Palimpsesto - Dramione
42 Epílogo - Tudo estava bem
Notas iniciais
A toca
25 de dezembro de 2004
Hermione sentiu o vento entrando pela janela de seu quarto, o que fez com que seu pescoço arrepiasse.
Lá fora, o clima frio não era carregado de pesar, e sim da esperança de um novo dia, um novo momento.
A toca havia sido reconstruída, e Hermione não queria perder sequer um minuto dos quais poderia estar perto dos seus amigos, e mesmo após tudo tempo, recomeçar. Não tinha certeza se era possível, e sabia que nada seria exatamente como a dez anos atrás.
Mas sentia que se havia alguma possibilidade de recriar sua felicidade, era daquela forma que a encontraria.
A gritaria da toca era a mesma. Hermione podia ouvir Gina resmungando infeliz após alguém ter roubado a geléia de sua torrada, e poderia jurar que o som de Ronald mastigando as torrilhas era tão próximo quanto se imagina.
Estavam comemorando o natal.
Ao lado de Hermione, alguns fios dos cabelos alvos de Draco balançavam com o vento, e aqueles mesmos fios chamaram a atenção de Hermione para que chegasse mais perto.
Adorava o cheiro do seu xampu.
—Feliz natal, fedelha. —Resmungou Draco, com o rosto afundado na fronha.
—Feliz natal, Malfoy. —Hermione devolveu no mesmo tom, que beirava a arrogância e a brincadeira.
Ambos riram.
—Café? — Hermione perguntou, brincando com aqueles fiozinhos que não se cansavam de brincar com a brisa gelada.
Aos olhos de Hermione, aquilo tudo parecia tão ocasional. A dor ainda estava ali, guardada no fundo da gaveta, mas havia algo mais. Era como se conhecesse Draco desde sua infância, e aquilo fizesse parte de suas vidas a tanto tempo que já era rotina.
Mas não era.
Era seu primeiro natal junto a Draco.
E Draco, cujos olhos estavam pregados com força contra o travesseiro, tremia embaixo das cobertas. Sentia uma gota de suor frio escorrendo atrás de sua orelha, e sentia que se falasse qualquer outra coisa, seus dentes, que ameaçavam tremer, fugiriam de vez de sua boca.
Mas era chegada a hora.
Draco se virou para cima, e encarou os olhos castanhos de Hermione, que com toda aquela serenidade, jamais imaginariam o que estavam prestes a ver. Um sorriso sereno repousava em seus lábios rosados pelo frio e uma pequena mecha do seu cabelo repousava, ainda que torta e espetada, acima de sua cabeça.
Estavam tão perto que podia sentir seu cheiro, o que de alguma forma conseguia fazer com que Draco tremesse ainda mais.
E então Draco engoliu seco.
—Antes do café, gostaria de saber se podemos conversar?
“Droga, Draco”, pensou, “Está sendo formal demais”.
Uma ruga de preocupação nasceu na testa de Hermione, e Draco poderia jurar que repetiu a mesma expressão.
—O que aconteceu? —Perguntou, e havia mais preocupação em seus olhos do que qualquer outra coisa.
Draco sentiu que havia começado a conversa da forma errada.
—Calma, não é nada demais. —Draco pegou nas mãos de Hermione, imaginando que assim poderia acalmá-la, mas isso fez apenas com que ela sentisse seu tremor e sua ruga aprofundasse ainda mais. —Quero dizer, é algo demais sim, mas nada ruim demais. —Não era perfeito, mas a ruga de Hermione havia sumido tão rápido quanto surgira.
Agora o rosto de Hermione havia se transformado numa carranca, exigente por mais informações.
Draco respirou novamente e levantou, sentindo seu pijama verde e cinza pesar como uma armadura sobre seus ombros.
Era chegada a hora.
Tão rápido quanto havia levantado, Draco se ajoelhou aos pés da cama, enquanto Hermione se sentava ligeiramente como quem previa o que estava para acontecer.
E Draco engoliu seco novamente, sentindo que o peso de suas palavras era maior que todos os tijolos amontoados, um sobre o outro.
—Hermione Jean Granger. —Começou, olhando nos olhos de Hermione, que logo o confundiram. E então mirou o chão. —Eu não sabia direito o que te dar de natal, ainda mais por ser tudo tão recente… Sabe, alguns meses atrás éramos estranhos, e agora estamos aqui, você entende?
