Palavras que machucam
7 Geringonça brilhante
Notas iniciais
Já estávamos passando pelo terceiro sinal de trânsito depois de fazer as compras, quando Connor freia bruscamente, quase me lançado contra o painel do carro.
O fulmino com o olhar.
Estava prestes a repreendê-lo quando notei a direção do seu olhar.
Havia um enorme roda gigante a nossa frente, alegre e brilhante.
Os parques naquela época do ano geralmente fechavam por conta do mal tempo, porém na nossa cidade o velho parque de diversão dos ilustres Harrisons, reconhecido por seus brinquedos pré históricos e atrações da geração cenozoica, continuava aberto para receber cupins desesperados por madeiras em péssimo estado e baratas esfomeadas.
—Vamos. -Connor fala com um brilho perigoso no olhar.
Oh, não. Não mesmo.
—Não. -Falo categórica sem ceder.
—Vamos lá, Hailey. -Ele fala persuasivo já manobrando o carro para estacionar no meio fio. -A quanto tempo não vai a um parque de diversão?
—A tempo suficiente para não querer ir de novo.
—Se você não que ir, eu quero. Vai ficar no carro?
Eu o encaro muda. Perplexa.
Aquilo só podia ser brincadeira! Parque de diversões?! Quão insano Connor era para colocar a própria vida em risco naqueles brinquedos que faltavam desintegrar ao vento?!
—Está brincando, não está?-Ele sorri provocador e solta o cinto de segurança, desligando o carro. Tudo em um piscar de olhos. -Connor eu quero ir para casa. Agora.
Falo enfaticamente.
—Então vá. -Ele estende as chaves com um ursinho felpudo pendurado que sorria para mim com um sorriso debochado cheio de dentes brancos.
Connor sabia que eu não tinha carteira. Mamãe me mataria se eu pegasse naquele carro sem ninguém no passageiro. Da última vez que eu havia estado atrás do volante acabei envolvida em um pequeno incidente que envolvia um muro e um ambulante furioso.
—Você sabe que não posso dirigir. — Deixo-me cair pesadamente no banco.
—Vai ser divertido. -Ele insiste.
Olho para ele duvidosa ainda com o cinto posto.
—Última chance. Ou fica, ou desce. -Ele fala já do lado de fora, segurando a porta enferrujada.
O analiso por alguns segundos.
Connor não parecia realmente uma ameaça. Mas, o que ele me fazia sentir era realmente uma ameaça contra a minha sanidade mental. Ele estava com um casaco enorme e outras camisas por baixo. Uma barba por fazer já crescia em seu rosto e as manchas escuras embaixo dos seus olhos haviam desaparecido.
—Não vamos passar mais do que uma hora. -Aviso com o olhar intimidador.
Connor me lançar um olhar vencedor, mas eu o ignoro.
Nós andamos em silêncio em direção ao parque deserto. As únicas pessoas que pareciam estar ali eram os funcionários com expressões azedas. Ao menos eles tiraram a espessa camada de neve.
Vários brinquedos assustadores e realmente grandes se erguiam ao nosso redor a medida que andávamos. Só depois de alguns segundo foi que notei que Connor nos levava em direção a roda gigante.
Planto os meus pés no chão e nego enfaticamente.
—Não. Nem pensar que eu vou num brinquedo desses.
Connor me lança um sorriso que me aquece por dentro, mas eu não o deixo perceber isso. Fecho ainda mais a cara.
—Não seja medrosa Hailey. Vamos.
Ele entrelaça os seus dedos entre os meus e me puxa em direção a geringonça.
—Eu não vou Connor. -Falo ainda mais firme puxando minha mão.
Ele se vira para mim e, mesmo com a luva, sinto seu polegar acariciar a minha mão. O seu hálito forma uma pequena nuvenzinha branca e aquece as minhas bochechas congeladas.
—Não vai ter graça sem você. -Os seus olhos brilham incandescentes e eu vejo as famosas estrelinhas refletirem a luz do sol em suas pupilas.
Mudo o peso do corpo de um pé pro outro em dúvida, mastigando o meu lábio inferior.
