Pandemônio

2 Capítulo 2 - A Visita


Notas iniciais
Enquanto estava escrevendo esse capítulo, tive uma grande dúvida sobre o deus do sol, a grande maioria pensa que é Apolo, mas na verdade o deus do sol é Hélios. Apolo leva apenas o nome de Deus do Sol por poder dirigir a carruagem do sol, que é de Hélios. Os dois devem ter algum intimidade.

Capítulo 2
A visita

22 de Dezembro de 745, dia do Solstício de Verão, era a única data do ano que o dia durava mais tempo. Era um dia especial para Charlie e Sid.
– Sid, acorde! – chamou Charlie, cutucando Sid em sua cama de Iguana. – Já está amanhecendo, ele irá chegar logo.
Sid estava em sua cama babando e roncando igual um velho caduco, ou melhor, igual um Iguana caduco, agarrado com seu ursinho de pelúcia que era um Sapinho. Charlie o chama várias vezes, até que Sid acorda.
– Essa hora da manhã e você já está me acordando? – disse Sid, sonolento – O que foi que houve?
– “O que foi que houve” nada seu Mané, se esqueceu que hoje ele vem aqui tomar café da manhã conosco? É o dia que ele tem um tempinho livre. — disse Charlie.
– Ah, sim! Eu tinha me esquecido. Quando ele chega?
– Daqui a pouco, quando amanhecer.
– Verdade, tinha me esquecido, ele chega com os primeiros raios de sol.
Ainda não tinha amanhecido o céu ainda estava escuro. Charlie ainda estava com seu pijama de palhaço que era um macacão roxo. E Sid não usava pijama, apenas uma bermuda com uma cor roxa também. Essa era sua roupa do dia a dia, afinal, ele era um Iguana, não precisava usar roupas. Charlie se troca e põem uma roupa mais... Digamos... Menos feia. Uma camiseta, e uma bermuda também roxa, que batia nos joelhos, igual a do Sid. As roupas que tinham, eles próprios faziam. Compravam o material necessário na cidade e costuravam criando seus próprios estilos.
– O que acha dessa roupa, Sid?
– Sei lá, pra mim tanto faz.
– Ah, claro. Você só anda nu mesmo. Apenas protegendo suas partes íntimas.
Então o dia começou a ter seus primeiros raios de sol, e estava bem diferente dos raios de sol de todas as manhãs. Estava mais forte, que todos os dias, era sinal de que ele realmente estava chegando.
– Charlie, veja! Os primeiros raios de sol. Ele ta chegando? – perguntou Sid.
– Sim, Sid. Lembre-se, que quando começa a clarear forte de repente, feche seus olhos. Senão poderá ficar cego. – respondeu Charlie.
– Eu sei.
Poucos minutos se passaram, e como Charlie tinha dito, uma luz muito forte descendo do céu começou a se aproximar da casa de Sid e Charlie na alta montanha. Ambos fecharam os olhos como combinado. Até que um pequeno tremor aconteceu ao lado de fora da casa e algo pousou. Sons de passos de cavalos surgiram. Charlie e Sid não ficaram impressionados, era como se já estivessem acostumados com isso. O clarão desapareceu, o tremor e os passos também. Um breve silêncio surgiu...
– Acho que já podemos abrir os olhos agora. – disse Sid.
– Meus olhos já estão abertos, Sid. – disse Charlie.
Quando Sid abriu seus olhos, no mesmo instante algo bateu na porta. “Toc, Toc”. Charlie animado se dirige a porta e abri. Um homem alto, com cabelos pretos e olhos amarelos, com uma armadura dourada aparece. E logo atrás desse homem há uma carruagem com dois cavalos brancos com suas cristas e rabos pegando fogo.
– Hélios! – disse Charlie – Acho que você chegou atrasado dessa vez, hein?
– Olá, amigos! Quanto tempo, não? – disse Hélios.
– Oi, Hélios! – disse Sid. – Vamos, entre! Creio que esteja com saudade de nossa comida saborosa.
– Claro que estou! – falou Hélios sorrindo.
Esse homem sorridente e gentil era simplesmente o Deus Sol, o Deus que dá a volta no mundo todos os dias em sua carruagem com seus cavalos de fogo. Ele tinha a obrigação de fazer o dia acontecer, todos os dias. Se não fosse por ele, provavelmente o mundo iria viver na escuridão. Ele também é o homem que tudo vê. Sabe de tudo que acontece todos os dias ao dia no mundo. Muitas vezes ele é chamado para ser testemunha para dar sua voz sobre crimes graves que acontece pelo mundo.
Certo dia ele estava simplesmente passando com sua carruagem e seus cavalos pelo céu. Viu Charlie, aqui nessa montanha, 12 anos atrás. Charlie estava fazendo suas pesquisas e magias. Tinha transformado água em vinho. Uma habilidade que o Deus Festeiro e do Vinho tinha, Dioniso. Hélios passava todos os dias e observava Charlie fazendo seus estudos e experiências. Se algum outro Deus visse Charlie, iria querer levá-lo para o Olimpo, onde os Deuses moram, e usá-lo para servir aos deuses. Hélios não queria que isso acontecesse, pois gostava do jovem, além dele ser um gênio, era uma pessoa com um bom coração, era sonhador e se ele fosse servir aos deuses, provavelmente o transformariam em imortal. Ser imortal tem suas vantagens e desvantagens, para as pessoas realizarem seus sonhos, suas ambições e desejo precisam do medo da morte, medo que sua vida acabe e que não consiga realizar seus sonhos. Por isso, tem que sempre que se preocupar.
Hélios era um Deus solitário, então resolveu intervir na vida de Charlie e se apresentou. Charlie ficou surpreso, pois nunca tinha visto um Deus e perguntou o que o Deus queria dele. Hélios disse que queria apenas a sua amizade. Apesar de toda sua fama, poucas pessoas sabiam da personalidade do Deus, até mesmos os outros Deuses não o conheciam bem, apenas o Deus Apolo que era confundido com Hélios com frequência, pois Apolo também podia dirigir a carruagem do Sol, com a permissão de Hélios, claro.