—Entendo. —Hermione respondeu, mas sua feição beirava a confusão e a excitação.
Draco perdeu o fio de sua fala.
E então tossiu.
—Desculpe. —Pediu, antes de voltar a falar, mirando aquele vinco que surgia pela segunda vez na testa de Hermione. —Então… Eu não sei exatamente por onde começar a falar, Hermione, mas muita coisa mudou desde quando você chegou, eu diria que toda minha vida.
Os olhos de Hermione marejaram enquanto a garota acariciava um lado do maxilar de Draco, encorajando-o a continuar.
Hermione sabia o que estava por vir, mas não queria estragar o momento, e conhecendo Draco como conhecia, aquilo já era planejado a pelo menos alguns dias.
—Enfim… Sei que você não gostaria de voltar para a mansão Malfoy, então eu tomei o direito de vender ela e comprar uma outra casa, um pouco menor...Não muito menor, mas o suficiente. —Draco respirou fundo novamente. Sentia que suas palavras se agarravam com toda sua força em sua garganta, lutando contra o medo de saírem e serem rejeitadas.
“Seja homem Draco, coragem.”
—Bom, eu sinceramente queria saber se você gostaria de morar comigo nessa casa que eu comprei? E quem sabe poderíamos fazer uma festa para comemorar?
Naquele instante, o semblante de Hermione foi da confusão para a pura graça. Draco não era muito bom em falar, e ela sabia disso. Antes que Hermione soltasse a gargalhada que borbulhava em seus pulmões, Draco a interrompeu, suas bochechas normalmente pálidas beiravam a vermelhidão.
—Shiu, fedelha. Eu vou melhorar isso. —Draco enfiou a mão dentro do bolso de sua camisa de pijama, e de lá retirou uma caixinha toda produzida em prata, que parecia pequena e delicada em seus dedos.
Naquele instante, Draco não quis mais tirar os olhos do rosto de Hermione.
E então a caixinha se abriu.
—Hermione Jean Granger, o que acha de ser minha esposa?
O anel que repousava na caixinha era, aos olhos de Hermione, o mais lindo que já havia visto. De longe era possível que o ouro branco reluzia tal como as lágrimas que caiam dos olhos de ambos, e em seu topo, uma minúscula pedrinha brilhava. Era vermelha, mas possuía um contorno levemente esverdeado, quase impossível de se notar.
Hermione soltou um gritinho e agarrou Draco pelo pescoço, o abraçando tão forte que, em poucos segundos, ambos estavam embolados no chão.
—Acho uma idéia muito interessante. —Respondeu no ouvido de Draco, que sentiu um peso deixando suas costas.
Ao se olharem, um choque passou por seus corpos, passeando por dentro de cada veia, nervo e músculo.
Hermione tremeu.
—Draco, eu…
—Não precisa falar nada, fedelha. —Draco a interrompeu, tocando o dedo em seus lábios. —Não é porque casamos que precisamos fazer algo, ainda mais agora, teremos todo o tempo do mundo.
Hermione sorriu.
Ao descerem as escadas para a cozinha dos Weasleys, várias cabeças ruivas se viravam para o casal, com um sorriso arteiro em suas faces.
—Feliz natal! —Gritaram em uníssono.
—Não vão me dizer que todos sabiam? —Hermione perguntou, dando um tapa nas mãos de Draco, que se firmavam em sua cintura.
—E tem como não saber? —Gina brincou, acariciando aquele gato preto o qual havia apelidado de testa rachada, que agora era seu. —Draco fez questão de mostrar a aliança até para o Teddy. Isso que ele é só um bebê.
todos riram, e Draco corou novamente, coçando a nuca e virando os olhos para longe de Hermione.
—Meus parabéns meus queridos. —Molly surgiu em meio a família, abraçando os dois, um em cada braço. Sua feição já estava mais preenchida, e os cabelos, antes desgrenhados e curtos, permaneciam sedosos enrolados em bobs. —Inclusive, tenho um presente para vocês.
E então Molly caminhou para perto da árvore de natal, no meio da sala.
Todos abriram caminho para que Hermione e Draco passassem, e Rony já preparava seu riso de vingança.
