Panic

4 A esperança


O dia era chuvoso, e a maior parte das pessoas da cidade estava indo para o cemitério, para o enterro dos jovens que morreram. O prefeito pensou que juntar os enterros de Ethan, Elliot, Logan e George era uma boa ideia. April não achava isso. Foi difícil para ela levantar de sua cama naquela manhã para dar um último adeus ao seu amigo, e aos seus colegas de classe.

Já no cemitério, onde todos estavam, April permanece parada na frente de um pequeno memorial para os 4 jovens. Professores e amigos compareceram ao enterro. Mas nem mesmo a presença deles pôde fazer com que a tristeza de April tivesse fim. A garota, ainda olhando para a foto dos meninos, fecha seus olhos e solta um suspiro forte, deixando uma lágrima cair de seu olho.

Já no final do enterro, as pessoas estavam indo embora, e April fazia o mesmo. A imagem dos tûmulos era um pouco forte. Enquanto as pessoas seguiam para fora do cemitério, um rapaz ficava. Ele estava coberto por roupas pretas, e sentado no lugar onde George foi enterrado. April, curiosa, caminhou em direção a esse indivíduo, esperando que fosse algum conhecido. Quando chegou mais perto dele, a garota o reconheceu. Era Liam, o melhor amigo de George. A menina se sentou ao lado dele, sem fazer contato visual ainda. O silêncio reinava ali, até que um soluço foi ouvido vindo de Liam. Ele estava chorando.

— Me desculpe a pergunta, Liam. Mas, está tudo bem? — April tocou no ombro do rapaz, que continuava a chorar.

— Não, não está tudo bem.

— Olha, eu sinto muito pelo George.

— Você não sente. Você o ignorou quando ele disse que precisava te dizer algo… — O garoto engole seco. — … E eu fiz a mesma coisa. Agora, nós não só não sabemos quem é o assassino, como também temos mais um morto. — No momento em que disse isso, mais lágrimas saíram de seu olho. O rosto do rapaz estava avermelhado por conta do choro.

Após as palavras e a tristeza que trocou com April, Liam se levantou e foi embora. A menina, estava sem graça pelo o que tinha ouvido. O garoto tinha razão. Ela ignorou a única coisa que George tinha a dizer, e por isso, ele estava morto.

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Depois do triste evento, April seguiu para sua casa. No dia seguinte, as aulas voltariam ao normal depois de passar um dia de luto pelas mortes. A menina passou o resto do dia inteiro na cama. Sua mãe estava preocupada com sentimentos de sua filha. Mas aquilo era uma coisa que ela não conseguia entender.

Já na manhã seguinte. Tudo parecia mais alegre, pelo sol que estava brilhante. Mas para April, aquilo não fazia diferença, já que tudo parecia ruim. Mesmo estando triste, ela foi para a escola, e se sentou na mesa onde ficava diariamente. Todos, novamente, se sentaram. Ninguém mais tinha assunto para falar, pois todos ainda estavam tristes. Até que Mason resolveu quebrar o silêncio.

— Galera, eu sei que tudo o que está acontecendo é ruim, mas, não podemos parar a nossa vida para sempre. — Mason disse, olhando para todo o grupo de amigos que estavam na mesa.

— Pois é. Tenho certeza que Logan não iria querer ver a gente triste — Leila complementou. — E é uma pena eu não poder mais tentar ficar com ele. Nunca mais terei a chance.

— Leila, não é hora para isso. — Jodie repreendeu sua amiga, que ficou quieta em seguida.

— Eu agradeço muito o esforço que estão fazendo para nós nos sentirmos melhor, mas por enquanto, não dá. — April diz enquanto pegava sua mochila. E em um olhar um pouco triste, ela sai da mesa e segue para a aula.

