Pangeia

3 Capítulo Dois: Consciência


Notas iniciais
Oie, oie. É, eu sei, demorei muito. Mas não estava conseguindo escrever, o importante é que eu estou aqui! Não é?

Winnie estava prestes a ter um ataque de loucura. Sua consciência dizia de várias formas diferentes para não se virar para trás, enquanto se formavam diversas escritas e códigos em sua mente. Teria um ataque de pânico a qualquer momento.

Ajoelhou-se no chão da calçada e colocou a mão sob a cabeça, sua respiração estava descontrolada e o chip em seu pulso estava apitando. O que significava que estava em perigo, já que o chip era conectado com todas as partes do corpo, se não se acalmasse, poderia ter um infarto, deveria procurar um android. Mas, seu corpo não se mexia.

— Hey! — Uma voz invadiu sua mente, e não era a mesma que a estava deixando louca. — Você esta bem, garota?

Levantou o olhar com dificuldade para a pessoa a sua frente. Não conseguiu enxergar o rosto ou qualquer outra coisa além das madeixas brancas. Tentou focar seu olhar naquele cabelo, e contou ate 10, e as vozes foram desaparecendo. Sua respiração foi se normalizando. Quando percebeu essas pequenas mudanças, aproveitou para fazer seu encantamento de infância, colocou a mão no peito esquerdo e fechou, pensou em palavras sem sentido, e tirou a mão, para depois abri-la. Um pequeno ritual, ela acreditava que retiraria todo mal que lá estava.

— Sim, — respondeu com dificuldade — obrigada.

O albino ofereceu sua mão para ajudá-la a se levantar, Winnie aceitou de imediato. Quando estava de pé, usou a mão direita para limpar a parte de trás da saia.

— Tem certeza? Não quer que eu chame um andróide para examiná-la? Você ainda parece estar bem mal!

Winnie ficou encantada de quão doce era a voz do garoto, aproveitou que ele estava falando um discurso sobre como é perigoso quando seu chip apita, para observar melhor sua aparência. Ele tinha um rosto redondo, cabelo espetado, olhos grandes e com uma tonalidade violeta, mas não chegavam a serem roxos. Sua pele era pálida, entretanto estava um pouco rosada, o que podia se deduzir que fazia tempo que estava sob a luz do sol. Pode perceber um bracelete azul em seu braço direito, o que significava ele ser um aprendiz da área robótica de medicina. Sorriu ao perceber o bracelete, a voz doce dele combinava com isso, uma voz suave que dizia querer ajudar as pessoas.

Essa área era dividida em dois setores, o setor mais importante era encarregado de dar informações precisas sobre medicina para que nenhum robô cometesse algum erro na hora de cuidar de seu paciente, enquanto o outro era mecânico montando a aparência, e o programando, cuidando também do resultado final do andróide. Perguntou-se em que pavimento o seu salvador estava.

— Não, não precisa chamar, estou realmente estou bem agora! Foi só um mal-estar.

— Que bom então! —Sorriu sem mostrar os dentes. — Quer que eu a acompanhe ate em casa?

Seu estômago revirou ao pensar que ele poderia levá-la para casa, afinal, ela mal o conhecia. E se... Não! Espere! O que diabos estava pensando? Não existe uma pessoa que seria capaz de fazer tal ato. Apagou imediatamente essas ideias de sua mente, nem sequer se lembrava mais do que estava pensando. O sentimento horroroso que estava sentindo foi substituído por uma felicidade gigantesca de ter alguém bondoso o suficiente para acompanhar uma desconhecida ate sua casa.

— Ficaria grata, mas minha casa esta um pouco longe... Você se importa?

— Claro que não. Ahn! Como pude me esquecer? — A pele branca ficou em um tom avermelhado. — Meu nome é Leon Coldani, é um prazer conhecê-la, senhorita.

Leon mal esticou suas mãos para cumprimentá-la, e Winnie já pegou em suas mãos com força.

— E o meu é Winnie Stewar! O prazer é todo meu!