—Estes aqui são para o casal. —Molly declarou, entregando dois papéis de presente bem embrulhados para Draco e Hermione, que ao abrirem, encontraram dois suéteres.
O de Hermione era vermelho e de gola alta. No meio, um grande “H.G”, de Hermione Granger, aparecia bordado com fios dourados e brilhantes.
—Ah, muito obrigado Molly. —Agradeceu Hermione, rugindo em lágrimas e partindo para o ombro daquela mulher que a tratava tal como uma filha.
E então ambas olharam para Draco.
E o rosto de Rony, antes vingativo, agora era compadecido.
Draco chorava. Lágrimas finas e esguias escapavam pelos seus olhos e caíam diretamente no chão, no tapete da senhora Weasley.
Segurava um suéter verde escuro em gola V, cujo as letras centrais eram “D.M’ na cor prata.
—Não sei o que dizer senhora Weasley. —Respondeu Draco, segurando aquele suéter com tanta força que suas mãos tremiam. —Sou muito grato a todos vocês por terem me acolhido. Sei que errei com todos vocês, mas adoraria poder me redimir.
Draco ficou ali, centralizado na sala, olhando para aquele suéter como se fizesse parte de si.
Sentia que tinha uma família, um lugar.
Ainda que levemente deslocado.
Foi quando sentiu novamente os braços da senhora Weasley ao seu redor, enlaçando-o como uma criança desamparada.
—Sempre estaremos aqui para você, filho. Agora você é da família.
Draco a abraçou de volta, e sentiu diversos outros braços os cercando, formando um círculo intenso de abraços.
—Agora eu posso bater em você sempre que me der na telha, irmãozinho. —Rony cochichou, e Draco ouviu algum tapa batendo em sua nuca ruiva.
Todos riram.
Quando o tempo do abraço cedeu e todos se soltaram, a senhora Weasley chacoalhou seu avental e andou na direção da cozinha enquanto dizia:
—Agora vamos parar de choradeira. Somos livres, temos um casamento para preparar, e hoje é natal.
—///—
Hogwarts, 22 de janeiro de 2005
Hermione observava sua própria feição no espelho.
O frio já começava a se despedir, mas não o suficiente para que a senhora Weasley abrisse mão do vestido branco de mangas longas que Hermione exibia.
Observava seu reflexo e, no fundo de seus olhos, via cicatrizes do passado, que lá deveriam permanecer. Sabia que em um ano, toda sua vida havia mudado. Sabia o peso que seria carregar o nome de um Malfoy, ainda mais com o histórico que tinham, e sabia que ainda maior que esse peso, seria o peso de ter salvo todo o mundo bruxo. Naquele dia, toda a imprensa estaria em seu casamento, em forma de agradecimento pela bondade e pela coragem que haviam demonstrado. Sabia que teria que cumprimentar o novo ministro da magia, um homem bom e justo que havia sido solto de Azkaban, também como diversos outros bruxos livres de Azkaban.
Azkaban era, naquele momento, um lugar próprio para comensais da morte. E só.
Sabia também que em algum lugar do mundo, livre, estava Astoria Greengrass, gerando o fruto de Voldemort. E tudo que lhe restava era esperar ter coragem o suficiente para enfrentá-lo caso necessário, um dia. E, ainda mais, esperar que aquela criança crescesse saudável e feliz o suficiente para não ser sucumbida pelo ódio e avareza de sua mãe.
Estava feliz pelo rumo que sua vida havia tomado. Um dia antes, conversando com Draco, soube que o mesmo havia sido aceito como medibruxo chefe no hospital Saint Mungus, o que havia lhe causado um grande orgulho.
E Hermione estava determinada a voltar a estudar.
O título de salvadora do mundo bruxo lhe trazia diversos privilégios, tais como não precisar voltar a Hogwarts para concluir seus estudos. Mas Hermione adoraria concluir seus estudos com aulas particulares, na companhia de Rony e Gina.
Talvez depois cursasse direito bruxo, ou talvez medibruxaria.
Quem sabe?
Mas algo a assustava ainda mais.
Ao olhar para a mala que haviam preparado para a viagem, podia ver um pedaço de uma lingerie vermelha que Gina havia escondido sorrateiramente. Hermione sequer sabia como vestir aquilo.
Sentiu um frio na espinha.
Seria naquela noite.
Teria que ser naquela noite.