—Não gosto de coisas enferrujadas e altas. Vai você. -Dou um leve empurrão em seu ombro com a mão livre, mas Connor nem se move. O seu olhar fixo começa a me desconcertar. -Está perdendo tempo.
Disparo desesperada para que ele me deixe de me olhar daquele jeito.
E era exatamente naquelas situações que eu esquecia de tudo que Connor havia feito para mim. Simplesmente não conseguia afastá-lo. Por mais que eu odiasse admitir, era extremamente bom ter sua mão segurando a minha como se fossemos um casal passeando no parque em uma tarde fria de inverno. Era bom tê-lo tão perto, me olhando daquele jeito, como se eu fosse a única pessoa que realmente importava no mundo. Era tão bom que eu esquecia de afastá-lo.
Ele me dá um leve puxão, mas permaneço parada.
—Vem ver o pôr-do-sol comigo. -Reviro os olhos porque o sol continuava brilhando, bem fracamente, acima das nossas cabeças. Bem longe de desaparecer no horizonte.
—Talvez na próxima vez. -Largo a sua mão e me afasto um passo dando fim aquele sonho. Quero dizer pesadelo. -Ele está te esperando.
Connor olha para trás e percebe o funcionário impaciente esperando que ele se decida logo.
De repente, ele me entrega o seu celular e eu o agarro apenas por impulso.
Faço uma cara de interrogação.
—Não quero que ele faça uma viagem até o chão quando eu estiver lá em cima. -Ele pisca para mim e o meu coração faz um acrobacia radical no meu peito.
E, então, ele faz algo surpreendente e chocante. Escorrega o braço pela minha cintura e me atrai contra ele até que eu sinta seu coração batendo contra o meu. Seu rosto se aproxima rapidamente até que seus olhos estrelados não passem de um borrão castanho e seus lábios deslizam pela minha pele, a milímetros dos meus lábios.
E eu só consigo fechar os meus olhos e inalar profundamente aquela fragrância almiscarada que despregava dele.
Mas, Connor logo se afasta e o que quer tenha visto em meu rosto faz um sorriso satisfeitos surgir em sua boca.
Sinto meu rosto esquentar desafiando toda as leis da lógica, uma vez que eu sentia a minha pele praticamente congelada sobre as camadas de roupa.
Connor passa pela portinhola de metal que o funcionário mantinha aberta e rapidamente se encaminha para um tipo de banco de dois assentos, se acomodando antes do funcionário ajeitar o seu cinto.
Estava olhando para o brinquedo e analisando quais a chance dele se partir ao meio do nada quando sinto o celular de Connor vibrar na minha mão.
A telinha se acende e a imagem de Darth Vader de cueca aparece. Riu baixinho, mas meu olha é atraído para uma mensagem que aparece brilhante no meio da tela.
Eu realmente não queria bisbilhotar mas era impossível não ler a mensagem que piscava para mim, me implorando para lê-la.
Seria só uma olhadinha de qualquer maneira.
Desbloqueio a tela e fico surpresa por não ter senha. Mas, qualquer coisa que eu tenho em mente congela no momento em que eu vejo a mensagem.
Que gatinha ;) , dizia a mensagem maliciosamente. Abro a imagem e sinto meu sangue congelar nas minha veias.
Era eu. Parada em frente a um carrinho de algodão doce do parque de diversões, que na verdade não funcionava há séculos, com a cara relaxada e as mãos enfiadas nos bolsos do casaco. O meu cabelo estava uma bagunça, com alguns fios da franja cobrindo os meus olhos.
Oh, merda.
Olho para cima com os olhos estreitos e Connor sustenta o meu olhar, balançando o meu celular entre seus dedos com um sorriso divertido e zombador.
Digito furiosamente em seu celular.
"Roubar propriedade alheia é crime”.
“Não roubei. Peguei emprestado"
Cara de pau.
"Seu conceito de pegar emprestado é bem diferente do meu. "
O fulmino com o olhar, mas ele retribui com uma risada suave e quente, que é carregado pelo vento e me atinge em cheio.
