Pan, the Devil
12 Cap. 11 - A Rainha ep. especial
Notas iniciais
O sol rebatia várias vezes contra meus olhos forçando-me a levantar. Como nos outros, todos, os dias da minha vida, eu não havia dormido nada e as olheiras eram eminentes em minha face. A única coisa diferente das outras era que minha cabeça ardia antes mesmo de eu me levantar. Ainda fico com um aneurisma de tanto estresse. Pensei batendo na cabeça algumas vezes antes de me por de pé e me trocar. Antes mesmo de sair de meu quarto, um ajudante, mensageiro, adentrou a suíte pedindo conselhos para a regulamentação dos impostos.
Se não eram questões do reino eram problemas com Branca de Neve que eu não estava a fim de tratar. Por quê? Por que tão cedo? Fiquei pensando enquanto ele falava, não era que eu era descuidada. Mas eram apenas sete horas da manhã, e sim, eu não queria tratar de inflação em uma hora como aquela. ANTES DO CAFÉ DA MANHÃ...
Apertei a testa irritada. Ele pareceu perceber começando a gaguejar, mas sem parar de falar.
– Veja bem Rainha, você não deve extorquir mais que isso, o povo passa fome.
– Calado. – Forcei-me a dizer para o jovem mensageiro. Pobrezinho. Ele não tinha nada a ver com o que estava acontecendo. – Saia. – Mandei. O garoto se curvou novamente e saiu.
Eu ia finalmente tomar café. Esperava. Quem sabe assim, minha personalidade se equilibra um pouco mais. Falei cedo demais. Novamente, agora com a mão já na maçaneta, ou alguns estalos com a boca feitos pelo nada, ou melhor, por quem queria parecer ser o nada. Aquele “tsch” me irritava. – Rumpel. Se você não parar juro que vou... – Aleguei.
– Fazer o quê? – Ele apareceu na minha frente, parecendo já animado e todo "pula-pula" logo de manhã.
– Nada. Nada... – Suspirei. Se fizesse qualquer coisa, ele jamais diria onde minha filha está e ainda utilizaria do poder de Pan.
– Muito bem... – Ele estalou os dedos divertindo-se. – Vejo que sabe bem onde pisa.
– É claro. Sou Rainha. – Disse apenas, um tanto irritada. Pondo-me sentada, caminhando de volta até a cama fitei-o um pouco mais ao longe. Continuei a colocar a mão na cabeça para ver se a dor passava.
– Por que não usa magia? – Perguntou em relação a uma simples dor de cabeça.
– Porque para tudo tem um preço. – Assenti.
– Esperta.
– Qual será o seu preço Rumpel? – Perguntei. – O que você terá que pagar? — Aquele senhor ridículo e abusivo. Espero que pare no inferno, sentado na bosta de cérebus... Torci impaciente.
– Ora. – Ele saltitou até onde eu estava. – Se quer saber por que não me mata? E vira a Rainha das Trevas?
– Não quero ser odiada.
– Mas já é querida, já é. – Ele alegou.
– Não como você. – Ri.
– Não sei dizer o porquê, mas me sinto feliz sabendo desta situação... – Ele se privou pondo-se de costas para mim. Ele amava ser odiado, e que eu fosse também, graças a ele.
– Tudo bem. — Disse por fim achando que iria tacar algo contra ele se não mudasse de assunto logo, afinal, ele roubou minha filha e... Bom. Reprimi o pensamento para mim. — O que veio fazer aqui? – Perguntei tentando evitar mais embromações, e consequentemente, lembranças.
– Nada. Só vim ver como estava... – Ele suspirou.
– Por quê? – Quis saber.
– Não finja que se esqueceu.
É claro que não me esqueceria. Ele é idiota? Só foi o acontecimento mais marcantes, e automaticamente mais feliz da minha vida. Mordi o lábio como uma velha mania. – É claro que não. – Aleguei.
– Fico feliz, Regina. O aniversário de dezessete anos de sua família é em seis dias. Está animada? – Ele fingiu um sorriso arregalando os olhos.
– Cale-se.
– É tão triste que ela... – Ele hesitou se aproximando. – Não saiba quem é você.
Foi a gota d’água. Peguei um pote de pó-de-arroz e atirei em sua face. Que nem ao menos sofreu um arranhão. Apenas ficou mais esbranquiçada o que fez de meu começo de dia... um pouco mais divertido.
– Não precisa ficar tão emotiva. — Ele limpou um pouco do pó, que não saiu por completo, com as mãos. — Você pode ir a sua festa. – Ele assentiu.
