Papai faça-me sonhar

1 Não deixe a magia do natal se acabar.


Notas iniciais
Baseada na infância de meu primeiro filho: Henrique

Na minha época de menino... humilde, pequeno, ou mesmo mais grandinho, embora jamais tivesse ganho quaisquer brinquedos de meus pais, tios ou avós, sentia a magia do natal nos almoços diferentes, refrigerantes ou até mesmo no pouquinho de vinho que meu pai deixava a gente degustar, por ocasião de tal festa especial.

A magia se registrava também nos mais belos reclames comerciais que apareciam constantemente nas emissoras de rádio ou tevê (pra quem tinha esse privilégio de época). Incluindo o que mais marcava, de uma famosa rede de tecidos, que dizia:

Dezembro vem o Natal…

Os presentes mais bonitos…

As lembranças mais humanas…

Pra seus entes queridos todos vão comprar…

Nas Casas... Pernambucanas…

Que em todos os lares, a paz seja total…

E mais os nossos votos de um feliz Natal.

Aos poucos (hoje eu diria: rapidamente), o tempo foi passando e a cada ano eu me tornava menos criança e a magia do natal foi a cada ano, mais, se apagando em meu ser, que se fazia homem responsável e demasiado ocupado para tais comodidade insignificante. E com isto, toda a tal magia natalina se tornava mais, apenas um feriado qualquer, onde servia apenas para ter um dia de folga do trabalho e um tempinho a mais ao lado de nossos entes queridos.

Porém, por tradição ou mesmo por distração, decidi que deveria enfeitar a pequena árvore pinheiro de frente à minha casa, incluindo suas paredes que se fazia frente àquela rua de quase nenhum movimento.

Depois de tudo preparado e já confirmado seu funcionamento, bastava esperar a noite que só chegaria por volta das nove horas, devido o horário de verão do sudeste brasileiro.

Parece que demorou mais do que o costume, mas, enfim, o Sol se foi, a noite chegou e por alguma sorte, até mesmo a lâmpada da iluminação pública que iluminaria tal local, não se ascendeu naquela data.

Apenas eu e meu pequeno filho primogênito, aos seus singelos seis anos de idade, estávamos à frente de nossa modesta casa naquele horário.

Acionei o interruptor e imediatamente toda a pequena árvore e as paredes da casa se iluminaram, com a tonalidade das diferentes cores das pequenas lampadinhas que, em poucos segundos começavam a piscar, mostrando toda sua beleza.

E como em gesto mágico, meu pequeno filho, saltando mais do que o serelepe que sempre fora, começou a gritar ao máximo que seus pequenos pulmões permitiam:

— Feliz natal. Feliz... Feliz... Feliz natal a todos.

Seus fortes gritos atraíram a atenção, primeiramente de minha esposa, que, com meu outro filho, caçulinha em seus braços, correu até a rua. O pequenino, com pouco mais de um ano de idade, forçou para que descesse ao chão e com suas perninhas frágeis, começou a correr atrás do irmão e a imitá-lo gritando na mesma melodia:

— Feliz natal. Feliz... Feliz... Feliz natal a todos.

Tais gritos chamaram a atenção de alguns de meus vizinhos, que se aproximaram para ver o simples gesto, em que algo tão insignificante para nós, adultos ocupado demais, pode representar na vida de nossas crianças.

E assim, pude perceber que os gritos ininterruptos de meus dois pequenos filhos queriam me dizer que:

“papai, se a magia do natal que existia em sua infância se esgotou em ti, não deixe que ela se extinga também em nós e em nossos futuros filhos”.

Notas finais
Espero que consiga cativar você amigo leitor.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!