"Não pareceu achar ruim quando eu peguei do seu bolso. "
O olho confusa, mas então lembro o momento em que ele me abraçou e…
Aquele filho da mãe! Ele havia me distraído para pegar o celular no bolso da minha calça. E eu nem ao menos havia notado.
Eu não sabia se ficava com raiva ou envergonhada.
Provavelmente envergonhada.
"Me devolva agora!!!!"
Insiro algumas carinhas furiosas antes de enviar.
Envio e vejo Connor falando algo com o funcionário quando ele tenta fechar o seu cinto. O rapaz parece exasperado, mas concorda com a cabeça a contragosto e da um passo atrás, parecendo esperar por algo e olha diretamente para mim.
Oh ou.
"O que você falou para ele?!!!"
Digito rapidamente com a expressão cautelosa.
"Vem até aqui que eu te conto."
"Eu não vou chegar perto dessa geringonça. "
"Então nada de celular. Acho que eu vou ter que ver algumas fotos suas quando eu estiver lá em cima para me distrair. "
O meu coração falha uma batida e as minhas mãos suam. Mas, eu me obrigo a ficar calma. Não havia nada de constrangedor nas minha galeria de fotos. Até porque eu odiava fotos. Então, não havia nada com que me preocupar. Estava prestes a enviar uma mensagem pra ele dizendo que pra mim não teria nenhum problema, quando outra mensagem sua chega com uma nova foto.
Oh meu…
"Eu não sabia que você podia ficar tão sexy com um biquíni do Mickey, Hailey. Por favor me diz que você ainda tem ele. "
Era uma foto minha e de Alex na praia. A foto havia sido tirada no último verão na casa de praia do pai de Alex. Nós estávamos enganchadas em um tipo de abraço desajeitado, em que Alex tentava me levar ao chão e eu nos segurava bravamente em pé. Ela tinha a boca escancarada em uma gargalhada e eu sorria envergonhada para câmera, lutando por esconder o meu corpo desajeitado e quase pelado.
Aquele biquini era tão microscópico que até mesmo através da foto eu tinha a impressão de que meus peitos iriam pular para fora do celular de tão apertados que eles estavam.
Dou um close na foto e quase infarto.
Aquilo era um pneu na minha barriga?!
Sem pensar, ando desesperada em direção ao brinquedo. E quando dou por mim já estava puxando o celular da mão de Connor.
Mas, tarde demais percebi que toda aquela provocação nada mais era do que uma armadilha muito bem arquitetada, pois logo Connor me puxa pela cintura para o seu lado e puxa o cinto de metal com força sobre nós. O funcionário checa rapidamente se estava firme e caminha apressado para a pequena cabine que comandava o brinquedo. Tudo em um piscar de olhos.
Eu estava tão incrédula que a única coisa que consegui articular foram resmungos de palavras incompletas. Mas, então, entro em ação antes que o brinquedo comece a funcionar, lutando bravamente contra o cinto.
Não podia ser tão difícil abrir uma trava. Devia ser como abrir uma lata de ervilha. Com um jeitinho e pronto! Porém, aquela trava estava curtinho com a minha cara de um jeito que eu só queria pegar a minha bota e quebrá-la.
Diversas vezes.
—Ei, para com isso Hailey!-Connor tenta conter os meu dedos, se debruçando sobre mim.
—Eu quero sair!-Falo urgente o afastando com uma cotovelada potente.
Ouço um ofego de dor, mas continuo lutando bravamente contra a porcaria da trava enferrujada e suja. Ouço um clic e o meu coração se enche de alívio. Estava prestes a pular para longe do assento do pequeno banco quando o brinquedo solta um enorme gemido como se estivesse despertando de um sono profundo.
De repente, a roda gigante está viva e brilhante. E o mais importante ela está girando como se fosse uma velhinha com artrite.
Nós iríamos morrer. Era isso. Estava tão claro quanto a neve límpida e fria que caía suavemente sobre nós.
—Hailey?-A voz distante e preocupada de Connor penetra em meus ouvidos.
Nós estamos girando lentamente e com grande esforço. Aperto os meus dedos fortemente no cinto, porém ele se move sobre os meus dedos.
O meu coração se aperta dentro do meu peito e eu arfo de puro terror.
