Palavras ao Vento
12 Mestres de seus Destinos, Capitães de suas Almas - 1994
Notas iniciais
O verão estava próximo, e eu voltei novamente àquele continente tão antigo quanto o próprio mundo.
Desci até o sul, impulsionando as brisas frescas da estação. Flanei por savanas e imensas planícies até chegar aquele momento emblemático: quando vi a história dos homens mais uma vez ser refeita.
Não é de hoje que comento sobre o quanto jamais compreendi a dificuldade humana de lidar com as diferenças. Tampouco o quanto sempre me choquei com sua capacidade de romperem-se, fragmentarem-se em vários nichos tristes e ressabiados, temendo um ao outro pelas minúsculas heterogeneidades... Sem perceber que a multiplicidade de suas semelhanças eram maiores, e os uniam em igualdade.
No final daquela primavera, não eram apenas as flores renovadas em pétalas abertas que sugeriam um novo futuro. Naquele país que louvava a segregação, no qual as lúgubres e desmembradas leis incentivavam a marginalização de grupos étnicos... Um dos seres humanos mais fascinantes que tive a oportunidade de conhecer ganhou as eleições presidenciais.
Depois de anos na prisão por ter tido a coragem de lutar contra a desigualdade social, enfim conseguira o fim dos privilégios sem sentido de uma etnia sobre a outra.
Era o fim da apartação e o florescer da igualdade.
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