– Mas ela não saberá quem és... – Ele riu.
– Maldito. Saia. – Mandei. Ele desapareceu. O resto do dia como sempre foi deprimente. Café, reuniões, assinaturas, reuniões, papelada, reuniões, decisões, almoço...
Depois de almoçar algo cheio de tempero e ao mesmo tempo insosso, permanecer em uma sala onde só havia um trono e eu, minha “filha” e seus companheiros chegaram.
– Mamãe...
– Alguma notícia? – Perguntei sem querer qualquer atraso.
– Não.
– Como não? – Chapéuzinho interrompeu Branca.
– Como é? – Perguntei.
– Encontramos uma garota nova no bar. – Alegou. Branca tentou impedi-la. Garota ridícula, no final acabou se tornando uma pessoa cruel e gananciosa.
– Quantos anos? – Perguntei.
– Não aparentava ter mais de dezoito.
– Rosto?
– Não sei exemplificar. Estava escuro. – Alegou a loba.
– Não tem problema. Eu não saberia mesmo como ela é.
– Mas há uma coisa mais intrigante, Rainha.
– O quê? – Estagnei-me um tanto preocupada, agora caindo sentada no trono acolchoado.
– Ela tinha cheiro....
– Do quê? – Por que o cheiro da garota seria importante?
– Neverland.
– Neverland? Era então um garoto? Com feições femininas? – Perguntei franzindo o cenho. Agora me encontrava realmente confusa. O que aquilo tinha a ver comigo, além do fato de um dos capangas de Pan estar na Floresta Encantada?
– Não senhora. Uma garota. Mas não tinha cheiro apenas de Neverland.... – A garota de capa avermelhada hesitou. Completei então seus lábios entreabertos com uma fala baixa e assustada.
– Pan?
Ela concordou com a cabeça.
A dor de cabeça que havia começado naquela manhã piorara consideravelmente. O que alguém tão próximo de Pan estaria fazendo aqui? E o que é pior, uma garota?
Aquelas perguntas me irradiaram na mente pelo resto do dia e durante quase toda a tarde. Foi apenas após ao pôr-do-sol, com o retorno novamente de minha “filha” e sua gangue que a dor de cabeça... piorou mais uma vez.
– Alguma notícia? – Perguntei.
–Não. – Disse Branca. Calada. Queria falar. Sabe que não falo com ela. Por que insiste em responder?
– Senhora, temos sim. Gancho. – Em resumo. Foi quando Gancho entrou em minha sala. Estava surrado e eu não pude deixar de me preocupar. Os machucados eram novos, o que queria dizer que não haviam sido feitos em Neverland, o que mais me preocupava? O único que fazia tal machucados em um pirata maltrapilho de Neverland, além de saqueadores, que estavam todos sobre meu comando, era Pan.
– Saiam. – Ordenei aos três mais jovens que o fizeram sem muita objeção.
– Gancho. O que houve?
– Pan Senhora. – Ele começou.
– Ele está aqui. Isso não é bom por princípio.
Ele concordou.
– Mas não entendo uma coisa. – Aleguei levantando e levando uma das mãos ao queixo. – Por que agora?
– Senhora, isso não posso lhe responder. Mas tenho algo a lhe contar, que talvez lhe seja útil.
– O que é? – Franzi o rosto novamente pensando se seria algum tipo de trote da parte do personagem.
– A Senhora busca uma menina. – Todos sabiam daquilo. Apesar de tudo, prestei atenção. Não achava que havia chance das coisas ficarem mais confusas.
– Sim Gancho, prossiga. – Mandei.
– Junto de Pan, hoje, estava uma garota.
– Você a fez mau? – Perguntei preocupada, além de meu princípio de que toda jovem acima de dezesseis anos e abaixo de dezoito poderia ser minha filha, era uma garota. Que o que estava fazendo com Pan eu admito, não sei.
– Não como você pensa. E não se preocupe. Ela está bem.
– Está com você? – Perguntei.
– Não.
– Então como sabe que está bem? – Perguntei pondo-me de pé e batendo as mãos fortes contra o mármore do trono. Estaria essa pessoa com Pan? Saberia ela como este ser é realmente? Porque devo confessar, de humano eu não posso chamá-lo.
– Bom, Senhora, você quer que eu continue? – Perguntou ainda parado no mesmo lugar do início.
– Sim.
– A jovem aparentava ter a idade que você busca, seus cabelos eram castanhos, assim como seus olhos. Seus cabelos eram um pouco mais claros. Admito. – Ele disse parecendo retratá-la minuciosamente. – Se eu deveria alegar qualquer semelhança com a senhora seria a altura. Era baixinha. – Olhou para mim de cima a baixo. – Ainda mais baixa que a Senhora. – Ele parou.
