Palladia
6 Capítulo Seis.
Notas iniciais
Boa leitura :D
Iorran ( P.O.V )
Eu estava tentando lembrar das épocas de escoteiro, e de como se fazia fogo, mas Aleister não fechava o bico, literalmente. Eu não apoiava desde o começo o fato de andar junto de um pássaro alienígena, mas é óbvio que Helena não me ouviu, impossível existir uma pessoa mais teimosa que ela. Também não apoiei a ideia de entrarmos na caverna, mas foi em vão discordar.
Quando eu estava quase conseguindo, Jared já veio com uma tocha para mim e para ele. A jóia de Helena estava em sua mão, brilhando no escuro a mesma cor azul intensa.
- Como conseguiu fazer isso? — Perguntei, incrédulo, e ele deu aquele sorriso idiota de sempre.
- Eu dei um jeito.
Após quase socar a cara de Jared, decidi explorar o lugar. As paredes de rocha eram de uma cor azulada, chegando próximo do preto. Andamos, andamos, e nada de extraordinário, apenas estalactites, estalagmites, goteiras... Nenhum monstro carnívoro por enquanto. Tocava a rocha úmida enquanto andava, e percebi um pequeno relevo.
- Helena, vem cá. — A chamei, iluminando com minha tocha. Na parede, encontrava-se o mesmo desenho da pirâmide.
- Esses desenhos, sim, são iguais... percebeu que eu não tive nenhum ataque da minha síndrome até agora? — Perguntou, mas não pode terminar seu raciocínio, pois o pingente em sua mão brilhava anormalmente. O desenho da pirâmide cravado na pedra iluminou-se, emitindo o mesmo zumbido que ouvi na fonte. — Afastem-se!
A rocha começou a vibrar, todo o chão da caverna tremia, e de repente, um estrondo gigantesco. A parede explodiu, espalhando grandes rochas para todos os lados, as estalactites, com o movimento, caíram no chão como lanças, quebrando-se no atrito. Por muita sorte nenhum de nós se feriu. Após a poeira baixar, nos aproximamos da parede rochosa. Um grande buraco se abriu na rocha bruta, levando a outra região da caverna. As paredes ali eram lisas, um corredor esculpido e lixado no meio de pura pedra.
Cinco grandes estátuas se cravavam na pedra, de cada lado do corredor. Todas eram um ser encapuzado segurando uma pirâmide, no capuz, na região em que o pano cobria a testa, um desenho de um olho. Assim que Helena passou por uma das estátuas, os contornos do desenho de olho se iluminaram, na costumeira luz azulada. Nos afastamos, esperando que algo acontecesse, mas tudo permaneceu silencioso.
Seguimos em frente, e no final do corredor, mais um desenho cravado na pedra. Como eu já esperada, a parede voltou a vibrar, e mais uma explosão fez eco em toda a caverna. Como se não bastasse, pássaro de Helena soltava um grasnado alto a cada explosão, voando descontroladamente e soltando suas penas pra todo lado.
Essa sequência ocorreu em mais três corredores. No último corredor, havia mais de um desenho, mas os outros Helena disse nunca ter visto. Ela se aproximou deles, mas não tiveram efeito algum. Quando a última "porta" explodiu, finalmente chegamos em um lugar maior. A caverna era o dobro de maior que a de antes, o ar ali era mais frio e mais úmido. Milhares de cristais brutos iluminavam a escuridão, a maioria de cor verde fluorescente, brilhando intensamente. Pensei ter visto alguns morcegos com mais de duas asas passarem voando, mas podem ter sido só sombras da tocha. Uma escada cravada na pedra descia até um local que contrastava com o ambiente natural. Grandes telas de bronze estavam anexadas à uma parede gigantesca de pedra, todas mostrando imagens, imagens de praticamente todas as ilhas. Abaixo, complicados computadores e teclados, constituídos de um material que parecia ser madeira e cobre, alguns possuíam cilindros com um combustível verde neon.