Não porque Draco queria, nem porque Gina a havia pressionado tanto a ponto de jurar que faria. Mas porque queria.
Hermione desejava Draco. Sentia-se arrepiada toda vez que Draco se aproximava, e sentia seu corpo pedindo pelo loiro.
Estava determinada.
Fechou a mala e olhou novamente no espelho, ajeitando seu cabelo em um penteado semipreso.
Adoraria ter seus pais ali naquele dia.
É mais uma coisa que faria quando tudo voltasse ao normal, quando tivesse plena certeza de que não havia nenhum perigo que pudesse assombrar a vida de seus pais. Hermione os encontraria, tinha certeza de que faria.
Ouviu uma batida na porta, e ao abrir, se deparou com seu amigo.
—Você está linda, Mione. —Rony Declarou, sorrindo desajeitadamente dentro de seu traje de gala cor de vinho.
—E você está adorável. —Respondeu Hermione, ajeitando a gravata borboleta do amigo, que estava torta. —Tenho certeza que, quando as moças de hogsmeade te virem nesse traje, ficarão babando em você.
Rony riu timidamente.
Hermione sabia dos sentimentos do amigo, sabia que ele ainda a amava.
Mas era Draco, precisava ser Draco.
E Rony também sabia disso.
O amigo ofereceu o braço para Hermione, que o segurou e seguiram para o lado de fora.
Quando chegou no jardim de Hogwarts, Hermione se emocionou.
A anos não via aquele lugar tão cheio, tão repleto de diferentes rostos felizes e sorridentes.
Hogwarts havia voltado a ser Hogwarts, e com a supervisão de seu novo diretor, um senhor tão velhinho quanto Dumbledore, porém muito baixinho e sorridente, lhes foi permitido um casamento ali.
Aquele que havia sido seu lar.
Ao longe, Hermione viu a cabana de Hagrid, e precisou segurar sua vontade de chorar.
Enquanto caminhava com Rony, em meio a multidão que lhe acenava e a fotos que faziam seus olhos tontearem, buscava pelo rosto de Draco.
E no fim de sua caminhada, o encontrou.
Draco usava um smoking todo preto, o que contrastava com seu tom de pele tão claro quanto o sol que batia em seu rosto.
Hermione sorriu, e Draco sorriu de volta.
Ao se encontrarem, Hermione ouviu aplausos de centenas de bruxos, mas parecia tão longe que sequer os olhou.
Fitava os olhos claros e transparentes de Draco, que pareciam flutuar tal como o lago, que os observava a poucos metros de distância.
Rony sussurrou alguma coisa para Draco, e Draco respondeu com um aceno e um sorriso.
Seus olhos jamais estiveram tão brilhantes.
Draco sentia que era seu recomeço.
O mestre de cerimônia, senhor Weasley, falou por vários minutos, enquanto Hermione apenas segurava as mãos de Draco e fitava seu rosto. Ouvia relances de fala, exaltando a coragem do casal e sublinhando-os como o futuro do mundo bruxo.
Muitos choravam, assim como a senhora Weasley, que utilizava de um lencinho de papel enquanto abraçava os filhos.
Gina também chorava, abraçada ao gato preto que imaginava ser Harry.
O gato piscou apenas um dos olhos verdes para Hermione, e ela sorriu novamente, sussurrando um breve “oi” para seu novo amigo felino.
Quando o senhor Weasley terminou de falar, um silêncio pousou nos ouvidos de Hermione, que achou que o discurso havia acabado.
Mas Draco começou a falar.
Estava nervoso, e qualquer um poderia perceber isso.
Draco sentiu sua espinha vibrando enquanto falava, o mais alto possível, para que toda a platéia ouvisse.
—Gostaria de agradecer a presença de cada um de vocês aqui, no meu casamento com essa belíssima bruxa. Também gostaria de aproveitar esse momento para me desculpar com cada bruxo ou bruxa o qual eu pude ter feito mal durante todos esses anos. Eu estava cego. Gostaria também de ressaltar aos que tem me agradecido pela morte de Voldemort, que eu nada tenho a ver com tal feito, e sim essa mulher ao meu lado, Hermione Jean Granger, e, logo uma Malfoy. Espero que esse nome possa vir a ter um novo significado perante seus ouvidos nos próximos anos. Peço que, ao me agradecerem pelo que fiz, saibam que tudo isso é graças a esta mulher. Hermione é forte, Hermione é inteligente, e Hermione é o meu recomeço. Agora, gostaria de falar diretamente para minha futura esposa. Hermione, você me deu forças para ser alguém que eu jamais soube que era, e você, e só você, é a razão da minha inteira felicidade. Eu não salvei você, e sim você que me salvou, Hermione Jean Granger Malfoy.