– O que isso tem a ver comigo? Ainda você me descreveu uma garota qualquer. – Ele ergueu ao dedo indicador.
– É aí que se engana... – Ele olhou divertidamente para mim, curvando-se logo depois. – Se me permite. — Pediu. — Ela não é comum. É mais que única. Estava com Pan.
Ergui a sobrancelha, deveria admitir ele tem razão, seu raciocínio era perfeito. Qualquer um que chega em Neverland e sobrevive ao Pan merece meu respeito.
– Só? – Perguntei tentando parecer pouco convencida.
– Longe disso... – Ele continuou com sua lábia irritante. – Pan a ouvia... – Ele parecia surpreso, não que agora eu também pudesse esconder minha estagnação graças à incrível notícia. Alguém que Pan obedece? Isso existe? Mordi o lábio surpresa, aquilo era mesmo verdade?
– Tem... Mais? – Minha voz falhou.
– Sim. Ela não parecia se afeiçoar tanto assim a Pan. – Ele franziu as sobrancelhas formando rugas em sua pele queimada pelo sol dos mares. — Queria bater nele. — Gancho riu, provavelmente se lembrando dos acontecimentos.
– Sério? – Coloquei o dedo indicador contra a boca tentando evitar de mordê-los de novo.
– Dizem que sua filha é pura como um anjo, não é mesmo? – Ele perguntou parecendo estar no fim de seu discurso.
– Isso são boatos mau contados. Não sei dizer se é correto. – Disse irritando-me um pouco por não saber nada de quem era sangue do meu sangue.
– Não sei se essa garota é santa. Mas não queria lutar, e mesmo depois que se viu obrigada de fazê-lo, fez a tudo chorando. Parecia se segurar... – Assentiu.
Juntei os lábios pensativa, um “hum” ecoou de minha garganta fazendo meus lábios tremerem. – Isso é intrigante. – Gancho se curvou para sair. – Ah. Gancho.
Ele se virou curvando-se de novo. – Sim, Majestade? – Perguntou.
– Obrigada. – Agradeci. – Por favor, lave-se e cuide das feridas antes de ir.
Ele agradeceu. Claro que ele iria me ajudar novamente. Se fosse necessário.
Ao sair da sala perdi-me novamente em meus pensamentos.
Essa garota pode não ser minha filha, assim como pode não ser quem Pan busca, assim como pode não ter nada a ver com contos de fadas. Mas, mesmo assim, é uma pessoa intrigante. Eu vou acha-la... Cerrei o punho objetivando-a. Agora só me restava uma questão, como?
Branca não me ajudaria.
Rumpel muito menos.
Gancho parecia traumatizado por Pan.
Meus exércitos eram inúteis.
Encantado parecia um fantoche...
Então...
Quem?!?
Bati o dedo em minha testa mais algumas vezes antes de gritar a um criado.
– CHAME CHÁPEUZINHO PARA O MEU QUARTO! – Ordenei.
Voltei para o cômodo trocando-me para mais uma noite, mas antes...
– A Senhora queria me ver? – Ouvi-a bater e falar pela porta.
– Entre. – Pedi. – Tenho um favor.
– Sim, Majestade. – Ela curvou-se.
– Não conte a Branca. – Mandei. Ela hesitou um pouco mas por fim, concordou. Deve ser coisa de fidelidade canina. Ri antes de começar meu pedido nada sutil. – Quero que ache a menina do bar. Sente-a?
– Sim, o cheiro de Pan vive impregnando minhas narinas nos últimos dias.
– Ótimo. Assenti. – Coloquei a mão em seu ombro. – Quero-a aqui em menos de três dias.
Chapéuzinho se curvou novamente. – Sim. Majestade. Interessou-se? – Pediu licença para sair, antes é claro, divertindo-se um pouco com a situação.
Concordei com a cabeça sem esconder um sorriso. Eu gostava dessa garota. — Boa noite. – Assenti, ainda com a voz um tanto divertida.
– Durma bem. – Ela me respondeu fechando a porta.
Como de costume, não preguei o olho, mas diferente do normal, meus pensamentos não eram tristes e muito menos arrependidos, eu estava, depois de muito tempo, cheia de esperança.
*FALTAM SEIS DIAS PARA O ANIVERSÁRIO DE LUCY.
FALTAM 3 DIAS PARA O FIM DA BUSCA DE CHAPÉUZINHO*
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