Logo depois começaram a caminhar em direção a casa da loura conversando sobre assuntos banais. Leon ate se atreveu a perguntar o que tinha acontecido com a Stewar, mas a garota cortou o assunto imediatamente, e ele não voltou a tocar no assunto novamente.

Demoraram cerca de 40 minutos para chegarem ao destino, a casa dos Stewars. A casa, para aquela época, não era nem um pouco especial, não era grande e nem pequena. Branca com detalhes marrons, as janelas era invisíveis para que as pessoas de fora não conseguissem ver o que tinha dentro, enquanto os proprietários tinham vista para a rua, as portas marrons precisavam da digital deles para abrirem. Há também uma pequena placa com o nome da família escrita em amarelo pregada em uma árvore ao lado da casa.

— Bem, chegamos, — Deu alguns passos de costas, olhando nos olhos de Leon — obrigada por me trazer ate em casa. Foi muito gentil de sua parte.

— Não me agradeça, não fiz mais que uma obrigação como cidadão! — Sorriu.

— Tem razão, mas foi muito agradável ter vindo ate aqui com você. Uhn... Se possível podemos manter contato?

Winnie certamente não era boa em fazer amizades devido a sua enorme timidez para conversar com pessoas desconhecidas. É uma característica estranha, e sem sentido, só de pensar que teria que conversar ou oferecer amizades, seu corpo congelava e começava a ficar vermelha como sangue. Talvez tivesse medo da rejeição, outra coisa que realmente a deixava com medo de chegar a querer se sufocar, eram multidões, ela tinha pavor. Seu medo era gigantesco.

— Claro! — Leon se sentiu aliviado, pois também deseja amizade da garota, tinha um enorme desejo de descobrir o que aconteceu minutos antes e mantê-la protegida.

Levantaram seus braços e coloram seus pulsos. Depois de alguns segundos, após sentirem suas orelhas latejarem e o pequeno brinco que estava lá apitar, indicando que havia uma nova mensagem, descolaram seus braços.

— Obrigada — Agradeceu e acenou, enquanto desaparecia na porta.

Leon observou a garota sumir no portal, e logo depois apertou o pulso, e em seu cérebro apareceram suas novas atualizações, desejou abrir a primeira mensagem. Nela estava escrito:

“Novo Contato: Winnie Stewar. Gostaria de mais informações?”

Desejou as informações. E a foto mais recente de Winnie apareceu em sua mente. E logo depois todas as informações públicas sobre ela.

“Dezessete anos, nascida em 15/12/4.800, descente de irlandeses, mora com os pais. Ainda não decidiu em que área quer trabalhar, no momento estuda na Escola do Ensino Médio de São Paulo, nunca fez uma transformação no seu corpo. Seu melhor amigo é Thiago Santos, não podemos mostrar informações sobre ele no momento. Seus Hobbies são ler, patinar, e ficar com seus amigos. A cidadã não autorizou mais informações.”

