Notas iniciais
Oi pessoal! Eu queria falar que li cada comentário, e que, assim que possível, irei responder cada um. Queria também agradecer a cada pessoa que, mesmo com a fic desatualizada, me procurou. Vocês são incríveis, me motivam e me fazem querer continuar. E agora, quero me justificar. E com toda sinceridade do mundo, vou falar que eu simplesmente não estava bem. Durante minhas férias da faculdade eu estava tão cansada, mas tão cansada, que toda vez que eu pensava em escrever, nada saia. Eu não conseguia escrever, e isso me deixou muito mal. Eu senti vergonha e até dei um tempo do site, mas hoje resolvi tentar, e sinto que o que eu fiz foi bom e incrível, e espero que vocês gostem, porque me fez muito bem! Não é o último capítulo, okay? Mas pode ser o penúltimo ou algo do tipo :) Espero falar com vcs nos comentários! Me perdoem e boa leitura ♥

Hermione abriu os olhos.

Sentia-se mais viva do que nunca. Sentia cada músculo pulsando, pedindo por movimento, pedindo que fizesse jus àquela vida que, graças ao sacrifício de um amigo, possuía.

Era como se o tempo não tivesse passado. Os olhares, antes assustados antes de seu sacrifício, agora carregavam um peso maior. Eram tristes.

Procurou os olhos acinzentados os quais sabia que estariam lacrimejantes, mas em meio a tantos rostos, agora surpresos, não podia ver Draco.

Em meio a tantos Weasleys, tantas pessoas, sentiu-se só.

Ouviu Gina sussurrando algo, e então Rony, e então os sussurros aumentavam enquanto Hermione sentia seu coração palpitando.

Tinha um plano, mas onde estava Draco?

Precisava de Draco.

Os comensais começaram a sussurrar, também incrédulos com a possibilidade de Hermione ter sobrevivido a uma maldição da morte. Ninguém ousava chegar perto da garota, tampouco se afastavam, esperando uma ordem de seu mestre.

O coração de Hermione palpitava tão alto que a fazia saber que todos daquele lugar a podiam ouvir.

Precisava agir.

Seus músculos, antes prontos para agir, pareciam decididos a parar, aguardando pela vontade do divino.

Passeou novamente entre cada rosto, procurando o de Draco. Nada via além de semblantes surpresos, concentrados. Foi quando viu um par de olhos claros, cansados. Olhos de quem já viu muitas coisas, tanto boas quanto ruins.

Tais olhos, cujo carregavam imensas olheiras e marcas de riso, piscaram em concordância, compreendendo Hermione, fazendo-a sentir um pouco menos fora de si.

E então os lábios do Senhor Weasley se moveram sem esboçar qualquer som, fazendo a perfeita mímica do que Hermione entendeu perfeitamente.

“Aconteceu comigo também”.

Ninguém sequer Hermione viu, mas a grifina soube o que significava.

A conversa com Harry era real. Aconteceu. Não estava delirando, tampouco fora de si. Ela escolheu voltar, assim como o senhor Weasley também escolheu em algum momento. E aqueles que preferiram por ficar do outro lado, apenas observando, estavam cansados demais para ficar, ou sabiam que, do outro lado, ainda a ajudavam.

Por que não seria real?

E então Hermione ouviu soluços. Não era no mesmo lugar em que estavam, mas sim na porta ao lado.

Draco Gritava.

Soluçava, gritava e batia contra paredes.

Draco gritava seu nome, e seja quem for que estivesse com ele, não amedrontava Draco o suficiente, pois os gritos, a cada segundo, tornavam-se mais altos.

Estava vivo, e era isso que Hermione precisava saber.

Hermione tomou um último fôlego antes de se levantar, encarando Voldemort frente a frente, mirando perfeitamente aquele rosto ofídico.

“Não tenha medo, não tenha medo, não tenha medo”. Hermione ouvia a voz de Harry tamborilando em sua mente.

—Você não é nada, nada, Voldemort. —Hermione falou, aproximando-se cada vez mais do rosto do bruxo, que ria em tom de deboche. —Você não entende, não é? Nós nunca iremos acabar. A cada bruxo bom que você mata, são dois bruxos bons que irão vingar sua morte. Você quer me matar? Venha, mas saiba que Harry Potter está vivo, está vivo em cada um de nós, e quer saber? Ele vive em você, vive por você, vive porque você não deixa que seu nome morra.

Voldemort parou ao ouvir o nome de Harry. Não havia mais riso debochado em seu rosto, e sim ódio, fúria, beirava a loucura.