Hélios entra, senta-se a mesa com a refeição já servida que era simplesmente legumes e frutas, pois Sid não gostava de carne. Então, Sid e Charlie também se sentam a mesa e começam a comer.

– E então, Charlie... Vejo que continua o mesmo. O que tens feitos ultimamente? Conte-me. – perguntou Hélios.
– As mesmas coisas de sempre, forjando armas, e aperfeiçoei a magia de fogo, veja!

Charlie põem sua mão sobre a mesa e vira sua palma da mão para cima, e então um pequeno vapor começa a surgir de sua mão, até que uma bola de fogo aparece.
– Ainda está fraco, mas com o tempo eu vou aperfeiçoando. – disse Charlie.
Hélios parecia impressionado, “Como um humano consegue fazer essas coisas?” pensou.
– Até parece que você é filho do Deus Hefesto. – disse Hélios – Bom em forjar armas e agora consegue manipular o fogo? Impressionante. – Hélios se vira para Sid – E você? O que tem de novo para me mostrar?
– Uns dias atrás, eu estava indo dar um passeio e explorar a floresta que tem por lá, e achei isso daqui. – Sid sai da mesa e vai em direção a sua cama. Ele se deita no chão e tenta pegar algo que está embaixo da cama, e puxa uma flauta. – Veja, é isto. Eu acho que é uma flauta de algum Sátiro atrapalhado e pelo visto acho que deixou cair.

Sid põe a ponta da flauta em sua boca e começa a tocar uma música com uma melodia suave que lembre a natureza. Raízes começam a nascer no chão, bem devagar. Assim que Sid acelera a música, nascem mais raízes e com maior velocidade. Então Sid, para de tocar a flauta interrompendo o crescimento das raízes.
– Descobri que essa flauta tem o poder de fazer as plantações crescerem mais rápido, só preciso tocar uma música que satisfaçam os gostos das plantas, vegetações, árvores e tudo que seja relacionado à natureza. – disse Sid, o Iguana.

– Pensei que você não ia mais parar de tocar esse troço e transformar nossa casa em uma floresta de novo. – falou Charlie – E você que vai tirar essas raízes daqui de dentro, viu?

– Impressionante – disse Hélios – Mas tenha cuidado, como você mesmo disse, essa flauta deve ser de algum Sátiro e não duvido que eles venham atrás de vocês para buscar a flauta.

Sid olhava pra flauta em sua mão, era uma flauta um pouco velha e tinha uma cor meio amarronzada. Sid pareceu que não iria gostar de um Sátiro vir tomar sua flauta.

– Mas que droga, acho que não devolverei a flauta, ela é bastante útil. E como os Sátiros iriam saber que a flauta está comigo?

– Tudo que se ganha fácil, vai embora fácil, meu jovem. – disse o deus.

Eles continuaram a conversar sobre conversas paralelas e coisas engraçadas que Hélios contava, estavam se divertindo. Hélios estava bastante feliz, não é sempre que ele tem um momento de laser. Até que então os cavalos lá fora começaram a rinchar.

– Droga, deve está na hora de ir, meus amigos. – falou Hélios.

– Mas como assim? Não se passara nem 10 minutos. – perguntou Sid. – Eu queria dar uma volta com você nessa sua carruagem de fogo.