Uma salva de aplausos ecoou por todo o jardim enquanto Hermione segurava suas lágrimas, abraçando Draco.
—Eu não preparei nada para falar. —Cochichou no ouvido do loiro.
—Tudo bem, foi uma surpresa. —Draco respondeu no mesmo tom, abraçando Hermione mais uma vez.
E então o senhor Weasley retomou a fala.
—O senhor Draco Lúcio Malfoy, aceita Hermione Jean Granger como sua legítima esposa, para amar e respeitar, enquanto estiverem vivos?
—Aceito.
—E a senhora Hermione Jean Granger, aceita o senhor Draco Lúcio Malfoy como seu legítimo esposo, para amar e respeitar, enquanto ambos viverem?
—Aceito.
—Então, no poder em mim investido, os declaro marido e mulher.
E então Hermione e Draco se beijaram, ouvindo os gritos de comemoração de um novo povo, livre e esperançoso.
—///—
Casa dos Malfoy
Hermione sentiu-se em êxtase quando chegou em sua nova casa com Draco.
O terreno era enorme, coberto de árvores e flores nos mais diferentes tons.
Era noite, e era difícil ver tudo por fora, mas Hermione sabia que no outro dia, logo pela manhã, adoraria dar uma volta no jardim para descobrir cada detalhe sobre sua nova casa.
—Espero que tenha gostado. —Falou Draco, atravessando, ao lado de Hermione, o caminho feito de pequenas pedras brilhantes.
—É tudo perfeito. —Respondeu Hermione, cujos olhos passeavam pelo quintal, contando o número de árvores enquanto uma frota de malas os seguia magicamente, encaminhando-se para dentro da casa.
Por dentro, sua casa era alta.
Hermione podia chamá-la com facilidade de mansão, pelo tamanho, se ela também não parecesse com um chalé de inverno, cujas paredes decoradas em mogno se estendiam metros a frente.
Draco observava cada reação de Hermione, desejando por novas expressões de felicidade. Havia feito cada detalhe pensando naquela mulher, a qual poderia dedicar todo o mundo se fosse possível.
Sentiu-se alegre quando viu Hermione boquiaberta ao entrar na sala, cujo uma lareira acesa aquecia. Haviam vários pufes e dois sofás, destinados apenas aos convidados de Hermione, visto que estes também seriam os convidados de Draco.
A cozinha era menor, mas tinha seu charme. Diversos potinhos de tempero decoravam as paredes, e seu cheiro era o de amor.
Hermione sorria a cada detalhe, a cada brasão espalhado, tanto da sonserina quanto da grifinória.
Tudo era perfeito.
No andar de cima, haviam alguns quartos e alguns banheiros, além do escritório de trabalho de Draco, e um presente perfeito para Hermione.
Uma biblioteca.
—Você só pode estar brincando comigo. —Hermione exclamou, abrindo a porta sem pensar duas vezes.
—Todo meu estoque da outra casa veio para cá. —Draco afirmou, contente de si mesmo.
Hermione olhou para aquela imensidão de livros ao seu redor. Alguns em sua devida prateleira, alguns outros, flutuando ao seu redor como quem reconhece sua nova proprietária.
Hermione não falou nada, apesar de que seus olhos eram agradecidos.
Quando chegaram em seu quarto, Draco temia pelo gosto de Hermione, enquanto as mãos e pés de Hermione tremiam verdadeiramente.
—Aqui vai ser nosso quarto. —Draco contou para Hermione, deixando que a castanha entrasse na frente.
Era um quarto grande e espaçoso.
As paredes eram cobertas de quadros, pinturas e esculturas que remetiam suas casas em Hogwarts, também como diversos objetos decorativos em ouro e prata.
Haviam alguns livros espalhados também pelo quarto, e Hermione percebeu que eram seus preferidos. Também havia uma lareira, e aos pés da cama, mais um presente de Draco para Hermione.
