Palladia
9 Capítulo Oito.
Notas iniciais
Iorran ( P.O.V )
Eu paralisei de medo quando ouvi aquele barulho. Agora quem tinha sibilado tão alto. Um gigantesco lagarto albino saiu da escuridão. Tinha o tamanho de um prédio, com escamas grossas como aço. Ele escalou a parede de rocha, se aproximando de nós com uma rapidez extrema. Helena e eu saímos do carrinho, e começamos a correr, a criatura nos perseguia, destruindo a ponte, espalhando pedaços de madeira para todo lado. Tudo que ouvia era seu sibilar alto. Com os movimentos do lagarto, uma das saídas foi tampada por gigantescas rochas da caverna. O lagarto agora estava acima da outra entrada, nos observando, pronto para o bote. Sua calda balançava no ar, gigantesca, causando mais tremores na caverna.
- Helena. — Disse baixinho.
- Sim?
- Vamos ter que atravessar o lagarto.
- Como é que é? Vamos ter que atravessar aquela coisa? — Helena apontou para a criatura, que no mesmo instante urrou, abrindo a boca cheia de dentes.
Uma pedra o atingiu na cabeça, e ele ficou tonto com o baque. Era o momento certo.
- Vamos! — Disse, pegando Helena pelo pulso e correndo.
Tudo que via eram rochas caindo, e um lagarto tonto correndo atrás de nós. Sua calda balança com rapidez no ar, e passou em nossa direção. Eu a pulei com força, conseguindo desviar. Estava quase chegando. A calda voltou novamente, desta vez quebrando a ponte a nossa frente.
- Vamos pular. Três... dois... — Parei para observar o lagarto, que se movia como um louco pela rocha, tentando se fimar. — Eu me joguei para a frente, puxando Helena, que apertava sua mão trêmula na minha. — Um.
Por um segundo pensei que não íamos conseguir, percebi o lagarto abrindo a boca, dando um impulso para a frente, se não conseguíssemos, cairíamos direto na goela da criatura. Não, eu não vim até outro planeta pra ser engolido por uma lagartixa tamanho família.
Consegui tocar o outro lado, e seguimos em frente, correndo como nunca havíamos corrido na vida. Entramos em outra caverna, os trilhos seguiam em mais uma ponte. Mas eu tive uma péssima surpresa.
- Deveríamos ter ido pelo outro caminho. — Comentei, parando de repente, Helena ia perguntar por quê, mas já se deu conta. Na caverna seguinte, dois lagartos dormiam no chão rochoso, maiores ainda que o anterior. O que estava nos perseguindo havia conseguido, de algum modo, atravessar a ponte e estava quase nos alcançando. Soltou um urro forte, e os dois lagartos da caverna à frente acordaram. Estávamos muito, muito ferrados. Enquanto os lagartos ainda estavam no fundo da caverna, resolvi tentar correr até a outra extremidade, mas quando estava quase alcançando a entrada do túnel que seguia os trilhos, meu pé escorregou na madeira dos trilhos, e fiquei pendurado por uma mão na ponte precária.
Helena deu um grito, e correu me ajudar. A ponte balançava, totalmente precária. Os lagartos já estavam prontos para o bote, e o menor havia entrado na caverna.
Por um momento pareceu que o tempo ficou mais lento. Eu via estalactites caindo, e três lagartos gigantescos dando o bote ao mesmo tempo nas presas indefesas, nós. Helena deu um grito alto, um grito diferente. Algo nela havia mudado.
Seu pingente começou a reluzir, e uma explosão de luz azul percorreu toda a caverna, eu fechei os olhos, cegado pela intensa luz que era emitida, e de repente, não ouvia mais sibilares, não ouvia estalactites caindo.
Abri os olhos, e percebi o que tinha ocorrido. Eu estava flutuando no ar. Estávamos dentro de uma pirâmide constituída somente de luz, reluzindo como um holograma. Os lagartos e as rochas flutuavam no ar, congelados, tudo envolvido numa aura azul intensa, parado no tempo, flutuando sem gravidade. Ambos os três lagartos estavam com as bocarras abertas, se afastando lentamente, no ar, da pirâmide.