Naquele instante Hermione olhou para os lados, e viu cada comensal, antes orgulhoso de seu posto, observar a cena com temor nos olhos.

Como poderia uma garota de sangue ruim desafiar o lorde das trevas?

—É esse o Lorde de vocês? —Questionou, encarando um por um. —Este é o homem que vocês respeitam? Um nada? Uma mera carcaça.

Hermione empurrou Voldemort contra a parede. O encarava de perto agora, sentindo seu hálito frio e odioso.

Nem um comensal se moveu. Tinham medo.

Estava próxima demais, não podia falhar.

Olhou de relance para os Weasleys, e após o mínimo sinal que fez com a cabeça, tudo aconteceu muito rápido.

Alguém, Hermione não pode ver quem, roubou a varinha de Belatriz, que não pareceu demonstrar qualquer resistência, e a jogou para Hermione, que, mais do que rápido, a recolheu.

Voldemort tremeu.

—Veja enquanto eu acabo com o seu reinado.

Um barulho alto soou por todo o ambiente, fazendo com que os ouvidos de Hermione ardessem.

E então, em um segundo, Nagini jazia morta ao lado do bruxo. Não havia sido Hermione que havia matado a cobra, apesar de aquele ser o seu plano, mas algum outro comensal, imaginou.

E quando Hermione procurou pelo bruxo que havia sido mais rápido do que ela, viu Draco. Segurava a espada de Griffindor em suas mãos suadas e cheias de hematomas, e não havia um sorriso vitorioso em seus lábios, mas o pesar que sentia em matar alguém, seja lá o que fosse.

Foi quando Hermione percebeu que ele a salvou. Não precisava ser ela a matar Voldemort. Todos ali tinham esse direito.

Queria sorrir para Draco, mas ali, naquele momento, precisava acabar com isso. Sentia que podia, e que era sua chance de honrar o nome de Harry. Mas não daquele jeito. Não com fúria e tampouco ira, mas da forma que deveria ter sido.

Foi quando, mais uma vez, olhou para Belatriz Lestrange. A bruxa que tanto havia amado seu mestre, seguido-o e realizado todos os seus caprichos, encarava nagini no chão como quem encara um capacho, ou uma ferida aberta.

Seus olhos eram semicerrados e seus lábios tremiam em desgosto. Sentia nojo, asco daquele animal que tinha seus músculos trêmulos como um último suspiro.

—Ele é todo seu. —Hermione esbravejou, dando frente para que Belatriz agisse.

Voldemort tremia.

Seus comensais, antes prontos a socorrê-los, aparatavam um a um, abandonando seu mestre sem sequer olhar para trás.

Belatriz sorriu.

Aquele sorriso sim, era o que Hermione tinha certeza que jamais teria. Tinha tanta fúria, tanto asco, tanta vingança carregada naquele sorriso, enquanto Hermione conseguia sentir apenas pena daquele homem encolhido contra uma parede, resmungando e tremendo como uma criança abandonada. Como alguém esquecido. Como um nada.

Era aquilo que era.

Os Weasleys, antes pesarosos diante a presença dos comensais, pareciam desconfortáveis em assistir uma morte tão esperada.

Um a um, cada pessoa saiu da sala.

Hermione e Draco ficaram por último, para garantirem que Belatriz não os trairia.

—Não precisa ver isso. —Draco sussurrou no ouvido de Hermione.

—Eu sei. —Respondeu, mas continuou com os olhos abertos, até que a luz flamejante verde escura irradiasse por toda a sala, deixando um corpo estarrecido, pequeno e cinzento no chão.

E então Belatriz se foi.

—X—

Hermione sabia que a morte de Voldemort não significava o fim daqueles tempos. Sabia que teria muito a encarar, mas naquele momento, não queriam pensar em nada.

Voldemort havia caído.

No dia seguinte, a capa do profeta diário era clara. Voldemort estava morto, e novas eleições apresentariam o futuro ministro da magia.

Mas havia uma notícia maior ainda em destaque. Maior do que a foto de Voldemort, maior do que qualquer outra notícia. Suas letras graúdas eram claras e a foto apresentada também.

Hermione Jean Granger, Ronald Billius Weasleys, Gina Weasley e Draco Malfoy são os responsáveis pelo fim do reinado de Voldemort. A foto estampada trazia seus rostos, ainda quando estudantes de Hogwarts.

Na página seguinte, três notícias.