– Quem sabe algum dia, hein? Hehehe.

Hélios se levanta da mesa meio desorientado e com cara de tédio. Ele se lembra da chatice de todos os dias que é dar a volta ao mundo. Ele se dirige a janela do lado da porta e olha pro céu.

– Realmente já está na hora. Charlie, eu queria puxar um papo rápido com você, aqui fora.

Charlie também se levanta da mesa e os dois saem de casa e vão lá pra fora. Sid se perguntou porque Hélios queria falar com o Charlie a sós, mas não se importou muito e deixou esse pensamento de lado e começou a comer uma maçã que estava na mesa.

Hélios anda em direção a seus cavalos de fogo e faz um carinho em cada. Um dos cavalos da uma pequena rinchada, fazendo com que saia fogo de suas narinas.

– Então, Hélios, o que você tem de tão especial para me dizer que pelo visto nem o Sid pode saber?

Hélios dá uma pequena suspirada e logo olha para o céu como se esperasse ou buscasse por algo. Charlie não entendia aquela reação do Deus, começava a ficar preocupado.

– Me diga, Charlie. Você já se imaginou no meio de uma guerra, onde várias pessoas começam a se matar loucamente, com monstros horríveis estraçalhando tudo e quem ver pela frente e o sangue jorrando no seu rosto?

Charlie olhou para Hélios meio que confuso, não entendia o porquê de Hélios está falando sobre aquilo. Agora Charlie entendia porque Hélios tinha agido estranho agora pouco, ele estava buscando as palavras certas para dizer, mas pelo visto não conseguiu acha-las.

– Como assim, Hélios? Por que você está me perguntando isso?

– Porque à forças malignas soltas por aí mundo a fora, um novo inimigo ameaça aos deuses, e tudo que ameaça aos deuses, ameaça a vocês, mortais.

– Mas por qual motivo você está me contando isso? Isso não é problema dos deuses? Sou apenas um mortal, o que posso fazer?

Hélios baixou sua cabeça, confuso, nem ele mesmo sabia por que estava contando aquilo para Charlie, ele apenas sentia que tinha que contar isso para ele.

– Não sei, estou apenas te contando. Isso foi uma profecia do Oráculo de Apolo.

Reinos se abalarão

E as portas se abrirão

Um mortal irá intervir

Assim, os grandes adormecerão.

– Foram essas as palavras que o Oráculo dele previu ninguém sabe quando acontecerá o que foi dito na profecia e o que significa, mas coisa boa com certeza não é. Por isso eu falo pra você Charlie, com certeza coisa boa não é, o mal deve está por vir, por isso, fique forte.

Os cavalos rincharam mais uma vez e bateram com suas patas no chão como se estivessem dizendo para Hélios se apressar. Hélios bota a mão por dentro da armadura e puxa algo dourado, uma moeda de ouro.

– Tome, é um dracma de ouro, talvez isso possa lhe ajudar.

– Hélios, eu realmente estou assustado com tudo isso que você me disse, o que vou dizer ao Sid?

– Diga o que quiser, ele é o seu melhor amigo, não? Não esconda nada dele, vocês dois precisarão um do outro daqui pra frente.

Chegava a parecer engraçado aquelas palavras que Hélios dizia, Sid era um Iguana que falava igual uma pessoa normal e tinha mania de um ser humano. Mas o que Hélios dizia era verdade, Sid era o único amigo de verdade que Charlie tinha e um ajuda o outro em tudo.

Hélios se dirige a sua carruagem.

– Bom, tenho que ir.

– Quando o veremos de novo?

– Não sei, mas não se preocupe com isso, creio que nos veremos em breve.

Hélios sobe em sua carruagem, puxa as cordas de seus cavalos de fogo e se prepara para partir. Charlie no mesmo instante vira de costas e tapa seus olhos, assim surgi um enorme clarão e então cessa. Quando Charlie se virou novamente, Hélios já não se encontrava mais lá com seus cavalos de fogo. Sid se encontrava na janela de casa coçando sua cabeça, comendo uma banana, devia está se perguntando o que eles haviam conversado. Então Charlie vai até a Janela.

– Então, Charlie, você irá me contar o que vocês estavam falando? – perguntou Sid – Ou vai me dizer que é segredinho?

– Sim, é segredinho, mas que só nós dois pode saber, se arrume, eu te contarei no caminho.

– Espera aí, para aonde nós vamos?

– Vamos fazer umas comprinhas, só por precaução.

– Que compras?

– Vamos ao mercado negro.


Notas finais
Lembre-se, não esqueça do seu comentário, eles realmente me estimulam.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.