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Depois de 8 cansativas aulas, April estava liberada para ir para casa novamente. A última professora que lhe deu aula foi a Sra. Annie Sale, professora de Geografia. Ela estava interessada em tudo o que estava acontecendo com seus alunos, principalmente com April, o foco daquilo. O assunto era tão interessante para ela, que já tinha comentado com outros professores sobre aquilo, e os mesmo comentaram entre si, ignorando até mesmo os momentos em que April estava presente. Quando a menina estava saindo da sua última aula, a Sra. Sale a segurou levemente pelo ombro, tentando conversar com a garota.

— April, nós podemos conversar? — A mulher perguntou enquantos outros alunos saiam, deixando a sala completamente vazia, com somente as duas.

— Claro… — April solta um suspiro.

— Então…. Eu só queria dizer que se você precisar de qualquer apoio, eu estou aqui.

— Muito obrigada, mas eu não preciso.

— Você tem certeza? Sabe, quando as pessoas passam por coisas como as quais você passou, ela querem desabafar com alguém… — Ela olha nos olhos da menina. — … E eu estou me oferecendo para isso.

April sabia sobre o que sua professora já falou sobre os assassinatos, e também, sobre ela. Não eram coisas muito boas.

— Sim, Sra. Sale, já pode me deixar em paz. — A menina diz com mais grosseria, e logo, se vira para ir embora.

— April… — A mulher segura o braço da aluna, e em um movimento rápido, April da um soco no rosto da professora, que a larga em seguida. Logo depois, a menina caminha para fora da sala e da escola.

Horas depois, Annie, a professora, estava em sua sala, passando maquiagem em seu rosto para esconder o roxo na região de seu olho direito. Ela iria falar sobre a agressão para o diretor da escola, mas precisava terminar de corrigir algumas lições de casa. Depois de minutos, um ruído foi ouvido na porta da sala. Annie se levantou para ver o que era. Quando se aproximou da porta, ela a abriu e olhou o corredor, percebendo que não havia ninguém ali.

Quando estava prestes a fechar a porta, ela ouviu um barulho meio estranho vindo da sala ao lado. Novamente, a professora foi ver o que era. Também não aparentava ser nada. Ela voltou para sua sala, mas, não fechou a porta quando entrou. De trás dela, o indivíduo com a máscara, o assassino, saiu de trás da porta com sua faca na mão. A professora se virou e olhou para o assassino, que a esfaqueou na barriga. Ao receber o ataque, Annie caiu no chão e foi esfaqueada novamente. Em seus últimos momentos de vida, ela olhou fixamente para a máscara da pessoa que tirou a sua vida.

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April, assim que chegou em casa, decidiu tentar conversar com Liam, visto que o mesmo estava triste pela morte do amigo, e chateado com a menina e com ele mesmo. Ela mandou várias mensagens para ele, o convidando para ir a uma cafeteria ou somente conversar em um lugar qualquer. A garota percebeu que ele não iria responder tão cedo.

Logo, sua campainha tocou. April levou um susto, pois estava distraída com seu telefone celular. Então, ela foi abrir a porta, com medo de ser morta pela pessoa que estava por trás dela. Mas, para sua alegria, era Mason.

— E aí, chica. Quer dar uma volta?

— Que alívio. Fiquei com medo quando vim abrir a porta. — Ela respondeu, dando um leve suspiro.

— Eu imagino o porquê. Enfim, topa sair?

— Acho que sim. Só espere um pouco. — Ela respondeu após pensar brevemente. Se distrair um pouco seria bom, depois de tudo o que aconteceu com ela. Ela foi para o seu quarto, pegou um casaco e voltou. — Agora podemos.

— Certo! — Mason disse enquanto April saia de casa.

— Sabe para onde vamos?

— Eu pensei em ir ao parque de diversões que inaugurou a pouco tempo. O que acha?

— Não parece ruim. Vamos com o seu carro?

— Sim. Eu estacionei ele na esquina aqui perto.


Enquanto caminhavam até o carro, eles continuaram a conversar. O passeio iria ser bom, aos olhos de April. Depois de tanta tristeza, um brilho de felicidade estava surgindo.