.
Notas finais
Pra quem quiser comentar, jogar pedras ou até mesmo me ameaçar de morte, meu twitter é @aiyya_yo (sejam gentis, tá?)
E pra quem tá por aí se perguntando quando sai att de Something Special, digo que essa semana deve sair( não garanto nada porque vou passar o feriado estudando para um prova na sexta) mas saibam que o capítulo já tá mais que encaminhado!
Um beijo e até a att ou até mais alguma oneshot doida que eu resolva escrever! ;)
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