Palavras Não Ditas, São Cartas Escritas
3 - A indesejada
Notas iniciais
Era meia noite e eu não tinha conseguido dormir ainda. Teria um longo dia na manhã seguinte, mas nem isso me ajudou a pregar o olho de vez e quem sabe entrar em coma e encontrar a tão desejada pelo ser humano, a paz. Essa que nunca senti e sempre pedi desesperadamente a um ser superior, completamente exterior ao plano carnal. Um espírito divino, dotado de poderes sobrenaturais, capaz de mudar minha vida e a de todos com apenas um estalar de dedos, ou quem sabe uma vara de condão. Vai saber.
Contrariando minhas expectativas, rolei na cama em busca de sono e só o que encontrei foi o vazio, não o da cama, mas o do peito (ainda não descobri qual machuca mais).
O vazio insubstituível. A tristeza profunda, que causou inveja ao meu sono, que queria ser tão intenso quanto à amargurada da saudade.
Uma vez ouvi certa frase: “Saudade é melhor do que caminhar vazio.” Desculpe Senhor Poeta Não Identificado, mas eu discordo do senhor. A saudade é indesejável, uma moça horrível que devasta a vida alheia. Ela dói, corrói, destrói, não só quem a sente, mas afeta até os desavisados. Então se for para eu “caminhar”, que seja sentindo nada, completamente insensível e alheia ao sentimento do outros.
Rolei mais um pouco e enfiei minha cabeça debaixo do travesseiro. Fechei os olhos e te imaginei. Não suportando mais, sussurrei seu nome incontáveis vezes, querendo que, ao menos, você se materializasse em meu sonho.
– E dissesse que me ama.
Notas finais
Espero que um dia a saudade ao menos não prejudique meu sono, ou minha vida no geral. Mas afinal, quem nunca sofreu de insônia pelo turbilhão de pensamentos e sentimentos ao longo do dia?
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Parando meu momento filosófico, como vcs estão?
Alguém já passou por algo semelhante?
Bjs
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