—É uma tevelisão. —Draco afirmou com firmeza, apontando para o objeto que lhe era estranho aos olhos. —Eu consegui fazer com que funcionasse aqui.
Hermione fingiu não perceber o erro na fala de Draco quando o agradeceu com um beijo na bochecha, que fez o homem corar.
—Eu vou tomar um banho. —Hermione falou baixinho, pegando a mala que escondia uma lingerie e a levando a tiracolo.
—Eu também vou. —Draco afirmou, tímido. —Mas pode ficar tranquila, eu vou no banheiro do lado. —Respondeu rapidamente quando viu a feição de Hermione.
Hermione se reconsertou.
—Vem comigo. —Pediu.
Draco a olhou como se observasse uma miragem.
—Não precisa fazer isso hoje, fedelha. —Sua fala saiu desacreditada. Quase como um pedido de que fizesse o contrário do que pedia.
Tanto quanto Hermione desejava Draco, Draco a desejava.
—Vem comigo, Malfoy. —Hermione pediu novamente, oferecendo sua mão trêmula para que Draco a segurasse.
E então Draco foi.
Quando entraram no banheiro, tamanha foi a surpresa de Hermione ao perceber que diversas velas nas paredes se acendiam sozinhas com sua presente.
Hermione sorriu.
Assim como ela, Draco tremia.
Mas Hermione queria aquilo, queria de verdade. E foi ela quem começou.
Hermione fez com que a banheira enchesse com apenas um toque de sua varinha, e então começou a se despir.
Tirou seu vestido, que a apertava nos seios, e então estava apenas de lingerie.
Mas não teve coragem de olhar a reação de Draco.
Draco olhava para Hermione tal como quem observa uma musa antiga. Observava suas curvas, e sentia-se atraído por elas. Olhava para suas pernas, permitindo que todo aquele desejo o qual havia sentido durante tanto tempo viesse a tona.
Era toda dele, e mal podia acreditar.
—Deixa que eu te ajudo. —Cochichou no ouvido de Hermione, que se arrepiou com a proximidade.
Draco beijou o pescoço de Hermione enquanto desabotoava as costas de seu sutiã, e sentia que Hermione se contorcia em suas mãos.
Precisava tê-la.
Mas precisava ir devagar.
Aquilo deveria ser perfeito para Hermione.
O sutiã preto de Hermione caiu no chão, deixando-a apenas de calcinha. Foi quando Draco a virou de frente para si, desejando desfrutar de seus lábios.
Hermione o beijou com uma ferocidade jamais sentida, jamais esboçada.
Draco reconheceu a leoa que havia naquela mulher.
Draco deixou que sua mão conhecesse cada centímetro do corpo de Hermione, beijando-a e trazendo para mais perto de si. Estavam sentados na beira da banheira, e Hermione rebolava sobre Draco com tamanha maestria o qual jamais havia conhecido.
Draco se afastou e observou os seios da castanhas, tão próximos de seu rosto que foi impossível ignorá-los. Sentiu o gosto da pele de Hermione, degustando de cada novo sabor, misturando um gosto doce e ao mesmo tempo quente.
Hermione deixou o som escapar por entre seus lábios, o que fez com que Draco sentisse a necessidade de a ter ainda mais perto.
Sem se levantar, Draco tirou a própria camisa. Hermione olhou para ele com tamanho desejo que o fez querê-la ainda mais.
Hermione se aproximou devagar, como quem pede permissão, e Draco a concedeu. A castanha passeou com seus lábios por toda a clavícula de Draco, que sentiu seu corpo se arrepiando a cada novo toque descoberto, a cada sensação que Hermione Jean Granger poderia lhe atribuir.
Foi a vez de Draco permitir que o som lhe escapasse pelos lábios, som esse tão esperado que soou como um grunhido aos ouvidos de Hermione.
Hermione sentia-se pura. Sentia-se livre para terminar o que havia começado.
Não havia repressões ou medos. Havia desejo.
Desejava a presença de Draco, o seu corpo e seu afeto, tudo ali, sobre ela.
E o teria.
Hermione terminou de tirar as calças e os sapatos de Draco, e na mesma rapidez ficou totalmente nua.
E encaram-se por alguns segundos.
—Vamos respirar um pouco. —Hermione pediu, entrando dentro da banheira e chamando Draco para que entrasse também. Havia espaço o suficiente para os dois.