- Veja. — Apontou Jared para uma das telas, onde a imagem do farol reluzia. — Estavam nos observando... Todo esse tempo. As câmeras devem ser muito minúsculas, não vi nenhuma delas.
- Essa é a ideia. — Comentou Helena, nervosa, se aproximando dos complicados mecanismos. Observou a imagem das outras ilhas — Esses lugares... eles são familiares.
Eu ia concordar, quando ouvi passos na caverna, e vozes. Corri com os outros para a sombra de uma grande rocha, onde nenhum cristal iluminava. Dois seres entraram na caverna. Eram seres humanos, aparentemente. Usavam armaduras reluzentes de cobre e o que parecia ser couro. Seus capacetes lhe cobriam o rosto, no lugar dos olhos, um triângulo de luz alaranjada intensa. Usavam uma espécie de foice, sua lâmina afiada brilhava intensamente, uma linha de laranja neon percorria o cabo. Conversavam em uma língua estranha, totalmente distraídos.
Helena moveu os lábios sem som, dizendo :
- Onde está aleister? - Eu ia responder, mas Jared o encontrou, apontando discretamente. Em cima de uma das placas, o pássaro se aconchegava, ajeitando as penas. Levantou a cabeça, olhando diretamente para nós. Nenhum dos homens ( ou o que quer que fossem ) o percebeu, entretidos com a conversa, rindo alto. Helena arregalou os olhos.
Aleister moveu os olhos para uma vasilha de cobre que estava ao lado de uma das máquinas, nela, pequenas esferas de cor verde fluorescente se aglomeravam. Plainou até perto delas. Helena abafou um grito, cobrindo os olhos.
Incrivelmente, dos dois homens perceberam o gigantesco pássaro voar até o chão. Helena olhou para Aleister, sussurrando um " Não ". O pássaro pareceu ter percebido, se aproximando mais da vasilha com o bico.
Helena murmurou um " Não " novamente, irritada.Aleister, ainda olhando para nós, pegou uma esfera, nos desafiando. A engoliu, mas após alguns segundos começou a agonizar de enjoo ( Não é muito agradável ver um pássaro se engasgando. ). Começou a bater asas, derrubando a vasilha no chão e vindo diretamente na nossa direção como se estivesse embriagado. Nisso, derrubou não só uma das máquinas perto da vasilha, como também um dos soldados no chão.
Os dois homens começaram a gritar e correr em nossa direção, para onde Aleister vinha, então não havia outra saída senão correr também. Assim que nos viram, gritaram ainda mais alto. Achamos um corredor que descia ainda mais na pedra, em uma rampa íngreme.
Aleister, ainda se engasgando, deu de cara com Jared, que caiu no chão úmido, empurrando a mim e Helena. Todos nós, incluindo a ave bêbada, escorregamos descida abaixo. Havia um ponto em que a descida acabava, assim como todo o caminho. Caímos no ar, e mergulhamos em algo que parecia lã. Quando dei por mim, percebi que estava numa espécie de carrinho, daqueles usados em minas. O carrinho era grande, mais parecendo um vagão de trem, ligado a outros quatro carrinhos. Aleister caiu logo do meu lado, batendo a barriga na madeira e cuspindo a esfera neon, que foi arremessada para longe. Nunca passei por uma situação tão embaraçosa, e tão cômica. Logo depois do pássaro, Helena caiu, balançando o carrinho com força. Não vi Jared caindo, mas não tive tempo de procurar por ele.
Percebi um barulho metálico, e olhando para trás, vi que a liga que nos prendia nos outros carrinhos se soltou. Olhei para a frente, e uma imensidão de trilhos seguia caverna abaixo em uma descida ainda mais íngreme, tudo iluminado por cristais fluorescentes. O carrinho começou a se mover, e fechei os olhos. Algo me dizia que aquela viagem não seria nada agradável.
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