Palavras não Podem Descrever
2 O amigo e o beijo
E foi assim, nós tinham apenas treze anos de vida, e longos treze anos de amizade absolutamente fiel e cheia de companheirismo. Estavamos encostados na árvore, ele passava a mão pelos meus cabelos, acariciando-me, enquanto conversavamos sobre a vida. Eu como de tempos em tempos, lembrava a morte de seu pai, que ocorrera quando eu tinha apenas onze anos, exatamente uma semana depois de que briguei com ele e disse que nunca mais olharia em seus olhos e queria que ele fizesse o mesmo comigo. O motivo era tão bobo, mas meu coração de garota apaixonada não me deixou passar uma proibição que meu querido pai havia feito há um ano, por causa de um garoto mais velho da minha escola. O garoto tinha dezesseis anos. Meu pai dissera que aquele garoto não servia para mim, que eu era muito melhor que aquilo. Que eu nunca deveria me rebaixar a um garoto assim, ele fumava, saia todas as noites, meu pai me avisava que ele não devia ter fidelidade a mim. O amor de pai não o deixou calar-se quanto aquilo. E eu resisti a meu pai e briguei por um garoto que havia acabado de conhecer, mas que havia conseguido envolver-me por completo em suas mentiras descaradas.
Meu pai veio a falecer uma semana depois da briga, num outono como aquele em que ela agora me encontrava, e durante a semana que sucedeu a briga, ele não havia recebido um sequer olhar meu. Faleceu assim, sem nenhuma despedida, o que deixou um profundo amargo no coração de uma pequena e frágil garota que eu era. Apesar de esconder e resistir, sempre eu sentia um profundo remorso dos meus atos, sentia que aquele garoto só serviu para arruinar minha vida, pois no fim daquela mesma semana, eu vim a descobrir que meu amor perfeito estava saindo também com mais outra garota, ainda mais uma garota da qual eu nunca suportara. Eu me segurava como podia, mas as lágrimas escorriam por meu rosto sem nenhum esforço.
Era Felipe quem me confortava. Apesar de nunca gostar do garoto com quem namorei e eu ter brigado também com ele durante meu namoro sua amizade era tão fiel que no momento em que mais precisei, apesar de todos os motivos para se afastar de mim, ele veio ajudar-me a reconstruir meu frágil coração de moça. Mas meu coração, mesmo assim, despedaçou-se em milhões de partes, que ficaram perdidas, pelo menos até aquele momento, em que fazia um desabafo para meu amigo, ele enxugou minhas lágrimas com as pontas dos dedos e olhou em meus olhos. Disse apenas uma palavra:
- Licia.
Era como costumava me chamar. E antes que eu pudesse responder lhe, ele me agarrou e deu me um beijo, demorado, profundo, carinhoso, um beijo que por um motivo especial tirara o fôlego de ambos e nos fez sentir um frio que percorria por todo nossos corpos. Parecia que uma parte da minha vida, que antes encontrava se oculta, desmentida, revelou se, e os pedaços perdidos de seu coração juntaram se novamente naquele instante imediato ao beijo. A sensação de que algo mágico estava acontecendo, de eu me encontrava abraçada por nuvens quentes e macias me tomou por completa, nem mais me sentia no chão, estava flutuando levada pelas maravilhosas sensações e emoções que aquele beijo me trouxe. Apesar de não ser o primeiro beijo de minha vida, era o dele, eu me sentia como se nunca tivesse experimentado nada como aquilo, estava em estado de êxtase. Após o beijo, não restou nem tempo de respondê-lo, muito menos de reagir, eu estava quase que paralisada como se sua boca tivesse passado me fortes entorpecentes. Era a melhor sensação que eu já tive. Ficamos por alguns segundo apenas olhando um para o outro, nos analisando, gravando cada detalhe daquele momento. Então minha mãe chegou ao portão de minha casa, ao lado da árvore onde estavamos.
- Olá Felipe, tudo bem?
- Tudo senhora Evans. E você, como vai?
- Ótima. Alicia, venha para dentro, já começou a escurecer. Vá para casa também Felipe. — minha mãe para, olha para nós dois com uma cara que não mostrava absolutamente o que era que ela pensasse e voltou para dentro.
Ele levantou com uma expressão de felicidade e o mesmo estado de êxtase em que eu me encontrava. Ajudou-me a me levantar, eu sentia minhas pernas bambas, duma forma que nunca senti antes na vida. Nós nos abraçamos entusiasmadamente e um tanto desajeitados. Ele me deu um beijo na testa e nos despedimos sem sequer uma palavra que fizesse sentido. Cada um entrou para sua casa. Entrei dando a cada passo uma olhada para aquele que me parecia ser o amor de minha vida, e bem lá no fundo, sempre senti ser, mas nunca desconfiei. Fui entrando em casa devagar, mas inquietamente. Passei por minha mãe e meu padrasto, sorri singelamente como se nada tivesse acontecido naquele coração, mas por dentro, estava prestes a explodir de alegria e confusão pelos últimos acontecimentos. Eu não podia acreditar. Meu maior desejo, desconhecido até por mim mesma, se concretizou e só então me fez tomar conhecimento deste, deixando assim uma tremenda alforria assim uma alforiatizou,e,rano lo seus pais, sorriu fingindo nda tia que me tomava-me por inteira.
Fazia muito frio naquele dia de outono, eu havia passado o dia todo agasalhada, sentia meu corpo se congelando ao tirar a roupa para tomar meu banho. Tomei banho na água bem quente, me deliciava em baixo do chuveiro com as emoções do momento do beijo que meu amigo havia me roubado. Lembrava-me de cada detalhe da cena, até o cheiro das folhas na rua, o perfume que ele usava, que era o meu preferido, lembrava me do frio que percorria por minha nuca e o calor corporal que ele me passava enquanto estávamos abraçados. Imaginava também o motivo dele me beijar, apesar de ser o mais óbvio, a ficha ainda não tinha caído. Ssentia uma felicidade tremenda ao lembrar me dos melhores e mais marcantes momentos da vida em que levamos juntos, apenas como amigos, quando eu nem desconfiava de Felipe gostar de mim, e nem de que gostasse dele também.
Enxugueimse devagar e carinhosamente, imaginando como se fosse ele a tocar suavemente minha pele aveludada, passei creme hidratante, penteei muito bem meus cabelos encaracolados e ruivos. Dei boa noite para minha mãe e padrasto com um beijo apaixonado em suas bochechas, que se rosaram com minha empolgação. Andei devagar e a passos leves para meu quarto, aproveitando a beleza da vida em cada passo, cada insignificante instante. Pus-me em minha cama, ajeitou me sob a coberta. Estava tão feliz, tão calma e serena que, ao contrário do que normalmente acontecia, adormeci fácil e rapidamente, com os pensamentos sobre o dia que sem dúvidas, até hoje, foi o melhor de toda a minha vida. Neste momento da minha vida, não havia nada que eu quisesse mais do que estar com meu amigo amado, não pensei em absolutamente nada que pudesse ser melhor naquele momento.
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