Sorriu com as informações e trajou o caminho para casa.

~~~///~~~

Em um lugar qualquer de São Paulo, residia um ser de cabelos albinos. Seus olhos estavam fechados, e podia observar que seu braço estava conectado com um computador moderno por um fio tecnológico. Vestia uma roupa branca de algodão, e sua pele também era clara. Quem quer que chegue à sala, provavelmente pensaria que era um fantasma de tão branco que estava.

Assim que recuperou sua consciência, retirou o fio de seu pulso, e abriu seus olhos revelando uma cor púrpura.

— Entediante! — Gritou em uma voz manhosa. — Faço isso há anos, e eles não percebem que são controlados! Quando vai haver alguma revolução?!

Se levantou colocando suas mãos na cintura, e mostrando a língua para a tela que apitava enquanto mostrava imagens de diversos lugares do mundo.

— Estou cansado disso! Que arrumem outro trouxa para cuidar dessa droga!

L caminhou em direção a porta digital, estava decido a sair de lá. Com apenas 1,63 de altura em seus 19 anos já era obrigado a ficar trabalhando o dia todo trancado como um escravo naquele quarto, sem descanso. Não seria um escravo para sempre. A era da escravidão já havia acabado há milênios! A prova era sua própria existência.

Apertou o botão para sair, e mal pode colocar os pés para fora para sumir para sempre, e um homem alto de cabelos negros o segurou pelos pulsos e fitou brevemente seus olhos violetas tão iguais aos seus. O homem jogou L na cadeira giratória, onde o albino estava minutos antes, e abaixou para ficar na altura do menor. Fitou tristemente a expressão assustada e emburrada. Já era a quinta vez naquela semana que L tentava fugir. Suspirou fazendo um cafuné no garoto.

O homem vestia um terno considerado moderno no século XXI, ele gostava vestir roupas antigas, se sentia mais da época mais fascinante da Terra, e também uma das mais burras. No terno tinha um crachá escrito “GIN”. Seus superiores achavam graça dessa atitude de Gin, afinal não havia necessidade de tal, já que usavam um adaptador de reconhecimento de pessoas que trabalhavam naquele local.

— Sabe, L... — Falou com um tom parecido com o de um pai preocupado — Você poderia ser punido se alguém além de mim te pega tentando fugir daqui. Por que não entende que você esta trabalhando?

O garoto fez um bico, e fechou o punho com força. Gostava de ter Gin por perto e não resistia em não fazer tudo para agradar o maior, só que ultimamente ele estava sendo bem irritante para seu gosto. Não parecia ser o mesmo Gin.

— É entediante ficar aqui, Gin! Por que vocês não entendem?!

Era a mesma resposta de sempre, realmente deveria ser entediante ficar ali o dia todo sem descanso, sentia pena do albino. Mas, o que poderia fazer? Deveriam manter a ordem do mundo. Pegou em seu bolso um pirulito de sabor morango, retirou o papel, e colocou no meio do bico enorme que L fazia.

— Eu sei que é —sorriu sem humor — mas faça isso por mim, okay?

— Não ache que vai me convencer com um doce! Não sou tão fácil! — Disse enquanto tirava o doce da boca e movia entre os dedos.

— É mesmo? E o que eu deveria fazer para que cumpra seu trabalho?

— Uhn... Eu quero mais doces e que você passe o dia comigo!

Gin era o único que conseguia fazer que L fizesse seu trabalho corretamente sem birra. Então ele acabou tendo que mudar seu cargo para ficar encarregado da proteção de seu superior. Seria bom se fosse apenas isso, mas além de proteger tinha que fazer todas as vontades dele, isso incluía gastar metade de seu salário com seus desejos. No começo, odiava cuidar do menino, mas com o tempo acabou sendo preenchido por um carinho enorme por ele e virando seu melhor amigo. E é claro, sem nunca perde a posição de babá.

—Eu tenho a escolha de recusar? — Perguntou sorrindo e já sabendo a resposta.

— Não. — Observou seu colega se sentando ao seu lado enquanto chupava seu delicioso pirulito.

—Então só me resta cumprir sua ordem, L.

L fechou seus olhos, e seu melhor amigo conectou o pulso no computador. Em menos de 10 segundos o albino já estava mergulhando em todas as redes que existiam naquele mundo. Gin observou seu rosto adormecido e atreveu-se a fazer um cafuné nos cabelos daquele que observava.

Realmente, esse era o pior trabalho que poderia arrumar.

