Pan, the Devil

2 Cap. 1 - Sussurros


Notas iniciais
Espero que gostem do primeiro capítulo. Por favor, deixem seus comentários, recomendações e críticas. Aproveitem!!! o/

Olhando pela janela como em mais um dia sem sentido, as estrelas brilhavam, dando arrepios por minha espinha. Seria eu idiota? Havia algo ali. Eu sentia. Mas não era algo bom, não havia como ser. As pessoas só tentavam fazer parecer que era algo bom.

– Lu! – Gritaram os gêmeos.

Sim, esses dois seres humanos, Diana e Daniel são meus irmãos. Bom, mais ou menos. Mas ainda sim tenho que tomar conta deles. São meus irmãos de sangue, mas no coração se encontram, na minha concepção, no estágio "demoninhos", não tem como amá-los.

– Digam. – Suspirei.

Coloquei-me de costas para a janela, batendo-as uma contra a outra e travando-a ainda de costas. Com um segundo suspiro, graças a demora de subirem a escada, voltei a apreciar as estralas por mais um segundo. Fechei as cortinas e acendi as luzes.

– Conta uma história para nós. – Pediram em uníssono grudando suas mãozinhas contra a minha saia.

Concordei em silêncio. – Que história querem ouvir? – Perguntei forçando um sorriso.

Eles não pareceram notar, correndo para suas camas. Coloquei-me ao lado da prateleira esperando que falassem.

– Bela e a Fera. – Disse Diana.

– Não. Esse ela já leu. – Daniel reclamou quase abrindo o berreiro. – Leia João e Maria.

– Não. – reclamou a menina socando de leve o braço do irmão. – Vai me dar fome. – Sentia que a discussão levaria algum tempo, e minha paciência nunca forma das melhores.

– Querem escolher logo um conto. – Pedi batendo o pé algumas vezes.

– Ok. – Falou Daniel. – Mana, que acha de Peter Pan?

– Ok. – A menina concordou. Ela gostava quando sereias apareciam, nem que fosse apenas por um instante.

Com um leve entortar de minha boca, pela raiva de ter que ler aquele maldito conto, de mau grado o fiz. Existe história mais tonta? Mais odiosa? Mais falsa e hipócrita? Eu ficava a me perguntar a cada página que girava do livro.

Quando meus irmão finalmente cessaram os olhos, suas respirações se encontravam ritmadas, e sorrisos tímidos formavam-se com os incontáveis e ilegíveis sonhos que deveriam estar a atravessar suas mentes. Fechei a porta apagando a luz.

Ainda no caminho ao meu quarto voltei a pensar. Porquê meu ódio por Peter Pan era tão estrondoso?

Acho que tudo começa pelo nome. Pan, do grego quer dizer Tudo, Todos. Existe coisa mais hipócrita que um nome que signifique todos e você ser o único a nunca envelhecer?

Ri de leve, agora adentrando ao meu quarto, de onde a enorme janela abria meus olhos novamente para as doces e mentirosas estrelas.

Outra coisa maluca. Um mundo onde crianças que se perdem vão parar e podem fazer o que quiserem? Ou pior, onde há sereias, piratas, nuvens onde se dá para ficar de pé e fadas?!? Meu Deus FADAS! Estilo fada madrinha? Não. Fadas que nos fazer voar. Outra coisa impossível. Um ser-humano com asas e poderes mágicos e que ainda é bom. As pessoas só poderiam estar com alguma sequela. Ao menos quem lê e acredita nisso além das crianças, e claro, quem escreveu.

Ainda irritada com a situação das histórias infantis darem uma ideia de mundo perfeito para as crianças, coloquei um pijama de shorts e blusinha. Nos últimos meses, nossa cidade estava tão quente. Nem imagino porquê. — Ah. É verdade. O mundo não é tão lindo assim. – Respondi em voz alta o que minha cabeça perguntava. Graças aos homens, o tempo estava maluco.

Mordi o lábio com medo de ser repreendida, coloquei-me na cama, mas sem conseguir dormir voltei-me — mais uma vez — para a janela. Talvez a verdade fosse outra, talvez as pessoas que escreviam realmente haviam provado daquele doce da fantasia. Mas aquilo não aconteceria comigo. Porque de alguma forma...

Por exemplo, estrelas parecem lindas, gostaria de me aproximar delas. Mas elas me queimariam.

– Peter Pan também. Ele deve parecer legal, gentil. Mas quando se aproxima, deve ser um demônio ou algo do gênero? Não concorda? – Perguntei para as estrelas, fechando minha janela e a cortina. Ao me colocar novamente na cama, fechei os olhos, e já em meu inconsciente, senti.... não. Sonhei.

Uma risada ardida, perversa e sádica parecia se divertir. Logo e rapidamente sessou. Senti uma brisa ardendo contra meu rosto, parecia congelar minha pele. Senti um arrepio na minha espinhas. E logo em seguida uma rajada de ar quente, um grunhido e uma voz aveludada e baixa suspirando.

– Gostaria de descobrir? – A risada retornou, dessa vez com mais intensidade, cessando logo em seguida, deixando-me novamente com frio.

– Ah! – Gritei abrindo os olhos e apertando eles várias vezes. Eu estava em meu quarto. – Mas o quê... – Olhei ao redor do cômodo, tudo parecia normal.

O cobertor estava no chão. Por isso o frio. Conclui. A janela estava fechada, mas as cortinas estavam abertas. A noite ainda brilhava, deixando o cômodo soturno e sombrio. Girei a cabeça em negação algumas vezes. Mexi em meu cabelo, tentando entender.

– Ótimo. Agora voltei a ter pesadelos. – Suspirei voltando a apoiar minha cabeça contra o travesseiro, e meus olhos se fecharam. Desta vez não sonhei, apenas a escuridão consumiu minha mente.

Notas finais
E então o que acharam? Espero que gostem!! o/ Por favor, comentem!! *.*