Pandora
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Ficar trancada numa sala, que descobri que era um armário muito grande, por mais de trinta minutos dá desespero, só que eu não estava com nenhuma vontade de voltar para a aula, então mandei uma mensagem para a Marie.
Não se preocupa comigo, mas não to muito bem, vou pro dormitório, beijos
E logo depois ela me responde.
Você ainda vai na cidade :3 ?
Nesse momento que eu lembro que nós íamos à cidade. Ainda tento entender o sentido desse emotion.
Se eu melhorar sim, tchau e vai pra aula
Levantei do chão gelado que estava sentada e fui para o dormitório, o corredor sem aquele tanto de gente parecia tão vazio, tão longo e passa uma sensação de tristeza, dei graças a Deus quando eu cheguei ao dormitório.
O quarto que eu divido com a Marie era bem simples, mas Marie sendo Marie mudou tudo, colocou um papel de parede geométrico preto e branco, é a única coisa simples que ela usou, o resto das coisas dela são uma escrivaninha rosa, uma cama com edredom felpudo e com uns cinco travesseiros e um pôster de Titanic colado na parede, Marie ainda acha que vai se casar com o Leonardo Dicaprio ter quatro filhos e um cachorro chamado Rex.
Meu lado é exatamente o contrário do dela, é bem simples, tem uma escrivaninha branca com meu precioso notebook em cima e meus cinco livros favoritos, os outros, infelizmente, não pude trazer; na minha cama há o meu travesseiro e um edredom todo riscado de canetinha e manchado de tinta, uma das melhores coisas que eu fiz com a minha mãe.
Peguei uma calça preta, uma meia calça grossa, uma blusa de frio com alguma frase que eu não dei muita importância, um moletom azul escuro com uma âncora branca estampada, uma touca branca e fui tomar um banho, coisa que nesse frio é um sacrifício.
Quando sai coloquei minha roupa e me olhei no espelho, não que eu não goste do meu corpo, eu gosto, mas ás vezes eu me acho baixa demais, magra demais e branca demais, mesmo sabendo que 1,58m não é ser tão baixa, e que pesar 47 kg não é ser anoréxica, a única coisa que eu tenho certeza é que eu sou branca demais. Meu cabelo e meus olhos são normais, os dois são castanhos e isso dá um contraste legal com minha pele.
Eu estava cansada e sem nada pra fazer e ainda faltava duas horas para a Marie chegar, então liguei a TV, estava passando alguma série adolescente com um garoto muito bonito, deitei na cama e peguei no sono vendo o garoto bonito beijando a garota.
— Não tem nada que fique legal em mim, que merda!
Fui acordada pela centésima nona reclamação desse tipo que a Marie faz, ainda tento saber porque ela reclama tanto, tudo fica bem nela pois ela tem um corpo de dar inveja em qualquer uma, ela é alta, é bonita, tem olhos verdes e é a única ruiva que não parece inocente que eu conheço!
Ela ainda não tinha visto que eu tinha acordado, tentei dormir de novo, mas Marie não parava de falar, o quarto só ficou em silêncio quando ela foi tomar banho, me levantei e peguei uma bolsa, coloquei tudo o que ia precisar para ir à cidade, meu celular, meu fone de ouvido, minha carteira e meu exemplar de O Grande Gatsby.
Sentei na cama e liguei a TV, provavelmente a Marie desligou quando ela chegou, depois de um tempo procurando uma coisa decente para assistir acabo achando um canal onde está passando CSI, e bem, eu amo CSI.
Quando eles descobrem o assassino, que eu sabia quem era deis do começo, Marie entra já pronta, agora eu sei que é hora de irmos.
— Sabe você vai gostar, mesmo não sendo Londres você vai gostar, é bem aconchegante.
Marie me diz enquanto estamos andando a caminho do ponto de ônibus, daqui dava pra ver todo o internato, que era enorme, ele é uma linda construção antiga, me lembra os castelos que há na Europa, e eu amo esse tipo de construção. Ele tem duas torres, que são as bibliotecas, uma grande construção de três andares, onde ficam os refeitórios, salas, quadra interna e a piscina interna, e um pouco mais distante estão os dormitórios, todos em uma única construção.
E depois de quinze minutos esperando o ônibus ele finalmente passa, nesses momentos eu penso na vantagem que seria dirigir. Do internato até a Billericay, a cidade mais próxima dele, demora torno de meia hora, então resolvi pegar meu livro para ler, isso seria meio que um aviso a Marie “vai falar com as pessoas garota, se divirta”, e ela fez isso.
— Dakota, se você não guardar esse livro eu jogo ele no meio do mato! — Ameaçou Marie.
— Você não se atreveria.