—Não se mova. -Connor sussurra e nós dois ficamos paralisados por alguns segundos. Instantes depois ele se inclina sobre mim e tenta forçar a trava para voltar a fechá-la.
Ele se inclina sobre mim e força a trava de volta. Porém, ela nem ao menos se move.
Aquilo só podia ser brincadeira.
Connor xinga baixinho com força e volta a tentar com mais vigor.
Ele estava tão debruçado sobre mim que não havia uma só parte minha que não tocasse a lateral do seu corpo. Ele parece notar isso também, pois todo o seu corpo fica tenso e seus dedos paralisam sobre a trava.
Sua respiração agita os fios atrás da minha orelha e eu só consigo ficar parada.
Um chiado alto e agudo ressoa ao nosso redor e eu percebo com completo horror que vem da roda gigante.
Olho aterrorizada para a estrutura metálica, esperando que ela comece a se desmanchar como areia. Mas, ela ainda continua firme na medida do possível. O que não era muito.
Connor volta a se recostar contra o seu assento e pressiona o cinto com força contra nós.
—Não se mova. -Ele fala suavemente parecendo não querer me assustar. Mas, era impossível. Se eu ficasse mais assustada, eu iria fazer xixi nas calças. -Vai ser divertido.
O olho abismada, com o olhos estreitos de fúria.
—Divertido?!-Cuspo sem me atrever a mexer mais do que a cabeça. -Não vai ser nada divertido porque estamos há vários metros do chão, em um roda gigante que mais parece do século passado, com um maldito cinto que nem mesmo está travado!
Esbravejo com os dentes trincados.
—Foi você que soltou o cinto!-Ele aponta com um toque de irritação.
—Por que você me forçou. -Me empertigo furiosa.
O assento balança terrivelmente com o meu movimento e eu me agarro ao cinto, sentindo o frio do metal penetrar as minhas luvas.
Sinto todo o meu sangue ser drenado da minha face e o meu coração parar junto com a minha respiração entalada na minha garganta.
—Eu falei para não se mover!-Connor sussurra agitado, colocando um braço de ferro sobre mim para me impedir de me movimentar.
Ouço nossas respiração agitadas e uma música natalina que sai dos altos falantes do parque. Com um leve chiado de interferência.
Depois de alguns segundos, Connor retira o braço sobre mim lentamente se assegurando de que eu não me moveria.
Ficamos em silêncio enquanto a roda gira até o alto. E quando estamos lá em cima, fecho os olhos com tanta força que sinto uma dor atrás da retina. E, então, ela para.
Oh não.
—Por que parou?!-Falo em um sussurro agoniado.
Connor traga a saliva e evita o meu olhar. Seu cabelo está bagunçado por causa da brisa fria e com um pouco de neve que brilha como cristal sobre as pontas douradas. Eu queria tanto tocá-los, sentir a textura em meus dedos. Mas, ao invés de fazer isso, contraio os meus dedos no cinto.
—Ela sempre para. -Arregalo os olhos incapaz de falar. Sua mão pousa sobre a minha. Firme e protetora. E seu olhar busca o meu. -Nós vamos ficar bem, Hailey. Não vou te deixar cair.
Eu quero bufar em descrença. Mas, não consigo. Não com Connor me olhando tão intensamente.
—Está parecendo um bonequinho de neve com toda essa neve. -Ele estica a mão livre e começa e retira a neve do meu cabelo, bagunçando os fios. -Uma boneca na verdade.
Seu olha desce até o meu e eu esqueço como se respira.
Pigarreio constrangida, afastando a minha cabeça do seu toque. Então sem ter para onde olhar que não seja aqueles olhos brilhantes e o céu -por que olhar para baixo estava fora de cogitação- olho para a nossa cidade brilhante e acesa ao nosso redor.
—Você tem medo de altura?
—Eu?!-Falo como se aquilo fosse um absurdo, apontando o dedo no meu peito. Ele ergue uma sobrancelha. -Da onde você tirou isso?
Ele olha na direção dos meus dedos esmagados no metal e eu deixo os meus ombros caírem.
—Talvez. -Sussurro. -Um pouco.