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Winnie se revirava na cama enquanto dormia. Ela estava suando e gritava horrores, mas ninguém poderia escutá-la, graças as paredes a prova de sons que havia na casa. Além disso, a pobre loira não conseguia acordar daquele pesadelo. Era o pior que já tivera. E nele sentia que estava no passado, pois estava em alguma guerra, e ver pessoas morrendo a deixava intrigadas, já que todos os rostos eram conhecidos, sua família e amigos. E em meio aquela massacre, estava um rosto que havia conhecido recentemente, o rosto de Leon, coberto por sangue. E o pior, estava morto e seus olhos púrpuros a fitavam. Como se indicasse que ela era a culpada pelo assassinato.

Stewar gritou vendo aquela cena horrenda, tremia de medo, e quando fez tal ato, todos pararam a matança, mas o alivio foi breve, pois ela virara o novo alvo. Eles queriam a matar.

— Nos iremos morrer por sua culpa! — Sua mãe gritou chorosa, enquanto pegava um machado no chão.

— Eu te odeio, Stewar! — Elise berrou.

A loura começou a correr quando percebeu que Elise iria atirar com alguma arma moderna, e sua mãe pronta para usar o machado. Iria embora dali, não queria morrer e nem matar alguém, só estava esconder ate que a guerra acabe. O que estava acontecendo? Teriam eles esquecido os ensinamentos básicos? Por que a odiavam tanto? O que ela fizera para merecer tanto ódio?

Ah, aqueles gritos eram agonizantes, todos a xingavam de todas as formas possíveis, e já tinha escutado 10 formas de que ela estaria morta. Quando passou por uma esquina, sentiu uma mão em seu calcanhar a puxando para cair. Olhou assustada e percebeu que era seu melhor amigo, Thiago.

Seus olhos encheram de esperanças pensando que ele poderia ajudá-la, mas o medo se tornou enorme quando ouviu aquela frase:

—Arque com as consequências, Winn.

Iria chutar a barriga de Thiago para correr, mas o garoto foi mais rápido, e com um sorriso no rosto, aquele que tanto a animava em momentos tristes, pegou uma katana vinda daqueles que eram chamados de japoneses, e atravessou com ela a barriga de Winnie. E quando caiu no chão não teve tempo nem sequer de colocar a mão sobre o furo e toda aquela multidão de pessoas ficarem envolta de si e começar a chuta-la.

— Não! — Gritou enquanto acordava.

Colocou a mão em sua franja que estava molhada pelo suor e pregada na testa, depois a jogou para trás, respirou fundo e contou ate 10 enquanto fazia seu ritual habitual para se acalmar. Pensou em ir beber água, mas parou no meio do caminho para observar pelas paredes invisíveis a noite em São Paulo, podia se ver milhares luzes cintilantes azuladas, significando que cada luz era um prédio ou casa, todos os prédios tinham a mesma tecnologia que sua casa. Por dentro tudo ficava transparente mostrando a paisagem lá fora, mas quem estava fora do prédio não podia ver nada de dentro. Era uma tecnologia avançada pensando nas pessoas para poderem sempre observar como o mundo por fora era bonito. Também tinha a opção de mostrar a paisagem de outra cidade, no entanto, Winnie sempre amou São Paulo.

Depois de se acalmar observando as pequenas luzes, resolveu ir beber a água para voltar a dormir, ainda eram 3:30 da madrugada, e ainda tinha bastante tempo para descansar.

Atravessou a porta e caminhou até a cozinha de casa. Chegando lá, podia se ver o fogão automático embutido no armário da cozinha, o bebedouro à direita, e o botão azul para solicitar o jantar, em frente havia uma mesa. Caminhou ate o bebedouro e pegou um copo de água, quando iria beber sentiu um arrepio percorrer pelo corpo, quase deixou seu copo cair no chão.

Era um déjà vu. Pensou que se olhasse para a janela da cozinha teria alguém a esperando para fazer algo, alguém de cabelos albinos. Outro arrepio. A pessoa seria Leon, Leon a estaria esperando. Leon estava na janela. Deveria olhar? Ele realmente estaria lá? Por que estaria? Por que estaria a esperando? Mal se conheciam, não fariam algo do tipo a esta hora. E por que estaria tendo esse sentimento de que ele estaria ali?

Bobagem.

Olhou para a janela para confirmar que estava tendo pensamentos idiotas e deixou o copo de água cair no chão quando viu madeixas albinas sumindo na escuridão das sombras dos prédios, ficou em choque ate sentir seus pés molhados pela água que havia espirrado do copo.

Nem se importou com os cacos de vidros ou sequer em arrumar a bagunça e correu para seu quarto pensando apenas em se esconder debaixo do cobertor e nunca mais sair de lá. Não entendia o motivo do medo, havia tanta gente com cabelos brancos, poderia não ser Leon. Era apenas algo da sua cabeça, estava tendo alucinações desde manhã.

Sua consciência estava em pânico e ela nem entendia o motivo.

Notas finais
E então? Gostaram? Espero que sim! Deixem suas opiniões
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.