— Claro que não, mas quero te apresentar o pessoal.
Bem na hora o ônibus parou e nós descemos, Marie estava com algumas pessoas da nossa sala que eu tinha visto, eles pareciam legais.
— Bem pessoal essa é a Dakota, minha amiga que eu falei pra vocês e tenho certeza que vocês a viram na aula.
— Oi Dakota. — Disseram todos juntos, como um coral.
— Oi.
Ainda tento entender o porque minha voz sempre fica fina quando eu vou falar com algum estranho.
— Por que você não nos apresentou antes em Marie? Eu adoro uma baixinha — disse um dos garotos maliciosamente com um toque de engraçado — Prazer sou o Will.
Falou pegando na minha mão e a beijando.
— Prazer, Dakota, mas acho que você já sabe disso.
Fomos andando até um café que tem aqui, que de acordo com todos é muito bom, é onde os alunos se encontram, ele fica bem cheio na época do ano letivo, principalmente no inverno.
— Então quer dizer que a Dakota não toma chá? Certeza que ela é britânica? — Falou Zoe, uma das amigas da Marie que agora também são minhas imitando a professora de gastronomia quando Marie falou que eu não tomava chá.
Todos riram e eu também,ficamos conversando assim por um tempo, brincando e dando risadas, até que Zoe e eu fomos fazer os pedidos e esperar no balcão.
— Ei acho que aquele garoto ta olhando pra você. — Sussurrei para ela.
Zoe é muito bonita, loira de olhos azuis, um pouco mais alta que eu e era super fofa.
— Acho que não é pra mim não.
Então o garoto sobre quem estávamos falando levantou e veio andando em nossa direção, ele era bem bonito, tinha olhos azuis escuros, cabelo preto, parecia tem mais ou menos 1,80, estava usando uma calça jeans normal, uma jaqueta e uma touca, e deus como eu amo garotos com tocas!
— Eh, oi. — Falou ele super tímido sentando na minha frente.
— Oi. — Respondi tentando parecer que não tinha achado ele bonito.
— Eu achei você bonita e meus amigos me fizeram vir até aqui, você estuda no Silver Poll?
— Sim, mas eu nunca te vi por lá, ou você não estuda lá? — Perguntei tentando continuar o assunto.
— Eu estudo, mas ainda não fui esses dias, estou dando uma folga pra mim essa semana.
— Entendi...
Senti que o assunto estava acabando e eu estava torcendo para que ele falasse alguma coisa.
— É eu posso te passar meu telefone e você me dar o seu? Claro se isso não for muito estranho e se você quiser passar também.
Escrevi o meu em um papel que eu peguei no balcão e dei para ele, ele não achando nenhum papel ou guardanapo acabou pegando uma tampa de copo e escreveu o dele.
— Acho que você nunca recebeu o telefone de um garoto escrito em uma tampa de copo, esse vai ser meu charme. — Deu uma piscadinha — Agora eu tenho que ir.
— Ei qual é seu nome?
— Percy, tá escrito na tampa, e o seu?
— Dakota.
E então ele saiu pela porta me dando um tchau.
— Dakota acho que agora você pode voltar para a mesa né? — Gritou Marie.
E só ai eu percebo que todos já estavam lá, fui para lá e me sentei, peguei meu frappuccino e comecei a tomar.
— Perdi minha chance, merda. — Falou Will em meio a um choro muito forçado.
Todos caíram na gargalhada, pela décima segunda vez.
Depois de um tempo eu escutei o sininho da porta batendo e me virei para ver quem estava entrando, e para minha surpresa era o Kale, eu realmente achava que ele não tinha vida social, ele pode me querer dentro de uma cova, mas eu tenho que admitir que ele é bonito. Ele é alto, tem o cabelo castanho bem escuro, olhos verdes escuros, tem ombros largos e é definido no ponto certo, e era sexy, acho que esse é o motivo dele ser o sonho de consumo de toda garota de Silver Poll.
Depois de algumas horas conversando, dando risadas, tirando fotos e comendo, tínhamos que ir embora, na saída eu comecei a escutar de algum lugar Never Let Me Go, eu so apaixonada por essa música, daí eu lembro que esse é o toque do meu celular, abro a minha bolsa e o pego.
— Senhorita Dakota? — Pergunta o homem do outro lado da linha.
— Sim...Quem é o senhor? — Pergunto desconfiada, não recebo muitas ligações de estranhos.
— Sou o Dr.Bower.
Será que eu tinha marcado alguma consulta e tinha esquecido?
— E por qual motivo o senhor me ligou?
— Eu sei tudo o que você quer e o que deve saber sobre Pandora, querida Dakota Gaylin.
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