Connor, por incrível que pareça, não goza da minha cara. Ele apenas fica em silêncio.
—Sabia que as cores das flores guardam um significado particular?-Ele fala relaxado largando o braço no encosto atrás de mim.
Viro a minha cabeça bruscamente para ele.
—O que?-Sussurro perplexa.
Connor falando de flores? Eu havia morrido mesmo e estava no céu. Pois, Connor falando de flores só podia ser obra do Criador.
—As flores brancas significam o perdão. -Ele me olha intensamente com um misto de emoções dominando as íris estreladas de seus olhos. Sua voz afaga a minha pele de uma forma suave.
Seu braço se estreita ao meu redor.
—As azuis significam confiança. As amarelas alegria. As verdes, assim como a cor dos seus olhos, significam esperança. -Uma mexa do meu cabelo ricocheteia contra o meu rosto, mas eu nem me importo. Eu estava muito concentrado em suas palavras para apartá-la. Porém, Connor faz isso por mim. Seu dedo desliza pela minha bochecha, capturando a mexa e colocando atrás da minha orelha. -E as vermelhas…
Sua voz falha e seu dedo desliza pela lateral do meu pescoço. Ele parece fascinado pelo caminho de fogo que seu dedo faz pela minha pele. Seu rosto se inclina em direção ao meu e eu o ajudo a encurtar a distância. Seu nariz congelado raspa o meu e uma corrente de eletricidade passa pelo meu corpo, me fazendo estremecer.
Connor parece entender errado o meu estremecimento, pois seu braço se estreita ainda mais ao meu redor, me atraindo contra seu peito.
—E as vermelhas…-Incito ansiosa me deixando ser levada contra ele.
—As vermelhas significam amor, paixão…
Seu hálito quente bate de encontro aos meus lábios selados. Seus dedos se enroscam na minha nuca, se prendendo nos fios soltos fazendo uma leve pressão. Minhas mãos se apertam em seu casaco e eu uso como apoio para não despencar daquele assento, uma vez que naquele momento eu não estava confiando muito no meu equilíbrio.
Seus lábios frios e úmidos pressionam um beijo suave na minha bochecha. Fecho os olhos sentindo um sentimento quente e pulsante latejar em meu peito.
Tento evocar na mente todas as coisas que Connor já fez contra mim, mas nenhuma lembrança, por mais amarga que seja, se infiltra pelos meus pensamentos nublados. Parecia que Connor bania qualquer coisa da minha cabeça com aqueles dedos carinhosos e aqueles lábios macios.
Eu tenho que ser forte. Penso desesperada quando seus lábios deslizam pela minha pele aquecida pelo rubor.
Tudo bem, não tão forte assim. Afinal, que mal há em beijinhos inocentes no rosto? Todo mundo beija a bochecha de alguém uma vez na vida. Não era algo proibido e nem indecente.
No entanto, os Beijos de Connor pareciam despertar algo em mim que ninguém era capaz. Eram os seus beijos que faziam as malditas e famosas borboletas alçaram voo em minha barriga como se ela fosse uma maldita pista de decolagem.
Seus lábios já febris pressionam o canto da minha boca e eu já não consigo mais me iludir. Não havia nada de casto em seus beijos, nem na forma como me segurava contra ele, e nem na minha respiração agitada que saia em baforadas agitadas e nada elegantes pela abertura mínima entre meus lábios.
Sua boca paira sobre a minha, convidativa e úmida. Eu queria tanto sentir a pressão suave dos seus lábios contra os meus que eu estava quase chegando ao ponto de agarrá-lo pelas lapelas do seu casaco e atraí-lo contra mim, porém, por intervenção divina, a roda gigante volta a gemer, dessa vez bem mais estridente como se estivesse me alertando do enorme erro que eu estava prestes a cometer, e se mexe com uma enorme barulho.
E, então, noto com verdadeiro choque a medida que a roda gigante gira que eu já não me segurava mais ao cinto e sim ao casaco de Connor como se a minha vida dependesse disso. O largo abruptamente com fogo no rosto, constrangida demais até mesmo para esperá-lo quando salto do maldito brinquedo e caminho a passadas apressadas em direção a caminhonete.
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