A primeira trazia o semblante de Belatriz Lestrange. Abaixo de seu nome, a palavra “procurada por tortura, morte e estelionato”. Hermione sabia que onde quer que a bruxa estivesse, estaria melhor do que ali. Se correria para o bem ou para o mal, Hermione não sabia, mas tinha certeza de que ali, naquele novo mundo, o mal não vingaria.

A segunda notícia, cujo estampava a foto de Draco Malfoy, trazia como questionamento: “Draco Malfoy, um herói ou um novo Voldemort?”. A parte de fofocas do jornal era asquerosa, pensou Hermione, ao comparar um garoto que não teve escolhas, e que em algum momento teve a coragem de buscar por elas, com um bruxo das trevas que matou milhares, mas nada a tiraria a paz naquele momento.

Nada.

Exceto a próxima notícia.

“Onde estão Astoria Greengrass e o futuro herdeiro de Voldemort?”

Hermione também não sabia.

Tinha medo do que aquilo significava, e também do que um nascido do sangue de Voldemort era.

Se ao nascer essa criança fosse uma Horcrux, sabia que precisaria detê-la.

Mas ainda seria apenas uma criança. Um bebê. Um bebê que seria criado por Astoria Greengrass, sabe-se lá com quais ideais.

A ideia embrulhava o estômago de Hermione.

—Está tudo bem? —Perguntou Draco, passando seu braço pelo ombro de Hermione, fazendo com que seu cheiro preferido alcançasse seus devaneios.

—Está sim. Vai ficar. —Afirmou, olhando para Draco e guardando cada detalhe de seu rosto em sua mente. Precisava guardá-lo para si, pois não sabia até quando o teria.

E então Hermione encostou seu rosto nas bochechas de Draco, e ali permaneceu.

Estavam deitados em uma cama fofa e cobertos com uma coberta de retalhos, acima de seus pés, um gato preto repousava, esquentando-os.

Do lado de fora, podiam ouvir a maré batendo contra a areia em sintonia com o som dos pássaros. Hermione podia jurar que era o paraíso.

Não era a mansão luxuosa de Draco, nem tampouco a casa dos Weasleys, que havia sido destruída durante o reinado de Voldemort.

Do lado de fora da porta, podia-se ouvir risos de criança enquanto a senhora Weasley dava broncas, e um riso acompanhado de comentários em sotaque francês, trazido por Fleur Delacour, que após tanto tempo escondida com seu filhinho pequeno, podia trazer ao mundo a graça do som de seu riso.

Em outra sala, Gina e Ronald discutiam para decidir quem comeria a primeira tortinha de chocolate da senhora Weasley, aquela que fazia anos que não comiam.

Hermione e Draco riram juntos. O som os acalmava. Som de gente feliz, mesmo que estivessem bravos.

Ao longe, podiam ouvir grupos musicais comandados pelo senhor Weasley comemorando a nova fase do mundo grupo. Gaitas de fole eram tocadas a todo vapor. Eram muitos os que estavam felizes pela sua nova liberdade, apesar de Hermione saber que ainda era grande o número daqueles que temiam a volta de Voldemort, e, por isso, não se demonstravam contentes.

Naquele momento, nada importava.

Harry havia dado uma segunda chance para todos. Hermione aproveitaria a sua em cada segundo.

Ao olhar para aqueles olhos azuis, cuja profundeza jamais havia sido tão leve, tal como a brisa do mar que entrava pela janela, Hermione sabia que tudo ficaria bem.

Draco, apesar de sentir-se deslocado naquela casa tão pequena, porém mil vezes maior do que qualquer propriedade que já havia tido, sentia-se pela primeira vez dentro de sua família, e ao olhar para os olhos castanhos de Hermione, teve certeza disso.

Tinha um lar.

—Quanto tempo vamos ficar por aqui, fedelha? —Perguntou, querendo que a resposta fosse agradável aos seus ouvidos.

—Quanto tempo a gente puder. —Respondeu.

E ao se olharem por um segundo, Hermione resolveu beijar cada centímetro do rosto de Draco, dando pequenas bitoquinhas em cada canto de sua face.

Draco ria. Sentia-se amado.

Era bom.

O gato preto, enojado com a situação, levantou-se da cama, e com um pulo ligeiro, esgueirou-se pela janela, caminhando até o túmulo de Dobby, onde repousou.

Draco ria. Ria do fundo de sua alma, ria com verdadeira e genuína felicidade.

Tudo ficaria bem.

Notas finais
Comentem!!