Palavras de Heagle
52 Hugo e Eu
Notas iniciais
Quando cheguei ao restaurante do Hotel, lá estava ele, aquele homem maravilhoso que... mesmo que fosse um idiota, eu amava tanto. Estava com um sobretudo, os cabelos impecáveis para trás, e um sapato preto que ele tanto gostava. Para detalhar, eu que lhe dei aquele sapato de aniversário.
- Marietta. – sorriu, ao me ver. Levantou-se, deu-me um abraço e um beijo (leve) na testa. Retribui aquela gentileza momentânea e suspeita... e sentamos.
(E ignorem se o dialogo a seguir está “diretão” demais, mas foi exatamente assim que aconteceu).
- Fiquei surpresa pelo convite.
- Meus sócios desmarcaram o compromisso. Então, por que não revê-la?
Atá... ele só estava me vendo porque não tinha mais nada interessante para fazer. Ponto negativo, senhor Hugo.
- Ah, entendo... então...
- Esse Hotel é agradável.
- Também acho, sinto-me em casa.
- Embora nossa casa esteja há muitos kilômetros de distância.
Tá, aquele papo estava estranho, então, vamos ser diretos:
- Onde quer chegar, Hugo? – perguntei, sem rodeios. Ele riu... um pouco baixinho, acenando para o garçom.
- Não sei Marietta, percebi que somos casados, mas não estamos juntos.
- Não por falta de esforço meu.
- Ah querida... eu...
TÁ, PARA TUDO. ELE... ME CHAMOU... DE QUERIDA. QUERIDA! QUEEEERIIIDA!
- O que você disse? – perguntei, cutucando meu ouvido. Acho que eu tinha fumado um baseado sem saber, só pode.
- Te chamei de querida. Sempre te chamei assim.
- Hugo... há muito tempo você não fala isso.
- É, talvez seja verdade.
Depois disso, fiquei em choque. Eu e ele conversamos... como se não tivéssemos brigas. Sério... voltamos a ter 19 anos, e rimos ao lembrar de nossas venetas. Nossas discussões. Nossa... vida juntos. Caralho, por que ele estava fazendo aquilo comigo? Por que me apaixonar ainda mais, sabendo que a qualquer momento o sonho iria acabar... e ele voltaria a ser o empresário Hugo: centrado, calculista... e frio?
- Foi bom te ver. – disse ele, levantando-se. – Mas preciso ir.
- Não vai subir, nenhum pouco?
Não, eu não estava convidando o Hugo para conhecer meu apartamento. Estava convidando ele para... passar a noite comigo, reviver os tempos que éramos tão...
- Eu...
- Vamos... não temos nada a perder. – sorri, agarrando-lhe sua mão. Ahá... o resto... depois eu conto.
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