Ali, dentro da água, parecia ainda mais difícil não se aproximar de Draco. Sentia sua perna roçando lentamente nas costelas de Draco, e podia perceber o quanto ele também a desejava.
—Você pode passar sabonete nas minhas costas? —Pediu o loiro, cujo rosto exibia uma safadeza que jamais havia sido dirigida a Hermione.
Hermione se arrepiou.
Ensaboava as costas de Draco enquanto, beijava cada centímetro de seu pescoço, sua nuca e os músculos de suas omoplatas. Passeava com suas mãos por sua barriga e chegava próximo a virilha, e então voltava para seu pescoço.
Draco tremia tal como nunca.
Quando saíram do banho, Draco olhou para o corpo de Hermione, ainda úmido, e com um breve gesto, a pegou em seu colo.
Hermione riu enquanto Draco a carregava para seu quarto, segurando com força em seu ombro e deixando como rastro a marca de suas unhas.
O riso de Hermione borbulhava no âmago de Draco.
Ao entrarem no quarto, com a lareira acesa e a cama de dossel devidamente preparada com lençóis de seda pretos como a noite, Draco deitou Hermione abaixo de si, beijando seu pescoço, passeando com seus lábios por seus ombros e redescobrindo o sabor de seus seios.
Hermione se contorcia abaixo de Draco, seu corpo inclinado devido aos picos de prazer os quais ele a fazia sentir.
Draco desfrutou de cada centímetro do corpo de Hermione, apreciando cada gosto que ela o atribuia e cada sensação que ele percebia causar na castanha. Sentia as coxas das castanhas apertando firmemente seu rosto e seus cabelos sendo puxado com força pela leoa a qual sentia possuir.
E tudo aquilo o atiçava ainda mais.
Hermione sussurrava palavras que Draco não conseguia compreender enquanto esbaldava-se em prazer, fazendo o delírio de Draco.
Aquela era a mulher com quem ele havia casado, era a sua mulher.
Jamais havia sentido aquilo antes.
Hermione o puxou novamente para que pudesse o beijar, e assim o fez, aproximando ainda mais seu corpo do de Draco.
E Draco permitia que Hermione guiasse. Sabia que seria do jeito que ela queria, e aquilo o agradava ainda mais.
Voltaram a se beijar ferozmente. As unhas de Hermione passeavam nas costas de Draco, fazendo rasgos que ardiam com tamanho prazer o qual jamais o poderia incomodar. Draco passeava com suas mãos pela cintura da castanha, descendo e subindo em busca do lugar que seria perfeito, deduzindo que tudo ali era.
E estavam perto demais.
Tão perto que mal podiam perceber a diferença entre ambos.
Draco a empurrou com gentileza, fitando os olhos marejados da castanha, percebia ele que era de prazer.
—Eu posso?
Hermione apenas assentiu com a cabeça, elevando-a enquanto Draco tornava-se presente dentro dela.
“Então era aquilo? Era essa a sensação de transar com alguém a qual você deseja?” Pensou Hermione, desfrutando de cada movimento realizado por Draco, permitindo que ele a desfrutasse lentamente enquanto ela sentia-se parte de Draco.
Foi quando Hermione decidiu se virar.
Segurou pelos braços de Draco, e, impossibilitando seu movimento, virou-se gentilmente por cima do sonserino, encaixando suas pernas ao redor da cintura do homem que a observava com tamanha servidão nos olhos.
Hermione movimentou-se lentamente acima de Draco, observando cada reação que o provocava e desfrutando do semblante de prazer que ele exibia.
Jamais havia se sentido assim.
Era lento, devagar, era tão bom que beirava a tortura.
E sabia que Draco sentia o mesmo.
Sentiu as mãos, agora firmes, do loiro, tocando suas costas e descendo ainda mais, guiando cada movimento em sincronia.
Hermione beijava os lábios de Draco, seu rosto, seu pescoço e tudo que estava ao seu alcance. Desejava tê-lo para si. Desejava fornecê-lo o mesmo prazer o qual havia tido algum tempo atrás.
Não se sabe quando, mas em algum instante os músculos de Hermione se tornaram tensos em conjunto com os de Draco, que a segurava como uma peça valiosa e delicada. Jamais estiveram tão próximos assim. Tão sincrônicos. Tão unidos.