- Você congelou... tudo. — Olhei para Helena. Ela ainda cobria os olhos, com medo. Suas mãos estavam reluzindo, azuis, seus cabelos se movendo no ar como se tivessem vida. Ela abriu os olhos, ainda desconfiada. Estavam diferentes, brilhando como neon em um ciano intenso.
- Eu fiz isso? — Ela olhou para os lagartos, com um misto de medo e satisfação. — Será que eu posso... mover isso?
Helena fez um gesto para a frente, gritando " Voar! " tão alto que a caverna inteira deve ter escutado, mas nada aconteceu.
- Ahm... Adiante! Avante! Para a frente! — Disse, tentando até bater palmas para ver o que acontecia, mas foi em vão. Uma voz a interrompeu, uma voz feminina e intensa.
- Ei, vocês! — Identificamos uma silhueta do outro lado da caverna. Ela se aproximou, e foi iluminada pela luz azul. Era uma mulher que tinha entre vinte e oito a trinta anos. Era alta, e sua pele... bem, não era bem uma pele.
Era constituída de milhares e milhares de minúsculas escamas de um tom verde musgo. Seus olhos eram reptilianos, de um amarelo intenso, e seu cabelo lembrava dreads, longos, alcançando a cintura. Usava uma espécie de armadura marrom, com alguns lenços amarrados na cintura, e uma tiara dourada na cabeça. Seu corpo inteiro era humanoide, a não ser os pés, com garras afiadas. — Quem são e o que fazem aqui?
Ela se aproximou, apontando sua arma para nós. Era uma foice, sua lâmina reluzia como prata, e seu cabo era negro, porém cheio de penduricalhos e pequenos frascos amarrados.
Antes eu odiava répteis, mas depois de ter visto ela, realmente, eu mudei meus conceitos de beleza. Mesmo sendo tão diferente, não deixava de ser feminina e atraente.
- A-ahm... — Consegui dizer, Helena percebeu minha gaguez e tomou a palavra.
- Sou Helena, e esse é Iorran. Não somos daqui, nós viemos de outro planeta.
A mulher se aproximou um pouco mais, observando a pirâmide reluzente. Sua calda escamosa balançava, a fazendo parecer nervosa.
- Isso eu posso perceber. Vocês são tão pequenos perto dos Palladianos...
Uma outra voz surgiu atrás da mulher, uma voz mais nova, também feminina.
- Dandhara, não percebe? Olhe para essa anti-matéria azul! Eles são...
- Os seres da profecia. — Completou a mulher réptil, abismada. — Será? Mas são tão jovens!
- Magnamma precisa saber deles. — Disse a voz mais jovem, se aproximando. Era uma garota, também tinha pele escamosa, só que mais grossa e avermelhada. Seus cabelos eram castanhos, caindo em asas similares à de morcego nas costas, e seu corpo possuía algumas protuberâncias ósseas e espinhos que lembravam os dragões. Estranhamente a achava linda, apesar de tais características. Possuía feições meigas que a deixava com uma aparência mais jovem do que deveria ser.
Helena tocou distraidamente no pingente, que começou a reluzir anormalmente, de novo.
- Acho que é melhor irmos logo, acho que o efeito de paralisação vai acabar em breve. — Comentou Helena, andando em direção à entrada.
Sem questionar, a mulher mais velha se virou e tomou partida em direção do túnel, em passadas rápidas, e nós a seguimos. Quando estávamos em outra caverna, consegui ouvir os sibilados das criaturas, que já se moviam na caverna, mas estavam longe demais para nos seguir.
- Tenho muitas perguntas a fazer, e as farei assim que chegarmos em Zenoby. Por enquanto, mantenham-se calados. — Disse Dandhara, secamente. Onde seria Zenoby? E como ela falava nossa língua? Era eu quem tinha muitas dúvidas e queria respostas. Pelo menos agora eu sei onde estou, o planeta Palladia.
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