Jellal estava deitado em sua cama e sabia dizer bem quem era a dona daquela cascata escarlete jogada pelo travesseiro ao lado, aquele lindo corpo que no momento repousava numa grande fofura silenciosa, ele admirava bastante o rosto da menina-mulher deitada ao seu lado agora, Erza dormia feito um Anjo, era linda assim, quando acordava Natsu e Gray pensavam bem o contrário!

Enquanto observava aquela bela cena começou a lembrar de sua infância... Erza era muito fofa nessa época, mesmo que sendo escrava naquela torre.

São sorrisos largos, lagos repletos

De azul os corações atentos,

Ventos do sul

São visões abertas

Certas despertas, pra luz

A emoção alerta que nos conduz

Ele lembra de quando conheceu ela e quando lhe deu o sobrenome tão prestigiado hoje mundo a fora... Lembra o quanto a fez ser especial para si mesmo, não podia dizer que não a achava feia quando ficava triste, pois a primeira vez que ele a vira sorrindo, sabia com certeza que era amor puro.

Sonhos, aventuras, juras

Promessas,

Dessas que um dia acontecerão

Você me daria a mão?

Ele fazia de tudo para vê-la com um grande e largo sorriso, mesmo no dia em que Erza foi castigada, no dia em que quase perdeu sua visão, Jellal não a deixaria ali, não deixaria de amá-la, não poderia, sentia que aquilo seria o maior dos pecados.

Todos estes versos, soltos

Dispersos,

No meu novo universo serão...

Palavras do coração

Lembra do dia em que ela liberou sua magia, o dia em que a deixou sozinha, o dia em que a feriu, que a magoou, que a fez perder qualquer fio de esperança no amor dela por ele.

Lembra quando matou Simon, quando a fez chorar... Também lembra de quando Natsu jurou matá-lo caso isso voltasse a acontecer, ele a fez e ele morreu...

Os artifícios vícios

Deixando de ser os velhos compromissos

Para esquecer,

São pontos de vista

Uma conquista,

Comum o mesmo pé na estrada...

De cada um

Ah, quando Jellal voltou e não lembrava de nada se sentiu pior ainda, pois justamente quando não se lembrava de nada a ruiva apareceu de novo, ele lembrava apenas dela, nada mais que ela e seu cabelo escarlete, aquele cabelo que tanto ama, aquilo estava tão cravado em sua memória que sua culpa estava o corroendo muito, ele não queria se aproximar mais, não queria machucá-la de novo, não queria perdê-la, isso seria mais do que uma morte, seria uma grande estadia no inferno.

Sonhos, aventuras, juras

Promessas,

Dessas que um dia acontecerão

Você me daria a mão?

Ele lembra de quando reviu a mais velha, ela estava nos Jogos Mágicos, ele já estava longe da prisão, mas a um passo de voltar já que não terminou de cumprir sua sentença... Não era para a vida toda, mas demoraria muito tempo, tempo que para os dois, seria um sacrifício esperar.

Lembra de quando conversou com ela pela primeira vez após isso, o quanto ficou feliz em terminar definitivamente com os problemas que causou, como ficou agoniado em deixá-la sozinha de novo, o quanto foi difícil vê-la chorar por ele ter que ir embora.

Era tão ruim se afastar da mulher que ama... Ele não aguentava, voltava sempre que podia e esse “sempre que podia” era sempre muito cedo.

Ele conseguiu o perdão dela, conseguiu o perdão de todos, mas não conseguiu o perdão de si mesmo, aquilo, a culpa, ainda o atormentava, ainda o enchia de dúvidas e angústias sem fim.

Todos estes versos soltos

Dispersos,

No meu novo universo serão...

Palavras do coração...

Ele estava mesmo carregando a culpa, a culpa de quase matar quem tanto ama, mas ela trazia o alívio dele, trazia uma paz e alegria indescritíveis, aquilo o fazia sorrir muito e era o que motivava tanto Erza a se manter em pé, a continuar vivendo, ele vive por ele, vive pela Fairy Tail, vive por quem a ama.

Não é toa que recebeu um nome tão especial, não é toa que tem um poder especial, não é toa que está ali, agora, com ele...

Ela tinha mais um grande motivo para estar viva, um motivo que Jellal fez se tornar uma dádiva e agora razão de existência, uma razão tão única que nem mesmo ela sabe descrever...

E despertando do seu mundo ele ouve um choro não muito distante dali, olha para a amada ruiva e nota-se que está dormindo, então...

-Mais um dia de pai... -sorriso torto para quem não o aprecia né?... O azulado caminhou até a porta de frente e viu a coisa mais fofa que existe depois de Erza, uma miniatura dela com os cabelos em tom vinho, mas era um vinho bem forte, e era apenas olhar para o relativamente grande pai que a pequena versão de Erza sorria... Jellal não aguentava aquela fofurice* toda.

-Mesmo que use roupa rosa o vermelho combina mais com você filha... -ele tinha razão, o vermelho combina com muitas coisas, o vermelho é uma cor que te faz enxergar no escuro do vazio, te faz sorrir com o sol, te faz simplesmente... amá-lo muito...

Notas finais
se ficou ruim comentem aí! =3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!