E então tudo passou.
Uma onda de leveza atravessou o corpo de ambos, que deitaram na cama com seus corpos cansados e suados.
E então se encararam.
Draco sorria como nunca, os olhos brilhantes e vívidos acusavam seu prazer e felicidade.
—Com certeza é o melhor dia da minha vida. —Rendeu-se, sorrindo com travessura.
Hermione riu.
—///—
27 de julho de 2005
Hermione estava sentada em sua biblioteca, aguardando pelo retorno de Draco. A pouco tempo seus pais haviam ido embora, deixando para trás várias tortilhas e doces de chocolate, os quais Hermione mastigava como se sua vida dependesse disso.
Em cima da mesa, a foto de Astoria Greengrass se movia com ira na capa do profeta diário. Abaixo de sua foto, o anúncio.
“Astoria Greengrass, viúva de Voldemort, foi encontrada junto de seu herdeiro recém nascido em uma pequena cidade no leste da Europa. A família apresenta o desejo de adotar a criança: Erro ou acerto?”
Hermione bufou
Ouviu a porta abrindo no andar de baixo e sentiu seu coração acelerar.
Sabia que ele traria notícias sobre o processo de adoção, e sabia que aquilo mudaria toda a vida deles.
Batia com suas unhas em cima da mesa de mogno, a qual já tinha pequenas marcas de sua impaciência.
Draco subiu os degraus devagar demais para o gosto de Hermione.
E foi quando a porta se abriu.
No colo do homem loiro o qual já conhecia bem demais, um pequeno bebê de cabelos finos escuros, cujas covinhas eram perceptíveis até mesmo de longe, dormia confortavelmente.
Draco não precisou falar nada, mas Hermione sabia que haviam ganho a causa.
—Ele é nosso. —Draco afirmou, beijando a testa de Hermione enquanto a castanha puxava o pequeno e indefeso bebê para o seu colo.
—Ele tem nome? —Perguntou, esperançosa de poder decidir o nome da criança que segurava.
—Não. —Draco respondeu, havia piedade em sua voz. —Astoria sequer alimentava a criança direito. Você pode escolher. —Sugeriu.
—Harry. —Hermione afirmou, acariciando as bochechas fofas do bebê, que bocejou, abrindo seus olhos grandes e esverdeados—Harry Scorpius Malfoy.
—///—
Plataforma 9 3/4
Draco, Hermione e Harry Scorpius já estavam quase atrasados para entrar na plataforma 9 e três quartos. Adentraram a parede mais rápido do que queriam, e correram até o vagão do trem, que já esboçava sinais de que estava prestes a partir.
O pequeno Harry correu em direção ao seu amigo de longa data, Teddy Lupin, deixando Draco e Hermione para trás e voltando poucos segundos depois, como quem esquece alguma coisa.
O pequeno Harry encontrou seu pai e o encarou firmemente, os olhos de quem queria dizer algo, mas não sabia como.
—Vou ver como estão Rony e Lilá. —Hermione disse rapidamente, indo em direção ao casal de amigos e a sua filha, Luna.
—Pode me contar tudo, fedelho. —Draco falou, bagunçando o cabelo do filho, que o ajeitou rapidamente com um riso contido.
—E se eu for pra mesma casa dele? Do meu outro pai? —Perguntou, amedrontado.
Draco se ajoelhou a altura do filho.
—Se você for, vai estar em uma casa maravilhosa que vai te ensinar a crescer como ser humano, assim como aconteceu comigo. —Afirmou, orgulhoso. —Mas se for o caso, você pode pedir para o chapéu considerar. Ele sempre vai levar sua opinião em consideração, e a Grifinória também é uma casa maravilhosa.
Harry acenou com a cabeça.
—Você não vai ficar chateado, pai?
—Eu morro de orgulho de você, garoto. —Draco afirmou, sentindo-se, acima de tudo, feliz por ser um homem diferente de seu pai.
Hermione se aproximou novamente, beijando a testa do filho e apressando-o para que fosse logo para o vagão.
Foi quando o trem partiu, deixando para trás acenos e beijos enviados ao ar por Hermione, que lacrimejava enquanto via seu pequeno partir por alguns meses.
Draco segurava com força a mão de Hermione, sabendo que quando chegassem em casa, tudo ficaria bem.
Tudo estava bem.
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